Flame

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oláa, Bem-Vinda(o) a Flame, espero que gostem, também espero que comentem.

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Capitulo 01:


O sinal da que anunciava o termino da 2ª aula soou e o professor disse algo sobre fazer uma tarefa da pagina 150, mas sua voz foi abafada pela bagunça na sala, eu somente anotei em meu caderno e o fechei logo em seguida, para acompanhar Susan até os armários.


–Sério Sofia, você deveria ir à festa do Rick, sei lá, se socializar mais amiga! Conhecer mais garotos!- Dizia enquanto guardava seu material de História e pegava o de Português.


–Suh, você sabe que eu não sou dessas coisas. Prefiro ficar em casa assistindo um filme, por pior que ele seja a estar no meio de um bando de gente bêbada- Falei enquanto fazia o mesmo que ela.


–Tsc! Você é uma anti-social, isso sim! O que custa ir uma vez, na sua vida pacata, a uma festa?


–Eu não sou anti-social... Só não gosto das pessoas. Então se sinta privilegiada por eu gostar de você- Sorri para ela.


–Há! Quanta modéstia hein Srt. Jonasson Mars?!- Falou sarcástica.


–É um dom, não me culpe por isso, você sabe que... – Deixei a frase no ar quando meu celular tocou, olhei no ecrã: CASA.


Atendei no mesmo instante.


–Mãe?- Perguntei, ela nunca me ligava na escola, a não ser que fosse realmente importante.


–Sofia, criança, se acalme. Você esta na escola?- Disse uma voz que eu reconheci sendo de Joana¹, nossa vizinha. E quando ela disse “se acalme” pude sentir que não era noticia boa.


–Sim, sim! O que aconteceu Jô? Cadê minha mãe, foi alguma coisa com ela?- Perguntei rápida e preocupada, Susan me olhava atentamente e segurava minha mãe esquerda.


–Sim... Hã... Ela passou muito mal quando eu estava aqui, desmaiou- Senti o sangue do meu rosto sumir e meu corpo ficar gelado.


–Ela tá bem?- Cortei Joana.


–E-Eu não sei criança, ela já foi para o hospital, e eu só fiquei para avisar você, caso chegasse em casa e não houvesse ninguém-


–Para que hospital ela foi?- Cortei Joana novamente.


–Santa Luiza²- Eu desliguei assim que ela falou e sai correndo, Susan veio correndo atrás de mim perguntando o que houve e eu só tive tempo de dizer que minha mãe estava no hospital, antes de perdê-la de vista. Sai batendo nas pessoas que passavam por mim sem me importar, a única coisa que me vinha na mente era: não posso perder minha mãe, eu não tenho mais ninguém. Saí pelo portão da escola correndo, eu via tudo embaçado devido as lagrimas que já caiam em grande quantidade. Corria como se minha vida dependesse disso, e bom, na verdade dependia. Minha mãe era minha vida. Na hora, nem pensei em taxi, nem me importava se minhas pernas estavam doendo, de quantas vezes eu pisei torto nas calçadas deformadas, ou se meu prendedor de cabelo favorito ficou para trás. Eu só queria chegar naquele hospital e encontrar minha mãe bem, entrar por aquela porta e a ver sorrindo, dizendo que tudo não passou de um susto e que logo estaria voltando para casa, era só o médico aparecer naquele quarto ainda hoje. Por mais que eu corresse parecia que eu nunca saía do lugar, era como se eu estivesse num filme e tudo passasse em câmera lenta.


Quando eu finalmente passei pelas portas da recepção do hospital eu achei que aquele peso de perder minha mãe sumiria, mas não... Ele só aumentou, e muito.


–Por favor, eu preciso saber onde esta uma paciente que deu entrada a pouco- Disse desesperada e ofegante, só agora o efeito da corrida estava me afetando.


–Qual o nome?- A recepcionista disse na maior calma, eu era uma pessoa controlada, mas me deu uma vontade enorme de bater naquela mulher.


–Lilian Mars- Falei rapidamente, ela mexeu no computador.


