Fix You.
24 Capítulo 24 - Literalmente.
Notas iniciais
(OneRepublic — Counting Stars)
12h45 PM – Não era à toa que o nome Brooke tinha algo a ver com quebrar, porque era isso que ele estava fazendo com meu coração. De forma alguma eu deixaria o loiro usar minha ideia de encontro perfeito para reconquistar Megan Collins. Me ajeitei na cadeira e dei um suspiro profundo. Se ele queria me enlouquecer, estava conseguindo.
– Me diga por que terminaram, Maxwel. – Pedi, fazendo um coque desajeitado no cabelo. – Preciso saber.
– Não respondeu sobre as flores. – Mudou de assunto. – Não tenho muito tempo para comprá-las.
– Tudo bem. – Me levantei, jogando a mochila nas costas. – Nesse caso, não vou poder ajudar. Pode abrir a porta para mim?
Brooke me segurou pelo pulso e arregalou as órbes azuis. Eu não sabia o que fazer. Já fazia uns bons meses que eu não via seus olhos de perto. Não daquele jeito. Cocei a nuca e tentei me concentrar. Não estava ali por nós. Não havia mais o nós.
– Se é importante, tudo bem. – Me soltou. – Senta, morena. Eu conto.
Me sentei ao seu lado e cruzei os braços. Brooke Maxwel não queria falar. O seu silêncio comprovava isso. Depois de um tempo, ele finalmente resolveu contar.
– Nós terminamos, ou melhor, ela terminou por ciúmes. – Mordeu os lábios. – De você.
Era inacreditável. As coisas voltaram a não fazer sentido. Por que Megan Collins teria ciúmes de mim? Fiquei imóvel. Não tinha o que dizer.
– E por que terminou com o Harry? – Perguntou, curioso. – Foi você, não foi?
– Infelizmente. – Franzi o cenho. – Eu enlouqueci, literalmente. Disse coisas que o magoaram. Coisas que nem ao menos, eram verdade.
– Agora faz sentido. – Bagunçou o cabelo. – Na aula de filosofia, quando ele falava com tanta convicção, era sobre vocês, não é?
Assenti com a cabeça. – Harry ficou tão cético em relação a mim. – Cocei a nuca. – Não consigo me desculpar.
– Por que disse que o amava? – Me olhou nos olhos. – Ficou claro que era mentira. Achei que tínhamos seguido em frente.
– Não, Brooke. Você seguiu em frente! – Suspirei. – Eu realmente gosto do Harry. Só que não era amor. Não era justo com ele magoá-lo, sabe? Eu nunca quis.
– Então era totalmente justo me magoar? – Me pressionou. – Não é justo também! O que sentiu pelo Harry não foi nada.
– Vá se ferrar, Brooke Maxwel! – Gritei. – Você não sabe de nada! Por que está falando de justiça comigo? – Comprimi os lábios. – Há quinze minutos atrás queria reconquistar Megan Collins, então por que está fazendo isso comigo?!
Brooke não respondeu. Se afastou de mim, até se encolher no canto do sofá. Sua respiração era pesada. Eu queria abraçá-lo, mas estava assustada. Não faria isso. Me contive e fiz o melhor que pude.
– Vou embora. – Joguei a mochila nas costas e me levantei. – Pode abrir a porta para mim?
Brooke esfregou os olhos. Com certeza, estava chorando. Tateou a mesinha ao seu lado e pegou as chaves. Não sabia o que eu tinha na cabeça quando resolvi vir até aqui. Destravou a porta, evitando me olhar. Literalmente, Brooke e eu surtamos.
[...]
13h10 PM – Harry Mackenzie me olhava descaradamente enquanto comia. Estava sozinho na mesa de frente para a minha. O sol deixava seus olhos mais claros. Eu gostava disso, mas gostava mais ainda da forma que me provocava. Brincava com a batata frita entre seus lábios, dando umas risadinhas. Se ele queria brincar, eu entraria na sua brincadeira.
Agarrei o copo de refrigerante e chupei o canudo devagar, arqueando uma sobrancelha. Sinceramente, eu estava me divertindo. Mackenzie puxou mais uma batata frita e deixou que ela pendesse em seus lábios, enquanto dava uma mordida. Lambeu os lábios, me torturando. Mordi o canudo com força e suguei o líquido doce. Harry se remexeu na cadeira.
