Fix You
8 Capitulo 8 - Uzumaki - Confuso - Naruto
Notas iniciais
Fix You!
Escrito por Mary
Revisado por Lally
Capitulo 8 – Uzumaki — Confuso — Naruto.
– Como ele se atreveu?! – questionou o loiro andando de um lado para o outro no quarto. – Quer dizer, eu sei que certas coisas não têm como controlar e tal! Mas... Mas, como assim ele monta em cima de mim como se eu fosse um cavalinho, me beija e ainda tem a audácia de... De, argh!!! Você sabe que eu não sou de perder a cabeça, mas isso é muito pra mim! Eu sei que disse que a Sakura-chan é irritante e tudo mais, mas nem por isso eu pretendia desistir dela, tudo tem um conserto, né? – inquiriu e jogou os braços para o alto – Você me conhece bem, o que acha que eu devo fazer?
– Meaw! – miou o gato a sua frente enquanto abanava a cauda de um lado para o outro e tombava a cabeça para o lado, tentando entender aonde o rapaz de madeixas loiras queria chegar.
– É. Você tem razão, ele é um idiota. – retorquiu o loiro, sentando-se na sua cama e puxando o bichano para o seu colo, este se acomodou melhor nas coxas do Uzumaki e deitou-se. – Bastardo... O que ele estava pensando? – perguntou-se, alisando a pelugem, que alterava entre o preto e branco, do gatinho.
O loiro mudou sua posição na cama, deitando-se e erguendo o gato no ar com as mãos, o felino de olhos verdes lambeu uma das patas para logo após alisar o focinho, o loiro sorriu bobamente e logo após repousou o animal em seu peito.
Olhou pela janela aberta, aquela manhã de domingo estava tão límpida, tão calma... Muito diferente do que ele estava por dentro: transbordando de emoções, querendo gritar e esmurrar tudo que visse pela frente.
Tudo porque Sasuke havia o beijado na noite anterior e ele não conseguia parar de pensar nisso.
Naruto ficou estático, o que o surpreendeu não foram as palavras do Uchiha, mas o que estava surpreendendo-o era...
Sasuke está me beijando! – gritou em sua mente.
Era clara a inexperiência de Sasuke. Ele não fez nada além de um toque de lábios, pressionava os seus sobre os do Uzumaki, que, óbvio, não estava correspondendo. O loiro estava estático.
O que fazer? O que fazer? O que fazer?!
Naruto agarrou os ombros do Uchiha e apertou-os, uma forma muda de pedido para que o maior se afastasse, porém, este nada fez. Continuou a tentar fazer com que o beijo acontecesse a todo custo. Aos pensamentos do moreno, o loiro não estava resistindo tanto. Se não quisesse, o Uzumaki poderia ter-lhe batido, acertado um murro, qualquer coisa! O Uchiha continuou com os lábios pressionados sobre os do loiro, não fazia nada além de cobrir a boca rosada com a sua própria. Sabia que no beijo ocorria mais do que isso, mas ele estava feliz, estava beijando quem ele sempre quis, Uzumaki Naruto.
Quando o moreno cansou-se do beijo unilateral, afastou-se, para ver a face surpresa e meio enojada do Uzumaki.
– O que você está fazendo?! – questionou indignado o loiro, empurrando o moreno para que este saísse de cima de si. O rapaz de olhos azuis levantou-se em milésimos de segundos e afastou-se a uma distância segura do Uchiha. A cada passo que Sasuke dava para perto de si, o loiro afastava-se com três para trás. Não entendia, mas estava extremamente desconfortável com o ocorrido. O moreno, meio incerto sobre a reação do loiro, retorquiu.
– Achei que, de todas as pessoas do mundo, você reconheceria um beijo. – contou.
– Eu sei o que é um beijo, seu bastardo! – ralhou o Uzumaki. – Mas eu entenderia bem mais se você estivesse beijando uma garota, ou de preferência fosse uma! – apontou para o moreno.
Como assim, Sasuke o beija do nada? E ainda por cima vem com esse papo de que gosta dele? Isso é muito para um Uzumaki só.
– Desculpa, não sabia que iria te ofender tanto. – sentenciou o moreno, obviamente ofendido.
– Não ofendeu, mas... Meninos não devem fazer essas coisas, e como assim você me beija e... Argh! – o loiro passou as mãos nos cabelos nervosamente enquanto o rapaz de olhos negros o fitava. – Sasuke, eu não sei o que aconteceu aqui, mas eu juro, é melhor você não dizer pra ninguém! Você não vê? Somos dois caras! E você sabe que eu gosto da Sakura.
A última parte fez o Uchiha apertar os olhos e fechar os punhos.
– Achei que tivesse dito que a Haruno era irritante. – rebateu em um rosnar baixo de raiva. Como ele, Naruto, ainda poderia estar pensando na imbecil cor-de-rosa depois do dia claramente desastroso que teve ao lado dela?
– Eu disse, mas... Olha, eu acho melhor eu ir pra casa! – falou. – Eu preciso pensar direito e você... Você sabe! – acusou.
O moreno olhou com estranhamento. Do que ele deveria saber?
– Eu vou pra casa. E você, pense melhor antes de fazer esse tipo de brincadeira, sentimentos não são coisas com que se brinque. – aconselhou.
– Naruto... – o de cabelos negros tentou se aproximar do loiro, mas este já dava volta em seu carro, pronto para entrar.
– Não! Fique aí! – mandou exaltado, enquanto jogava a palma da mão para frente em sinal de pare, como se falasse para um cachorro que está prestes a seguir seu dono. – Nós nos falamos depois. – concluiu. Entrou no carro após abrir a porta com destreza, batendo-a em seguida, e arrancou com a Ferrari pela rua; deixando um Sasuke confuso, desapontado e arrependido por ter aberto sua boca em um momento obviamente errado.
O loiro não entendia e nem acreditava, óbvio!
Como assim, Sasuke pediu a ajuda de Naruto para que fizesse uma repaginada em si, para agradar ao próprio Naruto?
Esse teme é mesmo complicado – constatou em pensamento.
– Será que era verdade? – questionou o loiro, enquanto massageava o corpo do bichano acima de si. Não que ele estivesse reclamando, o loiro exaltou-se no momento, mas... Caramba! Uchiha Sasuke é um cara!
Certo, Sasuke era um cara, mas o loiro não se importou muito com esse detalhe na hora do beijo, ele ficou, na verdade, surpreso com o ato inesperado e a declaração súbita. O beijo ter vindo de outro homem foi o de menos.
