Flamel

25 O retorno a Terra


Notas iniciais
Welldone, estou aqui para lançar mais um capítulo super atrasado de flamel. Espero que vocês estejam gostando do desenvolvimento da trama. Enjoy It.

Ainda de olhos fechados, levei minha mão ao seu rosto. Pude perceber tristeza em seu olhar. Eu sentia que Mary estava preocupada. Ao notar que eu percebi, ela desviou o olhar e se afastou de mim.

— O que houve, Mary? Eu estou aqui pra te ouvir, depois de você ter me salvo tantas vezes, é o mínimo que eu posso fazer.

— Eu.... Tenho um mal pressentimento sobre a terra. — Disse Mary.

Antes que eu começasse a falar alguma coisa, somos interrompidos por Amohi batendo na porta.

— Posso entrar, ou os dois pombinhos querem privacidade?

Mary abre a porta e sai do quarto deixando eu e Amohi a sós.

— Acho que cheguei e má hora. Só vim avisar que em breve partiremos para a Terra. Espero que suas malas estejam prontas.

— Estão sim. — Disse enquanto apontava para algumas caixas de madeira que alguns soldados haviam trazido enquanto eu estava inconsciente. — Quanto tempo de viagem demorará para chegarmos na terra?

— Fique tranquilo, só vamos demorar entre duas e três horas de viagem. Sem o exército de Jandar, nós vamos usar velocidade de dobra e a via mais rápida para chegarmos lá.

Finalmente chega o dia em que vou retornar ao meu planeta natal. Mal espero a hora de sentir novamente o cheiro do colégio que eu dividia com meus amigos e podia me sentir seguro. O que será que eles fizeram nesse período em que estive ausente? Levando em conta o tempo deles, passei quatro anos fora, todos eles já se formaram e estão começando a levar a vida deles para outros rumos, que eu não vou poder acompanhar.

Antes de sair do quarto que estou, faço questão de colocar o uniforme cinza escuro que me foi dado quando cheguei aqui. Preciso passar cada vez mais a imagem de que sou normal e nunca vou deixar essa ideia de ser rei subir a minha cabeça.

...

Saindo do QG da resistência, vejo do lado de fora dos portões, as naves que nos levaram para a mina de Falir. Nossos números foram reduzidos graças ao nosso despreparo. Somente alguns soldados dos outros esquadrões sobreviveram. Bantro e Duncan estavam desaparecidos, mas algo me dizia que eles estavam vivos. Enquanto me distraio com meus pensamentos, Mary se "teleporta" pro meu lado.

— Ryan, nós três e mais alguns soldados vamos numa nave bem discreta para a terra, não temos como saber se eles estão nos esperando e precisamos que a nossa nave não chame a atenção. — Disse Mary apontando para um grupo de soldados que Amohi estava dando instruções.

— Suspeitei que nós utilizaríamos essa tática, eu fico preocupado com os outros que seriam nossos "escudos". — Disse enquanto levava a mão para o pequeno desconforto que sentia em meu coração quando eu pensava em outras pessoas morrendo por mim.

— Não se preocupe com isso, todos tem ordens para não entrar em combate e usar as cápsulas de fuga para entrar no planeta. Nós deixaremos uma parte do exército aqui para a proteção do planeta e para nos buscar, se não tivermos naves, quando nossa missão estiver terminada. — Disse Mary dando um tapinha no meu ombro. — Anime-se, logo você encontrará seus amigos novamente.

Mesmo com as palavras tranquilizadoras da ruiva, eu sei que haverão baixas no exército, isso é inevitável.

Sou guiado para a nave que eu vou para a terra, por um dos soldados que iriam na mesma nave que eu. Ele estava claramente nervoso, provavelmente por estar sendo um dos meus guarda costas.

— Aqui majestade, esse será nosso meio de transporte, se me permitir, vou me juntar aos outros. — Seu cabelo escuro, pele levemente azulada e olhos avermelhados eram bastante comuns aos outros soldados, mas ele, por algum motivo, me lembra como eu era quando essa jornada começou.

— Qual o seu nome? — Indaguei.

— M-meu nome é Munos, apesar da minha baixa patente, sou um soldado experiente, estive em diversas batalhas ao lado da resistência, majestade.

— Entendo, o que você era antes de se tornar soldado? Me chame de Ryan.

— Meus pais eram agricultores, mas foram mortos logo no inicio da guerra. O capitão Amohi me salvou e treinou para que eu pudesse estar aqui.

— Espero que todo mundo fique bem e que terminemos essa missão logo.

— Vocês dois aí, precisamos embarcar. — Disse Amohi que vinha caminhando na direção da nave.

