Fix You

12 Capitulo 12 - Uzumaki - Comprometido - Naruto.


Notas iniciais
FALA, SEUS LINDOS! Oi, oi gente! Ah, finalmente, eu nem vou dizer para vocês não me xingarem, nem me baterem. Eu demorei pra CA-RA-LE-O! Mas quem curti minha página no Facebook sabe o motivo, estive com sérios problemas pessoais, mas fiz o máximo para não deixar a fic parada por tanto tempo - O que no final aconteceu, mas... Enfim! Último capitulo, galera! É, e agora vamos aos números: 274 Comentários! - Obrigado a todos vocês que leram e comentaram até hoje! Cada palavrinha, até os reviews mais pequenininhos, valeram a pena, pois me fizeram um bem danado e me estimularam muito a escrever! 243 Acompanhamentos. - CA-RA-LE-O! Eu fiquei de queixo caído a cada vez que o número de leitores de Fix You! crescia. E não esperava, realmente, que o número de leitores para esta fic fosse ser tão grande! - Isso me lembra, onde estão todos esses fantasminhas nos reviews? 77 Favoritos - Obrigado a vocês que favoritaram, gente, essa é a fic com maior número de favoritos. 8 Recomendações - Agradecimento especial à Biiah Yuuki, Isabela Samira Lima, Ju, BeautyDisaster, Black Swan, Uzumaki Zakuro, Beatriz e Lyachan! Essas lindas! 'Fix You!', por um motivo que ainda fico confusa, é o meu enredo que mais agradou a vocês, poxa! E eu fico muito feliz que vocês tenham gostado tanto! Pois escrevi cada capitulo com todo o amor, por vocês e pra vocês! Agradecer a minha revisora linda Lally que teve paciência e cedeu minutos... Ou horas! HAHA da sua vida corrida para betar meus capítulos, graças a ela a fic ficou mais "TOP" posso dizer isso? HAHA. Vocês viram minha nova capa? Foi feita pela Coeur Pirate! Aquela linda. Obrigado, Loma-loma! Bom, eu terminei este cap na semana passada, mandei para a Lally e ela ACABOU de me enviar, e eu estou postando já! Por que né... 4 meses de espera? Vocês não merecem aguardar nem mais um minuto! Perdão! HAHA Devo dizer que o número de comentários no capitulo passado me decepcionou um pouco, mas vou falar sobre isso no fim, ok? Bem, agradecimentos dados! Vamos ao capitulo? Espero que vocês ainda estejam ai, poxa vida! BOA LEITURA, E VAMBORA!

Fix You!

Escrito Por Mary

Revisado Por Lally

Capitulo 12 – Uzumaki – Comprometido – Naruto.

As mãos pálidas seguravam firmemente a barra de aço enquanto os ônix estavam fixados na janela que dava para um céu com diferentes nuances de cor. Laranja, rosa e azul, exatamente nesta ordem. Ele não estava realmente prestando atenção na paisagem, mas, sim na musica que o fone que estava em seu ouvido reproduzia.

O baque violento do trem fez o moreno ir para o lado, sorte que naquele horário o trem estava praticamente vazio, poucos ocupantes estavam naquele vagão; dava para se contar nos dedos todos que estavam sentados, com uma considerável distancia afastando uns dos outros.

Sasuke Uchiha soltou uma das mãos que seguravam a alça de sua mochila e ajeitou os cabelos compridos que caiam na frente de seu rosto.

Ele devia cortar.

Um dedo lhe cutucou a coxa e ele praguejou mentalmente por ter de tirar o fone de ouvido justamente no solo do Slash em ‘November Rain’. Voltou-se para baixo, encontrando um par de olhos ônix tão parecidos com os seus.

– Ansioso? – ele ouviu o tom grave questionar.

– É só mais um dia de aula, Nii-san. Qual seria a diferença? – perguntou com monotonia, vendo o irmão mais velho voltar a deslizar os dedos no tablet de forma despreocupada.

– Escola nova, Sasuke. Sempre se fica ansioso, é uma regra da vida. – contou dando de ombros.

– Hn... – voltou a colocar o fone em sua orelha, mas o mais velho voltou a lhe cutucar. Ele olhou para baixo e viu Itachi com o cenho franzido.

– Quando uma pessoa está falando com você, seria muito educado se você ouvisse. Largue um pouco esse celular. – pediu, vendo o mais novo revirar os olhos em impaciência. – Conseguiu aprender o caminho?

– É. Você comprou a droga de um carro, mas prefere andar de trem, não entendo essa sua cabeça que não funciona direito. – debochou, mordendo o lábio inferior ao fim da frase, vendo o mais velho levantar-se e lhe repreender com o olhar.

– Eu vou usar o carro, Sasuke, mas preciso te tirar de debaixo das asas da Kaa-san. Você precisa aprender a se virar, ou vai ficar acomodado desse jeito. – contou, caminhando até a porta do metrô e sendo seguido por Sasuke.

Era o primeiro dia de aula, era verdade, mas Sasuke nunca ligou para isso antes – nem mesmo quando entrou para o jardim de infância — agora não seria diferente.

A porta do metrô abriu-se e ambos os irmãos Uchiha seguiram para a escada rolante da estação, o mais velho em completo silêncio, mantendo as feições estoicas de sempre.

A cara de bunda; era como Sasuke dizia.

O Uchiha mais novo não entendia, mas por algum motivo a aparência seca e sombria de seu aniki chamava muita atenção; como agora. Se olhar secasse, Itachi já teria desaparecido da face da terra.

Isso nunca iria acontecer consigo...

Sasuke nunca chamou a atenção de nenhuma pessoa, e nem se importava com isso, era confortável ser do jeito que era. Ele se sentia bem com seu estilo desleixado e mal arrumado, para ele tanto faz.

Garotas eram irritantes em demasia. Ele nunca teve interesse algum em dar um passo à frente em arranjar um relacionamento. Lembrava-se de quando seu irmão, na época com 19 anos, começou a namorar uma garota chamada Mei e foi o maior desastre do mundo!

A mulher era uma chata! Falava demais, cobrava demais, gostava demais... É, tudo em uma medida desnecessária. Por que mesmo o primogênito dos Uchiha quis ficar com ela? Aquilo não durou um mês.

Qual era mesmo a graça de ficar com uma pessoa? Ele não entendia. Sair aos fins de semana, brigar e voltar trezentas vezes por mês, se atracar no sofá da sala à noite...

Urgh! – ele sentiu seu corpo tremer com essa perspectiva. Só de pensar ele se sentia enjoado.

Mas ele nunca conseguira se interessar por ninguém. E nem é como se ele tivesse tentando. Beijar, tocar, abraçar, dar carinhos... Pra quê?! Às vezes ele não se sentia normal, porque via sempre os jovens de sua idade falando sobre essas coisas, alguns até colocando em prática, mas só a ideia de ficar com uma garota daquela forma já o enfadava.

Eu devo ter um problema... – pensou, suspirando. Ao mesmo tempo, seu corpo colidiu com o corpo do mais velho a sua frente.

– Ai! Avise quando for parar, sua fuinha! – bateu nas costas vestidas por uma camisa preta enquanto ajeitava os óculos de grau no rosto e endireitava a franja.

– Chegamos. – Itachi falou, virando-se para encarar o mais novo. – Eu vou subir – avisou, mostrando o prédio escolar. — Tenho que falar com o diretor. Como chegamos cedo, você terá de esperar um pouco, já que á entrada dos alunos é daqui uns... Vinte minutos. – completou, olhando o relógio de pulso.

O mais novo rolou os olhos.

– E tente se enturmar, Sasuke. Não quero você sozinho de novo. Tenho certeza de que aqui haverá pessoas tão... Diferentes quanto você. – falou com um sorriso de canto de boca, enquanto dava um toque na testa do mais novo com o dedo indicador e o médio.

– Hn. – alisou a testa lesada com um pequeno bico nos lábios e começou a caminhar para dentro dos portões. Sentou-se em um banco de madeira e buscou o celular dentro do bolso das calças largas, voltando a ligar o mp3 e colocando os fones de ouvido esperando, assim, matar o tempo.

Enquanto procurava algo decente para ouvir, escutou uma freada brusca e viu um Honda City de cor vermelha parar próximo à entrada.

As portas traseiras se abriram e de lá desceram duas garotas. Uma era loira, cabelos longuíssimos e presos em um rabo de cavalo no topo da cabeça, uma longa franja tapava o olho esquerdo, que à distância Sasuke deduziu que fosse verde... Ou azul, ele não tinha certeza.

Já com a segunda, Sasuke não conseguiu manter as feições indiferentes, pois tal espécime de fêmea nunca fora vista por seus olhos. Os fios longos da menina eram cor-de-rosa, mas tinha dois dedos de raiz loira; óbvio que ela devia pintar; quem nasceria com uma tonalidade de cabelo tão extravagante quanto aquela? A guria usava óculos escuros, estes foram colocados no topo da cabeça – fato este que fez a franja erguer-se e uma testa um tanto que avantajada revelar-se -, seus olhos eram verde-claros, o corpo era pequeno, era delicada e magra, finos traços e uma pele que parecia ser suave como seda.

Era como um flor. Delicada, pequena e frágil. Só de pensar, o Uchiha já sentia seu estômago se retorcer.

Ambas colocaram o corpo para dentro do carro mais uma vez — a loira pegou uma mochila, e a rosada, um fichário — e, por fim, ambas bateram as portas traseiras do carro ao mesmo tempo.

Gêmeas siamesas. – pensou debochadamente.

– Até mais tarde, Tou-san. – disse a garota de cabelos loiros.

– Obrigado pela carona, Yamanaka-san! – falou a garota de cabelos róseos, curvando-se levemente em sinal de agradecimento.

O carro saiu pouco depois, com um violento ronco de motor.

As duas garotas seguiram pela área vazia da escola enquanto trocavam risos e conversavam. Sasuke notou que ambas usavam o uniforme da Konoha High School, e perguntou-se se com elas poderia enturmar-se...

Mas nem pensar. – o juízo bateu em sua cabeça.

– Só você para me tirar de casa mais cedo, Ino. – a menina falou com uma feição desgostosa e a voz desanimada.

– Ah, Sakura! Somos melhores amigas ou não? Eu quero você do meu lado quando o Kiba disser ‘sim’ à minha proposta de namoro...

– P.A’s¹ não são namorados, porquinha. – respondeu.

‘P’ o que? – pensou o moreno com o cenho franzido.

Elas pararam perto de si. Ino sentou-se em um banco ao lado do qual estava sentado, e Sakura colocou o fichário sobre este, tirou os óculos da cabeça e bagunçou a franja, buscando algo no bolso frontal que havia em seu fichário, tirando de lá algum tipo de batom, ou seja lá o que fosse.

O moreno parou de prestar atenção nas duas, voltando a concentrar-se no smartphone, onde logo encontrou algo que lhe distraísse durante algum tempo. Porém, quando estava prestes a dar play na musica How You Remind Me do Nickelback, ouviu o cochicho da menina loira para a tal Sakura.

– Aluno novo? – cautelosamente falou; provavelmente por vê-lo com os fones, deduziu que ele não fosse ouvir.

A garota de fios rosa deu uma espiada discreta por cima dos ombros, ele continuou a fingir que olhava para o celular. A garota deu de ombros.

– Não me é familiar... – falou com um tom indiferente. – Se eu tivesse visto por aí, com certeza me lembraria. – debochou com uma leve risada que foi acompanhada pela loira.

Ele girou os olhos em descaso.

– E então, onde está o Inuzuka? Porque você fez tanta questão de chegar cedo, mas eu não estou vendo ele por aqui. – Sakura falou, sentando-se ao lado da menina, puxando a barra da saia azul marinho para que não ficasse tão curta.

– Ele disse que chegaria logo. – Ino falou, puxando os fios loiros para frente do ombro. – Estou tão ansiosa! – contou com um sorriso.

– Sempre achei que o seu alvo fosse o Uzumaki. – Sakura falou enquanto olhava as unhas com uma careta de desagrado; ela devia ter ido à manicure no fim de semana.

– E era! – alegou a garota loira. – Mas ele só tem olhos para uma pessoa. E a não ser que eu pinte meus lindos fios loiros de rosa, fique magra feito um palito, faça uma cirurgia para aumentar a minha testa e comece a criar um amor louco por One Direction¹, eu não conseguirei NADA com ele, né? – falou irritada e Sakura sorriu.

Irritantes... – pensou o moreno, novamente se concentrando em ligar o mp3 do celular, mas mais uma vez foi interrompido, agora por um ronco violento e exagerado.

Ele tomou um susto.

Os olhos negros procuraram de onde vinha tal som escandaloso e desnecessário. Foi quando teve sua visão quase ofuscada pelo brilho espalhafatoso e "berrantemente" laranja da Ferrari 458 de vidros escuros. O moreno, inclusive, fez uma careta para aquela máquina chamativa de cor deselegante.

– Ah! Ele chegou. – a loira deu um pulo do banco, ajeitando a roupa no corpo. – Minha maquiagem está legal? – questionou rapidamente para Sakura.

Essa tal Kiba devia ter um péssimo gosto para carros, cores e sua discrição devia ser nível zero, foi o que Sasuke concluiu.

Sakura puxou a garota pelo antebraço com brutalidade, tanta, que a menina teve que se curvar para a rosada lhe falar ao pé do ouvido:

– Achei que tivesse dito que o KIBA viria sozinho. – alertou, apertando os dedos envoltos do braço da garota. A loira deu sorriso amarelo.

– Saki-chan! – usou o apelido de infância, falou em um tom doce e seus olhos ganharam um brilho pidão. – Kiba me pediu...

– Esquece! – a rosada falou já irritada, soltando o braço da rapariga de longos cabelos e já pronta para sair.

– Mas Sakura... – a garota só faltou cair de joelhos no chão e implorar, pelo tom de voz que usou ao chamá-la. – Você nem sabe o que...

