Notas iniciais
Finalmente o ultimo capítulo

Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try to fix you

Oito Meses Depois

Rose passou como um furacão pela porta, sem nem ao menos se despedir da mãe ou dizer oi para o pai.

— O que aconteceu com ela?- questionou Rony.

— Rose sentou no ketchup — respondeu Hugo como se aquilo fizesse algum sentido

— Hã?- Rony olhou para Hermione parada nos pequenos degraus que levavam até a entrada buscando uma explicação para tudo aquilo.

— Estávamos saindo da lanchonete quando dois meninos berram Rose dizendo que ela havia sentado no ketchup — contou Hermione achando graça da situação- Mas era só sangue.

Ela dizia tudo com uma calma e até um divertimento que Rony não compreendia.

— Sangue?

— É Rony, sangue que sai das mulheres todos os meses. Você sabe, viva reclamando quando acontecia comigo.

Rony ficou atônito, sua boca abriu e fechou algumas vezes antes que pudesse finalmente emitir algum som.

— Quer dizer que a nossa filha...?

—É- Hermione completou- Rose ficou menstruada no meio da lanchonete. Tive que usar um feitiço para limpa-la, mas o trauma de todo mundo ter visto a deixou meio mal-humorada.

— Mas ela completa onze anos só daqui a dez dias! Não é muito cedo?- questionou o homem ainda atordoado, aquela situação parecia demais para ele.

— É e não é- respondeu Hermione despreocupada- geralmente acontece um pouco mais tarde, mas também não é incomum nessa idade. Você sabe, nossa filha sempre foi precoce.

Com isso infelizmente ele tinha que concordar. Rose andou cedo, falou cedo, aprendeu a ler antes do esperado.... Ele culpava a si e toda a situação que viveram quando a menina ainda era muito pequena, pelo desenvolvimento precoce da filha, mas isso? Ele ainda a enchia de bonecas, permitia que assistisse todos os desenhos que quisesse, e agora vigiava melhor os livros que ela buscava na biblioteca, tudo com intuito de prolongar a infância a menina o máximo que pudesse, não esperava que uma coisa dessas acontecesse agora. Teria sido todo estresse da separação? Da mudança de casa? Ele deveria ter previsto que algo assim poderia acontecer, deveria ter tentado evitar, mas agora, já era tarde.

— É... — suspirou conformado- Devo falar alguma coisa?

— Não, por favor não- suplicou Hermione- Isso só a deixaria mais envergonhada. Eu já expliquei a ela como as coisas serão daqui para frente e você só precisa garantir que tenha os absorventes todos os meses.

Rony tentou disfarçar, mas era perceptível o quanto as palavras de Hermione o haviam deixado aliviado. Conversar sobre menstruação e as funcionalidades do corpo feminino não era uma coisa que ele se sentia muito confortável em fazer, pensou, lembrando do desastre que havia sido tentar explicar de onde vinham os bebês logo quando mudaram de casa. Aquilo foi terrivelmente constrangedor e por mais que soubesse que a situação da filha não houvesse ocorrido no momento ideal sentiu-se grato por ser Hermione que tivera que lidar com o problema.

Após divagar por alguns instantes notou uma pequena bola sendo acariciada nos braços do filho.

— Por Merlim, mas agora o que é isso?

Sua expressão impaciente fez com que o filho gaguejasse ao responder.

— É um gatinho que eu achei na rua.

— É oque?

— Mamãe disse que eu poderia trazer para casa- respondeu rapidamente o menino sabendo que essa era sua melhor saída, os pais nunca discutiam na sua frente, mesmo quando estavam visivelmente irritados um com o outro.

— Não me olhe assim- respondeu a mulher na defensiva- Você conhece seu filho melhor do que eu, sabe como ele pode ser persuasivo.

— Sim, e se depender dele essa casa seria um grande zoologico.

— Não custa nada o menino ter um animalzinho Rony.

— Você diz isso porque não é você quem vai cuidar.

