Fix You

2 How You See The World


Notas iniciais
Olá leitores lindos que estão acompanhando essa nova UA! Caramba, já comecei me sentindo muito feliz com o retorno pelo primeiro capítulo, muito obrigada! Este aqui é ainda pequeno, apresentando a vocês a rotina de Scorpius, então postei bem rápido pra vocês lerem nesse feriado. Aproveitem! E se gostarem, deixem review!

Capítulo 2.: How You See The World

‘Dont wanna end up on your own?
You need conversation
And information’


O apartamento situava-se em um dos edifícios mais caros de Londres. Apesar de ter um relacionamento há dois anos com Emily Zabini, Scorpius não dividia a chave do espaçoso apartamento com ela. Morava sozinho. E mesmo se importando com Emily, o rapaz não se preocupava em criar alarde sobre o fato de não ser exatamente fiel a ela quando ele estava fora do país.

Não se sentia sozinho tendo uma namorada para ocupar sua cama na maioria das noites, sem precisar se esforçar, e, sinceramente, Scopius odiava ficar sozinho. O sexo com Emily era bom e suficiente. Ela era uma mulher sensual e prática. Filha do melhor amigo de seu pai. Ele sempre esperou que o filho um dia se casasse com a herdeira dos Zabini; mulher digna, bem sucedida e não engravidou aos dezenove anos.

– Desculpe o atraso. – Sua bolsa Prada foi o primeiro acessório que Scorpius viu, porque Emily pendurou a alça na cadeira a frente dele antes que se sentasse. Elegantíssima, como sempre.

– Sem problemas.

– Como foi de viagem? – perguntou, ajeitando os cabelos. Não parecia ter muito interesse em saber.

– Cansativa – sorriu. – Pensei em você o tempo todo.

Ela afastou a mão quando Scorpius foi tocá-la em cima da mesa do restaurante. A melodia do piano era suave.

– Algum problema? – ele perguntou.

Dois anos de namoro. Nenhuma briga. Nenhuma desavença. Scorpius era incrível na cama, o sexo não era entediante, mas Emily decidiu:

– Quero terminar.

Como sempre: prática.

– Por quê? Estamos felizes.

– Não sei qual sua perspectiva de felicidade, Scorpius. Mas a minha não é ser chifrada uma vez por semana.

– Eu não chifrei você, amor.

– Não?

– Não.

– Então você é um filho da puta mentiroso.

Scorpius recostou na cadeira e engoliu um suspiro.

– Tudo bem, talvez eu tenha ido para cama com algumas americanas. Elas não significaram nada para mim.

Ela girou os olhos, inconformada.

– Não é nem por isso que estou querendo terminar – ela retrucou. – Sério. Isso é o de menos. Cansei de você. Muito. Você não me convida para sair, você só me chama quando quer uma atençãozinha para o seu pau, você é insensível e não se lembrou do meu aniversário ontem. Nenhuma mensagem.

Scorpius não acreditou que ela estava reclamando disso.

– Eu estava ocupado fodendo a recepcionista do hotel. Desculpe.

Emily se levantou lentamente da mesa. Não fez ceninha.

Como sempre: elegante.

– Você é tão imprestável. Não me admira que você realmente fode todo mundo que entra na sua vida. Não me admira que não tenha nenhum amigo. Você merece ficar sozinho. Passar bem.

Pegou sua bolsa Prada e foi embora.

Em toda a sua vida, suas namoradas terminaram com ele, e não o contrário.

Saiu do restaurante e foi para um bar que gostava de frequentar. Todos o cumprimentaram, apertaram sua mão, chamaram para uma ou duas bebidas juntos, mas, de fato, nenhum deles era amigo. Quando ficou sozinho, sentou-se perto do balcão e pediu o de sempre.

Enquanto esperava o uísque, arrastou os dedos pelo celular e mudou os status de relacionamento na rede social.

Aproveitou e, como sempre costumava fazer, fuçou nas novas fotos que Rose postou da Zoe. Elas passaram o fim de semana na praia e Rose escreveu na legenda de uma foto linda da Zoe com os cabelinhos molhados e sorridente:

Primeira vez sem bóias. Zoe está super orgulhosa!

