Flamel

16 Nova Realidade


Notas iniciais
É isso mesmo? Um ano sem postar? Nossa! Estou surpreso com a minha demora, mas sabe como é, tenho uma vida sem ser a de fingir que escrevo. Enfim, boa leitura. :)

Minha mente é preenchida com imagens do planeta que Mary me mostrou. Até que o lugar não era cinza e sombrio como parecia, creio que isso só foi uma forma do rei me mostrar o quão deprimido se sentia com a situação de Jandar.

Logo a imagem muda. Um planalto nevado e extenso aparece na minha frente. O céu que me rodeava era rosa com poucas nuvens. Um pequeno sol vermelho me iluminava em toda a sua capacidade. Um animal exótico parecido com uma raposa me chama a atenção. Seus olhos negros com pupilas vermelhas, orelhas altas com pelos curtos e brancos saindo das mesmas, sua pelugem azul escura como o fundo do oceano e duas caudas que juntas faziam um arco-íris em tempo real.

Essa criatura me fitava com tanta intensidade que parecia que ele sabia que eu o vigiava. Quando estendi meu braço para toca-lo, ele correu e sumiu floresta a dentro.

Logo acordo e fito Cryn que sorri.

– Olá Cryn, onde está Mary? – Indaguei.

Tudo que eu recebi de volta foi um dedo que apontava para uma porta do outro lado de onde eu estava. Me dirijo até aquele pedaço de metal que se abre na medida que eu vou andando em sua direção. Me encontro em um corredor com outras duas portas. De um lado eu ouvia o barulho de água caindo como se fosse um chuveiro e do outro canto eu não sentia a presença ninguém.

– Ryan, antes de entrar nessa porta onde você debilmente colocou o ouvido pra saber o que se passava, é um banheiro. Não entre até eu dizer que pode. – Disse Mary em um tom bem amedrontador.

– O-ok, mas você não precisava me assustar assim. – Sussurro.

Alguns minutos se passaram até que eu ouvisse Mary falar que eu já podia entrar, e isso lógico em um tom mais suave. Quando eu abro a porta, vejo a ruiva enrolada numa toalha azul. Engraçado que fiquei surpreso com o tamanho de seu cabelo que havia sido cortado um pouco a cima da altura dos ombros.

– Você não quer morrer aqui, quer ? – Disse Mary enquanto corava de leve.

– M-mas você disse que eu podia entrar.

– Entrar você pode sim, mas me olhar desse jeito me incomoda. – Mary franzia a testa e me encarava.

– Me desculpe, fiquei um pouco surpreso com o tamanho do seu cabelo. – Depois que disse isso, percebi que tinha bastante cabelo cortado no chão do banheiro.

– Entendo, mas porque você não olha o próprio? –Mary esboçava um leve sorriso no canto de sua boca enquanto girava uma espécie de prateleira com três espelhos ovais na vertical.

– Então se passou dois anos mesmo não é? – Disse em um tom um pouco preocupado enquanto via que meus cabelos estavam nas costas.

– Que tom é esse? Ele não combina muito com você. – Disse Mary enquanto me dava a tesoura que ela usou pra cortar o próprio cabelo.

– Tava pensando em como todo mundo está, se eles todos estão bem, esse tipo de coisa. Que engraçado, pensei que você ia me dar uma tesoura alienígena, etc. – Sorri.

– Não usamos esse tipo de coisa, normalmente é na lâmina mesmo. – Disse Mary enquanto saía.

– O que você quer dizer com ... – Disse de forma vá, pois a ruiva ja estava longe.

Corto meu cabelo da forma que eu acho a certa. Por incrível que pareça, consigo que ele fique parecido com a época antes de tudo acontecer, traduzindo, bem curto.

Assim que termino de cortar o cabelo e aparar a barba, que até então, eu não sabia que tinha, me dirijo a ponte da nave. Ouço uma sirene tocando e logo Cryn entra em desespero e Gusharir vem em minha direção.

– O que está acontecendo? – Pergunto.

– Provavelmente fomos avistados por alguma patrulha Jandariana e em breve eles vão nos atacar. – Disse Gush de forma fria.

– Sério? O que faremos? Temos como combater?

– É lógico, apesar de ter uma atitude um pouco fria e desconfiada, eu prezo pela minha vida. – Disse Gusharir se dirigindo a Cryn.

– Sulote Aimetah! Sulote Aimetah! – Gritou Cryn.

– Deixe-me colocar isto em você. – Disse Mary tirando de sua orelha e colando atrás de minha, um pequeno eletrodo azul com uma espécie de fone de ouvido.

– O que é isso? – Indaguei.