– Ah, sei sim! – virou-se bruscamente. – "Saki-chan, Kiba me pediu para que trouxesse você junto para conversar com o Naruto!", ou então "Kiba disse que só sai comigo se eu te convencer a sair com o Kyuubi!''. Me poupe, sua porca!

– Sakura... Não faz assim, por favor! Quando é que eu te deixei na mão, hein? Só uma conversa não fará...

Antes que Ino pudesse completar a sentença, as portas do motorista e do passageiro se abriram. Sasuke, por curiosidade, parou de prestar atenção na conversa, e olhou para a direção de onde o tal Kiba viria, curioso para saber se o sujeito valia mesmo tudo aquilo que a garota de cabelos loiros dizia.

Seu mundo parou de girar por um momento.

Mas que droga de sensação é essa? – ele perguntou-se, tentando tirar os olhos da pessoa que tomou sua total atenção naquele momento.

Nunca em sua vida Sasuke sentira aquilo; seu peito doía, em seu âmago algo se agitou. Por um minuto, ele percebeu que também havia se esquecido de respirar e seu coração começou a bater de forma dolorida em seu peito.

Sasuke precisava saber se aquele a quem as meninas chamavam de Kiba era o mesmo cara que dirigia aquele carro. Por que se fosse... Porra! Valia muito a pena.

Sasuke tinha dezessete anos, e nunca simplesmente olhar para alguém fê-lo sentir um misto de tantas sensações engraçadas. Porém, além de engraçadas, eram estranhas. Por algum motivo, ele sentiu seu corpo arrepiar-se desde o dedão até a nuca.

O misto de cores quentes que surgiu diante dos seus olhos era extremamente atraente, como se o chamasse e o instigasse, como o céu que ele havia contemplado durante a viagem de trem mais cedo.

Era o menino mais bonito que Sasuke havia visto em toda a sua vida.

Seus cabelos eram tão claros que ofuscavam sua visão, quase como olhar diretamente para a luz do sol. O rapaz usava a jaqueta escolar laranja e branca, os botões da mesma estavam abertos, revelando a camiseta preta que usava por baixo. Seu pescoço ostentava uma gargantilha com um pingente de cor azul; que por acaso combinavam perfeitamente com o anis de seus olhos, brilhantes e expressivos. As pernas eram vestidas por uma calça azul marinho presa perfeitamente em seu quadril por um cinto discreto.

Se Sasuke fosse mais expressivo, teria aberto a boca e seus olhos estariam quase saltando para fora do lugar, mas ele estava com as mesmas feições estoicas.

Quando o rapaz fechou a porta do carro juntamente com outra pessoa – na qual Sasuke não fez questão alguma de prestar atenção – e passou a andar em sua direção (ou de Ino e Sakura; tanto faz!), o Uchiha achou que iria ter um ataque cardíaco.

Por que demônios seu coração batia tão rápido daquela forma?

Era de tirar o fôlego.

O rapaz parecia andar de forma lenta, e Sasuke teve a impressão de que os olhos azuis foram direcionados a ele por um segundo. O outro rapaz ao seu lado lhe disse algo rente ao ouvido, e por algum motivo ele riu, exibindo uma fileira de dentes perfeitamente alinhados e branquíssimos.

O sorriso mais bonito que o Uchiha havia visto.

Ambos passaram por debaixo de uma grande árvore que havia ali, uma brisa leve soprou e pequenos raios de sol transpassaram os espaços entre as folhas, iluminando o loiro parcialmente. Os cabelos loiros bagunçaram levemente e o jovem que possuía três riscos nas bochechas levou uma mão ao cabelo, jogou os fios loiros para trás. Sasuke não conseguia parar de olhar.

Era patético, ridículo e extremamente vergonhoso.

Os olhos negros piscaram diversas vezes e Sasuke virou-se para o lado oposto, ajeitando sua longa franja na frente dos olhos e aproveitando para puxar seus cabelos e castigar-se por estar admirando outro macho de forma tão óbvia.

–... Ah, fala sério, Sakura! – o chamado repentino fez o moreno acordar.

A garota de cabelos rosa passou na sua frente com passos firmes, indo para o outro lado do pátio com uma pose arrogante — nariz erguido para o ar e a postura ereta.

Ele parou de olhar o lugar para onde a rosada seguia e voltou-se novamente para a frente, dessa vez mais discretamente, vendo os olhos azuis encarando o mesmo lugar que ele olhava anteriormente.

– Eu sinto muito, Naruto! – a garota exclamou rapidamente, virando-se para frente, e Sasuke notou um sorriso pequeno e sem graça se desenhar no rosto do garoto de cabelos claros.

– Tudo bem, Ino... – fora o loiro quem a respondeu, seu tom era suave e levemente rouco. – Sou eu quem devia ter vindo de forma mais silenciosa... – ele coçou a nuca.

– Você gosta de ser amostrado, eu avisei. – o do outro lado falou, dando um tapa na parte de trás dos fios claros. Ino riu da atitude infantil como se tivesse ouvido a maior piada de todos os tempos, não que ela tivesse visto graça na brincadeira, mas por que queria a atenção do amigo do loiro para si. – Eu falei para pegarmos a caminhonete.

– Cala a boca... – rebateu, alisando a cabeça. Os anises se voltaram para a garota loira à frente, que os encarava com expectativa no olhar. Ele sorriu, sabia bem o que ela estava esperando. – Não se preocupe, Ino. Isso não anula nosso trato!

A menina ficou vermelha.

– Como não? Ela não arranjou um encontro para você com a Sakura! – o outro retorquiu e a Yamanaka sentiu um balde de água fria cair sobre si.

O de olhos claros virou-se para o amigo o repreendendo com o olhar pela fala pouco educada.

– O quê? – questionou o rapaz vestido com uma regata preta, cruzando os braços frente o peito forte, instigado o loiro a respondê-lo. Naruto voltou a sorrir para Ino.

– Pode me dar dois minutos com ele, Ino? Não saia daí! – alertou, enquanto agarrava o braço forte do outro rapaz e lhe arrastava para afastar-se da menina de frios claros, esta sentou-se e aguardou.

Sasuke continuou a olhar com curiosidade. Se fosse mais cara de pau, teria ido até onde os rapazes estavam para beber água e ouvir a conversa.

O loiro parecia dar uma bronca no rapaz, e ele queria retrucar, mas Naruto não deixava. Apontava-lhe o dedo na cara e hora ou outra apontava para Ino.

Poucos minutos depois eles retornavam, o loiro sorria para a Yamanaka, já Kiba tinha uma feição consternada e emburrada.

– Vocês deviam ir conversar. – o loiro instigou, empurrando Kiba para perto de Ino. – Ainda é cedo, Kiba, leve a Ino para comer alguma coisa, você a fez chegar cedo!

– Hn! – resmungou o moreno, pegando a mochila cor-de-rosa da garota e jogando sobre os ombros e passou a caminhar. Ino olhou confusa para o Uzumaki, este lhe abriu um sorriso sincero.

– Se eu fosse você não o deixaria esperando! – alertou, fazendo um sinal de ‘vai’ com as mãos, e Ino assentiu, seguindo o rapaz tatuado.

Sasuke fitou pelo canto dos olhos o loiro sorrir levemente, antes de sentar-se onde a loira estava anteriormente, tirando a jaqueta em meio ao processo; deitou a cabeça nas costas do banco, fechando os olhos e suspirando em seguida.

Ele estava chateado, e não precisava Sasuke ser um gênio para perceber isto. Talvez fosse por causa da irritante de cabelo rosa, que saiu antes que ele chegasse até ela. Ato muito pouco educado; se alguém quisesse saber sua opinião.

Em sua mente, ele se questionou sobre ir, ou não, falar com o Uzumaki. Talvez fosse melhor não, mas ainda assim continuou a olhar para ele com curiosidade.

– Sabe, é feio encarar as pessoas. – o tom era suave, mas levemente debochado. Sasuke assustou-se de leve, os olhos azuis se abriram e o dono destes se virou em sua direção. – Eu sempre digo isso, mas ninguém aprende. – sorriu.

Sasuke não soube se devia responder. Sua boca secou, mas o leve tom de provocação irritou-o.

– Hn. – resmungou, virando-se para frente; rosa tingiu suas bochechas.

– Você é aluno novo, né? – questionou o de olhos claros, remexendo-se no banco para aproximar-se do banco ao seu lado e, por óbvio, do moreno também. – Sou Uzumaki Naruto. – lhe estendeu a mão. — E você?

Sasuke virou-se encarando a palma da mão estendida, mas não pegou. Voltou-se para os olhos azuis.

– Por que está falando comigo? – questionou, desconfiado.

– Tem algum problema em conhecer pessoas novas, é? – questionou o loiro, recolhendo a mão. – Estou apenas querendo recepcionar um novo colega... Ora. – resmungou, enfiando a mão dentro do bolso da calça. – Mas se você não quiser me dizer o seu nome, eu...

– Uchiha. – interrompeu-o.

– Ahn? – tombou a cabeça para o lado em uma expressão confusa.

– Meu nome... Uchiha... Sasuke. – respondeu, não aguentando sustentar o olhar que o Uzumaki lhe dirigiu.

– Sasuke, néh? – questionou. – Sabe, você poderia falar mais alto, ninguém vai te morder. – riu.

Mas que moleque atrevido! Como ele falava daquele jeito com alguém sem nem ao menos lhe conhecer direito? Eles nem eram amigos ou coisa assim.

– Talvez você seja quem devesse limpar melhor os ouvidos, Usuratonkachi. – resmungou, começando a ficar irritado com o loiro e com ele próprio.

A pessoa que ele estava admirando era um idiota.

– Me chamou de quê?! – o loiro ofendeu-se.

– Você me ouvi-... – algo bateu bruscamente contra a nuca de Sasuke, seus óculos caíram no chão com um baque oco e a uma distância considerável.

– Foi mau! – ambos ouviram o grito. Naruto virou-se para trás, vendo um rapaz moreno de cabelos presos e outro de longos cabelos e olhos perolados virem andando.

– Eu disse que você não conseguiria acertar o Uzumaki desta distância. – reclamou o rapaz de brincos. – Se formos calcular a força que você empregou em jogar a bola e os metros que o Naruto está...

– Cala a boca, Nara, não venha bancar o nerd comigo com esse seu blá blá blá. Me dá sono! – o outro retorquiu, chegando próximo ao Uzumaki e ao Uchiha, que permanecia com a cabeça baixa desde que recebera uma bolada na cabeça. – Foi mau mesmo, era pra ter te acertado, Naruto!

Naruto olhava os dois amigos com os braços cruzados até se aproximarem.

– Vocês dois são uns idiotas. – o loiro falou, olhando em volta pelo chão e logo avistou os óculos grandes de grau. Caminhou até lá, pegou o objeto e direcionou-se até o Uchiha enquanto limpava as lentes com a barra da camisa. – Aqui.

O moreno ergueu seu rosto para o loiro, e viu apenas borrões amarelos e o tom de pele bronzeado do Uzumaki, apertou os olhos tentando enxergar mais que aquilo, mas não conseguiu. O loiro deu um pequeno sorriso, sabendo que o moreno não perceberia.

Levou os óculos para a face do Uchiha, encaixando a armação no rosto pálido e empurrando lentamente até está alcançar a ponta do nariz. Sasuke viu brevemente o sorriso no Uzumaki, seu coração palpitou por notar como ele estava perto.

– Você fica bem sem os óculos, poderia usar lentes. – comentou humildemente com os cantos de seus lábios virados para cima em um sorriso sincero.

– Eu não te perguntei nada. – rebateu, ajeitando os óculos no rosto, virando para o lado oposto, querendo esconder o rubor que ele tinha certeza de estar em suas bochechas.

– Vixi! – ambos os amigos do loiro debocharam, sendo fuzilados pelos olhos azuis.

O loiro fez uma expressão desgostosa ao voltar-se para o Uchiha.

– Além de nerd, é grosso e sem educação. – comentou fitando o moreno de cima e virando-se de costas, começando a andar. – Os dois idiotas vão ficar ai de estatua ou vêm comigo?

Neji e Shikamaru se entreolharam e sorriram de forma cúmplice.

– Vai dar casamento! – comentaram para si, mas em um tom alto e provocativo para o Uzumaki ouvir, este continuou a caminhar, dignando-se simplesmente a dar-lhes o dedo do meio. Sasuke, por algum motivo, sentiu vontade de sorrir vendo-o se afastar.

E, pela primeira vez, ele sentiu vontade de sair aos fins de semana, brigar e voltar trezentas vezes por mês, se atracar no sofá da sala à noite.

Mas claro que aquilo era impossível, apenas ideias estúpidas de sua cabeça. Talvez ele não devesse ter acordado tão cedo, seus neurônios estavam lhe pregando peças.

***

Sasuke fitava com cautela os cílios longos, os olhos fechados e ouvia o suspirar evidentemente relaxado que soava a cada vez que Naruto respirava.

O moreno estava com o cotovelo apoiando no colchão, apoiando a cabeça sobre este, enquanto com a outra mão ele tocou os fios claríssimos, querendo alinhá-los; estavam uma bagunça.

Ele havia acordado há poucos minutos, mas, pelo que tudo indicava, já havia passado das onze, e isso para ele já era suficientemente tarde.

Mas quem disse que ele estava ligando para isso agora?

Naruto estava deitado de bruços, braços abaixo do travesseiro, a expressão satisfeita em seu rosto era evidente, até mesmo um pequeno sorriso estava ali; sua pele até parecia mais brilhante naquela manhã.

Sasuke correu os dedos pela bochecha, orelha, até sua mão ganhar a nuca, ele levou seu rosto para mais próximo ao de Naruto, aspirando o perfume particular do Uzumaki naquela manhã.

Ele estava mesmo sendo patético.

Mas não podia negar-se, além de que, um carinho não faz mal a ninguém, e ele queria há tempos compartilhar daquele momento. Naruto estava dormindo e ninguém estava olhando para aquela atitude de bobo apaixonado naquele momento.

