Fix You.

16 Capítulo 16 - Teoria Mackenziana


Notas iniciais
Gatinhasss [] Não demorei, dessa vez. Estava cheia de ideias - e ainda estou! - e precisava escrever logo, antes que elas acabassem. Só tenho que agradecer pelos reviews e pela paciência de vocês. Obrigada mesmo. Então, sem muita enrolação, a nossa MDC de hoje é do Imagine Dragons. Acho que já devo ter colocado essa música, mas ela combinou perfeitamente com o capítulo. Enjoooy!

(Imagine Dragons — Radioactive)

08h50 AM – Segundo dia longe da Eastern. Já fazia um tempo que não dormia em uma cama como aquela. As camas dos dormitórios me fazem dormir encolhida. O cheirinho de terra molhada indicava que havia chovido a madrugada toda. Eu gostava disso.

O espelho do banheiro mostrava uma Lauren bem menos cansada comparada aos outros dias na Eastern. Fiz um rabo-de-cavalo bagunçado no cabelo e escovei os dentes. Era estranho não estar naquele banheiro apertadinho da faculdade, mas ao mesmo tempo, era bom. Assim que sai do quarto, dei de cara com o Harry. Sem camisa, apenas uma calça de pijama.

– Sua avó quem fez?! – Deu uma risadinha e apontou para a minha blusa de tricô que eu usava para dormir. – É bonitinha.

– Bom dia para você também, Harry Mackenzie. – Cruzei os braços. – E não, não foi minha avó quem fez...

– Está certo. – Me abraçou de lado. – Vamos. Quero te mostrar uma coisa depois.

[...]

– O que quer me mostrar? – Perguntei, segurando a caneca cheia de leite. – Odeio ficar curiosa, Mackenzie.

– Vai saber, Vaughan. – Sorriu de lado, atravessando a bancada e parando na minha frente. – Está gostoso?! Leite com canela é tipo, a minha especialidade. – Deu um gole. – Meus pais sairam, então não sei fazer nada de extraordinário para comer.

Assenti. – Tudo bem.

Coloquei a caneca já vazia sobre a bancada de granito e esperei que o moreno terminasse o seu café da manhã. Assim que terminou, me puxou pela mão até uma trilha de pedra, que indicava o caminho de um lago, quase nos fundos da casa. Sentamos em um banco de madeira, bem na beira do lago.

– É lindo, Harry. – Mordi os lábios. — E tão calmo.

– É, eu sei. – Suspirou. – Quando eu ainda morava aqui, sempre vinha para a beira do lago estudar para o simulado do SAT. – Sorriu. – Graças a isso, estou na Eastern hoje.

Ficamos um tempo em silêncio. Cada um absorto em seus próprios pensamentos.

– E você? – Perguntou. – Por que não está em uma faculdade em Leeds?! Perto da sua família, perto de onde cresceu. – Repetiu a pergunta que eu fizera na tarde anterior.

– É complicado. – Encostei minha cabeça em seu ombro. – Eu morava em Leeds com a minha mãe, até ela conhecer um cara. Nunca me dei bem com ele, sabe?! – Suspirei. – Achei que se eu me empenhasse no SAT conseguiria passar em uma faculdade boa e longe de Leeds. – Senti a respiração do moreno no meu cabelo, enquanto ele acariciava meu rosto. – A Eastern não é tão longe e nem tão perto de onde eu morava, mas já serve.

– Mas e o seu pai, Vaughan?! – Beijou o topo da minha cabeça com delicadeza. – Aonde ele está?

– Eu não sei, Harry. – Me encolhi. – Sinceramente, eu não sei.

...

Fechei os olhos e deixei que o Harry continuasse acariciando o meu cabelo, como um gesto de carinho ou talvez, consolo. Não importa o que fosse, eu gostava. Sentir a brisa e o carinho do Mackenzie juntos era como se eu estivesse sendo posta para dormir.

– E o Brooke?! – Encostou sua cabeça na minha. – Sabe dessas coisas todas? Quero dizer, sobre Leeds, seu pai, sobre você...

– Não. – Permaneci de olhos fechados. – Ele não sabe de nada.

Senti que cada gesto de carinho do moreno era para amenizar as perguntas que estava fazendo, mas deixei que continuasse. Senti que mesmo assim, ele era verdadeiro.

– Então, se ele não sabe – Deu uma breve pausa. –, por que está me contando tudo isso?!

– Eu não sei, Harry. – Olhei dentro dos olhos claros. – Acho que é porque me sinto à vontade com você. – Apertei seu corpo contra o meu. – Não que com o Brooke fosse diferente, mas... – Dei uma breve pausa. – Você tem algo a mais que ele. Algo que faça eu querer mostrar quem eu realmente sou.

– Ei, isso é bom! – Sorriu e apertou minhas bochechas. – Fico feliz, de verdade.

– Mas por que está me perguntando sobre o Brooke?! – Me ajeitei em seu colo. – Isso tem alguma importancia?