O idiota realmente não soube como fazer. – o Uzumaki riu de seus próprios pensamentos enquanto alisava, com as pontas dos dedos, os lábios. – Será outra coisa que terei de ensiná-lo? – completou e riu, parando subitamente e sentou-se de repente fazendo o gatinho correr para debaixo da cama.
– O que estou pensando?! – repreendeu-se. – Aquilo não irá acontecer de novo, oras! – afirmou para si, fechando a palma da mão em um punho.
– Naruto? – o rapaz de cabelos loiros ouviu batidas na porta e a voz doce chamar-lhe. Kushina Uzumaki chamando-o em um tom doce às dez da manhã nunca era coisa boa.
O loiro vestiu suas calças para não atender a matriarca somente de cueca samba canção estampada com patinhos. Coçando a nuca, Naruto bagunçou os fios rebeldes da cabeça e girou a maçaneta em uma pose despreocupada, dando de cara com a mãe.
– Ohayou, okaa-san! – saudou durante um falso bocejo.
– Naruto, a Nekobaa está na porta e ela disse ter visto um dos seus bichinhos entrar aqui. Você por acaso não viu nada, viu? – questionou a mulher com um sorriso, enquanto batia o pé esquerdo no chão e cruzava os braços.
– Aquela velha tem tantos gatos, como ela pode ter certeza que um sumiu? – questionou; a ruiva olhou-o perigosamente – Bichinhos, é? – pigarreou e fez pausa pensativa – Não, não senhora, eu não vi.
– Mesmo? – questionou de forma cínica. – Você não viu um gatinho preto e branco, de olhos verdes, coleira vermelha?
– Não senhora...
– Que gosta de entrar aqui sempre e que, por acaso, está em cima da sua cama agora? – questionou ela erguendo o pescoço na tentativa de ver mais do quarto do filho.
Naruto sorriu sem graça, coçou a nuca e olhou o quarto por cima dos ombros, realmente o bichano estava em sua cama lambendo uma das patas dianteiras.
– Kaa-chan! Eu não tenho culpa se o Taichi quer ficar vindo pra cá! – defendeu-se de imediato, indo para sua cama pegar o felino nos braços. – Ele não resiste ao charme de um Uzumaki. – deduziu, alisando o focinho do gato com seu próprio nariz.
A ruiva girou os olhos e soltou um bufo de riso, negou a cabeça e constatou:
– É. Realmente não tem como resistir. – caminhou para perto do filho e alisou o bichano em seus braços. – Taichi é? Nekobaa me disse que ele se chama Flufus.
– Não me admira que ele tenha fugido. – falou. – Isso lá é nome que se de pra um gato?
Kushina riu da fala do filho.
– Se troque e depois desça com o... Taichi, Flufus, seja lá o que for! – ergueu as mãos ao ar. – Ela está esperando lá embaixo. – disse a mãe, saindo do recinto.
– Sim senhora. – acatou meio chateado. – Tá vendo? Eu disse pra você vir pra cá de forma silenciosa, cadê o seu lado ninja, hein? – questionou bravo para o gato, colocando o felino frente a frente consigo.
– Meaw! – Taichi/Flufus miou mais uma vez, e Naruto pode ter certeza que aquele olhar que o gato lhe lançava tentava passar o máximo de inocência.
– Meaw. – remedou com um bico meio risonho. – Essa é a sua resposta pra tudo? – questionou. – Deve ser tão bom ser como você, né? Sem preocupações, sem dever, só comer, dormir, fazer cocô onde quiser! Meu Kami-sama! Que vida maravilhosa! – riu, botando o gato na cama, indo à procura de uma camiseta dentro do guarda roupas. – Imagine só, não precisar pensar no que vai vestir, sem contas no fim do mês, sair sem hora pra voltar, sem tem de dar explicações pras gatinhas... – pausa – Ou pros gatinhos. – pensou, o loiro voltou-se para o gato em cima da sua cama, este o olhava se trocar com grande interesse nos olhos verdes. – Taichi... Você é um gato normal, né? – questionou o rapaz de olhos azuis, meio desconfiado.
O gato dobrou o pescoço para o lado em um gesto confuso.
– O que estou dizendo? – o loiro riu, passou a palma da mão pelo rosto. – É óbvio que você puxou ao seu dono aqui, né? Saídas à noite, uma gatinha ou outra no seu pé... Ou pata; sei lá. Pra quê você ia querer um gato bastardo te seguindo, né?
O gato passou a fitá-lo com extrema intensidade e seriedade. Uma expressão quase ofendida, segundo a leitura facial que Naruto fez...
Oh Droga! Até meu gato! – exclamou em pensamento.
– Taichi, você também não! – ofendeu-se. O gato empinou o focinho para o alto e virou o rosto em uma pose arrogante. – Ah, qual é? Eu só não esperava por essa, não é que eu vá te amar menos. – declarou o loiro vestindo uma camiseta preta e ajoelhando-se frente sua cama para olhar o bichano de igual para igual. O gato nem se importou, pulou da cama e seguiu pela porta. – Taichi! – chamou, seguindo o felino, que agora descia as escadas.
O gato foi até a verdadeira dona, que estava na sala de visitas ao lado de Kushina no sofá. Uma senhora idosa já com o peso da idade exposto em sua descrição corporal, acima do peso, cabelos grisalhos e óculos de leitura.
– Flufus! – chamou ela, curvando-se para pegar o bichano nos braços e abraçá-lo como se fizesse anos que não o via. – Então você estava aqui! – deduziu ela.
– Me desculpe mesmo, Nekobaa. – disse Kushina. – Mas parece que o Tai... Digo, Flufus parece gostar muito do Naruto.
– Oh eu entendo, ele gosta do seu garoto, Uzumaki-san. – disse a senhora. – Me lembro de que ele sempre corria pra cá quando era filhote. Parece que o Naruto-chan cativa mesmo às pessoas.
– Vou levar como um elogio. – o loiro falou, terminando de descer as escadas. – Ohayou, Nekobaa-san!
– Ohayou, Naruto-chan! – ela saudou. – Vejo que o Flufus veio te ver novamente, não é? – questionou ela.
– Sim, o que posso fazer? Somos amigos né, Flufus. – o loiro falou segurando o riso enquanto o nome dado pela dona do gato saia pelos lábios, Kushina tampou os próprios, segurando o riso matreiro.
O bichinho, ainda em sua pose audaciosa e magoada, virou-se no colo da dona, não querendo saber do rapaz de olhos claros.
– Poxa, você vai mesmo embora sem falar comigo? Quem é que te alimenta, hein? – questionou o loiro, ofendido pela indiferença do bichano.