– Pare de me olhar enquanto durmo; isso é assustador. – Naruto disse ainda de olhos fechados. Sasuke perguntou-se se o rapaz tinha um sexto sentindo ou algum tipo de intuição masculina.

Os olhos azuis se abriram e um pequeno sorriso se formou no rosto com marquinhas, notando a carranca do moreno que provavelmente estava envergonhado por ter sido pego no flagra.

Qual o problema do bastardo em demonstrar emoções de vez em quando?

Ele notou isso desde o começo, quando começaram a conversar verdadeiramente. Até quando estavam sozinhos, Sasuke incomodava-se quando o loiro o abraçava, o tocava ou qualquer outra coisa do gênero.

Mas o Uzumaki era caloroso demais para manter uma distância segura.

– Oi. – saudou, também levando a mão para a nuca do rapaz de tez pálida, acariciando devagar com os dedos. Sasuke fechou os olhos para a carícia que lhe enviou arrepios para espinha.

– Hn... – outra coisa que Naruto iria, de forma fervorosa, corrigir, eram esses grunhidos irritantes que Sasuke insistia em usar.

– Nem preciso perguntar se você dormiu bem, ‘né? – questionou, arrastando seu corpo para mais perto do Uchiha, nem se importando por estar ainda nu. Entrelaçou sua perna as do moreno, percebendo que, para seu desgosto, Sasuke já estava de calças.

Será que uma rapidinha logo pela manhã estava fora de cogitação?

– Na primeira vez que fiz isto, eu dormi por horas, quase acharam que eu estava em coma... – riu, não percebendo a cara de desgosto do Uchiha; ele não queria saber das experiências passadas de Naruto. – E também acordei com uma fome de leão! ‘Tá com fome? Se estiver, eu posso fazer ramén, tenho certeza que o Neji deve ter algum no armário. Eu faço um ramén que você vai querer chorar de tão bom!

Provavelmente é a única coisa que você consegue fazer direito, Uzumaki. – o moreno pensou; não controlando um pequeno sorriso surgir nos lábios.

– Se eu estivesse com fome, pode acreditar que não comeria. – girou os olhos. – E isso ‘lá é café da manhã...?

– Ramén pode ser comido a qualquer hora do dia, Teme... – falou, enquanto jogava seu corpo para cima do de Sasuke sem cuidado, sobrepondo seu peso sobre ele.

– Você é pesado...

– Não te ouvi reclamando desse mero detalhe nesta madrugada. – rebateu, abraçando o moreno, não somente com os braços, mas com as pernas também, acariciando o rosto alvo com os dedos, fazendo movimentos circulares nas bochechas com os polegares.

Deu-lhe um selinho. Nada brusco, convidativo ou que demonstrasse querer algo ‘a mais’ do que desejar um simples “Bom Dia”.

Os braços antes inertes de Sasuke foram até suas costas, acariciando de baixo para cima, o fez sorrir. Naruto quebrou o beijo devagar, dando selinhos antes de se afastar. Voltou a olhá-lo nos olhos.

– Você não fez feio não, sabia? – comentou, vendo Sasuke ficar com as bochechas rosadas. Naruto estava começando achar aquilo divertido, e sorriu em retorno. – Falo sério, Teme! – riu, apertando as bochechas do moreno como se ele fosse uma criança. Recebeu um beliscão no braço em resposta. – Ai! – reclamou, puxando um punhado de fios negros para descontar. — Isso é violência domestica, sabia?!

– Não somos casados, imbecil. – alegou, empurrando o loiro de cima de si, com raiva, mas este não saiu. A briga ainda não havia terminado!

– Sim, mas eu posso ir com o Tou-san na delegacia, prestar queixa do meu namorado, que, além de abusar do meu corpo indefeso, me bateu! – ele falou. Uma onda de vergonha atingiu Sasuke, e ele quis de todo coração enterrar sua cabeça na terra. Naruto mordeu a língua para não rir, tentando manter a seriedade da briga de mentira. – Pensa que esqueci?! – ele provocou. – Sobre aquele tapa, você ainda me deve. E terá de pagar com juros e correção monetária!

– Você sabe o que são essas coisas, Usuratonkachi? – o moreno questionou com um sorriso provocativo e uma das finas sobrancelhas erguida.

– É claro que não! – o outro retorquiu, sabia que Sasuke estava tentando provocá-lo para a briga se estender mais que o necessário, mas ele estava era mais preocupado com a ereção matutina que estava no meio de suas pernas e roçando contra o ventre coberto do parceiro, clamando por um pouco de atenção.

O Uzumaki voltou a baixar a cabeça em direção ao rosto pálido e deu-lhe um beijo estalado, voltou para trás, lambeu os lábios secos e novamente beijou-o, dessa vez o ato se aprofundou.

Ah, sim... Ele poderia mesmo se acostumar a beijar Sasuke.

O Uzumaki alisou o corpo do parceiro, o peitoral desnudo. Alisou o mamilo esquerdo, sentindo-o tencionar com o toque. Ele prendeu-se àquele ponto, passando a acariciar a zona erógena.

Com o dedo indicador e o dedo médio, o loiro torceu e pressionou o botão rosado, Sasuke gemeu com suas bocas ainda unidas, e Naruto sentiu-se ainda mais excitado com aquilo. Arrastando a outra mão para a fileira de fios negros que adentravam a calça jeans do parceiro, Naruto lambeu os lábios gulosamente percebendo que, para sua felicidade, Sasuke havia colocado apenas as calças e a cueca ainda devia estar perdida pelo quarto, facilitando o acesso de sua mão ao pênis do mais velho. Mordeu o lábio inferior de Sasuke, ao mesmo tempo em que o pênis deste era confinado pela sua mão em uma pegada firme.

E sim, ele poderia se acostumar em tocar o moreno daquela forma.

– ‘A gente devia ‘tá se preparando para ir embora! – o moreno protestou de forma embolada, sabendo que sua fala talvez estivesse sem sentido algum. Naruto passou o polegar sobre a ponta sensível, espalhando o liquido pré-seminal sobre a extensão do pênis do moreno, facilitando a masturbação.

– Depois diz que eu falo demais... Fique quieto. – sussurrou, mordendo o lábio inferior do moreno, começando a trabalhar a mão sobre a ereção do macho que estava abaixo de si. Logo abaixava a boca para beijar o pescoço pálido.

Dizer que Neji, Kiba e Shikamaru estavam chocados seria pouco. Os três estavam parados na porta do quarto do primeiro, fitando dois globos amorenados empinados para o alto e virados para eles.

– Estou cego! – Shikamaru foi o primeiro a se pronunciar, tapando os olhos e virando para o lado oposto. Somente os dois rapazes ao seu lado ouviram sua reclamação.

Kiba estava com a boca aberta, e logo ela foi se fechando ao mesmo tempo em que um sorriso maldoso se formava em seu rosto.

– Caralho, Neji! – ele exclamou alto, rindo em seguida, assustando os enamorados. – Eu não queria estar no seu lugar. – riu, caindo no chão segurando a barriga e seus olhos lacrimejavam.

Já Neji prendeu seus olhos naquela cena por mais alguns segundos, antes de ser pôr a gritar — teria avançado na cama também, mas Kiba e Shikamaru o seguram antes que fizesse uma besteira.

– Uzumaki! Filho da puta! – gritou, tentando soltar-se do agarre dos amigos, Kiba ainda rindo e Shikamaru com um sorriso brincando nos lábios. – Como você ousa usar a minha cama para trepar com esse outro aí! Eu vou cortar seu pênis fora e te fazer engo...

– Com licença... – o loiro interrompeu-o em um tom de voz alto e sarcástico, fitando os amigos por cima do ombro. – Eu ‘tô com um pinto duro na minha mão e outro entre minhas pernas... Se vocês puderem me dar privacidade, eu agradeço, de coração. – sorriu.

Sasuke ficou vermelho de vergonha e raiva, sentindo uma vontade louca de esmurrar o rapaz loiro, no mesmo instante que fechou os olhos e a gargalhada de Kiba voltou a ressoar no ambiente.

(***)

Quando Naruto entrou na cozinha de Neji naquela manhã de sábado, já devidamente vestido e de banho tomado, recebeu uma folha de anúncios de moveis na cara, esta foi posta pelo dono da casa, que o fitava com os olhos em chamas.

– ‘Que isso? – questionou.

– Ofertas. Você me deve uma cama, lençóis, fronhas, travesseiros e um colchão novos! – cobrou entre dentes, empurrando com força o papel na cara do loiro. – E sugiro que compre nas próximas vinte e quatro horas, ou eu vou usar o seu bebê como vingança... Afinal, a chave está comigo! — falou balançando a chave na frente dos olhos do Uzumaki.

– Ah! – ofendeu-se. – Neji! – tentou tirar a chave de seu carro das mãos do rapaz de olhos perolados. – Shikamaru, seu traíra! Prometeu que guardaria a chave com você!

– E eu guardei. – retorquiu o que estava sentado no sofá, bebendo uma latinha de coca-cola e o controle remoto em mãos mudando os canais da televisão até cair na Warner onde passava a série The Big Bang Theory. – Mas era você ou eu, Uzumaki. E, sinceramente, eu concordo com Neji, o que você fez não se faz. Cara... Que Nojo.

– É, mas foi muito engraçado! – Kiba pronunciou-se, surgindo no balcão que dividia a cozinha e a sala com outra latinha de coca-cola, enquanto ria. – Fala sério, eu não me aguentei! Foi melhor do que aquela vez no acampamento de férias que colocamos o saco de dormir do Shikamaru no meio do rio. – voltou a rir.

Naruto o fuzilou com os olhos, xingando-o internamente com os piores palavrões que se pode imaginar.

Shikamaru parou, olhou para um, para o outro, sua expressão se fechando lentamente. Naruto engoliu em seco. E somente aí Kiba notou que foi um "boca aberta" novamente.

– Então foram vocês! – Shikamaru se pôs de pé.

– A ideia foi do Naruto! – Neji e Kiba falaram ao mesmo tempo. O rapaz de brincos fitou o loiro com os olhos perigosos, o Uzumaki sorriu amarelo e coçou a nuca.

– Eu posso explicar... – não, ele não podia.

– Eu devia ter ficado com a chave do carro, levar ele e jogar no lago Cocito! Começo a apoiar sua vingança, Neji. – avisou Nara, com o olhar ligado ao de Naruto.

– Ei! – exclamou ofendido. – Mas, mas... Pense pelo lado bom! Se não tivéssemos feito isso, você nunca conheceria a Temari, afinal, você foi parar no acampamento vizinho por que te colocamos no lago! – o loiro argumentou.

– Eu quase morri de hipotermia! – esbravejou.

– Mas ela cuidou de você a noite toda, que eu sei... – rebateu o Uzumaki com um sorriso afetado e as sobrancelhas se erguendo de forma sugestiva.

Shikamaru ficou com as bochechas meio rosadas e pigarreou para esconder a vergonha. Naruto tinha de ser um pouco mais discreto. Às vezes falava tantas coisas sem pensar e no final quem pagava por sua falta de discrição eram eles; os amigos.

– Agora vocês vão casar, ter três filhos e um cachorro chamado Bob. – devaneou. – E tudo graças a mim, devia me agradecer. – voltou-se para Neji. — De qualquer forma, me devolve! – voltou a saltar tentando pegar a chave da mão do Hyuuga. Sem sucesso. – Ok! Eu vou ver como está o limite do cartão... Te prometo um colchão novo.

– Como assim? E o resto? – questionou o Hyuuga, abaixando a mão o suficiente para o loiro tomar a chave do carro com um chaveiro de raposa de suas mãos.

– O resto você se vira! – falou, enquanto prendia a chave em dos passadores de sua calça. – Eu não sujei tudo! Nunca ouviu falar em lavanderia não?

Naruto aproximou-se do risonho Kiba.

– Dá pra me arranjar uma dessas, eu to com sede! – falou o Uzumaki, apoiando-se no balcão e sentando-se sobre um banco alto que lá havia.

– Aposto que deve estar mesmo. – o tatuado retorquiu risonho, virando-se para a geladeira e pegando uma latinha, lançando-a à Naruto de qualquer forma.

– O que quer dizer? – questionou ao mesmo tempo em que abria a lata de coca-cola. Kiba sorriu de forma maliciosa enquanto cruzava os braços frente ao peito.

– Trabalhou muito a boca, ‘né? – voltou a rir.

Naruto se aproximou e lhe deu um soco na cabeça.

– Cala a boca, sua bicha! – respondeu irritado.

Ittai! – resmungou alisando o galo que logo tinha certeza que se formaria. – Pelo menos não fui eu quem tomou na bunda! – voltou a cutucar.

– E o que te faz pensar que fui eu quem “tomou”, babaca? – questionou.

– Fala sério, você está andando arrastado desde que colocou o pé no chão. – o Inuzuka respondeu. – Mas tudo bem, loirinha, eu sempre soube que você seria princesa! Quer dizer... Estava tão na cara!

Naruto abriu a boca para retrucar, mas não teve tempo.

– Quem não sabia? Você viu a forma como ele joga? – Shikamaru falou cutucando a barriga de Neji; se voltou para o loiro. – Fala sério, você fica em um pé só quando vai lançar para cesta!

– Tem um cd do One Direction no carro. – Neji enumerou com o dedo.

– E rebola mais que a Hyuna³! – contrapôs Kiba.

Naruto abriu e fechou a boca diversas vezes, antes de se opor.

– Primeiro: Eu me apoio em somente um pé para ter equilíbrio, não vejo vocês acertando metade dos lances livres, nem quando têm chances, então me agradeçam. – enumerou. – Segundo: Eu tinha um cd do One Direction, porque precisava saber o que a Sakura-chan gostava! E terceiro: Eu não rebolo!

– Ah não? – Kiba falou, caçando o celular no bolso traseiro, desbloqueando a tela com os dedos e procurando algo nos arquivos do aparelho. Naruto aguardou pacientemente até o rapaz tatuado virar o aparelho telefônico em sua direção.