Só agora pude observa-la, ela é claramente, uma nave de passeio. Compacta e ágil. Sua cor era preta fosca e ao contrário das outras naves, ela não era quadrada, mas tinha uma forma de tridente com as asas nas laterais em diagonal para trás.

Entro por uma porta que fica na parte de trás da nave. Por dentro ela era tão imponente quanto parecia ser na parte de fora. Havia vários assentos nas laterais daquela entrada, todos os soldados que nos acompanhavam já estavam em seus lugares. Amohi estava conversando com o piloto de nossa nave.

— Nós já estamos prontos para partir, pessoal. Todos se segurem, pois não sabemos o que vai nos esperar na nossa chegada à terra. — Disse Mary quando recebeu a confirmação de Amohi.

A ruiva pediu para eu acompanha-la até uma sala privada que se encontrava descendo uma escadinha lateral. O cômodo continha uma escrivaninha, uma cápsula de hibernação que utilizei para chegar em Jandar e uma grande janela que dava pra ver as outras naves na pista de decolagem.

Segundos depois, ouvi um barulho agudo, mas bem baixo, tudo indicava que esse era o barulho do motor. Logo depois de levantarmos voo, pude ver na janela, que todas as outras naves estavam fazendo o mesmo. Não demorou muito até que eu pudesse ver o Jandar se afastando. Para minha surpresa, ele parecia estar se recuperando das atrocidades que Raenuc estava fazendo. Pude perceber mais tons de verde nele dessa vez.

— É o início do que vocês chamam de primavera. Todo o planeta fica mais verde e colorido. Até nossos mares saem da cor vermelha e vão para uma cor mais azulada. Ele fica muito parecido com a terra. — Disse Mary enquanto olhava pelo mesmo vidro que eu.

— Engraçado, nunca achei que fosse sentir falta de Jandar, mas aqui estou eu me sentindo todo nostálgico ao partir.

— Essa foi a mesma sensação de quando eu saí da terra. Estou muito feliz por estar voltando pra lá, mas estou triste pelas circunstâncias. — Mary se afastou da janela e se sentou na cama. — Te trouxe aqui porque queria conversar a sós com você, sinto que cada vez menos estou fazendo isso.

— Mary, eu... — Comecei.

— Eu sei Ryan, sei que você me ama e quer estar comigo cada vez mais. Eu te trouxe aqui pra dizer que sinto o mesmo. Eu precisava de um tempo pra pensar. Eu achei que eu estava destinada a estar com Galter. Eu fui burra e não dei ouvidos ao que meu coração dizia para mim. Me desculpe por isso.

— Tinha me esquecido como você é direta no assunto. — Disse sorrindo.

Conversamos como nunca. Logo as horas se tornaram minutos e os segundos escorriam pelos nossos dedos. Estar com ela, fez o tempo passar rápido demais.

Nossos olhos novamente se fixaram um no outro. O castanho dos seus olhos me hipnotizavam de uma forma que eu não conseguia explicar. Nós dois, de forma sincronizada, engolimos a seco indicando que nós estávamos querendo saborear um ao outro a muito tempo.

Minha mão esquerda se moveu automaticamente para sua nuca. Pude sentir que o corpo dela tremia de nervosismo, assim como o meu. Nossas testas se unem, fazendo aquela ligação que podia ser sentida até os pontos mais remotos do universo. Eu não precisava abrir meus olhos pra saber que um sorriso estava estampado em seu rosto, assim como estava no meu. Um calor imenso começara a preencher meu corpo.

Meu coração estava saindo pela minha boca.

Automaticamente estávamos em uma bolha que era somente minha e dela. Nada mais tinha minha atenção, eu não podia mais ouvir o som agudo do motor da nave somente as batidas do meu coração sincronizado com o de Mary. Repousei minha mão direita em seu rosto e, sem perder tempo, a puxei para mim.

Meus lábios tocaram os dela.

O calor que antes era controlável, se tornou uma chama forte e feroz. Meu coração estava tão quente que parecia o mais quente dos sois no meio de todo o frio do espaço. Nenhum de nós dois queria sair daquele momento, tudo parecia em câmera lenta.

Quando nossos olhos se abriram e se encontraram novamente, um sorriso surgiu junto com a certeza de que eu havia encontrado a pessoa mais especial da minha vida.

Uma sirene começou a tocar nos avisando de contato com a frota inimiga. Pude ver pela janela que haviam algumas naves com grande poder bélico próximo da orbita da terra para nos recepcionar.

Mary logo se levantou e foi em direção aos soldados na sala principal.