O gato lhe lançou um olhar debochado, apoiou-se nas patas traseiras e ficou em pé no colo da idosa, lambendo lhe o rosto como se dissesse:
“Ela me alimenta também, seu idiota”.
O loiro irritou-se com a provocação do gato e virou-se para ir até a cozinha.
– Aho Neko! – resmungou, arrancando risinhos das duas mulheres.
Naruto entrou no cômodo que cheirava à café fresco, encontrou Minato lendo um jornal sentado em uma das cadeiras que compunham a mesa.
– Ohayou, Tousan – saudou, indo até o armário pegar uma xícara para si.
O pai abaixou o jornal para ver o filho em uma expressão amuada e riu.
– Essa cara não pode ser simplesmente por que o gato não quer ficar com você, ou é? – questionou.
– Eu não estou com cara nenhuma. – objetou o loiro, pegando a leiteira e despejando um pouco do conteúdo na xícara.
– Ah, claro. Meu filho acorda todas as manhãs com um bico que parece que vai chegar ao chão. Eu devo ser sempre muito desatento e nunca notei. – o pai brincou, soltando um leve riso.
– Hn... – resmungou o menor pegando o chocolate em pó e fazendo sua mistura no leite.
– Seu encontro com a sua colega de cabelo rosa não deu certo? – questionou. O loiro fez um leve maneio com a cabeça. O pai prosseguiu. – Sua mãe me disse que você saiu com um sorriso de orelha a orelha ontem, dizendo que finalmente iria sair com a tal Saku... Sakura? – questionou meio incerto, vendo o primogênito assentir. – E, bom, quando te encontrei chegando em casa ontem você só faltou voar em mim – ofendeu-se. – O que houve?
– Ah, você sabe... Coisas complicadas de meninos. Tenho certeza que o senhor deve saber. – contou Naruto, agora se sentando frente a frente com o pai.
– Naruto, eu não sei se você reparou, mas eu já saí da adolescência há alguns anos e claro que na minha época “coisas complicadas de meninos” eram outros problemas. – retorquiu Namikaze, querendo uma resposta concreta do filho.
– Tem razão, o senhor está velho né, tou-san. – o mais novo mudou de assunto.
– Não tente desviar o assunto, Naruto. Te conheço como a palma da minha mão. – contou o loiro mais velho.
– Mentira! – acusou. – Eu tenho uma pintinha na perna, o senhor não sabia dela. – riu.
– Naruto... – chamou-o em tom de advertência.
– Ah, otou-san, vamos parar com o papo pai e filho logo pela manhã, tem certas coisas que eu não me sinto à vontade de falar com o senhor. – disse o menor.
– Talvez com a sua mãe. – o pai comentou, bebendo seu café e quase riu quando o loiro lhe olhou de forma ofendida. – Ela também já percebeu Naruto, e vai te perguntar, sinto muito, mas ela vai te perguntar... – avisou.
– Ela te disse alguma coisa? – questionou.
– Não, mas eu conheço a esposa que tenho. – retorquiu. – E você, conhecendo a mãe que tem, deve saber que ela vai arrancar a verdade de você.
– Então, eu acho que essa é hora de eu sair decolando, antes que a Nekobaa-san vá embora. – o loiro falou, bebeu rapidamente seu achocolatado e levantando-se. –Talvez eu saia com Kiba, será que ele está com a Ino hoje? Bem isso não importa, eu vou de qualquer jeito.
– Por que não sai com o Sasuke? – questionou o pai, já vendo o filho sair da cozinha.
– Ah, o Teme tem coisas melhores pra fazer. Tenho certeza. – rebateu.
– Hn, devia chamá-lo para vir aqui mais vezes, sua mãe gosta tanto dele. – recomendou. – E eu também gostaria de vê-lo mais, ele me parece alguém muito interessante, tão diferente dos seus antigos amigos.
– Eu não tenho “antigos amigos”, tou-san, eu gosto de todos, Sasuke não é mais especial que qualquer outro. Mas eu vou pensar com carinho no seu caso, Namikaze-san! – o loiro retorquiu com um sorriso e o pai retribuiu o gesto.
O rapaz de olhos azuis cruzou a sala em questão de segundos, passando despercebido pela mãe e pela vizinha.
Pobre Nekobaa! – comentou em pensamento, a coitada não era casada, vivia tricotando e com uma quantidade desnecessária de gatos. Talvez até estivesse começando a ficar caduca! Será? Muitas vezes Naruto a pegava falando sozinha, tinha até mesmo medo dela quando era mais novo.
Lembrava-se que quando tinha seus oito anos de idade gostava de passar frente à casa da senhora para ver os seus gatinhos, mas sempre era interrompido por que a idosa aparecia, vestindo roupas esquisitas, e o chamando para entrar em casa. A imagem da mulher fazia-o lembrar das bruxas que via nos contos e filmes da Disney e rapidamente saía correndo quintal a fora gritando por Kushina.
Crianças e suas idiotices – constatou, rindo de si próprio e indo para o seu quarto.
O loiro fechou a porta e foi em direção ao banheiro para tomar um banho, mas antes algo em sua janela chamou-lhe a atenção.
– Eu não conheço você. – afirmou. Caminhando até a janela e ajoelhando-se a cama, o loiro alcançou o gato branco de olhos azuis que estava repousado no parapeito. – É amigo do Taichi? – questionou. Assim que pegou o gato no colo, este se debateu e voltou a ficar na janela. – Tá bom, sem carinho com você. – o loiro disse, alisando a pele arranhada.
Antes que o rapaz de pele bronzeada pudesse fazer algo, ele ouviu um miado baixo, olhou para trás para constatar o óbvio: Taichi vinha correndo pela sua porta.
– Taichi você veio me salvar! – deduziu o loiro com um sorriso no rosto, abriu os braços para que o gato fosse para ele... Porém o gato passou por si como se ele não existisse.
Preciso pôr rédeas nesse animal! – disse o Uzumaki em pensamento.
O gato de olhos verdes foi em direção ao gato branco, fazendo uma caricia com o focinho no focinho do outro. Naruto girou os olhos, então era verdade.
– Então é assim? Você vai me trocar por um gatinho de pelos brancos e olhos azuis! – disse o loiro apontando acusadoramente para o animal.
Taichi se fez de arrogante novamente, virou o rosto, e o mesmo fez o outro gato. Ambos saltaram para o telhado e foram para a casa de Nekobaa.
Vocês só podem estar de brincadeira com a minha cara! Meu gato é gay também?! – o loiro gritou em pensamento.