Os olhos azuis esbulharam-se de imediato.

– Mas... Que merda é essa?! – gritou irritado, tomando o celular da mão de Kiba, enquanto este ficava com um meio sorriso nos lábios, ato que foi copiado por Neji e Nara.

O vídeo mostrava o Uzumaki em cima de sua Ferrari 458, rebolava ao som daquela musica que ele conhecia muito bem, tirava a camisa, desabotoava a calça, e sim, senhoras e senhores: rebolava. Muito mais do que qualquer grupinho de garotas coreanas.

– Eu disse que quando você atacasse novamente eu iria gravar! – o Inuzuka falou, caminhando até o Uzumaki, repousando o queixo sobre o ombro do loiro para visualizar o vídeo juntamente ao melhor amigo. – Mas você ficou uma gracinha assim! Até o Sabaku estava vendo sua dancinha, e queria tanto cuidar de você...

– Ótimos amigos se saem vocês. – jorrou com ironia. – Por que me deixaram ficar assim? – questionou, virando o rosto para encarar o amigo.

– Não nos culpe! Você que ficou possesso da cara quando viu o Nerd com a fofurinha da prima do Neji – o Inuzuka provocou, recebendo um olhar discreto, porém, não menos irritado do rapaz de olhos perolados. -, não conseguimos te segurar, foram apenas duas latinhas – falou mostrando dois dedos para o loiro. -, e o Little Monster³ que existia em você se soltou!

Dessa vez foi a vez de Kiba receber um olhar desconfiado dos amigos.

– Little o que? – questionou Shikamaru com o cenho franzido. – Você está sabendo demais, hein, seu vira-lata. – o moreno falou.

Kiba deu um pigarreio.

– Vocês não têm cultura. – resmungou o rapaz de cabelos castanhos. – Enfim, nos conte, Uzumaki, o que houve com a Haruno que te deixou tão traumatizado que resolveu mudar de time? Ela tinha um presente no meio das pernas?! – arriscou com os olhos brilhantes e em um tom de fofoca.

Naruto virou o rosto para olhar para os do seu amigo. Uma sobrancelha loira se ergueu.

– Eu apenas parei de ver o exterior, e resolvi dar uma olhada no interior... A Sakura-chan não seria uma escolha muito feliz para mim... – resmungou pensativamente.

– Jura? Eu sempre achei que seria o casal perfeito. – Neji falou, cruzando os braços olhando para o alto. – Quer dizer, ela é todo o lado macho que você não tem; e você, a menina delicada que ela não é! – falou de maneira obvia.

– Falou o cara que namora a estudante de judô mais promissora de Konoha High School! – argumentou Shikamaru, voltando a sentar-se na cadeira e olhar para a televisão.

– O que está insinuando, senhor “Coram todos que o cunhado vem aí!”? — questionou grosseiramente.

– Que sua namorada ganhou de nós três no campeonato, e que comparada com a Sakura, convenhamos, a Haruno seria uma flor delicada. – respondeu calmamente, mordiscando a beirada da lata de coca.

– E você está defendo a Haruno por que...

– Com licença – o loiro chamou, acenando com as mãos. –, o assunto aqui sou eu.

Ambos os amigos fitaram-no e voltaram para a conversa paralela sem a inclusão do Uzumaki.

– Ele adora ser o centro das atenções, já reparou? – questionou o rapaz de cabelos presos no topo da cabeça.

– Claro que já, por que acha que ele ficou com tanta raiva por que começamos a sair com o Nerd? Ele não gosta de ser trocado. – Kiba respondeu, abraçando o loiro e esfregando sua bochecha na dele, o que fez uma veia saltar na testa do loiro. – Ou somos especiais demais pra você, docinho?

O Uzumaki estava prestes a soltar-se do agarre do melhor amigo e lhe dar uns socos para que parasse de agir como um imbecil, mas a cena que seus olhos capturaram em seguida lhe chamou a atenção de tal forma, que ele nem mais pensou em seus atos.

Sasuke estava parado no arco da porta com os braços cruzados, vestido com as roupas do dia anterior – camiseta branca, calça jeans e coturno nós pés -, exceto pela jaqueta que ainda estava sobre o sofá do Hyuuga. Os cabelos ainda meio úmidos pela água do banho recém-tomado, olhos apertados de maneira perigosa enquanto fitava o braço do Inuzuka em volta do pescoço do Uzumaki.

– Teme, o Kiba não vai queimar se você ficar olhando pra ele assim! – o loiro falou, fazendo todos os amigos virarem sua atenção para o Uchiha.

– Hn, vocês já estão assim? – Kiba questionou, ainda abraçado ao loiro. – Ah, sinto muito, Uchiha, mas você vai ter de controlar o ciúme. O Uzumaki já era meu antes de nós sabermos que você apareceria. – intensificou o abraço em torno do loiro, que riu em resposta.

– Hn... – a feição mal humorada no rosto do moreno se intensificou quando ele caminhou até onde Shikamaru estava sentado e puxou, com um ‘que’ de raiva, sua jaqueta e vestiu-a mantendo a feição irritada, e logo se direcionou para a saída.

Foi o momento que o loiro soltou-se do agarre de Kiba e foi até o moreno lhe puxando pelo quadril em um abraço.

– Teme... – chamou, afundando o nariz na dobra do pescoço pálido; fato que chamou a atenção dos amigos, que até meio que se sentiram desconfortáveis com a demonstração de afeto e resolveram procurar outra coisa para fazer, exceto Kiba, que continuou a ver a cena, inclusive cruzou os braços e apertou os lábios reprimindo um sorriso. – Pare de ser tão marrento. Para isso funcionar você não pode ser tão ciumento assim!

O moreno não desfez a carranca.

Ele havia tido o desprazer de visualizar o Uzumaki e Kiba interagindo tantas vezes antes mesmo de começar a falar com Naruto e nos últimos tempos ele tem percebido isto de perto, óbvio que se sentia incomodado.

– Não estou com ciúme.

– Claro que não. – cantarolou o Uzumaki, dando a volta no corpo pálido e ficando de frente para o moreno. – Não precisa mentir. E nem precisa sentir ciúme, por que eu sou um homem de um... Ahn... Namorado só!

Os amigos se entreolharam, e giraram os olhos de forma caçoadora.

– Hnnn, namorado... – Kiba falou. – Então vai mesmo me trocar por esse cara, Uzumaki? – brincou.

– Você não tem o que ele me oferece. – o loiro falou, passando os braços entorno do moreno e fitando Kiba com desprezo.

– Como não? Eu sou homem também, sabia? – questionou de forma ultrajada.

– Você está começando a me assustar! – Neji interviu. – Se não parar vou filmar e mostrar para a Yamanaka!

– Olha quem fala! E eu falo para Hinata sobre você e seus sonhos molhados que não envolvem nem um pedaço da Tenten! – o Inuzuka retorquiu. – Caso não saiba, você fala dormindo! – falou de forma prepotente.

Neji arregalou os olhos e virou-se para o lado oposto.

– Oh, cale a boca! – resmungou.

Os três rapazes que estavam excluídos da discussão franziram o cenho com a resposta que ouviram de Kiba. Um sorriso malicioso se formou nos lábios do Uzumaki, que fitou Shikamaru que sorriu igualmente.

– Como você sabe que o Neji fala dormindo? – questionou Nara.

O Inuzuka e o Hyuuga viraram-se rapidamente para o grupo que lhes fitavam com os olhos curiosos e ansiosos.

– Ele dormiu na minha casa seus idiotas!

– Hn... Conte-nos mais, Kiba! – o de olhos azuis pediu em um tom provocativo e falsamente profissional.

– Eu precisei buscar um copo d’água, e ele estava na sala, foi isso. – o rapaz tatuado respondeu, irritando-se e percebendo que estava começando a ficar tão nervoso que sua fala saiu um desastre.

– Copo d’água? É assim que chamam hoje em dia? – o loiro perguntou, fixando seus olhos no rosto do rapaz ao qual estava abraçado. O Uchiha apenas dignou-se a girar os olhos, tentando reprimir um sorriso.

– Cala a boca, idiota. – Neji respondeu.

– Exato, cale a boca. Para sua informação, eu, diferente de você, não te trairia com outro cara. Além do mais, olha só... – ergueu a mão direita mostrando uma aliança prateada no dedo anelar.

O Uzumaki arregalou os olhos, soltou-se do pescoço do Uchiha, correu em direção a Kiba e lhe tomou a mão, puxando-a para perto de seus olhos.

– Seu viado! – gritou com um sorriso, soltando a mão do melhor amigo e lhe tomando o rosto entre as mãos. – Você tomou a coragem, seu vira-lata? Por que se disser que foi a Ino quem tomou a iniciativa eu te parto a cara!

Sasuke apertou os olhos, pelo jeito ele teria mesmo de se acostumar com aquela amizade que o Uzumaki tinha com o rapaz de bochechas tatuadas, por mais calorosa e afetuosa que fosse. O Inuzuka, percebendo a cara de desgosto do moreno, tirou as mãos do Uzumaki de seu rosto.

– Claro que fui eu quem pediu, imbecil. Eu disse a ela na outra noite. – retorquiu. — Estou preso, amarado e comprometido...

– Para todo sempre! – o loiro falou, erguendo as sobrancelhas de forma sugestiva, o que fez o sorriso de Kiba diminuir devagar.

– Não, espera... Para sempre é um período muito longo, vamos apenas dizer que: Seja eterno enquanto dure. – respondeu o moreno, diminuindo os ânimos. – Mas agora, digam-nos vocês – falou dirigindo a atenção do Uzumaki para Sasuke. -, resolveram assumir mesmo? Ou melhor, você tomou coragem e disse ao nosso ser lerdo e burrinho o que estava estampado na cara, Uchiha?

– Por que todo mundo achava que você gostava de mim? – virou-se para Sasuke com a expressão confusa, Sasuke ergueu e baixou os ombros em uma pose despreocupada como resposta. – Ahn, bem, de qualquer forma... Sim.

– ‘Sim’ o que? – questionou Kiba com uma sobrancelha erguida.

– Eu estou assumindo que a partir de hoje eu estou com o Teme! – respondeu com convicção. – Felizes?

– Muitíssimo! – Kiba ergueu os braços aos céus. – Não aguentava mais vocês dois se comendo com os olhos e não dizendo logo o que queriam, fala sério!

– Eu concordo, dava até dor de cabeça, por isso eu saia de perto! Nós últimos dias estava insuportável... – respondeu Shikamaru. – Fico feliz por que pararam de cu doce... Literalmente. – resmungou pensativo.

– E eu nem preciso dizer nada... Ele nem se compara à Sakura. – Neji falou, escorando-se no balcão da cozinha.

Os quatro rapazes presentes na casa fitaram-no.

– Isso é um ‘não’? Você não apoia? – Naruto questionou de forma perigosa.

– Claro que não! Você tá surdo? Ele é o oposto da Sakura, é perfeito pra você... Bom não perfeito, por que ainda o acho inteligente demais para uma ameba como você. – corrigiu-se, o loiro deu-lhe o dedo médio. – No entanto, imagine só que desastre seria você com a Haruno. – pensou. – Nem preciso fechar os olhos para ver você com uma cueca de ferro para guardar sua castidade!

– Comprando camisetas iguais. – comentou Nara.

– Adotando um poodle! – enumerou Kiba.

– Dá pra parar? – questionou o loiro. – Eu não estou com a Sakura-chan, e nem quero pensar em como seria estar com ela agora. – completou. – Mas obrigado, fico feliz que vocês não vão ficar contra ou...

– Cara, para mim tanto faz. – Shikamaru falou. – Se você está confortável assim, por mim... – ergueu e abaixou os ombros de forma despreocupada.

– Faço das suas palavras as minhas. – Neji falou. – Desde que o que façam seja bem longe da minha cama... Não, do meu quarto. Não! Da minha casa! Por mim, tudo o.k.

Kiba se manteve em silêncio.

– Kiba? – questionou o loiro.

– Nãah – o outro respondeu, não querendo ceder e virar sua atenção à sala. – É melhor reservar alguns dias para que tenhamos algum tempo pra jogar videogame... A bunda é sua, faça dela o que bem entender.

– Eu também te amo, sua cadela! – provocou o Uzumaki lhe mandando um beijo no ar, Kiba virou o rosto para o lado.

– Vai se ferrar. – jorrou com raiva, logo após enfiando a mão dentro do bolso da calça. – Eu vou ligar pra Ino, prometi para ela que iria conhecer o pai dela amanhã... – resmungou, tirando o celular do jeans e se dirigindo para fora. – E também, não vou poder ficar hoje, prometi a Okaa-san que levaria o Akamaru para o pet shop.

Ambos fitaram Kiba ir para o outro lado da rua discando o número. O Uzumaki riu internamente; e pensar que ele que insistiu para que o melhor amigo saísse com a loira de olhos verdes.

Ele devia ser o novo cupido.

– Eu também preciso ir. – o tom grave chamou a atenção dos rapazes, e o loiro virou-se para o Uchiha. – Já passei muito tempo fora, Itachi vai encher meu saco... – murmurou, enquanto limpava as lentes dos óculos.

– Eu te levo pra casa? – o Uzumaki questionou com um sorriso.

– Não precisa; eu estou de moto, caso tenha esquecido. – respondeu, colocando a armação preta no rosto. – Acho que sou eu quem devia te levar e explicar para sua mãe direito o que aconteceu...

– Você não sabe mentir, Teme. – o loiro falou, apertando a ponta do nariz do Uchiha entre o polegar e o dedo indicador, recebendo um tapa em troca. – Deixe que com a dona Kushina eu me entendo...

Neji e Shikamaru estavam assistindo a interação dos dois e achando engraçado ver que Naruto estava sendo carinhoso com alguém além dele próprio, ou alguém de sua família, perguntando-se como seria se o Uzumaki tivesse mesmo ficado com Sakura. Talvez não tivesse sido assim.