— Vocês sabem o que fazer, nós não vamos entrar em combate com essa nave, então preparem todos os dispositivos de fuga e se preparem para fugir para a terra. Nossa prioridade é levar o Ryan em segurança.

Todos fizeram o sinal da resistência e ficaram perto dos módulos de escape, mas o que a gente não esperava, aconteceu. Um dos soldados que estava conosco empunhou sua flamel e, numa fração de segundos, matou Munos bem na minha frente. Amohi e Mary imobilizaram esse soldado enquanto eu tentava curar Munos, mas tudo foi em vão, sua alma já havia partido.

— Koh Ni Kuram. — Me levanto e vou em direção ao traidor enquanto o corpo de Munos se transforma em pó. — Por que você fez isso? Quem te deu essa ordem?!

Antes de responder, o soldado que não estava mais ao nosso lado, sorriu e Amohi o perfurou, matando-o.

— Temos outras coisas para nos preocupar agora. Há um furo no casco que a energia de contenção dessa nave não vai conseguir segurar e nós vamos ficar sem ar. — Disse Amohi.

— Por que você matou ele? — Disse enquanto Mary me levava para minha cápsula no quarto.

— Acalme-se Ryan, tudo vai ficar bem no final. Essa cápsula consegue suportar dois usuários, então não vai ser problema pra gente. — Mary apontava para a cama que depois de apertar uns botões na lateral, se tornou uma cápsula dupla.

— Por que Munos teve de morrer assim? Ele era novo, não merecia isso.

— Ninguém merece passar por isso, mas sei que ele prefere que tenha sido ele a você. Eu vou ficar ao seu lado por todo o tempo Ryan, confia em mim, vamos sair dessa juntos.

Depois das palavras de Mary, nossa cápsula de fuga se desacoplou da nave e foi lançada em direção a terra. Graças as outras naves que estavam servindo de escudo, nós conseguimos esquivar da maioria da frota inimiga. Eu já estava começando a sentir o calor vindo da reentrada no planeta. Vi que nosso plano tinha dado certo, perdemos muitas naves, mas praticamente todo o nosso exército estava fazendo a reentrada no planeta.

Eu já podia sentir o sol atravessando a camada de ozônio tocando minha pele quando, um feixe de luz vindo de uma nave inimiga, danificou nosso módulo de fuga.

Mary tentou soltar o paraquedas do módulo, mas isso parecia estar boicotado, pois o sistema dizia que não havia paraquedas instalado no módulo.

— Que droga! Aquele soldado tirou nosso paraquedas, nós estamos caindo para a morte! — Disse Mary dando um soco nos controles.

— Logo agora que nós resolvemos aceitar os nossos sentimentos? Eu me recuso a morrer!

Minha raiva fez com que fôssemos ejetados do módulo.

— Ei, parceiro, parece que você está em apuros de novo. Essa energia que você liberou a uns minutos atrás, foi o necessário para eu me lembrar de uma técnica que meu antigo portador utilizava. — Disse Eligor. — Preciso que você se concentre e imagine que você é a seta da flamel na balestra. Lembre-se do formato da energia. Quando estiver pronto, canalize essa energia através de seu corpo e alguma coisa deve acontecer, só não lembro o que.

— Tá falando sério? Isso pode nos salvar? — Indaguei de volta, mas sem sucesso.

— Eligor te deu uma dica de como sobreviver? — Quase não pude ouvir Mary graças a grande quantidade de vento passando por nós.

Abracei Mary com todas as forças e nos envolvi com toda energia que eu tinha. Meus instintos me diziam para focar toda essa energia para o chão e assim o fiz. Trouxe os lábios de Mary novamente em volta dos meus e uma grande explosão de energia aconteceu. Pude perceber que nossa velocidade estava diminuindo. A energia de Onir em volta do meu corpo estava servindo de amortecedor fazendo-nos aterrissar de forma leve e graciosa no alto de um prédio na minha cidade.

— Ryan, o que foi isso? — Indagou Mary. — Nunca ouvi falar de um usuário que pudesse voar.

— Eu estava voando? Pensei que isso só fizesse amortecer a queda.

— Você ainda está voando. — Disse Mary enquanto apontava para meus pés do lado de fora do heliporto que pousamos. — Só estamos namorando por algumas horas e já quase morremos. — Disse Mary enquanto sorria.

Notas finais
Enfim pessoal, finalmente saiu o beijo né? Foi uma cena que eu estava planejando a um tempo e eu estava inseguro para escreve-la, mas quando eu imaginei a nave, senti que aquele era o momento. Espero que tenham gostado. Não se esqueçam de deixar um comentário pra ajudar a minha escrita a melhorar. Até a próxima. Welldone, Cya.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.