Fix You.
4 Capítulo 4 - Veterano babaca.
Notas iniciais
08h40 AM — O fim de semana finalmente havia chegado. Geralmente, éramos liberados na sexta a noite e retornávamos no domingo a tarde. Decidi que iria no sábado de manhã para a casa dos meus pais. Estava exausta na sexta, então preferi ficar naquele dormitório apertado com Brooke Maxwel — não que eu esteja reclamando disso. Antes mesmo de o sol aparecer, eu já estava de pé, arrumando a mala vermelha com algumas peças de roupa. Na cama de cima, o loiro dormia como uma criança. Fiz o possível para não acordá-lo, puxando as gavetas com toda a delicadeza que eu conseguia. Mas infelizmente, Brooke tem o sono leve. Coçou os olhos e os fixou em mim. Não havia luz alguma no quarto, a não ser os primeiros indícios de sol que entravam pelas frestas da janela.
- Vai ficar livre de mim o fim de semana inteiro, hein! — Disse, em um tom brincalhão. — Mal conseguiu esperar e já está arrumando as malas!
- Não é nada disso, Maxwel. — Dobrei algumas roupas e coloquei na mala. — Além do mais, um dia longe de você não é grande coisa! No domingo à tarde já estou aí, ocupando seu lugar no armário novamente. — Pisquei. — Mas e você pretende passar seu fim de semana em um quarto, na Eastern?!
- Não! — Sentou na cama e balançou as pernas no ar. — Vou para o meu apartamento, há algumas quadras daqui. Na verdade, se esticar bem o pescoço, você consegue vê-lo daqui. — Disse, olhando para a janela.
- Não sabia que você tinha um apartamento na cidade. — Disse, surpresa. — Há muitas coisas que eu não sei sobre você!
- Com um tempo, você descobre. — Deu uma risadinha. — Mas para ser sincero, eu só uso o apartamento nas férias de verão e nos fins de semana. Se for pensar bem, passo mais tempo aqui na Eastern do que em qualquer outro lugar.
- O apartamento pode ser bem utilitário quando se trata de garotas, não é? — Brinquei. — Quantas já não sonharam em estar no apartamento de Brooke Maxwel? Imagino uma porção de garotas entrando e saindo de lá todo o fim de semana.
Brooke ficou quieto, olhando seus pés balançarem no ar. Seus dedos enroscavam-se no cobertor e ele suspirou, como se estivesse se controlando para não gritar comigo outra vez. Não havia percebido se tinha dito alguma coisa que pudesse o magoar, mas quando eu ia me retratar, o loiro resolveu quebrar o silêncio.
- Por que acha que eu durmo com um milhão de garotas todos os dias?! — Finalmente levantou as órbes claras para me olhar. — Não é desse jeito, Lauren! Eu ainda me culpo todos os dias por ter trago Megan para este quarto e você achar que eu sou um completo babaca que dorme com qualquer garota do campus. — Balançou a cabeça, contrariado. — Desde que você apareceu, eu não me deitei com uma garota sequer! E não é porque eu não tenho vontade. — Seus dedos brincavam com a barra de sua blusa. — Eu sou um adolescente de dezessete anos, eu tenho vontade de fazer esse tipo de coisa todo o tempo. Mas toda vez que eu penso em tentar, eu não consigo! É como se você fizesse eu me esquecer dessas coisas. Eu só não quero parecer um idiota para você. É isso!
Arregalei os olhos, percebendo sinceridade na voz do loiro. Por mais que eu quisesse me desculpar, não conseguia pensar em algo que pudesse fazer com que Maxwel se sentisse melhor. Puxei o zíper da mala, fechando-a. Soltei o ar pelo nariz e me virei para encarar o Brooke. Cruzei os braços na altura do peito e vi a expressão assustada que Maxwel fazia. Era como se ele não quisesse ter dito nada naquilo. Seus pés balançavam inquietos no ar e ele não me olhava nos olhos.
- Desculpe. — Olhei para o teto. — Eu não fazia ideia de que minha opinião era importante para você! Aliás, tenho certeza que não sou só eu que penso em você levando dezenas de garotas para a cama. — Encolhi os ombros. — Você mesmo deixou que as pessoas pensassem isso de você.
- Quer me julgar? — Bagunçou o cabelo, irritado. — Ótimo! Então vá em frente, Lauren Vaughan. Só não se esqueça que você divide quarto com Brooke Maxwel e que sua imagem pode ficar bem arruinada por isso, já que eu sou tão ruim assim! — Deitou novamente, levando o cobertor até a cabeça.