– Eu consigo dirigir, não se preocupe. – o de olhos azuis falou, retirando um fiapo solto que havia na jaqueta do moreno, alisando a peça de roupa logo após o feito, segurando a gola e ajeitando-a, quando seus olhos encontraram os ônix ele não resistiu, e teve de dar um selinho antes de pronunciar: – Vamos?

Sasuke olhou pelo canto do olho vendo os amigos do Uzumaki lhes fitarem com um olhar cheio de malicia; pigarreou levemente desconfortável, abrindo a porta em seguida.

Caminharam para o lado de fora, seguindo para o carro do Uzumaki, este se encostou à lataria e abriu um sorriso para Sasuke, que olhava de um lado para o outro, desconfiado.

– Você me liga mais tarde? – o Uzumaki chamou, agarrando a parte mais longa da franja do moreno e trazendo seu olhar para ele. Sasuke precisava parar de ser tão preocupado com o que os outros viam ou deixavam de ver.

Agora, aquilo era problema deles.

– Ligo. – resmungou a resposta, puxando a mão do Uzumaki para que ele parasse de puxar seu cabelo. – Preciso pensar no que vou dizer lá em casa também...

– Não se preocupe, se quiser que eu vá até lá para falar com a Uchiha-san não tem problema. O problema será o seu irmão né... Ele pode querer cortar o meu pescoço com uma peixeira. – brincou ao mesmo tempo em que mordeu o lábio inferior, enquanto seus olhos ganharam um brilho temeroso.

Sasuke surpreendeu-se.

Sendo o Uzumaki, ele esperava que o menor quisesse um tempo para pensar sobre o que aconteceu, sobre como reagiria e o que diria a todos. Mas parece que o rapaz de olhos azuis não tinha dúvidas ou medos, e estava preparado para toda carga de emoções e dificuldades que o relacionamento fora dos padrões poderia trazer.

Era muito bom saber disto.

Sendo assim, o de tez pálida negou com a cabeça.

Iie... Eu vou esperar por um tempo, ao menos para ver como isso vai acontecer, não é? – respondeu, vendo o Uzumaki fazer um bico contrariado. – Eu não sei quanto tempo irei aguentar ficar perto de um Dobe como você.

– Teme! – o loiro guinchou, dando um soco de brincadeira no ombro do moreno e tentando repreender seu sorriso. Sasuke lhe segurou o antebraço, e seus olhos se prenderam aos dele.

Naruto lambeu os lábios secos de forma inconsciente, e fitou a boca rosada de Sasuke. Com o braço livre, ele circulou o pescoço do moreno, lhe sorrindo.

– Eu acho que gosto mais de você com os óculos... – comentou. – Nerd.

Aho... – xingou-o, largando o braço que ainda segurava, que logo estava se juntando ao outro braço, envolto o seu pescoço.

– Sou mesmo, mas você me escolheu assim, Sasuke, não reclame... – respondeu dando de ombros e afundando seus dedos nos fios escuros.

– Quem está reclamando? – fechou os olhos em deleite, suspirou profundamente antes de voltar a exibir suas íris negras para o mais baixo.

Azuis se alternavam da boca para os olhos pretos, logo ele puxou o moreno pelo pescoço, elevou o rosto para dar um selinho na boca rosada. Sasuke fechou os olhos, apoiou uma mão sobre o teto do carro e curvou-se minimamente para dar-lhe um beijo de verdade, sabendo que era isso que o Uzumaki queria, e era. Logo a língua vermelha de Naruto estava lhe roçando os lábios, e o moreno abriu a boca. O Uzumaki inclinou a cabeça para o lado e encaixou seus lábios, sentindo Sasuke passar um braço por sua cintura.

Sorriu em aprovação.

– Aprendeu a beijar de boca aberta?

– Cala a boca... – resmungou ainda próximo à boca do moreno.

Dando um sorriso malicioso, o Uzumaki levou a mão para a área abaixo das costas, ouvindo o Uchiha resmungar no mesmo instante que recebeu um aperto firme na nádega esquerda.

– Dói? Desculpa! – o loiro riu ainda de encontro à boca do Uchiha. – Quando chegar em casa, se sente em cima de um saco de ervilhas congeladas.

– Eu posso dizer o mesmo para você, Usuratonkachi! – respondeu enquanto dava uma mordida particularmente forte no lábio inferior do Uzumaki.

– Ai! – resmungou, dando um tapa no moreno.

– Será quê dá para vocês pararem de fazer isto? Eu estou bem aqui! – Kiba falou do outro lado da rua, chamando a atenção dos dois, que até o presente momento não haviam se dado conta da presença do tatuado. – Eu não quero isso me assombrando por dias e dias! – reclamou, voltando a prestar atenção no celular. – O que? Não, loira, não é com você... É o Naruto que descobriu que gostou de tomar na bunda, e agora não larga do Sasuke!

Ahn?

O loiro riu. Deu mais um selinho em Sasuke

– Me ligue. – pediu, afastando minimamente do moreno para poder abrir a porta do motorista. – Vamos sair amanhã, ou você pode ir me ver... Ou os dois.

– Hn... – soou, vendo o Uzumaki entrar na Ferrari 458.

Um baque violento foi dado quando o de cabelos loiros fechou a porta. Ele abaixou o vidro negro, buscando os óculos escuros no porta luvas e logo após pondo-os no rosto.

– Nos vemos depois, bonitão. – mandou ao Sasuke um beijo, o moreno revirou os olhos. – Vejo você depois também, seu vira-lata! – o loiro falou, olhando para o outro lado da rua, vendo o Inuzuka fazer um gesto de descaso com a mão.

Naruto ligou o motor e a máquina laranja-metálico pegou velocidade, logo mais dobrando a esquina.

Sasuke disfarçou um sorriso ao coçar o nariz, sabia que os amigos do loiro estavam olhando-o pela janela e Kiba lhe fitava do outro lado da rua.

Parece que finalmente as coisas estavam se guiando para o lugar certo.

Já estava mais do que na hora, né?

(***)

Quando Kiba entrou novamente na casa do Hyuuga para despedir-se dos colegas, ouviu a questão que o dono da casa fazia para um Shikamaru quase inconsciente no sofá.

– Oe, então era por isso que o Uchiha e o Sabaku estavam quase se matando na quadra?! – cutucou o Nara com o cabo da vassoura que usava para empurrar os lençóis pelo chão até a maquina de lavar que ficava entre a cozinha e a sala, improvisando uma lavanderia.

– Não fale como se não soubesse. – o Inuzuka respondeu, pegando a chave de sua caminhonete. – Eu falei, desde o primeiro dia que botei os olhos no nerd, que ele era afim do Uzumaki. O cara secou o idiota dos pés á cabeça, ainda falei pra ele, mas ele me ouviu?

– Nada do que você diz pode se tirar muito proveito, Kiba... – Shikamaru resmungou em um quase estado de sonolência, se virando na poltrona. – Não culpe o Naruto, mesmo ele sendo um cabeça-oca.

– Vai dormir Nara... – o Inuzuka acenou.

– O.k! – juntou a ponta do indicado á do polegar, bocejando em seguida.

O rapaz de longas presas caminhou até o moreno de cabelos compridos, este enfiava suas roupas de cama dentro da máquina de lavar, usando uma luva amarela de borracha.

– E ai, resolveu levar a fofurinha da sua prima ou sua maria-macho ao baile? – questionou, vendo o de olhos perolados surpreender-se levemente com sua questão.

Neji não respondeu de imediato, fitou o tatuado pelo canto dos olhos e depois voltou a fazer o que fazia antes d'ele aparecer.

– Eu estou namorando a Tenten, Kiba, logicamente que irei com a minha namorada. – respondeu.

– Mas e essa sua atração louca pela sua priminha Hinata-sama? – o de cabelos castanhos insistiu, parando ao lado da máquina de lavar para poder falar com o amigo frente a frente.

– Você disse certo, Inuzuka, ela é minha prima, eu não pretendo e nem vou ter nada com ela. – retorquiu. – Gostaria que parasse de me encher a paciência com esse assunto. Além de que, eu gosto da Tenten.

– Mas...

– E Hinata merece alguém que possa fazê-la feliz. – comentou pensativamente. – Esse alguém não sou eu, e nem sempre o gostar é suficiente.

Kiba fitou o amigo por alguns minutos, vendo que o brilhante descendente dos Hyuuga tinha sinceridade absurda ao proferir aquelas palavras.

– Então... – o de bochechas tatuadas enfiou a mão nos bolso dianteiros da calça. – Posso tirá-la para dançar e você não vai ligar.

Neji deu um sorriso discreto para o amigo antes de se agachar no chão pegar o lençol, em silêncio, e erguer-se fitando Kiba com seriedade.

– Só tenta! – jogou o lençol sujo de esperma na cara do Inuzuka, esse começou a se debater com o pano preso em sua cabeça.

– Que nojo, porra! Tiro isso da minha cara, ainda ‘tá úmido. – rodopiava na sala, gritando, desesperado.

– Calem a boca, cacete, eu tô tentando dormir!

(***)

– Okaeri, família! – exclamou o Uzumaki com um sorriso de orelha-a-orelha, seus olhos até mesmo fechados devido à sinceridade da expressão. Quando abriu os olhos azuis, deu de cara com sua sala revirada de cabeça para baixo.

Havia caixas para todos os lados, Kushina estava sentada no meio delas, o cabelo longuíssimo, estava preso em um coque, no topo da cabeça; ela usava um lenço preto para impedir que qualquer fio pudesse cair sobre seu rosto. Usava roupas leves, um short jeans e uma regata branca, seus pés estavam descalços.

– Okaa-san, o que está fazendo? – questionou se aproximando da mulher de fios vermelhos. Ela estava de costas para si, folheando um livro.

– Oh, Naruto-chan! – ela exclamou, virando-se para trás, lhe mostrando um sorriso como o que ele exibia anteriormente. – Nem ouvi você chegando.

– Percebi. – ele se aproximou, sentando-se ao lado dela no chão e dando-lhe um beijo na bochecha. – Que bagunça toda é essa? Vamos nos mudar? – questionou.

A ruiva deu um pequeno riso.

– Não. Isso – apontou para a sala toda revirada. – são bagunças que eu guardei no sótão, resolvi dar uma olhada por cima... – suspirou profundamente. –, cá estou eu.

– Quanta bagunça... – comentou. – Isso cabe mesmo lá em cima? – questionou. Sua feição desconsertada, olhando para tecidos, quadros, livros empoeirados, pastas...

Uzumaki Naruto não era a pessoa mais organizada da terra, mas aquilo já era demais.

– Cadê o Tou-san? – questionou, pegando um álbum de fotos e folheando por cima.

– Está na cozinha... – respondeu. – Oh! Você achou! Era esse mesmo que eu estava procurando. – ela respondeu com entusiasmo, puxando o objeto da mão de seu filho, este apenas ergueu as mãos em rendição.

– Claro, Uzumaki-san, você pode pegar. O que? Eu querendo ver? Não, imagine, fique à vontade... – satirizou em um tom jocoso pela falta de educação da mulher de cabelos vermelhos, recebendo um tapa na nuca em seguida. – Itte!

– Não banque o engraçadinho, Uzumaki. – ela respondeu abrindo o álbum de fotos, olhando uma a uma com pouco cuidado. – Então como está o Sasuke-kun?

– Ahn? Ah! Sim... É. Ele está bem. – respondeu, coçando a nuca de forma sem graça. – Muito bem, aliás... – murmurou.

– Bom... Bom. – murmurou a ruiva. – Itachi-san parecia bem zangado quando ligou, o que vocês deram para o Sasuke-kun?

Não sabe de nada, inocente...

– Nada, Okaa-san, o Teme só é fraco para bebida! – completou a mentira. – De qualquer forma, eu nem fiquei perto o tempo todo, ele estava com a prima do Neji... – resmungou, pegando um livro qualquer que estava sobre a pilha e olhando o verso com desinteresse.

– Ah, é? – ela questionou virando-se para o rapaz que parecia ter se irritado ao proferir as últimas palavras. Sorriu provocativa e ergueu as sobrancelhas de forma questionadora. – E essa prima do Neji... Ela é bonita?

– É a Hina-chan. – respondeu. – Lembra-se dela? Ela veio aqui uma vez quando estávamos fazendo o trabalho de Biologia e o Konohamaru ficou babando em cima.

– Oh, aquela coisinha fofa que não fala, mia. – estalou os dedos ao lembrar-se. – Como me esquecer. Ela e o Sasuke se dariam bem, são parecidos...

O Uzumaki virou-se para a matriarca.

– A senhora acha? – questionou virando-se para ruiva.

– Claro. – ela respondeu dando de ombros, virando página por página com cautela. – Eles são quietos, falam pouco, são tímidos...

– Quem é? – o loiro a interrompeu com um tom de interesse, apontando para uma das fotos que mostrava duas adolescentes, uma ruiva e uma loira, a garota ruiva estava agarrada ao pescoço da outra que mantinha feições emburradas.

– Essa? – apontou para a garota ruiva com o uniforme escolar – saia azul marinho, camisa branca e meias ¾ — cabelos presos e uma franja na lateral do rosto, o Uzumaki assentiu com a cabeça. Kushina deu um pequeno riso. – É a sua mãe, dã!

– Eu estou falando sério, sua tonta! – o Uzumaki respondeu de forma malcriada.

Naruto quase pôde sentir quando os olhos de Kushina se acederam como duas chamas e uma aura vermelha começou a emanar do corpo da mãe.

Minato, que surgia na porta da cozinha, apressou os passos para perto da família.

– Se eu fosse você começaria a tomar uma distância segura. – ele sentiu Minato pousar a mão sobre seu ombro, ao mesmo tempo em que se pronunciava. O mais velho começou puxá-lo para trás, a aura assassina em volta da esposa parecia aumentar. – Ele está só brincando, Kushina, meu amor! Não é, Naruto?

– Sim, Okaa-san! É só brincadeira! – ele tentou rir para descontrair, os olhos azuis da Uzumaki se estreitaram de forma perigosa. – Mãezinha linda! Flor da minha vida. – ele afastou-se mais, suando frio, vendo a ruiva se levantar e caminhar até ele estralando os dedos.

