Fix You.
20 Capítulo 20 - Surtando
Notas iniciais
08h50 – Harry tinha razão. Depois daquela noite, estaríamos suficientemente cansados para arrumar as malas. Acordei com o moreno, no canto do quarto, derrubando algo. Terminava de arrumar a sua mala, que esquecera de arrumar noite passada. Olhei as horas no celular. Ainda era cedo, mas daqui a duas horas, estaríamos voltando para a Eastern.
– Droga, te acordei. – Coçou a nuca. – Bom dia.
Cocei os olhos. – Bom dia, Harry. – Sentei na cama. – O que foi? Que cara é essa?
Mackenzie fechou a mala e se jogou ao meu lado na cama, puxando o cobertor até o pescoço. Seu mal humor estava me contagiando. Fechou os olhos e suspirou.
– Só não quero ir hoje. – Me puxou para o lado, me fazendo deitar. – Não quero ir nunca. Só de saber que daqui duas horas, a gente pode se separar, fico mal.
– Está se precipitando. – Acariciei seu cabelo. – Nem sabemos o que pode acontecer até lá, Mackenzie. Além do mais, eu gosto mesmo de você, de verdade.
– E se não for o suficiente?! – Murmurou e se encolheu na cama. – Quero dizer, e se gostar do Brooke muito mais do que gosta de mim?
Dei uma risadinha. – Está parecendo uma criança. Vai dar tudo certo, confie em mim.
O problema é que eu não confiava em mim. Não sabia se o Brooke sentia minha falta tanto quanto eu sentia falta dele. Era óbvio que parte dos meus sentimentos eram dele. Não sabia o que fazer com o Harry. Ele também era incrível e talvez, a outra parte de mim fosse dele.
– Digamos que eu confie em você – Comprimiu os lábios –, isso seria uma garantia de que ficaremos juntos?
– Apenas confie. – Dei um beijinho em sua testa. – Mas como eu disse, não posso te prometer nada.
[...]
O caminho para a faculdade era tão longo quanto a ida para a casa de campo dos pais de Harry. Barrinhas de cereais me alimentavam a manhã inteira e me mantinham de boca fechada. Só assim, eu não magoava Harry Mackenzie com as minhas besteiras.
A velocidade da Maverick não ultrapassou vinte quilômetros por hora. E não é porque o carro era velho ou algo do tipo, é porque Harry quis que fosse assim. Calado o caminho inteiro e dirigindo na velocidade de uma lesma. Isso para mim, só queria dizer uma coisa. Medo.
– Quero usar o banheiro. – Menti. – Podemos ir mais rápido?!
– Posso parar em algum lugar, se quiser. – Disse, concentrado na estrada. – Mas não estamos perto de nada agora. Vai ter que esperar.
Isso fez com que Harry avançasse para quarenta por hora. De qualquer forma, era uma evolução. Enquanto abria a minha terceira caixinha de barra de cereais, pude ver o letreiro dourado na minha frente. Mackenzie estacionou e tombou a cabeça para trás.
– Então, já sabe o que fazer? – Perguntou, olhando para o teto do carro. – Só tem que ir lá e falar com o Brooke. Se sentir algo, acho que nossa amizade permanece.
– Por que acha? – Perguntei, com a boca cheia. – Eu tenho certeza.
– É, isso se eu não surtar com você. – Riu. – Ou então, entrar em depressão pelo termino do segundo namoro da minha vida. E talvez, o melhor.
– É sério?! – Sorri. – O melhor? Obrigada, Mack. Mas então, você também tem algo a fazer.
– Tenho? – Me olhou, confuso. – Não estou lembrado.
– Qual é?! – Bati de leve em seu ombro. – Eu não sou a única com um relacionamento mal resolvido. Quer dizer, não o nosso. Você sabe, o lance com o Brooke, mas não importa. Quero que fale com a Megan.
– Jura? – Deu uma risada. – Não confia em mim?
– O suficiente para fazer com que vá falar com ela. – Dei uma última mordida na barrinha. – Só estou dizendo que a questão aqui não é confiança e sim, certeza do que sentimos.
– Tudo bem, você venceu. – Bagunçou meu cabelo. – Vamos lá.
...
Não era tão difícil achar Brooke Maxwel na Eastern. Era como procurar galinhas em um galinheiro. Qualquer um naquela faculdade saberia onde o loiro se encontrava. E por incrível que pareça, eu estava calma. Sabia que ia confirmar apenas algo que eu já sabia. E faria isso rápido. Ou talvez não.
– Meu Deus, você é louca? – Connor me puxou pelo braço, forçando um abraço não correspondido. – Some por quase uma semana, ignora minhas ligações. Ficaria bem se soubesse que estava aqui, na Eastern, mas você não estava!