OoOooOSNoOoOo
Naruto chegou ao colégio mais cedo na segunda, olhando de um lado para o outro como se esperasse que um assassino viesse esfaqueá-lo. Óculos escuros, blusa grande, um chapéu, e a mochila sendo segurada por apenas uma das mãos.
O disfarce perfeito, nunca ninguém irá me reconhecer assim! – pensou, de maneira presunçosa.
– Tentando se esconder do que Naruto?
– AHHHHHH! – o loiro berrou, jogando-se para trás. – Shikamaru! Não chegue desse jeito! – bronqueou. – Saiba que 20% da população morre de paradas cardíacas! – apontou o indicador acusadoramente para a cara do moreno de cabelos presos.
– Sério? E o resto da população morre do que? – questionou o Nara.
– Atropelamentos, doenças, causas naturais... – balbuciou. – Mas isso não vem ao caso, o caso é... Você me assustou! – voltou a elevar a voz e acusar o colega, apontando-lhe o indicador.
– Está devendo dinheiro a alguém? – questionou o moreno. – Tire essa coisa, você não vai enganar nem uma velha com 79 anos e cega dos dois olhos. – disse o amigo, tirando o chapéu do rapaz.
– Vou contar para obaa-san! – brincou o Uzumaki retirando os óculos escuros. O loiro bagunçou o cabelo e tirou a jaqueta de frio.
Está calor oras! Onde eu estava com a cabeça? – questionou-se.
– Você – pigarreou. – não viu o Sasuke por ai, viu? – questionou passando a caminhar com o amigo ao seu lado. Shikamaru ergueu uma sobrancelha em dúvida. – É que não quero encontrá-lo logo agora. – avisou, olhando de um lado para o outro.
– Hn, ele finalmente tomou coragem e te disse a verdade. – deduziu o Nara ajeitando alça da mochila.
– A... Verdade? – Naruto sorriu amarelo. – Que verdade...?
– Que ele é louco por você. – disse simplesmente erguendo e abaixando os ombros como se o assunto fosse algo simples de tratar-se.
– O QUE?! – questionou o de olhos azuis. – O que está dizendo Shikamaru?
– Oras Naruto, achei que soubesse – o outro retorquiu. – ‘Tá certo que você é meio lerdo às vezes, mas algumas coisas estão mais do que na cara...
– Por que acha que ele gosta de mim? Hey! Eu não sou lerdo! – Naruto apontou o indicador, novamente, de forma acusatória para o rosto do amigo. O rapaz de brincos pegou o dedo que era apontado para si e torceu, fazendo o loiro choramingar de dor.
– Pare de apontar o dedo pra mim, não sou moleque. – mandou o moreno, vendo o loiro fazer um bico e massagear o indicador. – E sim você é lerdo.
– Oras, eu só não insisto nisso por que vai durar horas. – rebateu.
– Falo sério, Naruto. Como nunca notou? – questionou.
– Notar o que? – questionou uma terceira voz, que fez o loiro se arrepiar da ponta do dedão até o ultimo fio de cabelo de sua nuca.
– Yo, Uchiha. – saudou Nara.
– Yo... – Sasuke falou sem tirar os olhos do loiro, este estava de costas para o rapaz de cabelos negros. – Ohayou, Naruto... – saudou.
– O... Ohayou. – o Uzumaki respondeu ainda de costas, não queria voltar-se para o Uchiha, não queria vê-lo; estava desconfortável. O loiro ajeitou a mochila nas costas e completou. – Eu preciso resolver algumas coisas com o Kisame-sensei. – mentiu. – Falo com vocês mais tarde. Ja ne.
– Eu vou com você. – Sasuke avisou. – Preciso pegar a chave do carro com Itachi, parte do meu material ficou lá dentro.
O menor praguejou em mente. Ele estava tentando fugir do moreno, e este iria segui-lo? Ele definitivamente não queria falar sobre o ocorrido de sábado com o Uchiha, não agora, não hoje, não essa semana, nem naquele mês, quiçá aquele ano!
– Faça como quiser. – disse o Uzumaki, já passando a caminhar. O loiro andou com calma, mas com o coração a mil. Até mesmo ao notar o amigo moreno ao seu lado.
Sasuke o fitava pelo canto dos olhos.
– Então, como foi seu fim de semana? – questionou o moreno, ajeitando a alça de sua mochila. Naruto balançou a cabeça de um lado para o outro e respondeu:
– Bom. Normal. – Sasuke ergueu uma sobrancelha negra com a resposta seca e simplificada do rapaz de cabelos loiros.
– Hn... – resmungou o moreno. Foi a vez do menor olhá-lo pelo canto dos olhos. – Naruto sobre o que aconteceu...
– Não. – o garoto de olhos azuis parou. – Eu disse: não fale sobre isso com ninguém, isso inclui o Uzumaki aqui. – completou apontando para o próprio peito.
– Mas... – o Uchiha se aproximou do Uzumaki, quase o encostando na parede.
– Shh! – o loiro pediu colocando o indicador sobre o próprio lábio, pedindo por silencio. – Uma nova regra entre nos dois: não fale sobre o assunto do sábado passado. – mandou, o moreno franziu o cenho.
O Uzumaki passou a caminhar na frente do rapaz de cabelos negros. Sasuke ficou parado alguns segundos e logo passou a caminhar rapidamente para perto do loiro, sob os olhos atentos dos demais alunos que viam a interação dos rapazes bonitos.
– Você não pode evitar o assunto, Usuratonkachi! – o moreno alertou. Puxando-o pelo ombro. – Eu preciso...
– Ficar quieto! – completou-o – Você precisa ficar quieto. – o loiro desviou do toque do Uchiha e virou-se para o maior, alertando em um sussurro. – Cara, eu não sei o que te deu, nem o porquê, mas pra mim nada disso importa. Eu não curto homem, acho que mais do que qualquer um você sabe disso! – respondeu o loiro apontando o dedo na cara do Uchiha. Sasuke fechou a expressão e Naruto também se calou. Ambos trocaram um olhar intenso.
– Sasuke-kun! – chamou uma voz feminina, Naruto nem precisou virar o rosto para saber quem chamava pelo Uchiha. Logo o tom rosado e chamativo dos cabelos da garota apareceu em seu campo de visão. – Te encontrei, eu queria saber... Você não gostaria de almoçarmos juntos na hora do intervalo?
Sakura Haruno ignorou totalmente o loiro que estava bem ali. Sim, ali! Bem ao lado de Sasuke e ela nem olhou para ele. Não que ele se importasse com isso... Ok, talvez ele se importasse.