–Quarto 248, no segundo andar, você precisa... – Só ouvi o numero do quarto e sai correndo novamente- EI VOCÊ NÃO PODE ENTRAR SE AUTORIZAÇÃO GAROTA!- Gritou inutilmente já que eu já estava longe. Subi pelas escadas mesmo, já havia me cansado vindo da escola até aqui, o que custava mais esse pequeno esforço. Corri pelo corredor desviando de algumas pessoas, quando achei o quarto 248 de longe corri mais ainda, abri a porta com tudo e a fechei, joguei minha bolsa em qualquer lugar do chão branco e fiquei junto à cama segurando a mão esquerda de minha mãe.


–Mãe- Sussurrei com a voz estrangulada devido ao bolo que estava em minha garganta. Ela abriu os olhos devagarzinho e apertou minha mão- Oh mãe! Eu fiquei com tanto medo de te perder!- Sentei na poltrona do lado da cama.


–Filha... – Sua voz saiu rouca e abafada devido a mascara de oxigênio- Não se preocupe já esta tudo bem...


–O que aconteceu com você? Eu fiquei tão preocupada!- Perguntei.


–Eu tive um mal estar, não conseguia respirar, então desmaiei. Desculpe se te fiz ficar preocupada filha!- Falou apertando minha mão.


–O medico já te examinou? Sabe o que você tem?- Perguntei já mais calma.


–Já, mais tarde ele vem aqui para dizer o resultado- Disse.


–Tá bem, eu vou ficar aqui com você e...


–Não, bonequinha, escuta!- Me cortou, olhei-a com cara confusa- Você vai pra casa.


–O que? Não mãe, vou esperar o médico!


–Sofia, escuta a mamãe. Você se lembra por que eu sempre te obriguei a aprender inglês não é?- Disse. Antes eu não entendia o porquê de minha mãe querer tanto que eu aprendesse inglês sendo que eu era brasileira e não pretendia sair do país.


–Sim, por que meu pai é americano- Mas quando eu já tinha idade suficiente para entender, ela contou sua história com meu pai. Foi um amor de inverno, como ela dizia. Mamãe sempre contava que ela havia ido para Forks – uma cidade americana, chuvosa, nublada e fria- fazer um intercambio, e quando faltavam alguns dias para ela voltar se envolveu com meu pai, John Jonasson, e que ela não contou a ele sobre mim. Na verdade eu nem me importava, nunca tive vontade de conhecê-lo e nunca reclamei esse direito para minha mãe, eu era feliz com ela, e para mim era aquilo que importava.


–Sim. Bom querida, eu acho que já está mais do que na hora de você conhecê-lo não acha?- Falou.


–Não estou te entendendo mãe- Disse confusa, aonde ela queria chegar com aquilo?


–Você vai para Forks, Sofia! Você vai morar com seu pai em La Push!- Falou e eu senti o sangue do meu rosto sumir – pela segunda vez no dia-. Ela não podia estar falando sério.


–Você não ta falando sério tá?- Ela soltou um riso fraco, é ela estava brincando. Sorri.


–Não bonequinha, eu nunca falei tão sério!- Meu sorriso se desfez.


–Não! Mãe! Eu nem conheço ele, nunca o vi na minha vida, ele nem sabe da minha existência, não posso simplesmente chegar lá e dizer: “olá John, eu sou sua filha, você se envolveu com minha mãe há 17 anos atrás, lembra?” – Falei irônica e nervosa.


–Sim Sofia — Falou, ela estava mesmo falando sério — John sabe da sua existência- Disse firme.


–O que? Ele sabe? Mas você disse que nunca contou a ele!- Levantei da poltrona e fiquei andando de um lado para o outro na frente da cama.


–Eu contei a ele faz 1 mês Sofia- Falou e eu parei de andar encarando ela.


–E você não me disse nada?- Perguntei com raiva, decepção, tristeza e indignação. Minha mãe nunca escondeu nada de mim.


–Eu ia te contar filha! Eu juro que ia, inclusive seria hoje!- Falou em um tom de desculpas- Você precisa ir querida! Precisa conhecer seu pai. Eu sempre te privei desse sentimento paterno- Disse, eu balancei a cabeça em negativa.