E tudo ficou escuro...

– Okaa-san é louca! – o loiro falou quando Minato lhe bateu um saco de ervilhas na cabeça. – Tou-san! Devagar, você viu o que acabou de acontecer. – reclamou.

Minato sentou-se ao seu lado na cama de solteiro, rindo de leve do filho.

– Você teve sorte. – o Namikaze falou. – Não são muitos que chamam a sua mãe de tonta e sobrevivem. Enlouqueceu da noite para o dia?

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O mais novo fez um bico consternado e virou-se para o lado oposto ao pai.

– Eu fiz uma pergunta, custava ela responder para mim? – retorquiu. – Já parte para agressão, ela não sabe brincar!

Minato deu um riso baixo, negou com a cabeça e buscou algo no bolso traseiro de sua calça e tirou de lá a foto antes questionada pelo rapaz de olhos azuis.

O loiro fitou com pouco interesse pelo canto dos olhos, mesmo que sua vontade fosse de puxar a fotografia para suas mãos e olhar de perto.

– O que te faz pensar que esta não é a sua mãe, Naruto? – questionou o homem mais velho, olhando para a imagem enquanto se pronunciava; um pequeno sorriso moldava seu rosto.

– Ah, fala sério, Oyaji! – o loiro apontou. – Só por que ela tem cabelos vermelhos igual da Okaa-san, você quer que eu acredite que é ela!

– Essa é a Okaa-san, Naruto... Mais nova, mais doce, pequena... – suspirou. – Mas é. Tiramos está foto quando ela ainda tinha dezesseis anos...

– Eu posso ver? – questionou, depositando o saco de ervilhas na cama. – Ou o senhor vai tomar da minha mão também?

– Claro que pode. – estendeu a lembrança para o filho, que tomou-a rapidamente, querendo saciar sua curiosidade e olhar com mais calma para a foto, admirando cada pequeno detalhe.

É, era impossível que aquela ruiva de sorriso tão grande, olhos tão azuis e cabelos vermelhíssimos não fosse Uzumaki Kushina.

Os lábios rosados se entortaram em um pequeno sorriso.

– Okaa-san era uma gata! – admitiu, erguendo as sobrancelhas e assoviando ao fim da frase, Minato riu em seguida.

– Ela ainda é! – respondeu, puxando a foto da mão do primogênito. Suspirou e sorriu.

Naruto franziu uma sobrancelha. Ás vezes se perguntava como o pai podia ainda estar tão apaixonado por sua mãe. Kushina era a parte podre daquela relação, sem dúvidas. Ela era respondona, mal criada, estúpida... O pai não; era o total oposto: calmo, articulado e não mataria sequer uma mosca.

Será que a teoria dos opostos se atraírem era verdade?

Coisa estranha... – pensou ele.

– E a menina feia na foto com a Okaa-san, quem é? – questionou, apontando para a garota que Kushina abraçava o pescoço com força.

Minato limpou a garganta e voltou para o rapaz de marcas nas bochechas.

– A menina feia, é o seu pai! – rebateu de forma grosseira.

– Eh? – os olhos azuis se arregalaram, alternando o olhar do pai para foto diversas vezes. Tomou a foto da mão do pai olhando o (recém-descoberto) garoto loiro que usava cabelos compridos e desfiados, tais quais seriam os seus se deixasse crescer, vestido de roupas compridas demais, camisa para fora da calça, um sobretudo que caía sobre toda a veste até os pés e os malditos óculos de grau, mas por trás das lentes ele podia ver claramente os olhos azuis... Não era possível! Puxou a foto para perto de seus olhos. – Otou-san?!

Totalmente descrente o loiro saltou da cama ficando de pé, um sorriso maldoso começou a se formar em seus lábios.

– O senhor... O senhor...

– É, Naruto eu era...

– Um nerd! – caiu na gargalhada. – Como pode? O senhor parecia uma menina feia! Carrie, a estranha! – apontou para a lembrança fotográfica e começou a rir mais.

Namikaze girou os olhos e apertou-os em seguida.

– A Okaa-san tinha o que na cabeça pra ficar com o senhor? – riu mais uma vez. – O pessoal devia achar que eram duas lésbicas... Otou-san parecia a Paris Hilton depois da balada! – gargalhou, caindo de joelhos no chão e começando a sentir uma dor na barriga por não conseguir parar; seus olhos já lacrimejavam.

– Já chega, Naruto, não é tão engraçado. – murmurou, incomodado por ser alvo de piadas tão idiotas. Às vezes Naruto provocava.

As lágrimas advindas do riso prosseguiram, assim como o riso descomunal do rapaz de olhos claros, que vez ou outra tentava parar de rir, mas bastava levar a foto para o seu campo de visão para o riso continuar. Minato soltou um ‘tsk’, e tomou a fotografia da mão do Uzumaki com um quê de irritação.

Sentado na cama, aguardou o filho parar de tirar sarro de si.

Moleque abusado! – pensou comparando-o logo a sua esposa, que, naquela idade, era exatamente daquela forma.

Naruto e Kushina tinham personalidades tão parecidas, talvez fosse por isso que volta ou outra estavam brigando. Esse era um dos motivos para Kushina sempre estar dando broncas no filho Ela se via muito nele, porém não admitia. Naruto apesar de ser a cara cuspida do pai, tinha todos os trejeitos da matriarca.

E talvez se não fossem assim eu não os amaria tanto! – pensou o mais velho, levando a fotografia para seu campo de visão e sorrindo nostalgicamente olhando para o enorme sorriso de Kushina ao estar agarrada à menina feia.

– Ai, sua estúpida! – o adolescente loiro reclamou ao receber um tapa na nuca, que foi alisada logo em seguida por ele próprio, enquanto via a melhor amiga lhe fitar com o cenho franzido e cruzar os braços logo após.

A menina de olhos azuis usava uma regata branca, shorts de cor azul marinho com o emblema de Konoha na perna esquerda, cabelos presos e um boné da mesma cor do uniforme de ginástica.

– Estúpido é você, mané! Para de secar a Mebuki assim! – reclamou, sentando-se ao seu lado na arquibancada, vendo as meninas do terceiro ano jogarem vôlei. – Você dá tão na cara, que chega a ser patético!

A menina ruiva puxou o boné que usava e bagunçou os cabelos vermelhos.

A ruiva não era delicada como a maioria das garotas daquela escola.

Kushina brigava, enfrentava e rebatia tudo e a todos, brigava com muitos garotos e ganhava de todos eles. Talvez fosse por isso que ela fosse sua melhor amiga, por que não tinha condições da Uzumaki andar com outras garotas, ela as achava frescas, diminutas e irritantes. Minato não tinha amigos por ser... Bom, quem ele era, e como era.

– Será que você nunca vai tomar vergonha na cara, Minato? – questionou ela, virando-se para ele. – Já te falei para largar de mão daquela vadia...

– Você não devia falar assim, ela é sua amiga. – ele repreendeu.

– Dane-se, depois do que ela fez com você na semana passada não tem mais nenhum laço comigo. – rebateu, comentando sobre o incidente do suco de laranja que a garota de cabelos cor água de salsicha jogou em cima do seu colega de classe pelo simples prazer de humilhá-lo. – E mesmo assim você não se toca! Ela não retribui seus sentimentos, e você fica aí, igual um cachorrinho esperando migalhas!

Estava farta! Por que alguém tão brilhante, inteligente e divertido como Minato corria atrás de alguém superficial e tonta como era Haruno Mebuki?

– Eu, com certeza, tenho mais chances do que você, que fica correndo atrás do Danzou-sensei! – respondeu, mexendo na mochila de cor laranja ao seu lado e entregando à ruiva uma toalha para que secasse o suor que escorria pelo seu pescoço e sumia no colo dos seios.

Ele tentou ignorar isto, mas não conseguiu.

– Quem disse que corro atrás dele, Namikaze? – questionou, secando o pescoço e a testa.

– Eu te vi no estacionamento com ele ontem, Uzumaki! – ele rebateu mais grosseiramente do que pretendia. – E na sala também: “Oh, eu posso ajudar o senhor, Danzou-sensei?!” – juntou as mãos e fez os olhos inocentes, Kushina quis rir, com certeza aquela imitação não poderia ser dela. -, toda sorrisinho aberto para ele!

– Você está tentando me ofender? Não está conseguindo. – avisou. – E se certo amigo loiro e mão de vaca me desse as colas, eu não teria de ficar... Como você disse? Sorrisinho aberto?

– Hn... – resmungou. – E além do mais, Mebuki ao menos é estudiosa, e você? Você mata tantas aulas que não sei como tem passado de ano!

– Eu passo de ano por que você me ama... – abraçou-o com força. -, e me ajuda sempre porque não vive sem mim e me deseja ao seu lado!

– Me largue, você está suada! – reclamou, empurrando a ruiva à distancia. – Você tem mesmo sorte de estar comigo do seu lado, Kushi, se não fosse isso...

– Oh! Você usou aquele apelido fofo de novo! – ela riu dele, lhe dando um tapa nas costas com muita força, fazendo o garoto curvar-se para frente.

Ela é, sem dúvidas, o que dizem sobre mulheres não serem o sexo frágil. – pensou ele, alisando o ombro dolorido e ajeitando a armação dos óculos.

– Sua grossa. – respondeu ele.

– Poupe-me do seu veneno, sou imune. – retorquiu, lhe dando uma piscadela. – Mas falo sério, Namikaze, pare de correr atrás dela... Você só se machuca se continua a ir atrás de um amor unilateral que tem poucas... Não. Que não tem nenhuma chance de ser correspondido um dia.

– Você sabe mesmo me pôr pra cima... – murmurou com um sorriso, negando com a cabeça.

– Vamos fazer assim... – ela começou a propor, pegando na mão do Namikaze. Minato, por algum motivo estranho, sentiu seu coração acelerar, como acontecia sempre que a ruiva lhe tratava com carinho. Essas ocasiões eram raras; mas, quando aconteciam, faziam seu mundo inteiro se remexer. – Você vai lá em casa hoje... – ela sorriu.

Ele engoliu em seco, notando o contraste entre a sua pele e a dela, fitando os dedos entrelaçados.

– Fa-fazer o que? – questionou, mordendo o lábio inferior ao notar que sua fala saiu meio confusa por ele ter gaguejado. Kushina algumas vezes causava em si um sentimento estranho e engraçado, que lhe borbulhava o estomago e fazia sua pele esquentar.

Só que ele não entendia o motivo.

– Comprei o jogo novo do Mortal Kombat! Ultimate... ahn... Alguma coisa! – acenou com a outra mão não dando importância realmente para o nome do jogo. – Enfim, e se você ganhar do Shao Kan pra mim, eu arranjo um encontro para você com a Mebuki, que tal?

O de olhos azuis acordou do seu devaneio rapidamente. Mebuki? Ahn? Ah, sim... A menina loira da sala. É... Mebuki, claro.

– Hey! Uzumaki, de volta para o jogo, acabou o tempo! – chamou a professora de educação física depois de um longo sopro no apito.

– Já estou indo! – ela acenou, soltando a mão do amigo, este sentiu um vazio no mesmo instante. – E aí, você vem? – ela questionou, pegando o prendedor de cabelo e fazendo um coque nos fios longuíssimos.

– Ah... Sim. – ele respondeu, lhe sorrindo de forma contida logo em seguida.

– Ok! Te espero na saída então... – ela falou, pulando por entre os bancos da arquibancada e indo para a quadra.

Minato guardou as coisas da ruiva, das quais tomava conta enquanto ela jogava, pegou a mochila laranja da Uzumaki e jogou sobre os ombros, indo para a sala de aula.

Naquela tarde, na sala de estar na casa dos Uzumaki, Kushina lhe roubou o primeiro beijo.

– Tou-san, o senhor está com cara de idiota! – chamou o loiro, agora contido, olhando o pai com curiosidade. – ‘Tá pensando em quê?

Minato acordou, fitou o rapaz tão parecido consigo sentado no chão do quarto, negou com a cabeça e lhe sorriu.

– Nada... – respondeu. – Vem cá. – chamou com um aceno de mãos.

Naruto franziu o cenho, e, meio consternado, engatinhou pelo chão até chegar próximo ao progenitor. Os dedos longos de Minato se afundaram nos fios claríssimos em um cafuné.

– Tou-san! – o loiro reclamou do carinho que somente era direcionado a ele até os dez anos de idade.

Minato ouviu a reclamação do adolescente, mas não parou o que fazia. Riu de leve quando o filho tentou fugir de si, mas ele puxou os cabelos de forma dolorida, fazendo o loiro soltar uma exclamação de dor.

– O que há com o senhor? – questionou o Uzumaki, percebendo a forma doce como estava sendo tratado naquele momento. Minato não era mais assim com ele.

Não que o pai não quisesse, mas ele já era uma adolescente, e como bom adolescente ele não queria mais tantos carinhos paternos. Mas pensando bem, até que não era tão ruim.

Minato negou com a cabeça, olhando para a face com marquinhas.

– Você se decidiu, não é? – questionou com a voz branda, alinhando os fios bagunçados do cabelo do menor, este franziu o cenho.

– Ahn?

– Os problemas de garotos, você se decidiu, não é? – questionou. – Você estava mais mal humorado nos últimos dias, eu acho que era por isto. Mas hoje... Parece estar até mais radiante. – falou com um ar observador e um tom levemente sarcástico.

– Tou-san! – o loiro ficou com as bochechas rosadas ao perceber ao quê o pai se referia ao dizer ‘radiante’.

– Só estou comentando, só comentando... – ergueu as mãos em rendição. – Mas e então?

O Uzumaki deu um sorriso discreto e balançou a cabeça de um lado para o outro.

– O que o senhor acha é a resposta.

– Oh... – ele respondeu, olhando-o de cima com um sorriso afetado. – Então se é assim, diga ao Sasuke que ele deve vir aqui no domingo e almoçar conosco.