– Por que não, não é? – rebateu o Uchiha, olhando para os olhos azuis. Naruto apertou os mesmos. – Não tenho nada melhor pra fazer mesmo.
A garota abriu um sorriso enorme, até porque o moreno sorriu – de forma irônica, mas sorriu – para ela. Seu coração disparou, Sasuke estava lhe dando uma chance? Foi isso que ela pensou, especialmente quando o Uchiha passou um dos braços sobre seus ombros e a guiou pela escola. A rapariga de cabelos rosa ficou com as bochechas rosadas.
– Te vejo depois, Uzumaki. – precatou Sasuke olhando para Naruto por cima dos ombros, e sorriu.
Naruto sentiu a vontade desmedida de voar em cima do Uchiha e enchê-lo de murros, era óbvio o motivo de ele ter aceitado o convite da garota que vive chamando de irritante.
O seu enorme ego estava ferido.
Ele simplesmente aceitou sair com a Haruno pelo motivo simples de mostrar que a garota que Uzumaki sempre quis estava afim daquele que o loiro julgava como inferior a si. Provar que ele poderia ter quem ele quisesse, e não precisava do loiro.
Talvez no fim o Teme não estivesse falando sério. – deduziu o Uzumaki, ainda olhando as costas de o moreno afastar-se.
Se fosse verdade ele desistiria tão fácil assim? Simplesmente para recuperar o orgulho ferido? Mas, e se não fosse verdade? E se o moreno tivesse dito aquilo simplesmente para que o loiro ficasse confuso em relação a ele, e então partir para o verdadeiro objetivo: A Haruno!
Tal constatação fez o loiro franzir o cenho, Sasuke havia mentido para si. O Uchiha pediu sua ajuda, não para conquistá-lo, mas para conquistar a garota dos sonhos do Uzumaki! Sim, isso fazia sentido.
Então ele usou desse papo de gostar do garoto de olhos azuis simplesmente para confundi-lo enquanto ele fugia com Sakura!
O plano perfeito, segundo Naruto.
Imagine se realmente essa fosse a ideia de Sasuke. Somente Naruto para pensar em algo tão trabalhoso. Somente ele. Pois a Haruno não valia esse esforço, ao menos não para o Uchiha.
OOoOoOoSNoOoOoO
Sasuke e Sakura não se desgrudavam.
Ao menos era isso que toda a escola estava falando. Depois do incidente há quase uma semana, o Uchiha e a rapariga de cabelos rosa foram vistos juntos a todos os momentos. Horário de entrada, horário de aula, horário de intervalo e horário de saída. Alguns se perguntavam se o belo Uchiha havia cedido aos encantos da despeitada da Haruno. Apesar de nunca serem vistos aos beijos, Sasuke e Sakura estavam agindo como um casal aos olhos de alguns.
– Está tudo bem aí? – questionou Kiba no horário de entrada, quando viu o amigo loiro descer de seu carro com uma carranca tão grande que parecia que iria voar no primeiro que aparecesse, porém Kiba não teve medo, não era a primeira vez que via a fera Kitsune naquele estado. Nos últimos dias que sucederam a conversa com o Uchiha o loiro estava assim.
– Tudo. – respondeu Naruto, batendo a porta do carro com força, fazendo o moreno de longas presas afastar-se com o gesto. Kiba ergueu os braços em rendição.
– Seu bebê vai quebrar se continuar a tratá-lo assim, relaxa aí. – declarou o moreno. O rapaz de olhos azuis voltou-se para o amigo – Certo, certo, já entendi. Chupou limão hoje de novo? – Naruto rosnou em resposta. – Ok, parei!
Naruto olhou em volta como um cão raivoso, quando ouviu o ronco de um motor olhou em sua direção e viu o óbvio: Sasuke havia chegado ao colégio. Estacionou a moto – ele apareceu com a mesma no dia anterior, como havia conseguido aquela máquina? Naruto não sabia, e nem teria como saber! Ele não estava falando com o estudante de tez pálida.
O moreno repousou um pé no chão, retirou os óculos escuros dos olhos e colocou-os acima da cabeça, pegou a mochila que estava repousada sobre o banco e desceu do motociclo com toda a sua pose arrogante.
Parece que a última parte ele havia desenvolvido muito bem durante as aulas com o loiro. Caminhando, o rapaz de longas franjas aproximou-se dos colegas de classe.
– Yo Inuzuka... Uzumaki. – saudou o último com um quê de desgosto.
– Yo Uchiha. – saudou Kiba. Alheio ao clima tenso entre os garotos. – Preparado para o jogo de hoje?
– Você sabe que eu nasci pronto. – rebateu o Uchiha, olhando nos olhos azuis raivosos que estavam direcionados para si. Naruto franziu o cenho, daria tudo para acertar aquela cara debochada que tem tirado seu sono nos últimos dias. – Bee-sensei me colocou como capitão no jogo de hoje. Impossível que percamos.
Oh, sim. Mais um dos motivos pelos quais o Uzumaki estava com uma carranca de assustar crianças:
Killer Bee colocou Sasuke como o capitão do time no dia anterior. O time comemorou a escolha com louvor. O Uzumaki fechou a cara no mesmo momento. Todos os anos foi ele quem dominou tudo!
A Fera Kitsune. Não um Uchiha nerd que agora se achava melhor que os outros.
Sasuke estava roubando sua vida. Seus colegas, seus professores, suas torcedoras apaixonadas, seu pódio no basquete e até mesmo “sua garota”.
– Verdade. A ideia do sensei foi genial. – rebateu. – O Sabaku irá tremer na base quando te ver. Quero ver a panca de playboy dele continuar impassível! – o Inuzuka riu.
– Sabaku. – remedou o nome, lembrando-se do que o loiro havia lhe dito no sábado passado sobre o tal Sabaku no Gaara. – Estou ansioso para vê-lo. Soube coisas interessantes sobre ele.
– É, você precisa conhecê-lo. – concordou Kiba. – Ele o Naruto são inimigos desde que eu me conheço por gente. – riu.
– Eu não duvido. – rebateu o moreno. – Naruto é bem antissocial, com certeza o que não faltam a ele são inimizades. – comentou com casualidade olhando nos olhos azuis.
O Inuzuka riu da fala do Uchiha, alheio ao perigo que corria. O loiro espreitou os olhos como um leão para Sasuke. Logo os rapazes ouviram um chamado, viraram pelo pátio e viram uma Ino com cara de poucos amigos batendo o pé esquerdo no chão e braços cruzados em sinal de impaciência, com Tenten ao seu lado.