Hermione o olhou magoada, aquilo havia sido golpe baixo, ele sabia. Não deveria ter falado daquela forma, era como se jogasse na sua

cara o fato de estarem separados sendo que como ela sempre o lembrava toda vez que eles tocavam no assunto havia sido ele que saíra de casa.

— Não é isso- ele tentou se retratar- É que.... tinha que ser justo um gato?

Ela sorriu, ela sabia que gatos não estavam na sua lista de animais favoritos, perdendo apenas para ratos e aranhas. Lembrava do relacionamento tenso que Rony havia tido praticamente a vida todo com seu gato, bichento, mas também de como chorou incontrolavelmente há uns três anos, quando gato morreu.

Ele já era velho Rony, e você nem ao menos gostava dele, lembrava de ter usado exatamente essas palavras para consolar o marido, mas que não havia dado muito certo.

Agora estavam ali, com mais outro gato para ele fingir odiar.

— Ele nos seguiu- justificou Hermione- Tentei afasta-lo, mas ele nos seguiu até aqui, colou nas pernas de Hugo e não quis mais soltar.

Rony olhou para mulher que explicava tudo de forma muito persuasiva. Merlim, mesmo após tantos meses ela ainda tinha total poder de persuadi-lo. Ele não tinha ideia de como conseguiu coragem para ir embora, sabia que se fosse em qualquer outro momento, se ele não estivesse tão magoado como naquele dia talvez ele nunca tivesse conseguido.

Depois olhou para o filho que parecia feliz com gato. Talvez fosse uma boa ideia o menino ter alguém para cuidar, uma responsabilidade, pensou.

— Tudo bem- respondeu dando-se por vencido- O gato pode ficar, mas ele sua responsabilidade Hugo, você entendeu? Comida, água... Você é quem vai cuidar dele.

Hugo parecia radiante de alegria, ele nunca tivera nenhuma responsabilidade, nada para cuidar, muito pelo contrário. Era sempre as outras pessoas que estavam cuidando dele. Seus pais, sua irmã, seus avós, todos os tratavam como se ele fosse quebrar, como se fosse incapaz, ter uma responsabilidade, um dever era exatamente o que ele gostaria para se sentir útil.

— Papai a mamãe pode ficar para o jantar?

O menino perguntou aproveitando o ambiente de permissividade. Na verdade, ele sempre perguntava se a mãe poderia ficar sempre que ela os trazia de algum de seus passeios, mas os pais sempre arrumavam alguma desculpa para que isso não acontecesse. O trabalho, a casa desarrumada, dores de cabeça que surgiam inesperadamente, porém ele nunca desistia.

— Hugo, provavelmente sua mãe deve ter algum evento de trabalho você sabe- respondeu Rony olhando para Hermione, como se buscasse confirmação. Eles tinham quase que um acordo silencioso quando se tratava disso, Hermione nunca ficava. Não que Rony houvesse alguma vez a impedido, mas ainda sim, era difícil demais para os dois ficarem muito tempo no mesmo ambiente. Muitos olhares desconfortáveis, muitas palavras não ditas, a tensão de duas pessoas mal resolvidas era perceptível até para um estranho.

— Eu sempre tenho que esta no ministério, um evento a mais outro a menos não vai fazer muita diferença. Posso ficar, se não for incomodar é claro.

Rony olhou perplexo, acontecera alguma coisa que ele não sabia? Mas antes que pudesse responder algo o filho já puxava a mãe por uma das mãos saltitando de alegria e Hermione entrava lhe dando um sorriso sem graça.

— Não tem problema tem?- Hermione sussurrou ao seu lado quando ficaram sozinhos por um instante na sala enquanto Hugo levava o pequeno Ziggy para conhecer seu quarto- Posso inventar algum compromisso se você quiser.

Rony balançou a cabeça negativamente.

— Não tem nenhum problema para mim, se não tiver para você- completou.

— Não, só achei que talvez as crianças gostariam- se justificou.