– Me diga, exatamente, o que o Maxwel sabe sobre você. – Respondeu minha pergunta com outra. – Diga tudo o que lembrar.

Fiz uma careta. – Tudo bem. – Dei uma pausa para pensar. – Acho que... meu nome completo, a minha idade e também sabe que eu gosto de livros. Acho que é isso.

– A última parte sobre livros é óbvia, Vaughan. – Cruzou os braços. – Já parou para pensar que o seu namoro com o Brooke é tão superficial como o meu com a Megan?!

– Isso não é verdade! – Protestei. – É diferente. A gente só não teve tempo de se conhecer melhor, porque estavamos fazendo outras coisas.

– Qual é, Lauren?! – Bufou. – Tenho certeza que para fazer essas “outras coisas”, era necessário conhecer um ao outro antes, não acha?

Fiquei calada. Acho que o Harry tinha razão. Quando achei que não poderia ficar pior, ele continuou.

– Ele, com certeza, deve ter usado essa mentirinha do Connor como uma válvula de escape para, tipo, terminar com você. – Continuou acariciando minha cabeça. – Quero dizer, é óbvio que antes de fazer aquele escândalo no campus da faculdade, ele falaria com você em particular, antes mesmo de acreditar na mentira de outra pessoa.

– Cala boca, Harry. – Sussurrei, sabendo que tudo aquilo que ele dissera, era verdade.

– “A popularidade é uma lavagem cerebral.” – Disse, no meu ouvido. – Ei, não me olhe com esta cara. Você mesmo me disse isso.

– É muito diferente. – Mais uma vez, me encolhi em seu colo. – A Megan e o Brooke são pessoas diferentes.

– Sabe, eu tenho uma teoria para isso. – Sorriu. – Chamo de Teoria Mackenziana.

Dei uma risada e sai do seu colo.

– E como seria essa tal teoria?! – Apoiei meu rosto sobre as minhas mãos.

– Espere só um minuto aqui. – Levantou. – Já volto.

Enquanto observava o Mackenzie correndo em direção a casa, tentava absorver aquele choque de realidade que acabara de levar. É uma droga saber que o Harry está certo. Depois de dois minutos, o moreno voltou com um bloquinho de notas e uma caneta na mão.

– Certo, isso aqui são os populares. – Desenhou um círculo com a palavra “populares” no centro. – E isso, somos nós. – Rabiscou outro círculo, ao lado do anterior com a palavra “nós” no meio. – Este grupo, o dos populares, devem apenas se relacionarem com seres do mesmo grupo, e o mesmo vale para nós.

– Certo, mas o que acontece se, por exemplo, nós nos relacionarmos com o outro grupo?! – Cruzei os braços. – Não é impossível de acontecer.

– Isso acontece, Lauren. – Desenhou um coração partido no meio dos dois círculos. – E você sabe perfeitamente que é verdade.

– Tá, mas é possível que nós, o grupo menos notável se relacione com as pessoas do primeiro grupo, sem que o resultado seja esse?! – Perguntei.

– Talvez. – Tamborilou a caneta sobre o bloquinho de notas. – Mas aí você teria que se tornar um deles e é o que eu menos quero. – Suspirou. – Segundo a minha teoria, é mais provável que pessoas do mesmo grupo deêm certo juntas.

– Está certo. – Tombei a cabeça para trás, decepcionada. – Então não tem jeito, não é?!

– Infelizmente não, Lauren Vaughan. – Mordeu os lábios. – Estamos no mesmo barco.

[...]

16h15 PM – Fazia frio e eu decidi que era melhor entrar um pouco e me deitar. Mesmo que fosse boba, a teoria do Harry fazia sentido. No caso dele, não se aplicava, já que antes, a Megan também fazia parte do grupo “nós”.

– Licença, Vaughan. – Bateu na porta entre-aberta. – Trouxe chocolate quente.

Me sentei, enquanto o moreno entregava a xícara para mim. Se ajoelhou na minha frente e ficou olhando nos meus olhos.

– Desculpa se eu disse algo que te deixou assim. – Deu um gole no líquido grosso. – Só queria te proteger de certas coisas.

– Já estou grandinha, Harry. – Baguncei seu cabelo. – Mas mesmo assim, você conseguiu fazer eu entender tudo. – Dei um gole. – Você tem razão. Obrigada.

Colocou sua xícara na escrivaninha perto da cama e sentou ao meu lado.

– Não sei se você entendeu bem, mas... – Olhou para o teto. – Acho que pessoas do mesmo grupo devem se relacionar entre si.

Não deu tempo de exlicar que eu havia entendido a Teoria perfeitamente. Harry Mackenzie encostou seus lábios nos meus. Estavam quentes e tinha gosto de chocolate.

Notas finais
O que acharam?! Vem muita coisa pela frente, haha. Então, qualquer dúvida, mandem MP ou reviews. Agradeço quem chegou até aqui, mais uma vez. Espero vocês no próximo! Beijos da tia Júlia []