Fix You.
29 Capítulo 29 - Bombardeada.
Notas iniciais
13h20 PM – Uma vez li em algum lugar uma frase que dizia: “Porque enxergar a verdade dói demais e enlouquece.”. Brooke Maxwel estava enxergando a verdade. Não demorou muito para que o loiro atravessasse o campus. Eu precisava pará-lo de alguma forma. As estaduais estavam em jogo e eu não queria que Connor Hayes conseguisse tirar isso dele. Mas meus esforços foram em vão. Maxwel quase passou por cima de mim.
– Não, Laurie. – Harry segurou meu braço. – Deixa ele ir. Com certeza, sabe o que está fazendo.
Tinha certeza de que ele não sabia. Estava subindo as escadas que davam acesso à sala dos alto-falantes. Encostei nos armários e baguncei o cabelo. A essa altura, não me importava nem um pouquinho com o que os outros alunos diriam. Harry Mackenzie acariciou meu cabelo.
– Eu sinto muito. – Comprimiu os lábios. – Mas às vezes, há mentiras que não funcionam.
Antes que eu pudesse me defender, o bipe dos alto-falantes soaram novamente. Talvez fosse melhor ir embora e não escutar nada do que tinham para dizer, mas eu não fugiria de mim mesma. Porque de certa forma, aquilo era exatamente quem eu era.
– Aqui é Brooke Maxwel, galera. – Suspirou. – Se você achou que eu afundaria a cara do Hayes, se enganou. Apesar de que ele realmente merece isso. Só quero esclarecer algumas coisas. – Deu uma pausa. – Não existe pessoa melhor para partir corações do que Lauren Vaughan. Ela está sendo tão babaca quanto o Hayes. E talvez seja por isso que eles se merecem perfeitamente. – Pude ouvir sua respiração descompassada. – Connor, conseguiu o que queria. Mas não tudo. Saiba que a Lauren nunca vai ser sua por inteiro, porque sei que mais de noventa por cento dela me pertence. Mas sabe o que é uma droga? Eu sou cem por cento dela. – Fungou. – Escreve isso, Vaughan. Eu vou te esquecer.
Depois daquilo, os alto-falantes silenciaram. Brooke desceu as escadas eufórico. Eu só queria poder explicar tudo, mas já havia explicado o bastante. Antes de voltar para o treino, o loiro olhou para trás. Seus olhos estavam vermelhos e sua respiração estava forte. Antes que eu pudesse falar com o Maxwel, Mackenzie puxou meu braço.
– Não vai, não. – Meneou a cabeça. – Ele não quer que você vá. E sabe? Eu até concordo com ele. – Comprimiu os lábios. – Não existe pessoa melhor para partir corações do que você.
Eu também concordava. Porque eu estava partindo, principalmente, o meu coração.
[...]
– Você realmente entregou o loiro na minha mão. – Deu uma risada. – É incrível como comete um erro atrás do outro. E eu fico feliz que seja assim. – Enrolou os fios ruivos com o dedo. – Você é fraca. Eu sabia que não iria longe demais.
Quando percebi, já estava cometendo um assassinato. Estava sufocando minhas próprias palavras. Estava matando meus sentimentos e me afogando por dentro. Não era hora de elaborar algo que calasse Megan Collins, mas era hora de apagar da minha memória algo como “escreva isso, Vaughan. Vou te esquecer.”. Dessa vez, todos estavam do lado de Brooke Maxwel. O pior é que eu também estava.
– A guerra ainda não acabou. – Arqueei uma sobrancelha. – Só estou em desvantagem.
Deu uma risada sarcástica. – Desvantagem? Você já foi bombardeada. – Se aproximou. – Boom!
Era exatamente assim que eu estava me sentindo. Bombardeada.
...
22h10 PM – Ninguém nunca havia me dito que seria fácil. É porque realmente não é. As estaduais estavam ali e eu estava no armário do vestiário masculino ouvindo sobre táticas de jogada. Eu não estava fazendo isso porque estava a fim de ver os meninos se trocarem, mas porque precisava fazer o loiro me ouvir de qualquer forma. Estava sendo evitada há uma semana e não deixaria isso como estava.
– Cara, estou muito nervoso. – Ouvi Zack murmurar para o Maxwel. – Isso está lotado!
– Eu sei que está. – Deu de ombros. – Vá na frente. Só preciso pegar minha garrafinha. Isso não vai demorar.
Ouvi os passos em direção à porta do vestiário. Senti que estávamos sozinhos ali. O que nos separava era apenas uma porta de metal. Depois de alguns milésimos de segundo, me arrependi do que estava fazendo. Não sabia o que dizer. Brooke destravou a porta. Quando me viu, engoliu seco.