Rony a encarava novamente, eles estavam tão perto e sobe o mesmo teto, não sabia que sentia tanta falta disso. Hermione estava diferente, ele sabia. Ele estava frequentando uma terapeuta, cuidava mais da própria saúde. Parecia estar conseguindo manter um equilíbrio no trabalho, já que passava muito mais tempo de qualidade com as crianças e sorria mais..... Um sorriso de verdade, quase como na época em que eram jovens e apaixonados, não despreocupados, tranquilidade nunca fizera parte da vida deles. Mas ficar ali pensando em todas essas coisas lhe dava esperanças de que as coisas poderiam se acertar, e ele não queria se apegar a nenhum sentimento do tipo.

— Vou subir e avisa a Rose que você vai ficar, talvez isso a anime.

— Tudo bem- ela respondeu também um pouco aérea.

Rony daria tudo para saber o que ela estava pensando.

O jantar ocorreu mais agradável do que eles esperavam. Rony não era nenhum grande cozinheiro, mas sua lasanha era quase tão boa quando a da Senhora Granger e ele se orgulhava muito disso.

— Vocês não me falaram aonde foram hoje- Ele constatou descontraidamente enquanto comiam.

— Fomos ao museu da Guerra- respondeu Rose com um humor um pouco melhor.

Rony olhou para Hermione inquisitivamente.

— Bem, as crianças sempre quiseram ir e eu sei que você não gostaria de leva-las.

Isso era, verdade, o museu já existia há alguns anos, fora construído para homenagear todos os mortos da batalha que Hogwarts e alguns outros que haviam sido mortos na tentativa de destruir o Lord das Trevas. Além disso, contava toda a história, bem, pensou Rony, não tudo, mas as partes que julgaram mais importantes dos acontecimentos. E se dependesse dele nunca pisaria naquele lugar.

— É verdade o que dizem, sobre as estátuas?- questionou cautelosamente.

— Sim, tem varias de bruxos que perderam a vida lutando. Um memorial lindo a todos eles- respondeu Hermione sem muitos detalhes.

— Fred?

— Fica bem ao lado da do Remus e Tonks... Eu não sei como conseguem ser tão reais.

— Eu não.... quem sabe um dia- suspirou Rony tentando encontrar as palavras que lhe faltavam.

— Eu sei- respondeu Hermione colocando suas mãos sobre a dele como um afago. Os dois se encaravam de forma que tudo era dito sem precisar de palavras e por alguns segundos ficaram assim, em silêncio. As crianças observavam tudo atentamente até que Rony percebendo toda a situação, retirou a mão debaixo das da mulher.

Hermione trouxe o braço de volta para perto de si rapidamente, pigarreando e tomando um gole de suco para ocupar a boca com alguma coisa que a distraísse do momento.

— Rose, o que disse sobre livros na mesa de jantar?- questionou Rony, mudando a atenção de todos para a filha.

— É Hogwarts uma história, mamãe comprou para mim, preciso está muito bem informada já que em poucos meses estarei embarcando- falou a menina com a mesma arrogância e impetuosidade que a mãe fazia quando tinha a mesma idade.

— Nem me lembre disso- suspirou Rony inconformado. Toda vez que pensava na filha indo para escola sentia uma pontado no estomago.

— Nossa filha será brilhante- Hermione sorria orgulhosa.

— Com certeza será, mas não fique citando Hogwarts uma história para as pessoas por aí, Rosinha, assim vai ser muito mais difícil você conseguir amigos.

Hermione iria protestar alguma coisa, mas apenas riu. Sabia que Rony tinha razão em partes, ela pode não ter feito muitos amigos, mas com certeza os poucos que fizera foram mais que o suficiente para viver muito mais do que poderia ter imaginado, e estava sentada agora mesmo com um deles. Apesar de tudo que acontecera Hermione ainda considerava Rony seu melhor amigo, conversava sobre isso na terapia, sobre como mesmo separados ele ainda cuidava dela pensando que ela não percebia que era ele comprava seu café favorito e pedia para Harry dizer haver sido ele, Harry não poderia saber qual era marca do seu café favorito, ele nem ao menos bebia café. Que ele aparecia em casa quando ela estava trabalhando e tirava os gnomos do quintal, eles não sumiam num passe de mágica, alguém tinha que retira-los e ela sempre foi um desastre com isso. Mesmo longe ele sempre estava presente, e mesmo que não fizesse nada disso, mesmo que sumisse para sempre da sua vida ela nunca poderia esquece-lo, nunca deixaria de ama-lo.

