Fix You.
18 Capítulo 18 - Preenchendo vazios
Notas iniciais
18h40 PM – Garfos batendo nos pratos, molho de tomate voando na toalha de mesa branca, Ethan me olhando por cima das lentes grossas e silêncio. Talvez aquela situação fosse tão constrangedora quanto sair nu na rua. Aos poucos, os pais do Harry sairam da mesa. Depois de um tempo, eram apenas eu e o Mackenzie.
– Vamos subir também? – Limpou a boca com o guardanapo. – Precisamos descansar.
– Tem razão. – Encolhi os ombros. – Depois de amanhã só nos restam dois dias.
Harry sentou na bancada e me puxou pela cintura. Mordia os lábios, como se estivesse nervoso.
– Não me lembre, por favor. – Beijou o topo da minha cabeça. – Você está comigo até por os pés na Eastern. E quem sabe, mesmo depois disso estaremos juntos, não é? – Acariciou meu ombro. – Só não conte os dias, por favor.
– Juro que não fiz por querer. – Cocei a nuca. – Não estou contando os dias, só quero que passem bem devagar, para que possamos aproveitar cada um deles.
Mackenzie me abraçou, enquanto eu sentia sua respiração quente na minha nuca. Colocou meu cabelo atrás da orelha e delicadamente, beijou meu pescoço, descendo até o ombro. E por questões de segundos, sua boca já havia alcançado a minha.
– Fica? – Pediu, com a boca colada na minha. – Não precisa ir...
– Vou tentar, eu prometo. – Respondi, de olhos fechados. – Só não posso garantir nada, desculpe.
Ficamos um tempo sentindo a respiração quente um do outro. Eu não queria ir embora. Não agora. Três dias não é o suficiente para se apaixonar por alguém, é? Talvez não. Não quando você ainda é apaixonada por Brooke Maxwel. Minha relação com o loiro é muito melhor do que com o Mackenzie – em todos os sentidos. Mas não posso reclamar, porque Harry e eu temos apenas algumas horas de namoro e além do mais, eu não deixei que as coisas evoluissem mais do que isso.
[...]
20h30 PM – A cama era suficientemente grande para duas pessoas. Minha mala estava no canto do quarto quase escuro. Harry e eu nos enroscamos no meio dos lençóis e cobertores. Chovia lá fora. Mackenzie vestia apenas sua habitual calça de moletom.
– Sua mãe é sempre assim?! – Brincava com seus dedos entrelaçados nos meus. – Quero dizer, liberal.
Harry deu uma risadinha e soltou o ar pelo nariz. – Não. Na verdade, isso aconteceu desde que eu a Megan... você sabe.
– É, eu sei. – Revirei os olhos e ri. – Mas como, exatamente, a Megan a deixou assim?
– Não foi a Megan. – Fazia movimentos circulares com o polegar na minha bochecha. – Foi eu. É só que minha mãe adorava a Collins e quando terminamos, ou melhor, quando ela terminou comigo, eu não parei de estudar. – Suspirou. – Eu estava péssimo. Não aceitava aquela situação, então minha mãe achou que eu precisava de alguém para preencher o espaço que ela deixou.
Enquanto Harry falava sobre a Megan, percebi que seus olhos ainda brilhavam. O que estávamos fazendo juntos naquela cama, com as pernas enroscadas e as mãos entrelaçadas? Isso estava errado. Meu lugar não era ali. Mackenzie sabia muito bem que eu só estava ali para preencher um espaço que ainda estava vazio. Pude sentir uma pontada de ciúmes e de raiva, também. Não era justo comigo.
– Era para eu ser esse alguém que iria preencher o espaço que a Magan deixou?! – Sentei na cama e senti meus olhos ficarem úmidos. – Porque se for, eu não sei se consigo.
– Era só o que a minha mãe achava. – Sentou do meu lado e bagunçou o cabelo. – Na verdade, ela estava desesperada para que eu encontrasse alguém e ficasse bem.
– Pelo jeito, não era só ela que estava desesperada. – Funguei. – Não sirvo para preencher buracos, Harry. Não mesmo. – Olhei para o teto. – E sabe o que vai acontecer? Assim que chegarmos na Eastern, você vai ver a Collins e estragar essa semana que passamos juntos. – Suspirei. – É isso que vai acontecer.
Esperava que o Mackenzie me confortasse e dissesse que não iria acontecer nada daquilo e que ficaríamos bem juntos, mas não ouvi nada. Olhei para o lado e o vi encolhido entre a cama e a parede, sem ao menos, me olhar.
