Fix You.
7 Capítulo 7 - Última noite
Notas iniciais
Definitivamente, essa foi a minha pior madrugada na Eastern – ou talvez não. Antes de dormir, retirei com cuidado, meu livro favorito das mãos do loiro e o guardei. Como o Maxwel ocupava a minha cama, dormi na cama de cima. Assim que encostei a cabeça no travesseiro do loiro, me culpei mil vezes por estar ali. O seu cheiro tomou conta de mim e senti que eu não iria dormir tão cedo. O aroma doce que eu bem conhecera, era perfeito. Por alguns segundos, me senti no colo de Brooke Maxwel.
– Lauren... – Pude ouvir o loiro sussurrar, ainda dormindo. – Connor, não!
– Mas que droga! – Praguejei, descendo da cama. – Babaca até quando está dormindo.
O suor do loiro fazia seu cabelo grudar em sua testa e ele suspirava, ofegante. Coloquei a mão sobre a sua testa, que estava quente. Provavelmente, ele estava delirando de febre. Vesti a primeira camisa que encontrei e tentei acordá-lo.
– Temos que ir para a enfermaria, cara! – Enxuguei sua testa com a ponta da camisa. – É sério, você está super quente.
– Não, não. – Mordeu os lábios. – Só fica aqui, comigo! Estou assim por sua culpa, então talvez você resolva. – Segurou minha mão, fazendo com que eu me sentasse na cama.
– Por minha culpa?! – Soltei o ar pelo nariz, irritada. – Está brincando comigo? Você está com febre, me diga que culpa eu tenho nisso?!
– Shiu, só não me deixa. – Apertou a minha mão e fechou os olhos. – É sério...
– Vem comigo, por favor. – Pedi. – Juro que não te deixo, se vier.
Maxwel abriu um sorriso e me acompanhou.
[...]
– E então, ele vai ficar bem?! – Mordi os lábios, enquanto a enfermeira pingava umas gotinhas dentro de um copo com água.
– Vai sim, isso já passa. – Agitou o copo e entregou para o loiro. – Ele só tem que descansar.
Assenti, enquanto Maxwel bebia o conteúdo do copo, fazendo cara feia. Dei uma risadinha e o loiro me puxou para fora da enfermaria.
– Para quê tudo isso?! – Sussurrou, bravo. – Meu remédio é você.
Senti meu mundo parar por alguns segundos. É estranho, na verdade. Engoli seco e fingi não ouvir, enquanto caminhava na direção do nosso dormitório. Mas a verdade é que eu já estava perdida, eu já estava totalmente apaixonada por Brooke Maxwel e sabia que não tinha como fugir. O loiro segurou meu braço antes que eu tentasse fugir, como faço sempre.
– Talvez não tenha ouvido o que eu disse. – Arqueou as sobrancelhas. – Não precisa fugir, é sério. Não pretendo te morder, ou algo do tipo. – Deu uma risadinha. – Só me escuta, tá? Eu estava louco, delirando por imaginar você e o Connor. – Desviou o olhar. – Depois que li seu livro, piorei. A história dele é como a nossa...
– Não temos nenhuma história, Brooke. – Suspirei. – Me solta, tá? Por favor.
– Opa, não temos nenhuma história porque você não quer. – Se aproximou, fazendo minhas costas baterem na porta do nosso dormitório. – Sabe disso.
Talvez eu fosse fraca ou Brooke Maxwel fosse mil vezes mais irresistível quando está mais perto. Coloquei minhas pernas sobre sua cintura e encarei aquelas órbes tão azuis quanto o oceano. Quase cai para trás ao sentir a porta ser destravada, porém o loiro me segurou e deu uma risadinha.
– Acho que quero começar uma história com você. – O beijei de leve. – Tão boa quanto a do livro.
– A nossa história será mil vezes mais incrível que a do livro. – Sorriu, retribuindo o beijo.
– Você realmente leu o livro inteiro?! – Tombei a cabeça para trás, dando uma risadinha. – Ou leu apenas a sinopse?!
– Mas é lógico que li o livro todo! – Falou, sobre o meu pescoço. – Quando se trata de você, Lauren Vaughan, eu tenho que saber de tudo.
[...]
03h40 AM – Talvez eu soubesse exatamente os riscos que corria estando na cama de cima com Brooke Maxwel. Mas eu não ligava nem um pouquinho. As coisas aconteceram tão rápido, que nem me dei conta de que já estávamos na parte de cima da cama. O loiro não hesitava em me beijar, mesmo que estivesse quase desmaiando de febre.
– A-acho que a enfermeira pediu que descançasse. – Disse, ofegante. – Não está fazendo isso. – Afastei os fios loiros que insistiam em grudar em sua testa. – Logo logo nem terá mais forças para fazer isso! – Brinquei.
– Isso é uma desculpa idiota para fugir?! – Sorriu torto. – Ou realmente se preocupa comigo? – Me apertou mais contra si.
– Talvez eu me preocupe. – Ergui uma sobrancelha, sorrindo. – Mas só talvez...
Pude ouvir uma risadinha boba escapar pelos seus lábios. O seu cheiro era tão incrível que eu mal conseguia raciocinar.
– Você fica linda com a minha blusa do time. – Sorriu. – Mas deve ficar muito melhor sem ela!
Só aí me dei conta de que a blusa que eu vestira na pressa, para levar o loiro a enfermaria, era do time de futebol da Eastern. Ela ficava larga e cabia duas de mim ali, sem problema algum.
– Me diga dois motivos para eu tirar a blusa na sua frente. – Provoquei, mordendo os lábios. – Se conseguir me convencer, a blusa é toda sua. – Me sentei sobre o seu quadril, esperando alguma resposta.
