Fix You.
27 Capítulo 27 - Outra vida.
Notas iniciais
18h40 PM – Metade da faculdade ainda falava dos meus peitos e a outra metade, observava Brooke Maxwel e Harry Mackenzie brigarem. O loiro prensava o Mackenzie contra o armário e sussurrava algo que era abafado pelos gritos de incentivo para que Brooke socasse Harry com toda força.
Empurrei os outros alunos delicadamente, tentando passar. Era fácil saber quem sairia mais machucado ali. Harry Mackenzie sangrava pelo nariz. Entrei no meio dos dois. O moreno estava em desvantagem. Ouvi murmúrios de desaprovação assim que consegui separar Brooke e Harry.
– O que pensa que está fazendo? – Segurei o loiro pelos ombros. – Quer matar o Mackenzie?
Mas que pergunta idiota. Era óbvio que ele queria matá-lo.
– Lauren, saia da frente! – Pediu, semicerrando os dentes. – Isso eu resolvo com ele. Por favor, eu não quero te machucar.
Agarrei a camisa do loiro com força, enquanto Harry tentava se manter de pé. Precisava pensar em algo que parasse Brooke Maxwel.
– Se continuar, vai parar na detenção. – Suspirei. – E com certeza, vai ser suspenso do time. Não falta muito para as estaduais, Maxwel. – Franzi o cenho. – Harry não tem nada a perder, já você tem.
Brooke relaxou os músculos. – Ele tem algo a perder. – Ergueu a sobrancelha. – Os dentes. Mas as estaduais valem mais do que isso. Não vou deixar esse babaca ferrar a minha vida.
De qualquer forma, o loiro teria que enfrentar a detenção. Os meus peitos estavam quase sendo esquecidos, mas não totalmente, porque o motivo da briga eram eles.
...
– Mas que droga, Lauren! – Afastou minha mão do seu rosto. – Isso está doendo para cacete. Pode ir mais devagar?
– Não reclama, tá? – Limpei o corte em seus lábios. – Pensasse direitinho antes de rasgar a minha blusa. Aliás, não sei por que estou aqui, perdendo tempo contigo.
E eu realmente não sabia. Depois de ter ido parar no depósito e ter meus peitos expostos para toda a faculdade, eu não tive a oportunidade de conversar com o Mackenzie. E mesmo que Brooke tivesse quebrado o moreno em dois, eu precisava conversar com ele e acertar algumas coisinhas.
– Qual é? – Fez uma careta. – Seu namoradinho idiota foi para a detenção porque fez besteira. Não me culpe. – Deu um gemido de dor. – Não toquei um dedo naquele babaca.
– Não percebe que quem estragou tudo foi você? – Esfreguei o corte com força. – Por que fez aquilo? A faculdade inteira ainda está falando dos meus peitos.
Deu uma pausa e suspirou. – Fiz porque estou sentindo a sua falta, Laurie. – Me encarou enquanto eu fazia seu curativo. – Aí, está doendo!
– Eu não ligo, se quer saber. – Cruzei os braços. – Não estou nem aí.
– Diz isso porque Brooke não bateu em você. – Se ajeitou na cama. – Ele não saiu com um arranhão! E se não ligasse, não estaria cuidando de mim.
– Eu quis dizer que não ligo para o fato de estar sentindo a minha falta. – Mordi os lábios. – E também não ligo para os machucados. Só estou consertando uma coisa idiota que o Brooke fez.
Harry agarrou a minha mão. Estava ofegante. Seus olhos verdes estavam marejados e ele não precisou dizer mais nada. Me puxou pelo braço, fazendo com que eu deitasse ao seu lado.
– Para com isso, Mack. – Suspirei. – Não vai acontecer mais nada entre a gente.
– Você ainda gosta de mim, não é? – Repuxou os lábios. – Está na cara que gosta.
Aquele moreno era impossível. Eu gostava dele, mas não da forma que ele queria. Ver aqueles cabelos escuros esparramados pela cama e aqueles olhos verdes e marejados me encarando, era incrível. Finalmente, voltava a ver o Harry como ele era antes.