Pensar sobre isso fez com que Hermione ficasse silenciosa durante o resto do jantar, mesmo quando Rony trouxe musse de chocolate de sobremesa, ela amava musse de chocolate e não havia comido desde que o marido havia partido. Ela imaginou que isso a animaria, mas pensar que quando abrisse a geladeira de madrugada não haveria nenhuma musse para comer, que dormiria mais uma noite sozinha na casa que em que outrora abrigara toda a família não era tão animador.

Humm, como está a terapia?- quis saber Rony após terem lavado a louça em completo silêncio, as crianças já haviam subido para dormir e agora só restavam os dois acordados.

— É um processo, em alguns dias parece que estou avançando, outros, sinto como se tivesse dando três passos para trás, mas é necessário. Descobri que não era uma boa pessoa para mim e nem para vocês- disse a última frase com uma certa dificuldade.

— Fico feliz que você esteja hum... se sentindo melhor?- Respondeu Rony com uma incerteza no que dizia. Ele pretendia dizer feliz, mas sabia que feliz era uma palavra forte demais para as circunstâncias em que se encontravam.

Hermione sorriu agradecida e desviou o olhar para umas revistas jogadas em cima do balcão da cozinha. Era uma revista ridícula de fofoca escrita pela Reta Skeeter, desde quando Rony assinava esse tipo de revista? Percebeu que todas elas tinham um assunto em comum, ela. Havia uma matéria desprezível sobre a separação dos dois onde dizia que Hermione era fria e não ligava para família, ela chorou dias após ler a matéria. Uma outro estava aberta em uma matéria que insinuava um recente caso dela com Thomas Ritter, um colega de trabalho no ministério.

— Você que é mentira não é? Todas essas matérias que a Rita Skeeter escreve, eu não estou em nenhum novo relacionamento com ninguém do ministério- falou para Rony indignada.

— Bem, acredito que você não precisa me dá mais satisfação de nada- respondeu Rony dando os ombros.

Aquela atitude indiferente a revoltou, ela sabia que ele estava fingindo, conhecia muito bem Ronald, fingir que não ligava quando claramente se importava era sua especialidade. Se ele não ligava, porque tinha aquelas revistas idiotas?

— Rony, até quando ficaremos assim?

— Acho que foi a melhor coisa que nos aconteceu até agora- ele respondeu quase se forçando a dizer as palavras, quase como se acreditasse.

— Acha mesmo?

— Pelo menos para você. Você está saudável e melhor, está feliz. Até as crianças estão felizes, eu.... você está muito melhor sem mim.

Dessa vez suas palavras pareciam ser sinceras, por mais absurdas que parecessem.

— Como pode dizer isso? Como pode pensar uma coisa dessas? A terapia só me ajuda a suportar tudo isso, mas você está muito enganado se pensa que estou de alguma forma feliz longe de você.

— Como pode me querer ainda?- questionava o homem incrédulo- Você sabe como eu sou, eu nunca vou ser o cara ideal para te acompanhar em eventos chiques do ministério, eu não consegui fazer você feliz, eu deixei você doente.

Ele disse aquelas palavras como se tirasse um peso de dentro de si. Hermione o encarou franzindo o cenho e com os olhos cerrados, como se não conseguisse acreditar no que estava ouvindo.