Enquanto ria baixinho, Harry Mackenzie vinha na minha direção. Com certeza, me provocaria mais ainda, se isso era possível. O moreno pareceu gostar. Tinha certeza de que ele tinha gostado.
Encostou na minha mesa. – Até que se saiu bem com o canudo, Lauren Vaughan. – Sussurrou. – Só que aquilo tudo não era para você. Não achou que fosse, não é?
Se não era para mim, para quem mais seria? Olhei para trás. Megan Collins dava risadinhas e Harry correspondia. Acho que meu dia não podia piorar.
...
13h30 PM – Na verdade, meu dia podia piorar. Ainda mais quando eu estava sendo obrigada a olhar para a cara de Connor Hayes na aula de Química. Antes que eu pudesse piscar, ele já estava sentado ao meu lado. Literalmente.
– Como vão as coisas com o Harry? – Sorriu, jogando a mochila sobre a bancada. – Aposto que estão ótimas!
– Ainda não sabe? – Franzi o cenho e dei uma risada. – Não estamos mais juntos.
– Agora que não está mais com o Mackenzie – Deu uma pausa. –, aposto que já foi atrás do Brooke. E isso é uma droga!
Apoiei meu rosto sobre as mãos. – Se eu já tiver feito isso, não é da sua conta. – Revirei os olhos. – E por que isso seria uma droga para você? Não vai fazer nenhuma diferença na sua vida.
– Como você é ingênua, Lauren. – Ergueu as sobrancelhas. – Vai dizer que não está na cara? Sabe que eu ainda gosto de você. – Ajeitou sua touca na cabeça. – Muito.
Não consegui dizer nada. Apenas soltei o ar pelo nariz e pela primeira vez senti pena de Connor Hayes. O moreno tentou segurar minha mão, mas recuei rapidamente. Eu estava uma confusão por dentro. Quem eu queria perto, estava longe e quem eu queria longe, estava perto. Muito perto.
Às vezes, Hayes roçava sua mão na minha “acidentalmente”. Eu só queria ir embora daquela aula e ficar o mais distante possível daqueles olhos escuros. Eles me incomodavam. Connor Hayes sabia exatamente como ser inconveniente. Assim que o sinal tocou, joguei a mochila nas costas, mas antes que eu pudesse ir embora, Hayes segurou meu braço.
– Certo, desculpe. – Mordeu os lábios. – Só queria poder consertar as coisas com você. Porque Lauren, você foi a melhor coisa que já me aconteceu.
Meus lábios tremeram. Eu era tão cruel com o moreno. Connor Hayes não merecia gostar de mim.
[...]
Brooke Maxwel corria desajeitado na minha direção. Assim que parou na minha frente, pude sentir sua respiração quente bater no meu rosto. Seus olhos estavam cada dia mais azuis. Perdi a fala e todos os outros sentidos. Estava concentrada em admirá-lo.
– Estava te procurando. – Bagunçou o cabelo. – Quero me desculpar por hoje mais cedo. Não sabia o que estava fazendo. – Segurou minhas mãos. – Não queria te assustar, mas sinto sua falta. – Se aproximou devagar. – Sei que vamos conseguir seguir em frente. Só estamos nos acostumando. – Colou sua testa na minha, mas logo depois se afastou. – Me desculpe.
Eu só queria beijar Brooke Maxwel, mas ele não queria ser beijado. Pelo menos, não por mim. Percebi que o loiro estava se acostumando com a ideia de que deveria seguir em frente sem mim e não comigo. Repuxei os lábios em um sorriso falso.
– Falando em seguir em frente – Ajeitei a mochila nas costas –, conseguiu falar com a Megan?
– Quase. – Olhou para os lados e suspirou. – Ela meio que estava com outro cara.
– Uau. – Franzi o cenho. – Eu sinto muito. De verdade.
Eu não sentia muito. Brooke não conseguia enxergar o que estava bem embaixo do seu nariz. Não queria seguir em frente. Não sem ele.
– É, se eu fosse você sentia mesmo. – Comprimiu os lábios. – O outro cara é Harry Mackenzie.
Harry estava sendo idiota. Literalmente.
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