– Assim está muito melhor. Isso é um tradutor nervoso. Ele escuta as línguas conhecidas e traduz simultaneamente e o seu cérebro recebe tudo isso. Ah, e quando você falar, não perceberá, mas falará em outras línguas. – Disse Mary coçando a cabeça.

– Acho que não entendi. – Disse franzindo minha testa.

– Você pode não perceber, mas agora você e eu estamos falando em Jandariano. Usei isso em meus primeiros dias na terra antes de conhecer sua língua.

– Parem o ataque! – Gritou Cryn.

– Gusharir, o que podemos fazer? –Perguntei.

– Por hora, vocês podem entrar na cápsula de evacuação e fugir da nave, eu e Cryn vamos atrás de vocês.

– Mas o que houve afinal? –Perguntou Mary.

–Fomos vistos pela guarda Jandariana. Traduzindo, não temos permissão de estar aqui, então eles nos abaterão em breve.

–Ryan, deite no lugar onde você fez a viagem e vamos embora daqui. Para despistarmos a guarda, pousaremos perto um do outro, mas dará algumas horas de caminhada, então não saia de lá para não correr riscos,ok? – Disse Mary apontando pra minha cama.

– Certo, mas eles vem, né? –Disse deitando em meu leito.

– Não temos tempo pra isso! Vou te enviar agora. – Gritou Cryn apertando um botão verde no painel que estava a sua frente.

Logo estou fora da nave enfrentando turbulência da reentrada no planeta verde que eu tinha visto. Próximo a mim, está Mary, mas a rajada de algum laser danificou sua capsula. "Mary! Não!" era o que eu queria gritar, mas percebi que ela não escutaria e sua nave já estava se controlando.

Quando volto meus olhos para onde estão os outros, ela não está mais lá. O que sobrou foram os destroços e uma outra cápsula que vinha na direção de Jandar. "Tomara que todos tenham saído em segurança." pensei comigo mesmo, mas algo me dizia pra não ficar tão esperançoso assim. Pouco a pouco minha vista começara a ficar turva e eu perdi a consciência.

Logo que acordo, percebo que estou no final de tarde. Começo a chutar o vidro que estava na minha frente até que o mesmo solte e caia na cratera onde minha capsula caiu. Um tecido vermelho com cordas brancas amarradas rodeava minha nave, provavelmente é o paraquedas amorteceu minha queda.

Subi em minha nave para ter mais campo de visão e cheguei a uma conclusão óbvia, estou no meio de uma cratera, no meio de um planalto gelado, no meio de um planeta que não conheço. Que coisa ótima. Engraçado que não importa onde eu olhava, eu só via neve e montanhas ao longe. Talvez os seriados que eu via sobre a sobrevivência em lugares selvagens me ajude aqui.

Ouço um barulho vindo por um dos lados da cratera. Quando forço meus olhos para enxergar em meio a luz do entardecer que se estendia por todo o terreno, avisto a criatura de meus sonhos. Sua calda iluminava uma pequena parte ao seu redor como se fosse uma lanterna ambulante.

Posso sentir os seus olhos me chamando. Vou em sua direção como se aquele ser fosse parte de mim. Sigo em passos firmes e pouco a pouco vou escalando a cratera que foi feita pela minha queda. Assim como naquele sonho, cada vez que me aproximo a dele e tento toca-lo, ele corre e me espera em outro ponto bem mais à frente.

Depois de andar por quase duas horas, a criatura me guiou a uma grande montanha no meio daquele terreno desolador e agora escuro, onde a unica fonte de luz que eu via era a cauda daquela raposa. Avisto uma muralha enorme feita de tijolos e concreto com diversas tochas e sombras que pareciam guardas, meu guia me abandonou com um leve cumprimento na forma de um olhar e uma corrida para longe de mim.

– Espera, volta aqui! – Gritei em vão na direção daquele animal que voltava pro meio da neve.

– Atenção, você está invadindo uma zona militar avançada. Dê meia volta ou você será morto.

– Droga! Eles são da guarda. – Disse enquanto começava a correr na direção contrária para fugir.

De forma vã eu corro até bater em algo bem grande. Logo penso que minha vida acabaria ali de forma bem ridícula. Enquanto eu estava no chão todo apavorado, aquele ser acendeu um cilindro que clareava um pouco ao redor. Logo reconheci que o vulto se tratava de Amohi e sua enorme flamel em suas costas.

– Sua expressão é inesperada Ryan. Mary pediu para vir te encontrar, ela queria assegurar o perímetro. – Disse Amohi.

– Droga, você me assustou. Trate de falar baixo pois eles podem te ouvir. – Disse enquanto me levantava.