— Por Merlim Rony, nada disso foi culpa sua. Eu fique doente porque passei por todo o estresse de uma guerra, nós passamos, porque meus hormônios perderam o controle, porque coisas como essa acontecem com as pessoas, mas nada disso foi sua culpa. Muito pelo contrário, você me ajudou durante todo esse tempo, cuidou dos nossos filhos quando era óbvio que eu não podia. Eu é que deixei o orgulho me impedir de procurar a ajuda necessária, precisei perder o homem que amava pra isso. Eu....- Hermione estava com o rosto vermelho, suas mãos suavam e tentava buscar coragem para continuar do fundo do amago- Eu ainda te amo Rony, eu sempre vou te amar, e eu queria muito ter a nossa família de volta. Eu preciso de você na minha vida.

Rony a encarava sem saber o que dizer, passou as mãos pelos cabelos ruivos como costumava fazer quando estava confuso. Abriu um botão da camisa, de repente um calor tomou conta do ambiente que até respirar parecia difícil, ele não estava esperando nada daquilo. Passou tantos anos acreditando que Hermione o culpava por tudo que aconteceu, que havia estragado a vida da esposa, que havia lhe submetido a uma vida familiar e com filhos quando claramente ela preferia ser uma mulher de sucesso independente. Sofreu anos supondo estar falhando miseravelmente em fazer a mulher que amava feliz, e agora, quando finalmente acreditava ter decidido acertadamente, mesmo que fosse a decisão mais difícil de toda sua vida ela estava ali jogando tudo que ele havia acreditado por terra, bem na sua frente.

— Tudo bem se você precisar de um tempo para pensar- Ela disse quando percebeu seu silêncio.

— Eu acho melhor não Hermione. Sabe tudo isso foi muito difícil para mim e eu não sei se consigo lidar com tudo de novo, não sei se conseguiria suportar você se afastando, e mesmo que você diga que não tenha sido minha culpa.... — Ele não conseguia continuar, mas proseguiu- E as crianças, elas já se acostumaram com a casa, e você tem o seu trabalho que exige muito, muitas reuniões, eventos e entrevistas. E se você quiser ser ministra da magia acho que seria mais fácil não ter que lidar com todo esse estresse diário que é tudo isso- disse apontando para casa- Tudo bem se ficarmos como estamos?

Todas as palavras foram ditas rápido demais, como se ele não quisesse pensar muito do que dizia. Hermione tentou assimilar tudo aquilo, mas parecia confuso demais e tudo que ficou claro foi que ele não a queria de volta. Era isso, ela o havia perdido, definitivamente não havia como ter sua família de volta. Ela havia acabado com todo amor que Rony sentia por ela e o que mais poderia fazer? Ela teria que se conformar com ele sendo apenas o pai dos seus filhos, o que já era alguma coisa. Pelo menos tinham algo lindo juntos, pensou. Dedicaria seus esforços para se tornar a próxima ministra da magia, ainda teria muitas coisas incríveis que lhe trariam alegria, tentava convencer a si mesma.

— Sim, é claro. Boa decisão- ela disse tentando recuperar o folego, tudo aquilo lhe dava a sensação de que ira desmaiar, por isso se apoiou no balcão. Olhou novamente para todas aquelas revistas ridículas que tinham ela na capa, ela estava sorrindo, glamorosa, sentiu raiva e depois vontade de chorar, mas se controlou ao dizer- Sabe, a fama não é uma coisa real entende?

Rony a encarava atento, ele não sabia o que dizer, na verdade, não sabia nem se lembrava como respirar.

— Só não se esqueça que eu sou só uma mulher, que está na frente de um homem pedindo a ele para ama-la.

E depois disso ela apartou, deixando um homem confuso para trás.

And the tears come streaming down your face

When you lose something you can't replace

When you love someone but it goes to waste

could it be worse?