– Bem pessoal, se me derem licença, irei encontrar minha loira. – disse. – Vejo vocês no jogo. – acenou.
Sasuke e o rapaz de cabelos loiros fitaram o Inuzuka afastar-se e aproximar-se Ino, que já vinha andando com Tenten em sua direção. O rapaz de longas presas recebeu alguns tapas da garota, aparentemente tendo uma discussão pequena com a moçoila de cabelos longos e loiros. O rapaz agarrou a Yamanaka pela cintura e beijou-lhe os lábios enquanto esta lhe batia, mas logo após cedeu ao gesto com um sorriso. Tenten riu da cena dos enamorados, para logo após ser abordada por Neji, que trazia em suas mãos uma rosa que entregou de forma extremamente formal para a namorada, curvando-se levemente.
Hoje é dia do s namorados por acaso? Quanto Love. Blééh! – o loiro comentou em pensamento enquanto franzia o cenho.
– Não vai procurar sua namorada também? – questionou o Uzumaki voltando-se para Sasuke, cruzando os braços frente o peito. O moreno não respondeu de imediato, tirou os óculos do topo da cabeça, enganchou as hastes na gola da camisa, passou a mão pelas franjas que cobriam seu rosto e sorriu de canto de boca.
– Procuraria, pena que quem eu quero não me quer, não é? – rebateu com sarcasmo. Naruto franziu as sobrancelhas, se Sasuke acha que ele vai continuar caindo nesse joguinho, há! Ele está enganado. – Mas se você refere-se à Haruno, ela deve estar chegando. Mulheres se atrasam e ela bate o recorde. Eu até á buscaria, mas ela demora demais. – alegou, olhando o relógio de pulso.
– Está mesmo admitindo que esteja com ela? – questionou o loiro com indignação. Não acreditava que depois de tudo o moreno realmente iria fazer isso consigo. Ele amava a Haruno, bom, ao menos achava. Era certo que a Haruno era irritante, meio chata, reclamona, bruta, ignorante...
É, a lista é bem grande! – constatou o loiro em pensamento. Mas isso não importa, o que importa é que Sasuke era um verdadeiro traíra.
– Por que sinto que você está com raiva? – questionou o Uchiha – Sua linguagem corporal parece bem hostil, Usuratonkachi.
– Eu não tenho motivos para estar. O que você faz ou deixa de fazer não é problema meu, faça bom proveito. – rebateu. Sasuke olhou nas íris azuis, estas ganharam um brilho mais escuro, mostrando que o loiro estava, sim, zangado. – Agora se me der licença, vou me preparar para o jogo. – completou
Sasuke girou os olhos e negou com a cabeça.
OoOoOSNOoOoO
– Eles chegaram! – avisou Shino na porta do vestiário, chamando a atenção dos demais jogadores que se preparavam. O loiro parou de amarar o seu tênis no mesmo momento, se pondo de pé.
– Mas já? Chegaram cedo. – comentou. – Eu avisei que Sabaku estava ansioso pra perder. – riu. Claro que os demais o acompanharam. – Vamos receber a Suna calorosamente, minna!
Ele podia não mais ser o capitão, mas sabia como ninguém como colocar o time para cima. Diferente de Sasuke, que nem ali estava.
– Sim. – concordaram os demais. Os outros já saíram do vestiário correndo para o garrafão. Somente sobrou Naruto, que passou a sorrir ao ver o entusiasmo do seu time.
Nós vamos conseguir! – exclamou em pensamento com os olhos fechados. Sempre fazia isso antes dos jogos. Sempre! Era um rito de passagem, por assim dizer.
– Meditar não vai nos fazer ganhar, espero que esteja ciente. – alertou a voz rouca, a qual conhecia muito bem. O loiro virou-se, vendo o moreno terminar de vestir a regata de numero 7 – sua antiga camiseta. A camiseta de quem comanda, de quem domina o jogo estava com Sasuke. O moreno parou a lado do loiro.
– Vai ficar aí parado ou vamos jogar? – questionou.
– Já estou saindo. – completou indo até um dos bancos pegando sua nova regata; a de numero nove. Naruto vestiu-a sob os olhos atentos do moreno, que assistia cada movimento feito pelo menor com atenção. – Você vai ficar me secando? Ou vai pra quadra suar? – questionou o loiro passando pelo Uchiha, dando-lhe um tapa quase dolorido na face e saindo do vestiário.
Sasuke estalou a língua nos dentes e sorriu acompanhando os quadris do Uzumaki se mexeram enquanto este andava. Ele nunca se cansaria de ver aquilo! Poderia ver dias e dias!
Pra que ele queria ir para o jogo mesmo?
O moreno passou as mãos nervosamente nos cabelos, bateu ambas as mãos na face para acordar do seu devaneio e caminhou para fora, indo até a quadra onde um número considerável de pessoas gritava e assoviava, alunos de Suna e Konoha. O jogo iria começar logo, logo.
Mas antes, ele teve a obrigação de ver o motivo dos jogadores estarem amontoados no meio da quadra. Sasuke caminhou até o meio, vendo uma conhecida cabeleira loira e um chumaço vermelho.
Os olhos azuis e os esverdeados se cruzavam, como dois leões ferozes que estavam prestes a disputar o último cordeiro na mata. O loiro tinha um sorriso vitorioso nos lábios, já o ruivo fitava o rapaz de bonitos olhos claros de cima, como se o Uzumaki fosse um ser menor do que si.
– Se chegar mais perto vai acabar me beijando, Sabaku. – o loiro falou, ainda sorrindo. Os demais garotos dos times em volta adoravam ver as provocações da parte dos dois rapazes.
– E aposto como você iria gostar, Uzumaki. – rebateu o ruivo. Gaara não pôde evitar quando seus olhos se fixaram na boca rosada. Fato que foi percebido por Sasuke, este se aproximou mais. – Ansioso para perder?
– Eu não, mas e você? – questionou. – Aposto que faremos um jogo bem interessante hoje, não? Até por que a figura verde ali parece bem motivada. – comentou o loiro, vendo por cima dos ombros de Gaara, Lee hora fazer abdominais, hora fazer flexões e uma sessão de exercícios estranhos. Como alguém tinha fôlego para isso tudo?! Bom, Lee tinha.
– Com certeza. Aliás, onde está o seu famoso subcapitão? – questionou. – Tenho ouvido falar do tal Sasuke desde o momento que pisei nessa escola. Soube que ele é muito bom no jogo, até mesmo melhor do que você, Naruto.
O rapaz de cabelos loiros juntou as sobrancelhas e apertou os olhos perigosamente. Realmente, Gaara tinha a mesma capacidade que Sasuke de levá-lo a uma montanha russa de emoções em questão de segundos.