– É, Hayes. Eu não estava. – Me encolhi nos seus braços, tentando achar alguma forma de me livrar deles. – Pode, por favor, me soltar? Passei uns dias fora da Eastern e como você já sabe, não é da sua conta.
– Não precisa ser tão dura comigo, está bem? – Bufou. – Se estivesse ouvido todas as mensagens de voz que deixei na sua caixa postal, certamente estaria tudo bem agora.
– Eu ouvi. – Ergui uma sobrancelha e cruzei os braços. – E como pode perceber, não está nada bem.
Tentou dizer algo, mas parecia desconcertado. – Está bem. Talvez devêssemos dar um tempo.
Dei uma risada alta e decidi entrar no jogo de Connor Hayes.
– Tem razão. – Encolhi os ombros e assenti. – Talvez a gente só precise de um tempo.
Bati em seu ombro de leve, como um consolo falso – mas divertido. Connor Hayes era do tipo que não sabia a hora de parar. E se soubesse, talvez nem estaríamos mais nos falando.
Andei o mais rápido que pude em direção ao meu ex dormitório. Começaria procurando Brooke por lá. Não sei porque, mas aquele era o meu ponto de partida. Acho que esperava que ele estivesse deprimido pela minha perda e não quisesse mais saber de festas ou outras garotas.
Real ou não, minha ilusão era válida. Dei três batidas na porta do seu dormitório e sabia que ele estava lá. Murmurou um pouco e depois de alguns segundos, a porta foi destravada. Cueca box, o cabelo todo desajeitado e o sorriso mais lindo que eu já vi no mundo. Só para constar, aquele sorriso se apagou quando me viu.
– O que foi, Brooke? – Megan gritou, segurando parte das suas roupas íntimas. – O que pode ser tão importante que nos atrapalhou?
Meus olhos ficaram úmidos instantaneamente. Queria matar Brooke Maxwel e Megan Collins, mas primeiro, devia me concentrar em não chorar. Maxwel fechou a porta atrás de si.
– O que faz aqui? – Sussurrou. – De qualquer forma, eu não esta... Quer saber?! Eu não devo satisfações Lauren Vaughan. Não estamos mais juntos. Por que estou te explicando isso? Não faz sentido.
Brooke tinha razão. Não me devia satisfações. Mas se estava se explicando, era porque se importava. Enquanto pensava em algo que não me fizesse chorar, tentei formular uma resposta para o loiro. O que eu estava fazendo ali mesmo?
– Só vim, porque... – Eu não sabia o porquê. – me disseram que você estava me procurando.
Resposta patética. Era eu quem estava procurando o loiro. Brooke riu e olhos para os lados. Inclinou-se para frente, quase colando sua testa na minha.
– Acha mesmo que eu estaria procurando por você? – Sussurou, quase com a boca colada na minha. – Estou me divertindo muito para isso. Então, acho que já pode ir.
Desculpa horrível, resposta pior ainda. Queria dar um tapa na cara de Brooke Maxwel, mas achei que futuramente a vida faria isso. Mas caso ela não fizesse, resolvi adiantar o trabalho. Clap. Minha mão doía, mas não mais que o seu rosto. Me olhou incrédulo e entrou novamente.
Corri em direção ao meu dormitório, mas Harry me parou antes que eu surtasse. Se continuasse daquele jeito, acho que bateria na faculdade inteira.
– Ei, ei! Pode me dizer o que aconteceu?! – Segurou meu rosto com as duas mãos. – Falou com o Brooke?
Tentei parecer o mais calma possível. Não queria que Harry soubesse o que eu vi. Muito menos que a queridinha dele estava dormindo com o meu ex namorado. De qualquer forma, não jogaria a minha raiva em cima do Mackenzie. Ele não merecia isso.
– Não aconteceu nada. – Coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha. – Quer dizer, aconteceu. E eu estava te procurando.
– E então? – Me soltou. – Sentiu algo pelo Brooke?!
Sim, eu senti. Pensei. Uma raiva profunda e vontade de arracar aqueles fios loiros um a um.
– Não. – Neguei. – Não senti. Brooke Maxwel é passado.
Mackenzie sorriu. Sabia que eu não precisava perguntar se ele conseguiu falar com a Collins. Ela estava dentro do dormitório do meu ex namorado – e dentro das calças dele também –, e Harry não devia saber disso.
– Antes que me interrompa. – Me puxou pela cintura. – Eu amo você.
Não queria que o Harry dissesse, porque simplesmente não poderia dizer “eu também”. Eu não diria isso! Achei melhor beijá-lo e ocupar sua boca de uma forma muito melhor. Ele já tinha dito besteiras o suficiente.
Eu só sabia de uma coisa. Sentia algo pelo Brooke e não era só ódio. De qualquer forma, decidi que Harry faria melhor. Mas o importante era que eu ainda estava apaixonada por Brooke Maxwel.
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