–Não mãe... Eu não vou deixar você aqui. Não vou deixar você aqui do jeito que esta, eu posso até ir, mas depois que você estiver bem, pra você poder ir comigo!- Falei chorando novamente, eu realmente era uma Maria mole.


–Isso esta fora de cogitação minha filha! Isso não é uma negociação, não é um pedido. É uma ordem, você vai para La Push morar com seu pai! Eu vou ficar bem Sofia.


–Não mãe! Não! Eu não vou deixar você aqui.


–Bonequinha, eu vou ficar bem meu amor, além do que, você vai hoje!- Disse e eu – pela terceira vez no dia – senti o sangue do meu rosto sumir.


–O que?- Perguntei e ela somente me olhou emocionada – Hoje? Você quer mesmo se livrar de mim não é?- Perguntei e ela sorriu, ela sabia que eu havia me conformado, pois nada a iria fazer de mudar de idéia, nisso eu havia puxado para ela.


–Não se preocupe com suas coisas, Joana arrumou suas malas, você só precisa ir para casa, tomar um banho, se trocar e ir para o aeroporto- Me instruiu.


–Mas eu nem ao menos sei como ele é... – Falei deixando mais lagrimas caírem.


–Ele vai estar com uma placa com seu nome!


–E se ele não gostar de mim? Se ele tiver outros filhos e eles me rejeitarem? Uma mulher e ela me maltratar?- Eu tinha tanto medo.


–Não se preocupe bonequinha, ele só tem um filho, e a mulher dele é adorável, eu conversei rapidamente com ela... Sei que... Ela vai te acolher... Como filha- Começou a falar com dificuldade, e eu apertei a campainha do quarto, completamente aflita, logo um enfermeiro apareceu colocando algum tipo de remédio no soro.


–Pra que serve isso?- Perguntei.


–Isso serve para abrir as vias respiratórias de sua mãe- Disse simplesmente e saiu.


–Ah mãe! Eu não quero deixar você aqui!- Falei abraçando-a.


–Vai ficar tudo bem meu amor, Joana vai vim cuidar de mim, você pode ligar sempre e eu te ligarei- Nesse momento eu confiei em minha mãe, mas ainda assim tinha medo de algo mais serio lhe acontecer e eu não estar aqui – Vem aqui- Chamou e eu fui, ela retirou a mascara e beijou minha bochecha colocando a mascara em seguida- Joana vai te levar no aeroporto, se cuida minha bonequinha, meu bem mais precioso, eu te amo filha e sempre vou te amar, vou ser sempre sua mãe, não esquece disso- Falou chorando também, não mais que eu, parecia que ela estava se despedindo.


–Parece que você está se despedindo- Falei.


–E eu estou querida, você vai para outro país- Disse.


–Não. Não nesse sentido, se despendido como se fosse... – Parei de falar, não queria pensar nessa hipótese.


–Eu não vou meu amor, eu só tenho medo de você gostar demais da mulher de seu pai- Falou e eu soltei uma risada fraca.


–Ai mãe, eu nunca ia amar outra mulher, você é minha única mãe!- Disse, abracei ela novamente e beijei sua testa – Eu vou, mais eu volto para ver como você esta. Eu te amo mãe! E eu nunca vou esquecer isso, nem se eu cair, bater a cabeça no meio fio e um caminhão passar por cima dela!- Ri e ela também- Já vou- e ela concordou com a cabeça- Eu ligo assim que botar os pés no aeroporto de lá!- Falei e ela sorriu concordando novamente, fechei a porta e segui no automático até em casa, não pensava e não sentia.

¹ http://4.bp.blogspot.com/_1JAjv6sdZMg/S8dKnpRscdI/AAAAAAAAD7M/RLPMjAUjgPg/s1600/a-atriz-leticia-spiller-diz-nunca-namorou-ou-transei-com-uma-mulher-nem-quer-14410-1271263338221_560x400.jpg (JOANA)

² Hospital Santa Luiza, é um nome meramente fictício, a PP mora em Curitiba, então não sei se existe esse hospital ;)

http://www.polyvore.com/cgi/set?id=66385821&.locale=pt-br (Sofia, Susan e Lilian)

Notas finais
Espero Reviews ! Beijoos :*