- Eu não disse que você é ruim, cara! — Sentei na cama de baixo. — Além do mais, as pessoas sabem que apesar de eu dividir o dormitório com você, eu não tenho importância. Brigamos todo o tempo e você nem olha para mim nas aulas. — Disse, decepcionada. — Acha mesmo que eu, Lauren Vaughan, teria alguma coisa com o veterano mais desejado da Eastern?! — Disse mais para mim, do que para ele.
Eu mal podia acreditar que eu estava tendo esse tipo de conversa com o loiro. Podia jurar que por mais um pouco, eu falaria mais besteiras do que agora. Eu estava entregando meus sentimentos de uma forma inacreditável. Para ser sincera, nem eu sabia do que eu estava falando e aposto que o loiro estaria me achando uma idiota.
- Acha que eu quero brigar com você de cinco em cindo segundos? — Jogou o cobertor longe e pude ver ele ser arremessado no chão. — Eu não tenho escolha!
Quando eu achei que poderia rebater a resposta revoltada do loiro, alguém bateu na porta. Peguei meu cartão metalizado que estava em cima da mesinha e destravei a porta. Brooke analisava cada movimento meu, como se analisa o inimigo em um campo de batalha. Antes mesmo de eu puxar a maçaneta, o moreno do outro lado a empurrou, abrindo a porta por completo. Connor Hayes. Sua expressão denunciava que ele havia acabado de acordar.
- Você está bem? — Perguntou, olhando Brooke Maxwel por cima do meu ombro. — Quer dizer, você não apareceu no meu dormitório. Zack fica fora o final de semana todo, então achei que você poderia conhecer os meus livros.
Concordei com a cabeça. Connor pegou minha mão de uma forma desajeitada, mas fofa. Antes de sair, dei mais uma olhada em Brooke Maxwel. Não me preocupei em disfarçar, dessa vez. Ele parecia tão bravo, que achei que fosse explodir. Mas não me importei. Caminhei até o fim do corredor com Connor segurando a minha mão. Quarto 214.
[...]
Assim que fechou a porta atras de si, Connor parecia confuso. Sentei na cama de baixo, olhando para as minhas mãos cruzadas no meu colo. Era óbvio que eu não estava lá para ver os livros do Hayes. Brooke gritava comigo o suficiente para o dormitório masculino inteiro ouvir e o quarto 214 não ficava muito longe dali. O moreno sentou ao meu lado e novamente, segurou a minha mão.
- Você está bem? — Repetiu a pergunta. — Eu ouvi o Maxwel gritar com você.
- Estou bem, Connor. — Suspirei e evitei olhar em seus olhos. — Na verdade, está tudo bem. Acostume-se, Brooke Maxwel sempre grita comigo e estamos brigando cada vez que piscamos os olhos, por motivos idiotas.
- Ele me assustou! — Fazia pequenos círculos com o polegar sobre a minha mão. — Não se grita com uma garota como você. Não se grita com garotas! Aliás, eu fui corajoso por ter ido no seu dormitório. — Deu uma risadinha. — Brooke Maxwel disse que quebraria minha cara em mil pedacinhos se eu chegasse perto de você outra vez.
- O quê? — Soltei sua mão e fiquei de frente para o moreno. — Está brincando comigo?!
- Isso é sério, Vaughan. — Brincava com a minha franja entre seus dedos. — Mas eu não ligo. Eu até deixaria ele me quebrar, contanto que eu pudesse ficar perto de você. Eu não ligo mesmo...
Eu até poderia dizer o quanto Connor Hayes era perfeito para qualquer garota, mas estava brava demais para pensar nisso. Dessa vez, eu queria voltar naquele dormitório e quebrar a cara de Brooke Maxwel. Fico me perguntando o que eu poderia fazer, já que o loiro tem quase o dobro da minha altura. Precisava de distração, ou eu iria surtar.
- Os livros. — Disse, enquanto Connor ainda afagava meu cabelo. — Quero ver os seus livros, Hayes.
Caminhou até a porta esquerda do armário e abriu, revelando várias pilhas de livros. Era incrível a quantidade de livros que ele possuíra. Puxou uma caixa de madeira e a colocou em cima da mesinha. Os livros que estavam na caixa, eram os seus preferidos. Confesso que já havia lido metade deles, mas fingi não conhecer, pois era incrível ouvir a voz aguda do Connor explicando sobre cada um deles.
- Este eu ganhei quando tinha dez anos. — Analisou a capa e me entregou. — É incrível! Eu ainda lembro da história como se tivesse lido ontem.
Assenti com a cabeça. Para mim, nada mais importava. Eu e Connor, no meio de seus livros. Estava tudo extremamente perfeito. Por mais que eu soubesse o quanto hormônios de adolescentes são fortes, me segurei e achei que Hayes faria o mesmo. Soltou o livro que estava em sua mão, o deixando cair. Era como se ele não conseguisse parar de olhar nos meus olhos. Recuei sem perceber, até bater minhas costas na porta do armário, fazendo um rangido insuportável. Mas Connor não ligou — e nem eu. Suas mãos passeavam pela minha barriga, dentro da blusa. Percebi o quanto seus dedos estavam gelados e tremiam.