– Faz aquilo que você fazia para eu dormir quando estávamos juntos? – Pediu. – Aquele carinho nas costas.
Um sorriso escapou dos meus lábios. Quando percebi, já era tarde. Acariciava as costas do moreno com as unhas. Fiz carinho até ele pegar no sono.
[...]
22h30 PM – A briga conseguiu, finalmente, abafar o assunto sobre os meus peitos. Depois disso, Harry não saiu mais do dormitório. Tudo havia ficado tão confuso durante uma semana. Eu não sabia mais o que fazer comigo mesma. Harry me queria por perto. Eu podia sentir. Só que ele não estava merecendo nada disso.
– E o treinador disse que se eu aprontasse mais uma dessas, não jogaria nas estaduais! – Brooke protestou. – Se eu não jogar, vou ter que conseguir nota extra. Isso é quase impossível, Lauren.
Estávamos deitados no gramado do campus e tudo o que Brooke Maxwel sabia fazer era se queixar sobre o maldito jogo que corria o risco de não participar. Desde que reatamos, a coisa mais emocionante que aconteceu, foi o fato de eu aparecer de sutiã no meio da faculdade, porque desde então, não havíamos transado um dia sequer.
– Olhe as estrelas e relaxe. – Pedi. – A noite está bonita.
– Não dou a mínima para estrelas, Lauren. – Bufou. – As estaduais vão garantir que eu passe de trimestre sem ter que implorar por trabalho extra. – Me olhou de soslaio. – Isso de olhar estrelinha está um saco.
Me sentei. – Sabe o que está um saco? – Franzi o cenho. – Você.
...
Não queria ouvir o loiro falando sobre futebol como se fosse a coisa mais importante da sua vida. Não aguentaria mais dois minutos. Só aí lembrei que precisava agradecer uma pessoa. Bati de leve na porta do seu dormitório. Não demorou muito e Connor Hayes estava lá.
– Lauren Vaughan na minha porta. – Sorriu. – Que honra!
Percebi que ele lia algum livro. Estava sem camisa e com um livro pendendo nas mãos. Não esperava ver cena melhor que aquela. Precisava conversar com alguém e os olhos escuros transmitiam confiança. Ele estava lá.
– Eu só vim agradecer por... – Cocei a nuca. –, você sabe. Por ter me ajudado. Então, obrigada.
– Está falando sério? – Juntou as sobrancelhas. – Só achei errado o que estavam fazendo. Achei que eu devia fazer alguma coisa. E fiz. – Encostou no batente da porta. – Fiquei sabendo sobre hoje mais cedo. Como o Brooke está?
– Não para de falar sobre o time. – Peguei o livro da sua mão e entrei. – Está chato.
Connor deu uma risadinha e fechou a porta. – Imagino. Mas ele precisa se sair bem nas estaduais agora. Senão, pode sair do time por causa das notas. Brooke não é perfeito.
– Eu nunca disse que era. – Sorri, folheando o livro. – “Eu poderia te amar em outra vida.” – Li um trecho em voz baixa. – É sério que está lendo romance?
– É como dizem. – Comprimiu os lábios. – Está na chuva, é para se molhar.
– O que quer dizer com isso? – Ergui uma sobrancelha. – Isso não tem nada a ver com você.
– Só estou dizendo que... – Sorriu de lado e abaixou a cabeça. –, estou dizendo que eu poderia te amar em outra vida. Apesar de que também estou amando nessa vida.
– Então isso é uma droga para você. – Ruborizei. – Se isso não está funcionando para você agora, quem dirá em outra vida?
– Acontece que eu não vou esperar outra vida, Lauren. – Se aproximou. – Pode ser tarde demais.
Senti seus dedos envolverem minha nuca. Sua respiração quente batia no meu rosto e aqueles lábios não estavam muito distante dos meus. Connor Hayes me beijou. Achei que aquilo só aconteceria em outra vida.
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