– Está procurando isso? – Balancei a garrafinha no ar. – Eu só quero conversar.
O loiro não disse nada. Sentou no banco de madeira e mal me olhou nos olhos. Mas senti que aquela era uma chance de dizer tudo o que eu queria. Senti que talvez ele quisesse me escutar. Eu não queria estragar o jogo mais importante da sua vida, mas eu queria começar a consertar tudo o que estava fora do lugar. E começaria por nós.
– Eu deveria ter contado tudo o que aconteceu, desde o começo. – Mordi os lábios. – Mas eu não queria prejudicar ninguém. Acontece que tudo o que eu mais sei fazer é prejudicar as pessoas e a mim mesma. – Fiquei de joelhos na sua frente. – Max, eu nunca desejei aquele beijo. Ele só... aconteceu! Connor me beijou de repente. – Acariciei sua mão, mas o loiro recuou. – Acontece que eu não sou noventa por cento sua. Eu sou cem por cento. – Franzi o cenho. – Porque eu amo você.
Brooke pareceu desabar por dentro. Eu já estava destruída e totalmente bombardeada. O loiro comprimiu os lábios e suspirou algumas vezes. Finalmente, decidiu falar.
– Eu te odeio. – Se levantou. – Mas te odeio por você fazer eu te amar tanto assim.
E aquele foi o melhor “eu te odeio” que já recebi na vida.
...
Megan Collins era uma boa animadora de torcida, mas estava se saindo dez vezes melhor nessas estaduais. Seu objetivo era chamar atenção do loiro, mas se ele não conseguia prestar atenção no jogo, quem dirá na ruiva. Brooke Maxwel errava os passes, não conseguia se concentrar e vez ou outra, olhava para mim.
– Achei que o Maxwel fosse bom nisso. – Harry sentou ao meu lado. – Ele não é tudo isso que dizem.
– Na verdade, ele é sim. – Cocei a nuca. – Só estamos em uma fase difícil. Mas acho que estraguei tudo, como sempre. – Tombei a cabeça para trás. – Essa estadual é muito importante para o loiro. Quero que dê tudo certo.
– Mas o que exatamente você tem a ver com ele estar jogando mal? – Perguntou, rindo. – Acho que pelo menos dessa vez, a culpa não é sua.
– Não dá para explicar, sabe? – Suspirei. – É que ele estaria menos distraído e mais concentrado se nada disso tivesse acontecido. Juro que estou tentando deixar as coisas melhores, se é que isso é possível.
Mackenzie assentiu, sorrindo. Depois disso, voltou a prestar atenção no jogo. O loiro finalmente havia marcado alguns pontos. Apesar de tudo, ele não parecia muito feliz.
– Achei que não falaria mais comigo. – Sussurrei. – Sei que depois das coisas que aconteceram, você me acha uma babaca.
– Eu nunca disse isso, Laurie! – Deu uma risada alta. – Só disse que você é ótima para magoar corações. E isso não é mentira. – Suspirou. – Digamos que tecnicamente, eu superei. Você ainda é incrível. – Meneou a cabeça. – Só não entendo por que trocou um cara como o Brooke por um cara como o Connor. – Comprimiu os lábios. – Então, isso te torna um pouquinho babaca sim.
Bati em seu ombro. – Eu não troquei ninguém! – Protestei. – Connor simplesmente me beijou.
– Não foi assim que me contaram. – Franziu o cenho. – Mesmo assim, ainda te acho demais, Lauren.
Antes que eu pudesse agradecer, Maxwel havia marcado mais alguns pontos. Antes de comemorar com os meninos do time, ele sorriu. Para mim. Retribui com carinho. Talvez as coisas estivessem se encaixando.
Por mais louca que fosse, eu tinha uma ideia. Por que não tentar? Todos já haviam dito algo em um alto-falante, mas eu não. Se for para ganhar a guerra, eu faria bonito. Podia estar bombardeada, mas eu me reconstruía rapidinho. Porque eu não era nada fraca. Não mesmo.
Não estava segura do que estava fazendo, mas eu sabia que o Brooke adoraria. Subi as escadas da cabine de comando do ginásio. As caixas de som estavam ligadas e eu só precisei criar coragem. Não era tão difícil assim. Sabia que com apenas algumas palavras, Brooke Maxwel perderia o chão.
– Brooke, eu amo você. – Ouvi minha voz ecoar pelo ginásio. – Sei que você vai conseguir.
Não foi só o loiro que ficou sem graça. Também perdi o chão quando vi o seu sorriso na minha direção. E mais uma vez, fui bombardeada.
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