Fix You.
19 Capítulo 19 - Não diga isso
Notas iniciais
6h35 AM quinta-feira. Terceiro dia longe da Eastern.
“As vezes, acho que vou enlouquecer. Sei que tem mil e um motivos para não querer falar comigo, mas você sumiu da Eastern, sem avisa à ninguém. Isso não se faz, Lauren! Já são três dias... Deve ter umas mil mensagens de voz na sua caixa postal. Se estiver ouvindo isso, já é um bom sinal. Zack diz que você vai voltar, mas eu não sei. Apenas volte. Não me deixe pior, Vaughan.”
Afastei o celular do ouvido e o desliguei. Já era a décima segunda mensagem de voz que Connor me enviara e eu não estava com paciencia para ouvir as outras. Harry dormia calmamente do meu lado, com a respiração quente batendo no meu pescoço e o braço envolvendo o meu corpo. Não queria acordá-lo com a voz chorosa do Hayes, que mandava várias mensagens de voz por dia.
Ainda era suficientemente cedo para que eu voltasse a dormir. Me encolhi entre a parede e o corpo do moreno. Pelo frio, ainda chovia lá fora. E antes mesmo que eu pudesse perceber, já havia dormido.
...
Beijinhos quentes e molhados eram distribuidos sobre o meu ombro. Pude ouvir uma risadinha atrás de mim. A luz forte do sol invadia o quarto.
– Bom dia, Laurie. – Disse, com os olhos verdes sobre mim. – Acho que dormimos demais.
– Que apelido ridículo, Harry. – Me revirei na cama. – De onde tirou isso? Não tenho mais três anos.
Mordeu os lábios. – Desculpe. – Apertou meu nariz de leve. – É só que ainda estou muito feliz por ontem.
Me senti estúpida por ter tratado o Mackenzie daquela forma. Acho que passei tempo demais ouvindo a voz do Connor e isso me afetou. Fui acordada da melhor forma possível e nem sequer, tinha que me vestir para assistir qualquer aula na Eastern, estava dormindo em uma cama de verdade. Não tinha motivos para reclamar.
– Droga, me desculpe. – Cocei os olhos. – Estou de mal humor, Hazza. Só isso.
– Hazza. – Repetiu e me puxou para o seu colo. – Eu gostei.
[...]
– É incrível como estar aqui, em Oxfordshire, me trás paz. – Disse, acariciando meu cabelo. – Estava precisando mesmo vir para cá.
– Tem razão. – Me ajeitei em seu colo, enquanto olhava para o céu. – Faz muito tempo que não tenho essa sensação.
Soltou o ar pelo nariz. – Laurie, me promete uma coisa? Mas tem que ser de coração. – Entrelaçou nossos dedos. – De todo o seu coração.
– Bem, eu não sei o que é, mas... – Dei uma pausa. – tudo bem, não deve ser nada demais. Tá, eu prometo.
– Se, caso, isso aqui acabar mesmo – Suspirou. –, me prometa que vamos continuar sendo grandes amigos.
– Mas é claro que vamos, Harry. – Mordi os lábios. – Não precisa de promessas para isso. Tenho certeza de que vamos.
– É uma droga, mas eu meio que acabei de apaixonando por você. – Sorriu. – E não foi a três dias atrás. Foi na Maverick. – Coçou a nuca. – Me apaixonei de verdade. Não foi como o Brooke. E o Connor nem conta, porque ele não é apaixonado. Só é chato.
Dei uma risada e deixei que o moreno continuasse. Era bom ouvir aquilo. Sua risada misturada com a minha, era como melodia.
– Era estranho, porque quando te chamei para vir comigo até Oxford, achei que não aceitaria. – Afagou meu cabelo. – Juro que só queria te conhecer melhor, mas meus sentimentos sairam fora de controle. Era como se eu não mandasse mais em mim.
– Sei como é isso. – Fazia carinho nas costas da sua mão. – Mas não se preocupe se esse é o nosso penúltimo dia longe da faculdade. Não importa o que acontecer quando chegarmos, só quero que saiba que eu sinto um carinho muito grande por você. – Encolhi os ombros. – Nada pode mudar isso.
– Laurie, eu te am... – O interrompi, antes que ele pudesse terminar o que ia dizer.
– Não, Harry. – Coloquei o dedo indicador sobre o seus lábios. – Não diga essa droga.
...
E pela segunda vez na semana, eu usava vestido. Olhei pela janela do quarto. O gramado era ocupado por muitas pessoas bem vestidas, sorrindo e com taças na mão. É isso que o natal faz com a gente. O pôr do sol se destacava na beira do lago.
A decoração estava impecável. Luminárias e velas, mesas com frutas e algumas comidinhas de natal. Dei um pulo para trás, quando senti um beijo na minha orelha.
– Você me assustou. – Cocei a nuca, que estava arrepiada. – Harry, não esperava que o resto da sua família fosse tão grande.
– Uau, vestido outra vez. – Me abraçou. – Esse fica ainda melhor. Sempre vou ficar surpreso quando te ver assim. Melhor que isso, só sem o vestido.
Bati de leve em seu ombro. – Acho bom se controlar.
– Tudo bem, juro que vou tentar. – Deu uma risada. – Vem, a gente tem que descer.
Assenti e segurei forte em sua mão. A casa também estava cheia. Crianças correndo e esbarrando na árvore de natal, adolescêntes entediados e toda aquela coisa de natal. De qualquer forma, era bom ter um natal de verdade. Em Leeds, eu não tinha isso.
– Querida, você está linda! – Karen beijou minha bochecha. – Com licença.
Karen foi em direção ao gramado desviando das crianças e brinquedos no chão. Acho que era complicado dar atenção para todas aquelas pessoas. Não sabia o que fazer, ou o que falar. Tudo estava acontecendo muito rápido. Namoro experimental, conhecer a família e passar o natal com eles. Se nada daquilo desse certo, não era justo com o Harry. Ele estava se esforçando muito mais do que eu.
– Lauren, essa é minha tia Katherine. – Mackenzie disse, enquanto beijava sua tia na bochecha. – E tia, essa é a minha namorada, Lauren.
A mulher alta, de olhos claros e cabelos loiros me abraçou e beijou minha bochecha de leve. E essa foi a primeira de muitas tias e tios, primas e primos que me foram apresentados. Meus pés doiam naquele salto, depois de percorrer o gramado inteiro para conhecer a família do moreno.
– Muita gente, não acha? – Perguntei, enquanto caminhávamos em direção ao banco de madeira na beira do lago.
– Acho sim. – Sorriu. – Tem gente de Londres, aqui de Oxford, de Manhatthan e até de Leeds.
Ficamos um tempo em silêncio. Eu estava pensando que, depois de tudo isso, nosso namoro podia acabar. Estávamos indo bem, eu acho. Só não sabia como reagiria se vesse Brooke Maxwel outra vez. Aqueles olhos e todo o resto. Os cabelos dourados, quase de anjo, ainda mexiam comigo. O jeito dele e ele em si, mexiam comigo.
– Laurie?! – Harry me chamou, fazendo com que eu voltasse a atenção para ele.
– Aqui, Mackenzie. – Encostei minha cabeça em seu ombro. – Pode falar.
– Isso aqui deve terminar por volta de duas da madrugada. – Comprimiu os lábios. – Estaremos cansados, então acho melhor subir e arrumar a sua mala. Iremos embora amanhã de manhã. – Suspirou. – Acabou os três dias. Temos que voltar para a Eastern.
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