Azuis cerúleos se arregalaram surpresos ao notar como o pai deduzia as coisas rapidamente. Seus lábios se separaram.

Como ele sabia?!

Minato sentiu seu peito inflar em orgulho de si próprio, vingança realmente era um prato que se comia quente.

– Vou descer; ver como a sua mãe está. – contou, levantando-se da cama pegando a fotografia e o saco de ervilhas e caminhando para fora do quarto.

– Tou-san! – o loiro chamou, se pondo de pé, o homem lhe fitou por cima dos ombros. – Deixe o saco de ervilhas... – pediu.

Minato deu um riso antes de atirá-lo para o mais novo, que o capturou no ar. O mais velho saiu do cômodo. Logo após Naruto foi até lá, fechando a porta e girando a chave.

Caminhou até a cama e caiu de bruços, suspirando de alivio por finalmente estar sozinho. Choramingou.

– Ah, aquele Teme me paga... – resmungou contra o travesseiro e colocou o saco de ervilhas sobre sua traseira.

(***)

No andar de baixo...

A ruiva estava sentada no sofá lendo um livro de capa verde musgo com muita concentração, não dando a mínima para a bagunça que ela havia feito.

Minato sabia que aquilo sobraria para ele mais tarde.

– Eu espero que você tenha dado uma surra nesse menino. – ela reclamou, sem nem ao menos fitá-lo, lambendo a ponta dos dedos médio e indicador para logo após virar a página do livro.

O loiro revirou os olhos e terminou de descer as escadas.

– Pare de condenar o menino, Kushi, ele está apenas sendo...

– Adolescente! – ela virou-se. – Eu te disse que essa seria a pior idade não disse? Eles não têm papas na língua e nos respondem a primeira coisa que vem à mente!

– É? E de quem você acha que ele puxou esse gênio maravilhoso, hn? – questionou, sentando-se ao lado dela no sofá.

– Não me venha com a sua ironia, Namikaze! – respondeu.

– Ironia aonde, sua Uzumaki estúpida? – ele respondeu, e ela lhe fitou da mesma forma que Naruto foi olhado á alguns minutos. Ele teve vontade de rir. – O que foi?

– Você é um mané, é isso que foi! – ela respondeu, se preparando para dar um tapa no marido para que ele parasse de ser tão babaca. Mas o loiro foi mais rápido e puxou o seu braço, lhe beijando a maçã do rosto.

A ruiva ficou vermelha no mesmo instante com o carinho repentino.

– Sou sim, sou um mané, sou o seu mané! Minha Uzumaki estúpida! – ele respondeu com divertimento, passando a lhe dar diversos beijos estalados no rosto que a cada minuto ficava mais vermelho.

– Me larga, seu babaca! – exigiu. – O que te deu hoje? Já disse para me soltar, dattebane!

(***)

Duas semanas depois...

O Uzumaki repousava sobre o travesseiro de fronha azul marinho, seus olhos fechados e suspirava em meio ao sono profundo.

Foi neste instante que sentiu algo úmido ir de encontro ao seu nariz. E logo depois sentiu a mesma sensação na sua bochecha.

Ele estava mesmo sendo lambido pela manhã?

– Você é mais pervertido do que eu pensava, Bastardo... – resmungou ainda de olhos fechados, sorrindo de leve.

Meaw! – abriu os olhos abruptamente, dando de cara com dois olhinhos verdes e uma pelugem preta e branca. O gato dobrou a cabeça para o lado e seus olhos se fecharam, era quase como se ele sorrisse.

– Taichi?! – ele exclamou surpreso, e no susto seu corpo foi para trás, colidindo com o chão em seguida.

– O que está fazendo, Dobe? – questionou o moreno entrando em seu quarto com os cabelos bagunçados, calça de moletom e a camiseta preta com o emblema da banda Rammstein. .

O Uzumaki, que estava caído no chão, deu um sorriso sem graça e logo após sentou-se, massageando o cotovelo dolorido pela queda.

– O Taichi... – resmungou, Sasuke ergueu uma sobrancelha questionadora. – O que meu gato está fazendo na sua casa, Teme? – questionou em um tom acusatório.

– Seu gato? – questionou indignado. – Essa bola de pelo é sua? Tem certeza? – apontou.

Naruto fitou Sasuke com o olhar irritado.

– Se eu estou perguntando é por que é, babaca! – retorquiu, se pondo de pé, ajeitou a cueca no corpo e começou a olhar em volta do quarto, à procura de suas roupas.

O moreno ergueu as mãos para o Uzumaki, vendo-o encontrar sua calça no chão e sentar-se na cama para vesti-la, o gato andou na cama até o rapaz loiro e roçou o focinho nas costas nuas.

– Faz todo o sentindo que esse animal seja seu. – resmungou o moreno, indo até a cama e sentando-se. – Ele apareceu aqui esses dias, mesmo eu dizendo para o Yuki não trazer animais para dentro de casa...

O loiro terminou de vestir as calças, e puxou o animal para seu colo, este rodou de lá para cá e acomodou-se no colo do dono. Naruto sorriu.

– Yuki? Quem é Yuki? – virou-se para o Uchiha às pressas com um olhar enciumado. Sasuke percebeu, mas nada disse, apenas deu um riso pelo nariz e agachou-se na cama, e quando voltou, vejam só quem estava em seus braços, ninguém mais ninguém menos que...

– Demônio! – o loiro acusou. Levantando-se com o gato de olhos verdes no colo, o abraçando, tentando protegê-lo do maldito gato branco de olhos azuis. – Tire esse animal de perto de nós, Teme!

Sasuke franze o cenho.

– Qual o seu problema, Uzumaki? – questionou, virando-se na cama para depositar a bola de pelos brancos em cima do lençol. – Por que está falando assim com o Yuki?

– O Yuki é o gato que roubou a inocência do Taichi! – acusou, apontando para o felino, e teve certeza que dentro daqueles olhos claros, o gato estava lhe fitando ironicamente. – Ele até me arranhou!

– Você é paranoico, Naruto. – o de cabelos negros fez um gesto de descaso com as mãos. – Como que um gato pode roubar uma inocência de outro gato?

– Seu gato me roubou meu bebê! – respondeu indignado com a indiferença do Uchiha. – Agora o Taichi nem aparece lá em casa, e a culpa é dele! – apontou para o outro bicho, que lambia a pata com indiferença ao chilique do namorado de seu dono.

– Ahn... Então tá. – Sasuke pensou em perguntar se Naruto havia tomado seus remédios corretamente aquele dia, mas achou melhor não. – Eu vou buscar café lá embaixo, você quer? – questionou.

– Não. – retorquiu, consternado, alisando o bicho em seus braços, olhando com desconfiança para o de olhos azuis, que lhe fitava como se estivesse prestes para dar o bote a qualquer momento. – Na verdade, eu acho melhor eu me preparar para ir pra casa, antes que Itachi-sensei acorde...

Olhos negros reviraram-se em impaciência.

– Até quando você vai fugir do meu irmão? – questionou. – Ele não é uma arma de matar, Naruto... Aliás, acho até que ele já sabe. – deu de ombros.

– Já ouviu falar daquela frase: Melhor prevenir do que remediar?

– Já ouviu aquele que diz: Quem não arrisca não petisca? – rebateu o Uchiha.

– Eu prefiro prevenir do que virar o petisco. – o Uzumaki respondeu com um meio sorriso olhando para o moreno, Sasuke tentou engolir um sorriso que brincou nos cantos de seus lábios.

Juntou os lábios sobre o pelo do gato, solto-o sobre o colchão, e com um olhar de ‘Estou de olho em você’ para o gato branco, o Uzumaki foi para perto da pessoa que estava tomando seus pensamentos durante aqueles últimos dias.

Deu-lhe um beijo de bom dia, nada muito logo, apenas um selar de lábios rápido e carinhoso.

– Preciso usar o banheiro. – resmungou. – Taichi me deu um susto, e eu não confio na minha bexiga até chegar em casa!

Sasuke dessa vez não conseguiu não rir, dando um peteleco na testa do rapaz mais baixo.

– É melhor mesmo que use, vai que ocorre um acidente como quando você tinha doze anos, né? – questionou com um sorriso de canto de boca. O Uzumaki estreitou os olhos. Sasuke deu-lhe um selinho e foi até a janela do quarto para abri-la. — Você sabe onde fica, fim do corredor. – apontou com o polegar por cima dos ombros.

– Hn! – o Uzumaki concordou, não se preocupando em vestir uma camisa. Mikoto já havia ido para café do qual era dona, afinal, já eram quase onze da manhã, e o irmão mais velho de Sasuke estava dormindo e não ficaria ofendido ao ver o amigo do seu otouto somente de calças.

Naruto caminhou pelo corredor da casa dos Uchiha e abriu a porta branca que havia no fim do corredor, entrou rapidamente, dando de cara com o vaso. Logo levantou o assento e abriu o zíper de sua calça e, pegando o dito-cujo, fechou os olhos e relaxou para finalmente...

– Naruto-kun?

O Uzumaki nem precisou abrir os olhos — aliás, fechou-os ainda mais — para saber a quem pertencia aquele tom grave, perigoso, mas ainda assim macio como seda.

– Deus, por que você me odeia? – questionou de olhos fechados.

Respirou fundo, antes de tentar expor seu sorriso mais apologético em seus lábios, e abriu os olhos para olhar a sua direita.

Era melhor ter ficado de olhos fechados.

Por que, meu Kami-sama?!

Não é todo dia que você tem o desejo louco e insano de ver o seu professor mais filho da puta e desgraçado e que te ferra sempre que pode; nu, embaixo do chuveiro, lhe fitando com uma expressão totalmente curiosa.

Talvez as o coisas não estivessem indo tão bem o quanto ele imaginou...

(***)

– Eu não sei, Teme... Não acho uma boa eu ir a sua casa depois do que aconteceu, se eu pudesse faltar às aulas de matemática, eu faltaria! – reclamou ao celular que equilibrava entre a orelha e ombro, enquanto ajeitava a gravata borboleta em frente ao espelho. – Como assim por quê? Sasuke! É muito constrangedor olhar para a cara do seu irmão.

Pare de ser um Dobe ao menos uma vez na sua vida, Usuratonkachi! – o tom rouco soou do outro lado da linha. – Itachi nem liga para sua existência!

– Mas eu ligo para a dele, porra! – exclamou, desistindo de arrumar a gravata que só ficava torta. – Eu ainda acho que é melhor você vir aqui em casa, aí vamos juntos!

– Você mora mais longe da escola do que eu, Naruto! – exclamou irritado, Naruto pôde até ver o namorado enfiando as mãos nos fios negros. – Pare de se comportar como uma garota naqueles dias!

– Oh! – ofendeu-se, e quase levou a mão para tapar os lábios abertos, mas percebeu que isso seria um ato verdadeiramente afeminado. – Olha como fala comigo, bastardo filho da...

– Conseguiu ajeitar a gravata, Naruto? – Kushina surgiu na entrada do quarto. – Mas o que é isso? – apontou indignada. – Eu não te ensinei como fazer?

– Okaa-san, eu estou no telefone... – murmurou, tapando o bocal do celular.

Kushina caminhou até o filho e tomou-lhe o celular das mãos.

– Ele estará ai em cinco minutos, Sasuke-chan! – falou com o tom doce que usava sempre ao falar com o genro. – O que? – fitou o Uzumaki e o de olhos claros perguntou-se o que o moreno falava a sua mãe. – Mas é claro que ele vai, oras! Sim, sim Sasuke, você acha que ele vai me desobedecer? Háh!

A boca do Uzumaki abriu-se e seu queixo poderia ter ido ao chão. Kushina e Sasuke poderiam dar as mãos e sair saltitando pelo campo da perdição por fazê-lo perder a paciência daquela forma.

Se Kushina gostava de Sasuke antes, quando assumiram que estavam juntos, a ruiva parecia ter criado um laço de amor maior pelo filho de Mikoto, ambas até viraram grandes amigas agora.

Eu não mereço tanto!

Após algumas palavras a mais a ruiva desligou. – Sem nem ao menos me dar a chance de defesa, ou dar ‘tchau’ para o Teme! – e colocou o celular acima da cômoda do quarto do filho, passando ela mesmo a desatar a gravata e refazer o nó.

– O que a senhora disse para ele? – questionou vendo-a arrumar o laço com cuidado.

– Que você vai buscá-lo, ué. – retorquiu. – Vocês são tão tontos, implicam por coisas simples e que são tão fáceis de resolver.

– Ah, para que vamos resolver alguma coisa, temos a senhora e a Mikoto-san para fazer isto por nós. – retorquiu o rapaz de olhos claros, vendo a Uzumaki dar-lhe um tapa no peito coberto por um smoking preto.

– Vou mandar o Sasuke morder a sua língua! – bronqueou com um sorriso maldoso. – Você está se saindo muito respondão ultimamente, moleque.

– Aprendi com a mestra, Uzumaki-san! – respondeu, zombando da forma como Sasuke se dirigia a ela quando ia visitá-lo. Logo após o loiro riu e abraçou o corpo pequeno da mulher.

Ás vezes ele se questionava como uma mulher que não parecia pesar mais do que dois sacos de arroz podia ter tanta força no punho. Mistérios da vida. Talvez ele devesse inscrevê-la para o ‘Além da Imaginação’.

– Você está lindo. – ela falou, quando ele alargou o abraço apertado em volta dela. – Só não gostei do cabelo, prefiro quando está bagunçado.

– É um baile de gala, Okaa-san. – ele respondeu pela enésima vez naquele dia. Sua mãe estava implicando com seus fios loiros completamente alinhados para trás desde o momento que o Uzumaki apareceu em casa depois de ir cortar o cabelo. – Tenho que ir vestido a caráter.

– Exato, ir vestido a caráter, não parecendo o Leonardo DiCaprio em Titanic! – retorquiu. – Vai entregar o coração do oceano ao Sasuke? – questionou com a voz cheia de duplos sentidos.