- Não tenho certeza se devo fazer isso. — Chegou perto do meu ouvido e sussurrou, com a respiração falha. — Brooke me mataria sem pensar duas vezes. E também — Colou nossas testas. -, eu não sei se você quer.
Quando eu estava pronta para beijar Connor Hayes, alguém resolveu socar a porta, como se fosse quebrá-la. Não precisava ser vidente ou ter visão de raio-x para saber quem estava do outro lado. Senti minhas bochechas corarem, mas ao mesmo tempo, senti a raiva tomando conta do meu corpo. Connor se afastou de mim e pegou o cartão metalizado em seu bolso, para destravar a porta. Como eu esperava, Brooke Maxwel estava do outro lado. Ele se apoiava com um braço no batente da porta e na mão esquerda, segurava minha mala vermelha.
- Acho que você tem que se apressar, Vaughan. — Esticou o braço, me entregando a mala. — Achei que você iria embora à exatamente, meia hora atrás.
Olhei para o relógio na parede do quarto de Connor. Eu realmente já deveria ter chegado em casa a mais de meia hora, mas eu não me importava. Brooke não tinha o direito de agir como uma babá, controlando os meus horários. Quando pensei em dizer isso à ele, Hayes colocou as chaves do seu Porsche no bolso do seu jeans e seus óculos de sol se ajustaram perfeitamente no seu rosto.
- Não tem problema. — Pegou a mala da mão do loiro, o desafiando. — Eu levo a Lauren para casa! Isso não vai demorar.
Me senti totalmente satisfeita ao ver a expressão perturbadora que Maxwel tinha no rosto. Talvez isso fosse maldade com o loiro, mas eu não ligava. Tenho certeza de que a intenção de Brooke Maxwel era atrapalhar um possível beijo entre Connor Hayes e eu. Se querem saber, ele conseguiu.
[...]
10h41 AM — Connor carregava minha mala em suas costas, enquanto caminhávamos pelo estacionamento, procurando pelo seu carro. O sol já estava extremamente forte, mas tínhamos uma brisa forte. O suficiente para bagunçar meu cabelo. Assim que achamos seu Porsche, minha mala ocupou o banco de trás e Hayes abriu a porta da frente para mim. Perfeito, pensei. Antes de dar partida no carro, deu uma risadinha para mim, como se estivéssemos fazendo alguma coisa errada.
- Não precisava fazer o que fez por mim. — Suspirei, sentindo o vento forte bater em meu rosto. — De verdade. Brooke é um babaca, mas eu sei me defender sozinha. Estou acostumada, para ser sincera.
Connor ficou uns segundos em silêncio, parecendo processar a informação. O sol batendo em seu rosto o deixava perfeito. Virou a cabeça para me olhar e sorriu, como se eu tivesse dito alguma coisa interessante.
- Não tem que se acostumar com Brooke Maxwel gritando com você! — Olhou para a estrada novamente. — Se você quiser, Zack pode dormir um tempo no seu lugar. Ele é um dos poucos que consegue lidar com o Maxwel. — Passou a mão no cabelo. — Ficaria feliz em dividir o dormitório com uma garota como você. Na Eastern, poucas garotas são assim!
- Eu adoraria estar no mesmo dormitório com você, todos os dias. — Fiz um coque no cabelo, pois o vento o deixava bagunçado. — Mas isso daria tanto trabalho. Não depende só da gente! Teríamos que falar com a Sra. Gray e levaria meses para isso ser aprovado. — Suspirei. — Vire a esquerda, por favor.
Connor assentiu e seguiu as instruções. Era uma droga saber que os pedidos para trocar de dormitório quase não eram aprovados. Teria certeza de que Connor Hayes e eu daríamos belos colegas de quarto. Paramos em frente a casa dos meus pais e o moreno não hesitou em afastar minha franja da testa e beijá-la delicadamente. Confesso que depois disso, fiquei decepcionada. Me puxou pelo queixo e beijou a ponta do meu nariz e logo em seguida, me deu um selinho rápido. Tão rápido que eu mal pude sentir a temperatura de seus lábios. Pude ouvir a porta ser destravada atrás de mim.
- Se quiser — Me olhou, sorrindo. -, posso buscar você no domingo. Não seria problema nenhum ter Lauren Vaughan do meu lado.
Assenti e disse que ligaria para ele. Saí rapidamente, puxando minha mala comigo.
Era inacreditável. Com tantas garotas na Califórnia, Connor Hayes reparou em mim...
Connor Hayes
Notas finais
3beijos e adeuxxxx ;**
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