Rony chorava, ele não lembrava muito bem como se fazia isso, sabia apenas que a água escorria pelo seu rosto involuntariamente. Elas tinham poder próprio, as lágrimas, e ele não tinha nenhuma ideia de como poderia as controlar. Sentia-se perdido, no escuro, teria tomado a decisão certa? Ele amava Hermione, o amor deveria ser o suficiente não? Porque tudo parecia ser tão difícil para eles? Ele imaginava que as coisas melhorariam com o tempo, mas aparentemente seria sempre assim, mas não precisava, precisava? As coisas pareciam ser mais fáceis se ele apenas falasse, falasse sobre as suas dores, sobre as suas preocupações, sobre os seus medos. Ele sentia como se toda a angústia das palavras guardadas dentro de si, fossem explodir a qualquer momento. Seu coração acelerava rapidamente, seu corpo começou a tremer, ele conseguiu mandar um aviso rapidamente antes que tudo acontecesse, antes de sentir que seu sangue estava deixando de circular pelo seu cérebro e simplesmente apagar.

As luzes fortes pareciam ofuscar o ambiente ao seu redor, tudo estava confuso. Onde ele estava? O que estava acontecendo? Ouvia a voz de Hermione, mas parecia distante, ela falava com alguém que ele não sabia quem era. Luzes, era tudo que ele conseguia ver. Uma luz forte que brilhava em volta de Hermione, estava delirando muito provavelmente, mas isso não importava, era o sinal que ele precisava. As luzes sempre o levavam de volta para ela.

Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try to fix you

Hermione ainda estava sem ar, em um segundo estava em casa e pouco depois havia recebido um patrono de socorro de Rony, que havia acabado de deixar para trás. Agora estava no hospital sem entender muita coisa, eu o encontrei desmaiado no chão, era a única informação que ela podia dar ao medibruxo que fazia constantes perguntas. Antes disso havia avisado a Harry que já havia chegado, mas antes passara para buscar Rose e Hugo, e os levado para própria casa. Ficava muito mais aliviada em saber que os filhos não estavam sozinhos, mas na casa do tio junto com os primos.

—Rony- exclamou Hermione assim que percebeu que ele havia acordado.

— Hermione o que aconteceu?- ele parecia confuso

— Eu não sei, você é quem vai precisa explicar para o médico.

E antes que eles pudessem continuar a conversa um homem alto e negro apareceu pedindo que ela se retirasse Nervosa, mas resignada, ela acatou o pedido. Tudo que queria é que Rony melhorasse, jamais se perdoaria se algo acontecesse por sua culpa.

Crise de ansiedade, o medibruxo disse após ouvir todo seu relato, o que para Rony fazia todo sentido, apesar do doutor pedir mais alguns exames só para ficar mais tranquilo. Ele ainda ficaria mais um dia no hospital em observação, segundo o médico seu coração sofrera muito estresse, ele precisava de descanso, nada de fortes emoções, disse o doutor. Mas ele sabia o que havia estressado seu coração, e estava disposto a resolver tudo.

Hermione havia levado Rose e Hugo para visita-lo pela manhã. As crianças pareciam aliviadas em vê-lo bem, mas Hugo queria voltar logo para casa, não queria deixar Ziggy sozinho por mais tempo. Rony sorriu feliz por ver o filho assim tão dedicado aos cuidados do gato, e mais ainda por ver que Rose segurava forte a mão de Hermione, como se tentasse a acalmar. As coisas pareciam finalmente estar como deveriam e isso era como um sopro de alegria em seu agora frágil coração.

— Crise de ansiedade- repetiu Rony a Hermione quando as crianças foram comprar doces nas maquinas deixando os dois finalmente sozinhos no quarto- Acho que eu também preciso de ajuda- confessou.

— É, eu também acho, mas vai ficar tudo bem- respondeu Hermione apertando sua mão forte.

Seu toque era reconfortante.

— Sobre o que eu disse naquele noite- ele começou a dizer, mas foi interrompido.

— Não precisamos falar sobre isso, eu não deveria ter dito nada daquilo, não deveria ter pressionado você daquele jeito.

Hermione sentia culpa, sabia que se não tivesse tido aquela ideia idiota de jantar, se não tivesse dito aquelas coisas sobre ainda o amar nada daquilo teria acontecido.

— Não, deveria sim. Eu também ainda te amo, eu nunca vou deixar de te amar.