– Ryan, Gush e Cryn morreram na nave, assim que minha capsula saiu, eles a guarda de jandar a explodiu. Eu sinto muito. Sei que é bastante coisa para você lidar agora, mas depois conversamos sobre isso, ok?

– Ta... – Disse com uma voz tristonha.

– Vamos, eles estão naquela luz! Não deixaremos esses soldados impunes. – Ouço essas vozes vindo em minha direção.

– Corre Amohi, eles estão atrás de mim.

– Essa voz... Hey! Estamos aqui! – Gritou Amohi.

– Você ta maluco?! Eles vão nos matar! – Gritei um pouco antes de evocar Eligor.

– Amohi! Quantos anos se passaram? 4? – Disse o homem tirando o gorro que tapava seu rosto. Assim que ele o fez os outros que pareciam seus subordinaram o fizeram também.

Galter tinha por volta de 1,80m, olhos da cor de sangue, cabelos negros até os ombros e uma barba serrada na mesma cor de seus cabelos. Uma cicatriz em pescoço me chamava a atenção, tudo indica que foi de um projétil que pegou de raspão. Ele e seus homens vestem algo que parece pelo de um animal branco e felpudo da cabeça aos pés, além de uma capa branca é claro. Provavelmente essa vestimenta era pra camuflagem naquele tipo de terreno nevado e frio.

– Sim Galter, quase 5 anos sem saber o que é estar em casa. – Disse Amohi enquanto encostavam seus antebraços em forma de cumprimento.

– Espera aí, vocês se conhecem? – Indago.

– Capitão Galter, o intruso que nós estávamos perseguindo é ele! – Disse um dos subordinados.

– Quem? Ele? Galter, é um engano. Ele é o rei de Jandar por direito, eu e Mary saímos em missão para aquele planeta por ele, lembra? – Disse Amohi.

– Vocês estão malucos? Ajoelhem perante seu rei e peçam desculpas. Ele até foi capaz de ser merecedor de empunhar a Eligor. Tenham respeito – Disse Galter que também se ajoelhava.

– Se levantem, não precisam fazer esse tipo de cortesia, um aperto de mão já ta de bom tamanho. – Digo sorrindo.

– Ryan, esse é Galter, um capitão da resistência assim como eu. Ele e Mary... – Dizia Amohi até ser interrompido.

– Ouvi meu nome sendo citado em algum lugar. – Disse a silhueta que ia em direção a luz.

– Mary, meu amor, faz muito tempo. – Disse Galter enquanto a abraçava e dava um selinho em seus lábios.

– Então, como eu ia dizendo, eles são noivos.– Completou Amohi.

Naquele momento, senti uma fisgada em meu coração, como se ele tivesse partido. Jurei pra mim mesmo não gostar de Mary ou ter algum tipo de sentimento por ela, mas será que eu não sou capaz de manter essa promessa pra mim mesmo? Que ridículo, viajar por dois anos e descobrir que eu estou apaixonado por alguém que já tem compromisso.

– Espere Mary, seu cabelo... Eu sinto muito. – Disse Galter.

– Não sinta, não aconteceu a muito tempo. Além do mais, temos uma guerra para vencer, lembra? – Disse Mary com um sorriso desconcertado em minha direção.

Amohi sentiu o clima desconfortável que ficou e foi na frente dizendo para voltarmos ao forte. Supostamente uma nevasca enorme se aproximava de nossa posição.

No caminho para o forte, tudo que eu pensava era em como eu resolveria essa situação da forma mais rápida possível. Não quero ser um fardo no casamento que há de vir entre eles dois. Todas aquelas vezes que ela aparecia em minha cama ou no meu quarto, todo aquele afeto que ela demonstrava, tudo aquilo foi para me seduzir a vir com ela? E com relação ao cabelo? O que ele quis dizer com sinto muito sobre o cabelo ruivo dela?

– Então Ryan, você ta pronto pra descobrir um mundo totalmente novo do que você conhece? – Perguntou Amohi.

– Olhando a arquitetura do seu muro e do seu portão, parece muito com a terra na época medieval.

– Sim, mas nós temos um pouco mais de tecnologia que eles. – Disse Amohi sorrindo.

Logo os portões foram abertos e o cheiro de uma nova aventura tomou conta de mim. Eu finalmente estava pronto.

Notas finais
Daqui a 8 dias minha história completa dois anos de idade, engraçado ler os textos antigos e ver como eu fui evoluindo a minha escrita. Deixando de ser nostálgico, comentem e recomendem se minha história vos agradar. Sem mais delongas, Até qualquer outro dia. o/