Antes de responder a altura, o de olhos azuis teve seu contato visual com Gaara interrompido pelas costas largas que bloquearam seu campo de visão.
– Na verdade... – interferiu, Sasuke. – É capitão, e sugiro que me chame pelo sobrenome, não lhe dei a intimidade de tratar-me pelo primeiro. – parou em frente o rapaz de olhos verdes. – Sabaku No Gaara.
– Vejo que já me conhece. – deduziu o ruivo sorrindo de lado. – E como devo te chamar, Capitão? – questionou com um ar de deboche, estendendo a mão para o adversário; em muitos sentidos.
– Uchiha. Uchiha Sasuke. – respondeu pegando na mão que lhe foi estendida e apertando com firmeza, até mesmo desnecessária.
– Uchiha. – remedou, soltando-se da pegada do moreno. – Então é você que tomou o lugar do Uzumaki, Uchiha? É tão fracassado quanto ele? – Sasuke sorriu de lado, enquanto, atrás de si, Naruto apertava os punhos contendo a sua raiva.
– O único fracasso que estou vendo aqui é você, Gaara. – retorquiu Sasuke.
– Não me lembro de ter permitido que me chame pelo primeiro nome. – sorriu vitorioso.
– Não me lembro de ter pedido permissão para tal. – rebateu.
Os demais jogadores soltaram um “Uh” de zombaria. Sasuke tinha as respostas certas na ponta da língua. Talvez tivesse aprendido tais táticas no passado, durante todo o tempo em que ele e o Uzumaki se enfrentavam na sala de aula, rebatendo um as ofensas do outro.
– Ei, moçada. Guardem a rivalidade para o jogo. – interviu Bee, espalmando os peitos dos dois jovens, afastando o moreno do ruivo. – Vá Sasuke, se prepare para o jogo. – ordenou. – E você, Kitsu, faça o mesmo. – mandou Bee, olhando para o loiro.
– Sim, tio Bee! – o loiro assentiu em pose de soldado. Enquanto Sasuke soltou apenas um “Hn” em resposta. – Bora, pessoal! Vamos fazer o que sabemos fazer de melhor. – animou o time, enquanto batia palmas.
– Hai! – gritaram os demais.
– Killer Bee! Vejo que seus moleques estão bem enérgicos hoje. – comentou a voz masculina, nem Naruto ou Bee precisaram virar para saber que havia feito o comentário. Naruto apertou os olhos sabendo bem o que vinha por aí. – O fogo da juventude voltou a queimar para eles! – garantiu Gai.
– Gai. Eu estava mesmo sentindo falta de alguém aqui. – comentou o treinador de agasalho branco e vermelho. – Estava demorando.
– Eu estive treinando o meu prodígio. – retorquiu o homem cabelo de tigela. – Lee! Venha. – chamou.
– Sim, Gai-sensei! – em questão de segundos Lee já estava ao lado do homem. Era uma cópia: roupas, cabelos, sobrancelhas... Tudo!
– Meu sobrinho é o novo capitão do time. – sorriu o homem passando o braço sobre o ombro de sua cópia.
Hn, então Gaara já não é o capitão do jogo. – o loiro sorriu, antes de caminhar para o seu lugar.
– Impossível que percamos. – garantiu. – Ele é tão bom quanto o Uzumaki. – sorriu o moreno. Gai já havia tentado convencer o loiro a mudar de escola, ele era um prodígio no basquete. Gaara era muito bom, mas nada se comparava ao Kitsune de Konoha School. O rapaz de olhos claros era conhecido, venerado e respeitado por muitos alunos, até mesmo os de Suna College. Apenas Gaara que, por um motivo desconhecido, adorava peitar o Uzumaki, provocá-lo e irritá-lo.
Muitos achavam que era pelo motivo chamado: inveja. Mas não. Tinha algo a mais, algo que nenhum jogador do time liderado por Gai esperava.
– Isso é o que nós vamos ver. – o homem mais alto sorriu. – Temos um novo jogador também. Está vendo aquele rapaz ali? – apontou para Sasuke, que assistia o loiro se preparar para o jogo. Gai analisou o rapaz de olhos negros, os braços cruzados, a pose imponente, vestido no uniforme de cor branca e vermelha. – Ele sim é um verdadeiro prodígio. Talvez até melhor que o meu garoto. Sasuke tem talento, coisa que essa sua copia medíocre, não deve ter. – falou com escárnio, olhando o rapaz de sobrancelhas grossas. – Assim como você também não tinha. Babaca.
– Não menospreze o Gai-sensei! – Lee disse. – Não deixe que ele fale assim com o senhor, Gai-sensei.
– Tudo bem, Lee. – o homem confortou. – Bee é hostil, até porque sabe que está correndo risco de que sua preciosa escola perca para nós.
– Há! Vamos aguardar para ver. – riu o homem de barba.
Bee caminhou pelo garrafão, aguardando a ordem do juiz para o inicio do jogo. Como se eles fossem mesmo perder aquele jogo, nunca.
– Sasuke-kun! – a rosada chamou, vindo correndo com o uniforme de cheerleader de cor vermelha e branca, cabelos presos e uma pequena franja moldando a face. O rapaz de cabelos loiros olhou-a com curiosidade, especialmente quando a viu voar no pescoço do moreno, o abraçando.
No mesmo instante o loiro sentiu uma dor no peito. Os amigos ao seu lado assoviaram e aplaudiram em aprovação ao gesto da Haruno para com o de olhos escuros. Naruto virou o rosto, sentindo uma vontade desmedida de arrancar a Haruno de cima do moreno.
Hey! Arrancar o Sasuke de cima da Sakura-chan! É ele quem está errado... Né?! – pensou consigo.
– O que está fazendo, Sakura? – questionou o moreno, segurando nos quadris da menina de olhos verdes, afastando-a de si com máximo de delicadeza que pôde.
– Eu vim dizer que estou torcendo por você. – sorriu. – E pra te dar o meu amuleto de boa sorte. – concluiu beijando a bochecha do rapaz, fazendo com que o loiro que estava ao lado dilatasse os olhos azuis em surpresa. – Boa sorte. – repetiu ao pé do ouvido do moreno, em um tom – segundo ela – sensual.
– Hn. – agradeceu, ou quase. E assim a Haruno caminhou até as demais lideres de torcida, sendo parabenizada pelas garotas por ter ousado na atitude com o Uchiha.
O Uchiha girou os olhos e voltou-se para o Uzumaki que o fitava com uma sobrancelha loira erguida e os braços cruzados.