– Só se o coração do oceano forem meus lindos olhos azuis que ele vai ter o prazer de olhar a noite toda! – retorquiu com o mesmo tom malicioso usado pela matriarca.

Minato que chegava a porta do quarto ouviu ambas as falas e sorriu.

Viu o que eu disse? Personalidade cuspida de Uzumaki Kushina!

– Naruto, já não está não está na hora de ir? – questionou o homem cruzando os braços e se encostando à madeira do batente.

– Hn! – acenou. – Eu já estou indo, já que a brilhante aqui – fitou a de cabelos vermelhos. – disse ao Bastardo que eu irei buscá-lo e a rainha do drama estará logo me ligando para saber por que não estou lá ainda!

O Uzumaki fitou mais um momento seu reflexo no espelho, satisfeito com o resultado.

– Ittekimasu. – falou, dando um beijo na bochecha da mãe, e passando pelo pai lhe tocando o ombro, o mais velho apenas acenou em reconhecimento.

Itterashai! – falaram os progenitores juntos.

– Não vá demorar, Naruto! – o pai completou, ouvindo á porta da frente bater, denunciando que o loiro já havia saído, talvez nem tivesse ouvido a “ordem” do pai.

Minato se questionava, às vezes, sobre o porquê de ainda tentar colocar amarras naquela natureza livre que seu filho possuía.

– Ele está indo para um baile de formatura, Minato, — a esposa lhe chamou a atenção. — acha mesmo que teria chance dele chegar cedo?

– A intenção é a que conta, sempre... – resmungou, enfiando as mãos na calça jeans ao mesmo tempo em que dava de ombros. – E então, o que iremos fazer agora? Sem o Naruto essa casa perde a graça.

– Eh?! Assim você me ofende sabia? E eu, não conto? – questionou ela caminhando até o homem mais alto, lhe fitando com o cenho franzido em aborrecimento.

– É claro que conta! – respondeu-a, lhe dando um beijo na testa franzida. – O que quer fazer?

A mulher de olhos azuis lhe sorriu de forma misteriosa.

– Uma coisa que nunca mais deu tempo de fazer desde que o Naruto saiu das fraldas! – sacudiu as sobrancelhas de forma presunçosa. Minato sorriu da mesma forma que ela.

A mulher de cabelos ruivos correu pelas escadas.

– Eu serei o Scorpion dessa vez! – gritou pulando no sofá e buscando o videogame aposentado há anos em um caixa dentro da estante.

Minato riu da forma estabanada da esposa para logo após descer as escadas de forma mais contida do que a da mulher que amava.

(***)

– Fico feliz de te ver com as calças presas na cintura, Naruto-kun. – o homem de longos cabelos saudou com um sorriso de canto de boca no rosto enquanto via o rapaz de cabelos claros vestido elegantemente e segurando uma rosa vermelha.

– E eu feliz de te ver completamente vestido, Itachi-sensei. – retorquiu com ironia, erguendo o rosto para fitar o homem cara a cara, tentando ao máximo controlar a vergonha que tomou seu corpo naquele instante.

O professor não iria tirar sarro de si e sair por cima, não senhor!

Itachi riu minimamente pelo nariz antes de continuar.

– Já temos outro tipo de ligação indireta, Uzumaki, acho que a partir de hoje você pode tirar esse ‘sensei’ e substituir pelo ‘san’. Já não serei mais seu professor a partir de agora. – falou abrindo espaço para o Uzumaki entrar na residência.

– Amém... – resmungou o de olhos azuis.

– Eu queria poder dizer o mesmo. – o de olhos negros retorquiu. – Pensei que fosse me livrar de você, mas olha aí esta ironia do destino!

– Itachi... – a voz doce repreendeu-o. Ambos se viraram para a porta da cozinha, encontrando Mikoto que remexia algo em uma vasilha com uma colher. – Isso não é jeito de tratar visitas! – franziu o cenho. – Como vai, Naruto-chan?

A mulher mudava suas feições tão rapidamente. No mesmo momento que repreendia o primogênito com uma feição desgostosa, sorriu singelamente para o rapaz de cabelos amarelos.

– Muito bem, Uchiha-san, obrigado. – fez uma leve reverência ao cumprimentar a mulher de cabelos escuros. – A noiva ainda vai demorar muito para ficar pronta? – questionou, arrancando um riso baixo de Mikoto que cobriu os lábios com a mão.

– Quem você está chamando de noiva, idiota? – o tom grave saiu quase como um rosnado trovejando em meio ao silêncio, no mesmo instante que o filho caçula surgia do mesmo local que Mikoto havia saído.

– Quem mais poderia ser se não você, dama de gelo? – o de olhos azuis questionou debochadamente, porém, não pôde conter-se quando seu coração começou a bater mais rápido.

Naruto ficou horas e horas frente ao espelho, namorando-se, vendo o que faltava em seu visual, sempre ficando descontente com uma coisinha aqui e ali... E ainda assim não se sentiu satisfeito com o resultado final.

O Bastardo veste qualquer coisa por cima e fica parecendo um príncipe! – pensou ultrajado, fitando Sasuke dos pés à cabeça enquanto ele ainda estava parado próximo à mulher de cabelos negros, esbanjando o charme e a elegância de um Lorde.

– Nunca te disseram que é feio encarar as pessoas, Uzumaki? — o Uchiha repreendeu-o, sentindo o gosto da vingança na ponta da língua. Ele esperou tanto para poder dizer aquilo ao de olhos azuis.

As sobrancelhas loiras se franziram e o loiro virou-se para o lado oposto do moreno.

– Eu pensei que fosse me fazer esperar pra sempre, imbecil. – rebateu.

Uma sobrancelha negra ergueu-se de forma arrogante e a sombra de um sorriso apareceu em seus lábios. Sasuke seguiu até o mais novo.

– Você acabou de chegar, Baka. – respondeu, tentando ignorar o olhar dos seus familiares. – E esta quinze minutos atrasado. – pontuou.

– É chique chegar atrasado. – o Uzumaki retorquiu.

– É chique para quem tem classe para ter esse comportamento. Um idiota igual você, não. – rebateu, agora próximo ao Uzumaki e fitou sua mão esquerda. Franziu o cenho. – Isso é pra mim?

Os olhos azuis se abriram levemente confusos sobre o quê o Uchiha referia-se, até notar a flor que trazia em mãos. As bochechas com marquinhas ficaram rosadas.

– É claro que não. – a negação saiu em grito esganiçado de vergonha. – Eu comprei... Comprei... Para a Mikoto-san! – caminhou até a única fêmea que ocupava o recinto e lhe estendendo uma única flor enrolada em um papel de cor transparente.

– Oh, obrigado, Naruto-chan. – respondeu ela com um sorriso, que o Uzumaki retribuiu igualmente sincero.

O que ele estava pensando? Sasuke era capaz de esmagar a flor em frente aos seus olhos, conhecendo o moreno o pouco – porém, suficiente – que conhecia, sabia que era possível que o Uchiha fizesse isso.

Era realmente melhor não arriscar.

– Então, vamos? – questionou Sasuke, olhando-o com um olhar de desagrado e chateação, do qual o Uzumaki não entendeu o motivo.

– Sim, vamos. Não vai ter graça se não estivermos lá, e Kiba vai me encher a paciência por que não cheguei a tempo de jogarmos Neji na piscina, estamos combinando isso há meses! – falou enquanto seus lábios se viravam para cima em um sorriso maldoso que nem ele se dava conta, depois se voltou para a mulher de cabelos negros. – Não se preocupe, eu trago ele para a casa cedo hoje!

– Não fale com a minha mãe como se eu fosse um bebê, Naruto! – o outro respondeu com o cenho franzido.

– Você é um bebê, Sasuke-chan! – ela repreendeu-o com o olhar. – E Naruto-chan está certo, você não deve falar com ele assim. Ele está fazendo o certo.

O Uzumaki lhe fitou com um sorriso debochado no rosto. Sasuke girou os olhos em retorno.

– É, super-responsável, vamos ver quantos copos ele aguenta sem precisar ser carregado... – resmungou. – Vamos logo! – chamou, indo até a porta. – Você me irritou a semana toda por causa desse baile estúpido, agora está enrolando?

– Estou indo, estou indo... – o outro respondeu. – Boa noite, Mikoto-san, Itachi-sen... Itachi-san! – corrigiu-se quando o mais velho lhe fitou com uma sobrancelha negra erguida para repreendê-lo.

– Boa noite, Naruto-chan. – ela respondeu. – Divirtam-se. – acenou, vendo o filho dar um aceno com a mão e o loiro sorrir-lhe antes de fechar a porta. – Eu acho esse filho da Kushina uma gracinha! – comentou, vendo o filho mais velho deitar-se no sofá e voltar a pegar o livro que havia deixado na mesa da sala.

– É... Depende do ponto de vista. Eu sinto um pouco de pena do Sasuke. – comentou em meio a riso contido.

– Ao menos o Sasuke tem namorado, né...? – ela respondeu com casualidade. Itachi girou os olhos para o lugar onde a mãe estava, a mulher sorriu em retorno e seguiu para a cozinha novamente.

Quem diria que Uchiha Mikoto poderia ser maldosa quando queria?

(***)

O Uzumaki estava prestes a prender o cinto em volta de seu corpo quando parou, irritado por Sasuke manter uma cara de bunda desde que saíram da casa do Uchiha.

– O que você tem? – questionou, cruzando os braços, irritado.

Sasuke olhou e voltou-se para o vidro.

O Uzumaki aguardou mais alguns instantes para o Uchiha se manifestar, o que não aconteceu. Sasuke apenas enfiou a mão dentro do paletó, tirando de dentro dele uma rosa branca e estendeu em direção ao de olhos claros que fitou o gesto curioso com o cenho franzido.

– Você não trouxe nada para mim, mas eu trouxe pra você. – resmungou.

Um sorriso apologético se formou nos lábios do Uzumaki enquanto tomava a flor que havia ganhado do moreno com cautela, permaneceu segurando a sua mão enquanto colocava a rosa no bolso externo de suas vestes.

Talvez fosse aquele o acessório que faltava.

– Então é isso? – questionou, dando um beijo no punho fechado do moreno. – Está com raiva por que eu trouxe uma flor para sua mãe, e para você não?

Sasuke não respondeu, apenas olhando para sua casa, e querendo que o Uzumaki rumasse logo para a droga daquele baile que ele não queria ir.

– Teme! – chamou, soltando a mão do rapaz pálido e curvando-se sobre o banco para puxar a face do Uchiha para ele. – Pare de ser tão ciumento. Você percebe o quão ridículo é você ter ciúme da sua mãe?

Sasuke estava com as feições indecifráveis, sua boca posicionada em uma linha reta. Não era ciúmes, mas no fundo... Bem no fundo, ele sentia a vontade de ganhar um pouco mais de atenção.

Sasuke poderia ser carente ás vezes, não podia? Processe-o!

– Hn...

O Uzumaki deu um riso baixo.

Num gesto astuto, apanhou a nuca e o trouxe para o seu abraço. Aconchegou-o em seus braços, e encarou aquele lindo par de olhos negros, que naquele momento apresentavam um extremo nervosismo. Desenhando um caminho invisível com a ponta do nariz no rosto do Uchiha, chegou aos seus lábios e selou-os junto aos seus.

– Você está tão bonito. – sussurrou quando liberou os lábios rosados. – Estou cogitando a ideia de esquecermos essa festa estúpida e ir para um hotel.

– Cala a boca, Usuratonkachi. – o outro respondeu, levemente envergonhado. – Você queria ir a essa festa a semana toda, agora vamos logo, você está me irritando. – grunhiu, tentando ignorar a caricia que recebia em suas costas, começou a empurrar o Uzumaki para mais longe.

O loiro bufou irritado. Enquanto se ajeitava em seu banco, olhou para Sasuke de novo... E não se conteve. O Uzumaki cuspiu na própria mão e levou aos cabelos do Uchiha bagunçando-os o máximo que pôde.

– O que você está fazendo, Uzumaki?! – o moreno esbravejou tentando impedir as mãos do loiro, mas este não deixou.

– Você está ajeitado demais! Não quero ninguém te secando. – rebateu. – Cadê seus fundos de garrafa? Você precisa colocá-los, não vai sair assim comigo.

– Pare com isso! Naruto, estou avisando. – ele bronqueava, empurrando os braços do loiro para longe. – Por que eu tive de começar a gostar de você, sua ameba?

Naquele momento de pura infantilidade suas mentes os alertavam sobre a estranha sensação que estava nascendo entre os ambos, mas eles não recusavam a ideia. Muito pelo contrário, esse sentimento lhes proporcionava algo novo, bom e inexplicável.

Uma paixão, quem sabe? E por que não dizer, talvez... Amor.

Notas finais
Vocábulario: ¹P.A - Pinto amigo. 2Little Monster – gente, caso você não saibam são como são denominados fãs da diva Lady Gaga ;p, Kiba se referiu ao Naruto assim por ela dançou “Applause” durante o striptease, haha! Gostaram do fim? Ainda tem o epilogo, não se desesperem. Ainda falta mostrar o fim da coisa rosa, a Hinata e o Gaara! E uma coisinha pequena que eu sei que vocês Pervertidos estão loucos para ver, haha! Eu ia colocar tudo neste cap, mas como podem ter notado, o capitulo um pouquinho grande! E também não teria coerência colocar aqui, vocês entenderam o por que quando lerem! Mas prometo que não irá demorar tanto desta vez, ao menos não quatro meses e meio. Agora vocês entederam por que a Kushina gostava tanto do Sasuke? E por que vivia comparando ele com o Minato? Os Uzumaki devem ter uma leve queda por nerds, haha. Obrigado pelos que acompanharam a fic até aqui, e não custa nada mandar um ‘oi’ ao fim do capitulo, né? Ficou enorme, conteúdo para dar sua opinião não falta! Então, por favor. SEJAM MENOS PREGUIÇOSOS, NÉ? Mil beijos! Até a próxima.