Agora ela estava confusa, tudo que ela queria era ouvir aquelas palavras, saber que Rony ainda a amava, que ainda tinha uma oportunidade, mas desconfiava de que poderia ser só os efeitos do remédio.

— Não vamos falar sobre isso agora, você precisa descansar- ela disse, e antes que ele pudesse contestar as crianças voltaram correndo com variados tipos de doces nas mãos.

—Hugo- repreendeu Hermione ao perceber que o menino comia dois tipos de chocolate ao mesmo tempo- Sempre esfomeado, tem mesmo a quem puxar.

Rony sorriu, mas o remédio realmente o fazia se sentir cansado, ele não queria dormir, não queria perder a imagem linda que era vê a família unida, mas o sono o venceu.

And high up above or down below

When you're too in love to let it go

But if you never try you'll never know

Just what you're worth

No dia seguinte falou com o psicólogo do hospital, como o haviam aconselhado. Ele explicou uma pouco mais sobre sua condição, disse que poderia acontecer mais vezes caso ele não desse a devida atenção, explicou melhor sobre a tal terapia e como ela poderia ajuda-lo. Ele estava disposto a faze-la, se isso impedisse que ele tivesse aquela sensação de morte por soterramento novamente. Se o ajudasse a lidar com sentimentos que ele não sabia como lidar, com os temores que o assombravam. E principalmente, estava disposto a fazer se isso o ajudasse a unir sua família novamente. Não seria como mágica lembrou o medbruxo, mas ele estava decidido e isso era o suficiente.

Mas tarde, quando recebeu alta, Hermione voltou para o buscar.

— Quero ir para casa- disse quando saiam do hospital indo em direção ao carro, ele ainda estava muito fraco para aparatar.

— Sim, vou deixar você em casa, depois ir buscar Rose e Hugo que estão com Harry- ela respondeu abrindo a porta para que ele pudesse entrar.

—Não- ele disse parando enfrente a esposa antes de sentar- quero ir com você, quero ir para nossa casa.

— Você tem certeza?

Ele nunca tivera tanta certeza de nada em toda sua vida. Na verdade, se existia uma certeza na sua personalidade insegura era de que ele, Ronald Weasley, amava Hermione Granger.

— Mas do que quando sol brilha é dia- ele respondeu sorrindo

Então ela a beijou, e ele se sentiu exatamente como quando ela o havia beijado pela primeira vez. Era a sua nova chance, ambos pensaram, e nenhum deles estava disposto a perder.

Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try to fix you

Notas finais
Considerações finais. Consideração numero 1: Sim, me inspirei totalmente em um Lugar Chamdo Notting Hill para a cena em que Hermione pede a Rony para voltar pq esse filme é perfeito, Julia Roberts é perfeita, essa cena é perfeita, enfim... O mundo seria melhor se existisse mais filmes da Julia Roberts, com certeza. Consideração numero 2: resolvi dá um salto no tempo e não abordar profundamente todo processo terapêutico de Hermione pq não teria muito tempo, escrevo muito devagar. E também, nem me considero muito capaz disso. Mas espero que não seja um problema para voces. consideração numero 3: Eu pensei seriamente em deixar os dois separados pq na minha mente, depois de tudo que havia escrito fazia um pouco de sentido, e tbm não queria de alguma forma romantizar nenhum transtorno psicológico, o que cuidei para não acontecer. Mas eles são ronmione pelo amor de Deus, é claro que eles tinham que se acertar e acabar juntos. consideração numero 4: coloquei Rony tendo uma pequena crise de ansiedade pq ngm passa por tudo que ele passou durante todos esses anos sem ter uma pequena pane no sistema, digo isso com propriedade. Achei que seria interessante que ele também percebesse que precisava de ajuda, acho que seria muito difícil um retorno dos dois se só Hermione estivesse buscando melhorar, sendo que havia vários sinais de que ele tbm não estava bem. Bem, é isso. Eu já tinha essa ideia de fic a um tempo, e apesar de ter sido bem desafiador adorei escreve-la. Obrigada todos que acompanharam e comentem sempre que quiser.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!