– Depois diz que não tem nada com ela, não é? – questionou, não contendo sua língua.
– Eu não tenho nada com ela. – garantiu.
– Não, imagine. – debochou, sorrindo de canto de boca. – É super normal uma garota vir te beijar desse jeito, e te abraçar, eu sei. Super normal! – ironizou.
Sasuke juntou as sobrancelhas e remexeu os lábios.
– Por que sinto que você está com ciúmes, hein, Dobe? – questionou sorrindo de canto de boca.
– Há, há, há. Eu com ciúmes?! – indignou. – Ciúmes de você? – questionou o loiro, soltou um bufo de riso recheado de ironia. – Faça-me o favor.
– Eu não disse que o ciúme era de mim, pensei que logicamente você pensaria na Haruno. – contrapôs o maior com um sorriso de canto.
Naruto juntou as sobrancelhas.
– É claro que estou falando da Sakura-chan, eu simplesmente me enganei, tonto. – retorquiu ficando com as bochechas rosadas, tanto de raiva quanto de vergonha.
– Sei. – concordou com sarcasmo.
O loiro inflou as bochechas e franziu o cenho.
Parece uma criança. – pensou o Uchiha.
– Ai Uchiha, não sabia que estava pegando a Haruno. – disse Kiba, aproximando-se junto com Neji e abraçando o pescoço do rapaz pálido com um braço. – Quer dizer, muitas meninas falavam sobre isso, mas eu pensei que talvez não fosse verdade. Quer dizer, antes eu e os caras achávamos que você gostava do Naru... – antes de terminar sua frase, o Inuzuka teve seus lábios cobertos por a palma de uma mão.
– Você fala demais, Kiba. – Shikamaru ralhou em um tom baixo.
Sasuke ergueu uma das finas sobrancelhas, esperando que o rapaz de longas presas terminasse sua frase, mas esta não veio.
Será possível que todos acreditam na mentira do Teme? – questionou-se, o Uzumaki. Ele virou-se para a arquibancada, vendo que Kushina e Minato já haviam chegado ao jogo. A matriarca trazia uma câmera fotográfica em mãos e tirava incessantes fotos dele e lhe sorria enquanto acenava. O pai apenas negava com a cabeça pelo jeito exagerado da esposa.
Naruto sorriu abertamente olhando para os parentes e não demorou a notar que ao lado de sua mãe repousava uma conhecida figura de cabelos negros, rosto pálido e sorriso genuíno.
A okaa-san não perde tempo. Já conheceu a Mikoto-san. – comentou em pensamento. Teve certeza: Kushina foi quem intimou a morena a ficar com ela e o marido na arquibancada. Já até podia ver a matriarca sorrindo belamente ao ver a mulher de cabelos negros e questionando se era mãe de Sasuke. Quem não perceberia? Mikoto Uchiha era uma copia do filho, porém mais feminina, óbvio.
A mãe de Sasuke lhe sorriu, o loiro imitou o gesto.
O rapaz nem reparou nos olhos negros e os verdes que fitavam-no com atenção, enquanto ele, Naruto, sorria belamente para a arquibancada.
Sasuke e Gaara se perguntavam como poderia alguém ser tão cativante, sorrir de forma tão bela e, ainda assim, ser um completo idiota.
Talvez fosse esse o motivo de Sasuke ter criado uma afeição pelo menino de olhos azuis assim que entrou para Konoha School. Logo uma risada extremamente alta e um par de olhos azuis e cabelos loiros foram vistos por ele em meio a um dia de sol, Naruto chegou à escola com toda a sua pose desleixada, mas ainda assim tão atrativa.
Naruto poderia ser um completo idiota, ignorante em muitos aspectos e cheio de si, mas era justamente essa personalidade meio de moleque que o Uzumaki tinha que chamava a atenção do Uchiha. E era justamente por esse motivo que adorava provocar o menor, vê-lo irado era uma das poucas alegrias que tinha, pois o de cabelos loiros não olhava para si sem que fosse daquela forma.
Até que teve a brilhante ideia de tentar mudar para agradar o loiro, ver se ele olhava para si. E estar com o Uzumaki por aqueles dois dias no fim de semana foi uma das experiências mais surpreendentes que teve. Não esperava que o rapazola de olhos claros pudesse ser tão divertido quando queria, ou até mesmo simpático.
Talvez o Uchiha devesse ter se contentado em ser somente um amigo.
Agora o loiro não queria falar consigo, simplesmente por que ele se deixou levar pelo momento e abriu a maldita boca.
Mas Uchiha Sasuke não desiste do que quer. Como o próprio Uzumaki diz: “Se ele quiser ter algo, ele terá, nem que busque no inferno”. Convenhamos, o loiro não está no inferno, estava bem ali, na frente dele. Muito mais fácil.
Naruto parou de acenar para os espectadores quando ouviu o apito de inicio do jogo. Virou-se para o time, porém notou que somente os olhos ônix lhe fitavam com atenção. O loiro mostrou a língua para o moreno em uma careta desagradável, mas que fez Sasuke sorrir com uma sobrancelha negra erguida e Naruto ficar com raiva, pois até mesmo quando estava tratando moreno rudemente este sorria de forma debochada.
Eu daria tudo para dar uns tapas na cara desse Teme, pra tirar esse sorrisinho sínico dessa cara! – pensou o Uzumaki consigo.
Sasuke olhou em volta na quadra, vendo que, com muita atenção também, Gaara olhava para Naruto. O ruivo sentiu o olhar dos orbes negros sobre si e virou-se para o Uchiha. Sabaku ergueu uma sobrancelha em dúvida pelo olhar que recebia de Sasuke, mas a imagem não lhe roubou atenção por muito tempo, logo ele ouviu o juiz chamar pelos times.
– Muito bem, molecada. Aí vão as regras: A bola poderá ser lançada em qualquer direção, com uma ou com duas mãos; será considerado ponto quando a bola for lançada ao cesto e nele entrar, caindo no solo. Se a bola tocar o aro e os defensores movimentarem esse aro, será marcado ponto para a equipe atacante; golpear a bola com os punhos será falta; se uma equipe cometer três faltas consecutivas, um ponto será anotado em favor da equipe adversária. Espero que as regras estejam claras para ambos, wakata? – explicou o juiz com toda calma.
– Hai! – gritaram as equipes em uníssono.
– Pois bem. – o juiz apitou e lançou a bola para o alto, fazendo Gaara e Sasuke saltarem ao mesmo tempo para pegá-la.
Dalí se iniciaria um jogo decisivo.
Fale com o autor