– Está certo. – Levantei da cama, limpando as lágrimas. – Acho que não é muito tarde para ir embora.
Harry levantou a cabeça, para finalmente, me olhar. – Está falando sério?
– Estou. – Encostei na parede e fechei os olhos. – Não vou conseguir dividir uma cama com você, sabendo de tudo isso. – Suspirei. – Sabendo que ainda gosta da Megan.
– Pode dormir no quarto de hóspedes, se quiser. Amanhã você vai. Está tarde. – Mordeu os lábios. – Mas e a teoria?
– Que se dane essa teoria idiota, Harry! – Gritei, indo em direção ao corredor. – Está mesmo preocupado com essa droga? Porque eu não estou aqui para ser cobaia de uma teoria ridícula e para preencher vazios.
– Espera, sério. – Encostou no batente da porta. – Volta. Dorme aqui. Não estou preocupado com a teoria, estou preocupado com você. – Coçou a nuca. – Vai se decepcionar voltando para a Eastern amanhã.
– Não, Harry. – Apertei os lábios. – Vou me decepcionar ficando aqui, com você.
Mackenzie olhou para o chão e suspirou. Talvez não soubesse o que dizer. E nesse momento, era melhor que ele se calasse. Enquanto eu arrastava minha mala pelo corredor, Harry a segurou.
– Não, hoje você vai dormir comigo. – Ergueu uma sobrancelha. – Está sendo boba.
– E você está sendo idiota. – Cruzei os braços. – Vai me obrigar a dormir com você?
Minha pergunta ficou sem resposta. O moreno passou por cima da mala e me pegou no colo. Óbviamente não ligava para as minhas mordidas no seu ombro e nem para os arranhões no seu pescoço. Me jogou na cama e trancou a porta do quarto.
– Agora você não sai. – Sorriu. – Estava daquele jeito por ciúmes, Vaughan?!
– Não tenho ciúmes de você. – Engoli seco. – De jeito nenhum.
– Então o que foi aquele showzinho de “vou embora daqui.”? – Ajoelhou-se na minha frente. – Para mim foi ciúmes.
– É só que você ficou em silêncio quando eu disse que você estragaria nossa semana juntos, quando voltássemos para a Eastern. – Sussurrei. – Achei que ainda gostasse da Megan. Você gosta, não é?
Mackenzie deu uma risada. – Você entendeu errado. – Acariciou minha bochecha. – Estava calado, porque estava tentando não rir do seu ataque de ciúmes.
– Mas eu não... – Enquanto tentava protestar, fui interrompida.
– Shiu, não diz nada, não. – Me beijou. – Acho que consegui o que eu queria.
Delicadamente, me fez deitar na cama, subindo em cima de mim. Parte de mim, queria resistir, mas a outra parte pedia que eu me entregasse. Fechei os olhos, enquanto Harry beijava meu pescoço. Sentia sua pele quente sobre a minha.
Era como estar embriagada ou dopada. A única diferença é que mais tarde, eu lembraria daquela noite. Antes mesmo de abrir os olhos, percebi que meu pijama havia sumido. Mackenzie mordia meu lábio inferior de leve. Minhas unhas arranhavam suas costas com carinho.
Senti uma vibração embaixo do travesseiro. Um, dois, três toques. Joguei o travesseiro para longe e tateei os lençóis bagunçados ao meu lado.
– Não, não atende. – Harry pediu, ofegante. – Seja o que for, não é importante.
Antes de desligar, dei uma espiadinha no identificador de chamadas. Connor. Mackenzie tinha razão. Não era importante.
Segurava e apertava a minha cintura com força, como se eu pudesse fugir a qualquer momento. Mas talvez aquilo não fosse medo, fosse tesão. Desabei em cima do seu corpo, respirando fundo, enquanto sentia suas mãos acariciarem minhas costas.
– Não acredito que fizemos isso. – Sorri. – Se pretende terminar todas nossas brigas assim, acho que podemos brigar todos os dias.
– Com todo prazer, Vaughan. – Afagou meu cabelo. – Você é incrível. Melhor do que eu pensava.
– E você também não é nada ruim, Mackenzie. – Mordi a almofada do polegar, sorrindo. – Obrigada.
– Disponha, Lauren. – Respondeu, dando uma risada gostosa. – Lauren Vaughan Mackenzie.
E por um segundo, desejei que aquela fosse a minha primeira vez.
Fale com o autor