– Vamos lá, você quem pediu. – Fingiu se concentrar. – O primeiro motivo é que se não quisesse fazer isso, não estaria aqui, comigo. – Encarou minhas órbes, enquanto eu analisava sua expressão divertida. – E a segunda, é que você não resiste a Brooke Maxwel.
Segurei na ponta da blusa, com as duas mãos, a arrancando do meu corpo. Agora, meu sutiã preto, com rendinhas na borda estava exposto. O loiro se divertia a cada gesto meu.
– É, acho que te convenci. – Erguiu uma sobrancelha, parecendo contente.
– Achei que garotinhas não subiam na cama de cima. – Me deitei novamente sobre o loiro. – Pelo menos, não garotinhas com juízo o bastante.
– Nós sabemos que você não tem juízo algum. – Deu uma risada e trocou nossas posições, desta vez, ficando em cima de mim.
– Nisso você tem razão. – Sorrimos.
Com certeza, eu ficaria feliz por mais um século caso alguma coisa acontecesse entre Brooke Maxwel e eu. Nada podia dar errado. Éramos nós, na cama de cima, de madrugada, apenas com as roupas íntimas. Seria minha melhor madrugada na Eastern.
[...]
– Sabe que te olhando assim, no escuro, você fica mais sexy? – Mordeu minha orelha, procurando o feicho do sutiã.
– Quer dizer que só sou sexy no escuro? – Arqueei uma sobrancelha e fingi ficar ofendida. – Acho que precisa rever seus conceitos. – Mordi os lábios, enquanto a alça do sutiã deslizava sobre os meus ombros.
– Não disse isso. – Deu uma risadinha. – Disse que fica mais sexy do que já é no escuro. – Acariciou meu cabelo, me beijando de leve. – Não que você não seja sexy quando as luzes estão acesas.
Mal pude acreditar que estávamos discutindo o quanto eu era sexy ou não. Era ridículo, mas engraçado. Não demorou muito para que meu sutiã sumisse, fazendo com que todo o resto das roupas íntimas fossem com ele. É íncrível a forma como Brooke Maxwel faz as coisas sem que você perceba.
– Prometo que cuido de você, garotinha. – Repuxou os lábios, formando um sorriso. – Vou fazer tudo com cuidado, para que você volte depois.
Dei uma risada, pensando na possibilidade de fazer isso de novo. Senti delicadeza em cada movimento que o loiro fazia. Sua pele ainda tinha aquele cheiro doce. Seu hálito cheirava a menta, e quando ele mastigava o chiclete, suas covinhas apareciam, me deixando mais nervosa ainda. Será que eu merecia tudo aquilo? Argh, é uma droga estar apaixonada!
[...]
07h00 AM – Acordei sentindo o melhor perfume doce do mundo. Brooke dormia como um anjo e mal tive coragem de acordá-lo, mas estávamos atrasados. Arrisquei um beijinho rápido, mas o loiro nem se mexeu. Perdi alguns minutos olhando para o seu rosto e lembrando de ontem, mas me senti uma boba. Maxwel faz isso com dezenas de garotas e com certeza, não envolve nenhum sentimento. Por que comigo seria diferente?
– Já acordou? – Coçou os olhos e fixou-os em mim. – Ainda está cedo, vem.
– Estamos atrasados, Maxwel. – Disse, fria. – Temos aula de biologia e não vou me atrasar mais por sua culpa.
Vi a expressão confusa do loiro e me senti mal. Depois de uma noite como a de ontem, acho que não era isso que ele esperava de mim. Mesmo assim, desci da cama e fui tomar um banho, para ver se conseguia colocar minha cabeça no lugar. A água quente me ajudava a relaxa e fazia eu me sentir bem.
Assim que sai do banho, Brooke me segurou pelos ombros e me prensou contra a parede, me fazendo olhar naquelas órbes incríveis.
– Me explica o que está acontecendo? – Ouvi ele dizer, baixinho. – Você está estranha comigo. Me diz o que foi, por favor?
Pela primeira vez, Brooke me colocou contra a parede sem segundas intenções, mesmo eu estando apenas com uma toalha enrolada no corpo. Vi preocupação nas órbes azuis, mas não estava na hora de dizer o que eu sentia, e quer saber? Talvez nunca fosse a hora de contar o que eu sentia.
– Não foi nada. – E de todas as coisas que eu tinha para dizer, “nada” foi a melhor opção.
[...]
Não sabia o motivo, mas fui chamada na sala da diretora, no meio da aula de biologia. Brooke parou por alguns segundos para olhar para mim, mas tentei não retribuir o olhar. Geralmente, éramos chamados na sala da Sra. McCoy por motivos extremos e eu mal podia imaginar o que eu havia feito.
– Lauren Vaughan. – Bateu com a caneta na mesa e analisou minha ficha de inscrição. – A única exceção da faculdade Eastern. Dormitório 108, divide quarto com Brooke Maxwel. Está correto?
Assenti.
– Deve saber que só está no dormitório masculino porque o feminino estava lotado e sua antiga escola insistiu muito para que entrasse aqui. – Suspirou. – Mas isso não será mais problema. Tem uma vaga no dormitório feminino agora. – Jogou um cartão metálico sobre a mesa. O número 124 estava estampado no cartão. Senti meu corpo tremer. – Você tem até amanhã para arrumar suas coisas e mudar de dormitório. Espero que goste da sua nova colega de quarto, afinal deve ser uma droga dividir quarto com um garoto. – Deu uma risada.
Apesar da piada ruim, peguei o cartão de sua mesa e guardei no bolso de trás. Mais do que nunca, eu me senti uma idiota por ter tratado o loiro daquele jeito. Até porque, aquela foi minha última noite dividindo o quarto com Brooke Maxwel.
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