Viu o comentário de um tal de Paul Finnigan.

Linda igual a mãe! – estava escrito.

Abanou a cabeça. Só podia estar louco. Entrou no perfil do cara. Era o mesmo cara das fotos na geladeira de Rose. Guitarrista de uma banda idiota, baterista em um conservatório, músico profissional. Fotos em todas as cachoeiras do universo. Aventureiro. Com certeza estava comendo ela.

E ele tinha várias fotos com sua filha.

Scorpius coçou a barba rala, como costumava fazer quando estava tentando raciocinar direito. Era por essas e outras que ele não gostava de ficar sozinho. Pensava toda hora na filha e se odiava por tudo o que ele não fez com ela. Mas era tarde demais para consertar erros.

– Aqui está – disse o barman, entregando-lhe o copo e enchendo com o melhor uísque.

Passou os últimos dias só trabalhando. De noite, estava sozinho. Não tinha tempo para comer alguém naquelas condições de trabalho, e ele passou da época de pagar prostitutas; não era mais um adolescente idiota na puberdade. Poderia tentar com a nova assistente, mas ela era fielmente gay. Passava a noite assistindo a algum filme ridículo, verificando se Rose tinha postado mais alguma foto nova da Zoe, com o notebook no colo, cerveja na mão, papeladas na mesa, ouvindo o casal vizinho transando a noite inteira.

Com a vida entediante, sem novas viagens, só escritório, papeladas, correria e casos extremamente fáceis para vencer no tribunal, e outros que nem chegavam ao julgamento, Scorpius decidiu fazer uma festa no final de semana.

Em minutos, o lugar ficou lotado. Rapidamente fisgou uma moça, amiga de um colega de trabalho, que estava dando mole. Ela acabou, no meio da festa, dando tudo para ele. Dentro do quarto ouvia o som da batida da música, enquanto penetrava a mulher por trás, na cama, sem roupas, ouvindo os gemidos dela disputando com a música da festa.

Caiu na cama e acendeu um cigarro, satisfeito, depois de usar umas três camisinhas. A mulher com quem ele tinha acabado de transar não ficou muito tempo na cama, nem parou para querer conversar. Se vestiu, sorriu apenas dizendo “foi muito bom”, e voltou para a festa. Scorpius continuou deitado olhando para o teto.

O celular estava vibrando no outro lado da cama. Estava tão exausto que nem verificou o número, por isso ficou surpreso ao dizer:

– Alô?

E ouvir a voz de Zoe do outro lado da linha:

– Pai? Papai? Alô?

Ele se vestiu depressa e correu para o banheiro, ouvir melhor.

– Zoe.

– Papai, você pode falar agora? – Ela estava basicamente sussurrando, como se estivesse fazendo algo super errado.

– Claro que posso. – Ele sentou na banheira e sorriu, passando a mão no rosto. – Você está bem?

– Mais ou menos – ela contou e a voz realmente era triste.

– O que... o que houve? Aconteceu alguma coisa?

– Minha mãe disse que nós vamos voltar para Londres.

A cabeça dele girou e não eram as bebidas.

– Londres? Quando?

– Hoje à noite. Acabamos de chegar no aeroporto agora. Pai, posso visitar você quando a gente estiver em Londres?

A voz de Zoe era bem baixinha, como se ela estivesse com muito medo da resposta negativa.

– Você quer me visitar? Sua mãe está ok com isso?

Ela demorou um pouquinho para responder.

– Sim. – E foi um sim bem longo e mentiroso.

– Ela nem sabe que você está ligando, sabe?

Se rendeu.

– Não.

Ele riu. Zoe era igualzinha Rose. Sabia se virar sozinha. Com seis anos já pegava o telefone para discar o número do pai.

– Claro que pode. Mas sua mãe tem que deixar. Quer que eu busque vocês no aeroporto?

– Não precisa, Paul vai nos levar ao novo apartamento.

