Flame
40 Capítulo 40
Notas iniciais
Capítulo 40:
Acordei assustada com um barulho na minha janela e vi de relance uma sombra humana. Meu corpo se arrepiou inteiro com a lembrança de que Selena ainda estava por ai com sua sede de vingança. Flashes do meu sequestro vieram em minha mente deixando uma sensação ruim em meu peito. Fazia algum tempo que não via Rafy, Nahuel e Emily. Rafy eu sei que ainda estava em La Push, Nahu e Emy tinham ido para Forks. Inconscientemente eu percebi que sempre tinha algum dos meninos perto de mim, sempre me protegendo e vigiando, talvez a sombra que eu vi fosse algum deles rondando a casa, ou simplesmente alguém passando na rua as 3 da manhã, o que eu não achava muito provável.
Eu estava sentindo falta da minha mãe, queria poder contar tudo isso á ela, não gostava de mentir tanto para ela. Eu achava meio impossível ela ter acreditado naquela história de acampamento, foram duas semanas fora, ou melhor, trancada lá dentro. Minha mãe sendo psicóloga podia detectar uma mentira á quilômetros, somente se a pessoa fosse muito convincente passaria por ela, não sabia o que Helena havia dito á mamãe, mas parece que Dona Lilian acabou acreditando.
Todas essas coisas aconteceram em minha vida em menos de 3 meses, em pensar que algum tempo atrás eu estava no Brasil, sem saber da existência do mundo sobrenatural, sem vontade de conhecer meu pai, sem saber da existência de meu irmão e madrasta, sem saber da existência desse amor que estou vivendo com Jake. Se alguém me dissesse que lobisomens, vampiros e híbridos existiam eu ia dar risada da cara dessa pessoa e diria que ela era louca, porém, por mais assustador que seja esse mundo, era magnifico.
Fui acordada do meu devaneio sobre os últimos grandes acontecimentos da minha vida quando uma mulher apareceu do nada em minha janela, porém, se a noite não fosse de lua cheia e houvesse nuvens, eu nunca perceberia que a mulher que estava pendurada no batente era Rafy. Levantei correndo e abri a janela para ela entrar.
–Finalmente, achei que ia me deixar do lado de fora- Fez drama, mas logo sorriu e me abraçou.
–Rafy! Estava mesmo pensando em você- Confessei.
–iiih sei não hein loirinha! Pensando em mim ás 3 da manha? O lobo não está dando conta não?- Riu da minha expressão entediada.
–Sai dessa! Estava pensando em como minha vida mudou nesses dias- Falei me sentando na cama e dando um tapinha para ela se juntar a mim.
–Eu imagino, a minha também mudou nessa ultima semana!- Se jogou para trás na cama, com os braços acima da cabeça- Eu estou amando Sofia! Amando!- Deu um sorriso enorme erguendo os braços e os largando em seguida.
–Que bom amiga! Como está sua relação com o Seth?- Perguntei.
–As mil maravilhas! Aquele menino... aaah aquele menino!- Suspirou- É literalmente um homem em corpo de menino!
–Ok! Eu não quero saber disso!- Ri sendo acompanhada por ela.
–Não... Não chegamos nisso ainda... É só que... O Seth é um amor, a pessoa de corpo, caráter e alma mais linda que já conheci Sô!- Se sentou de pernas cruzadas de frente para mim.
–Quem diria Rafaela Azevedo apaixonada! Logo você que zombou do imprinting quando eu falei sobre ele- Disse só para provocá-la.
–Eu sei, eu sei! E eu me arrependo de verdade sobre isso- Sussurrou.
–Mas a grande novidade é que meu querido irmão e minha querida amiga Leah são os mais novos lobos imprintados do momento- Falei rindo.
–Sério? Por quem?- Perguntou curiosa.
–Pelos meus amigos do Brasil, Daniel teve imprinting pela minha melhor amiga acredita? E Leah pelo irmão dela! Eu acho que fiz muito bem em tê-los trazidos até aqui- Falei.
–Sofia cupido- Sorriu e eu dei uma risadinha.
–Como está Nahu e Emy?- Perguntei.
–Estão bem, alugaram uma casa em Forks, acho que Emy vai tentar acha Lisa, espero que ela esteja bem, Selena ainda está por ai- Sussurrou com o olhar perdido.
–Pra falar a verdade, eu fiquei com medo de você ser ela, aquela hora na janela- Falei.
–Não se preocupe, você tem guarda costas 24 horas por dia- Sorriu- Mudando de assunto, o que acha de nós 4 irmos á Port Angeles, pegar um cineminha e depois jantar... O que acha?- Sugeriu.
–Acho ótimo, aliás, Jake e eu iriamos jantar amanhã, posso falar com ele- Disse.
–Ótimo, vou te deixar dormir- Sorriu amarelo- E desculpe ter vindo está hora, mas queria conversar um pouco com você, passei muito tempo com Seth- Disse sorrindo de lado. Ela estava muito sorridente e posso apostar tudo que o motivo desses sorrisos tinha nome, sobrenome e endereço.
–Tudo bem! Temos que marcar algo só nós meninas, algo como uma noite de garotas-Propus.
–Claro, estou precisando disso também- Falou se levantando e indo até a janela.
–Sabe? Acho que vou mudar a porta do meu quarto para o lugar da janela, todos entram e saem por ai mesmo- Revirei os olhos e ela gargalhou, logo tampando a boca com as mãos e sumiu janela a fora.
Algo que passou por minha cabeça me fez lembrar de Leah, precisava conversar com ela sobre Tom. O jeito que ela fugiu aqui de casa, alguma coisa além do imprinting assustou ela, eu vi isso em seus olhos. No caso de Suh, Dan se encarregaria de lhe contar tudo, e conhecendo-a do jeito que conheço, iria achar que Daniel estivesse curtindo com sua cara, e não iria acreditar até que ele provasse, e quando ele provasse, tinha certeza que ela teria um treco. Susan nunca foi do tipo de pessoa que acreditava em seres místicos, nem eu, mas acabei descobrindo da pior maneira que eu era um dos mais estranhos nesse mundo oculto, o que não me deixava nem um pouco confortável, longe disso. Isso me incomodava de um jeito que eu não entendia o porquê, eu simplesmente não me via como um ser sobrenatural, até alguns dias atrás eu era somente Sofia, um pequeno desastre natural com minha má coordenação e minha antipatia por pessoas que não conhecia. Uma garota a qual ridicularizava esse mundo por acha-lo ser algo para assustar crianças, o que funcionou comigo, por um tempo, até eu descobrir que as histórias que mamãe contava eram apenas lendas, e agora eu fazia parte da lenda, eu era aquele ser que eu descria, aliás, eu era dois daqueles seres que eu sempre pensei existir em histórias para criança dormir. E provavelmente era isso que me assustava. Eu não acreditava em mim mesma, eu não acreditava em minha própria existência.
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