– Paul?

– É. O namorado da mamãe. Ele veio com a gente.

– Claro. Hum. Me liga quando estiver aqui, então. Vocês, hum, vão ficar quanto tempo em Londres?

– Tchau, pai, minha mãe viu que eu estou falando no celular, preciso desligar, tchau.

Ela falou tão depressa as últimas palavras que Scorpius não teve nem tempo de responder. Não teve tempo de dizer que estava sentindo falta dela. A ligação ficou muda. Ele sorriu para a tela do celular.

Rose voltou para Londres. Não acreditou nisso.

Saiu do banheiro e viu a bagunça da festa agitada. Um balde de água fria pareceu chocar em seu rosto. Não podia continuar a festa agora que Zoe apareceria amanhã para vê-lo.

O meio mais prático de tirar todo mundo dali era ligando o alarme de incêndio. Foi o que fez. A água jorrava do teto como um chuveiro, molhando tudo, mas não se importou. Passou horas limpando o apartamento e tirando todas as revistas, DVDs, pôsteres e fotos inapropriadas.

Mas acabou caindo no sofá e acordou tarde no sábado, perdendo cinco ligações do celular de Rose que, com certeza, era Zoe tentando se comunicar com ele.

Ainda tinha muita coisa para limpar. Sua geladeira estava praticamente vazia. Ele não tinha comprado nenhum presente para a filha, de novo. Arrumou-se rapidamente, colocando uma calça jeans e uma camisa preta simples, para sair do edifício com seu carro. Era hora do rush naquele sábado, o trânsito estava ridiculamente parado a caminho do centro. Enquanto isso tentava inutilmente discar o número do celular de Rose.

Foi engraçado, porque ela atendeu enquanto dava bronca em Zoe, por isso ele conseguiu escutar:

E eu te avisei que comer tanto ia te dar dor de barriga. Scorpius, oi. Zoe comeu tanta porcariada numa festa de aniversário ontem que agora não sai do banheiro. Está assim desde o avião.

– Ela vai ficar bem?

Vai ficar ótima, é só dor de barriga. Escute. Não sei o que ela conversou com você ontem a noite... mas eu recebi uma proposta de trabalho em Londres.

– Vocês voltaram, então?

Sim. Não sei. O trabalho tem que dar certo.

Ele quis saber qual era o trabalho.

Ela achou que ele iria perguntar, por isso ficaram um tempo em silêncio.

– Eu estou indo para o centro agora – disse Scorpius, quebrando o silêncio. – Você vai deixar Zoe em casa?

Ela está animada para conhecer seu apartamento. Ela acha que é um castelo.

Os dois acabaram rindo ao mesmo tempo, com a ingenuidade da filha. O trânsito voltou a funcionar.

Eu vou levá-la então, depois do almoço, pode ser?

– Estarei esperando – ele disse depressa. – Rose?

Sim?

Quis agradecê-la por ela não tirar Zoe da vida dele. Mas pensou que seria uma conversa muito melodramático para se ter no telefone.

– Curtiu o meu presente? Nada muito caro, nada muito extravagante, nada que faça você querer devolver depois por correio.

Era um colar com o pingente da foto da filha gravada em ouro.

Não me lembrava dessa foto da Zoe – foi a resposta que ouviu.

Isso quer dizer que gostou? Prometo que não é de ouro verdadeiro.

Era de ouro verdadeiro.

Rose precisou suspirar antes de admitir:

Sim, Scorpius, adorei. Acertou dessa vez. Tenho que desligar, Zoe tá chamando. Tchau.

O celular de Scorpius não ficou quieto durante o caminho que ele percorreu até o shopping para comprar algo a Zoe e recompensar a última visita que fez a ela. Sua assistente não parava de ligar perguntando informações, relembrando horários, reuniões, mas o rapaz cancelou tudo para ter a tarde disponível.

Notas finais
Curtinho, mas eu espero que tenham gostado! Próximos capítulos terão mais desenvolvimentos e acontecimentos. Te espero lá ;P