Fix You.
12 Capítulo 12 - Enganando a si mesma.
Notas iniciais
(Up In The Air — 30 Second To Mars)
10h50 AM – Eu não me importava nem um pouco se os band- aids me incomodavam ou se os curativos na testa faziam minha pele coçar. O que mais me irritava era o fato de deixar Brooke Maxwel no hospital, sem mim – literalmente -, sozinho. Decidi mentalmente que iria visitá-lo todos os dias, assim que pudesse. Mesmo que fosse contra sua vontade. Era inevitável, nossos corpos se necessitavam. Não havia menor chance de afastamento imediato. E nem que fosse aos poucos. Simplesmente não aguentaríamos ficar longe um do outro.
No banco do motorista, Connor cantava alguma música lenta que tocava no rádio do seu pequeno carro popular. Gostava disso no Hayes. Para ele, tudo devia ser tão simples que estava perfeito. Seus dedos tamborilavam no volante, enquanto o vento forte bagunçava seu cabelo castanho-escuro. Minha cara não era das melhores e isso era evidente.
– Qual é, Lauren? – Me olhou por cima dos óculos escuros. – O dia está lindo. E você também. – Deu uma risadinha. – Desculpe a piadinha boba, só queria te ver sorrir.
Dei de ombros. – Desculpa eu, Connor. Só de pensar em rir, dói tudo. – Brinquei com a barra do vestido. – Fiquei tão insensível depois que saí daquele hospital. Mais precisamente, daquele quarto ao lado do meu.
Connor estacionou o carro em frente a uma cafeteria. A minha preferida.
– Vamos, desce aí. – Desligou o carro e colocou as chaves no bolso. – Hoje, você fica feliz nem que seja à força.
[...]
– Vai querer o quê? – Connor perguntou, se apoiando sobre o balcão. – Deixa eu adivinhar. Um cappuccino? Chocolate quente?
– Errado. – Cruzei os braços. – Café amargo.
Hayes suspirou. – Dois cappuccinos de chocolate, por favor. – Assim que pediu, segurou minha mão e me conduziu até uma mesa vazia.
– Por que não posso simplesmente tomar um café? – Fechei a cara.
– Porque não é isso que você quer, Lauren. – Colocou suas mãos sobre as minhas. – Como melhor amigo, sei perfeitamente que você odeia café. Está querendo enganar a quem? – Olhou no fundo dos meus olhos. – A você mesma? Não seja tão dura consigo mesma.
– Quem é você para falar sobre enganar a si mesmo? – Cuspi as palavras, irritada. – Não quer ser apenas meu amigo, Connor Hayes. – Cruzei os braços. – Não é isso que você quer. Está querendo enganar a quem? Não seja tão duro consigo mesmo. – Ergui uma sobrancelha.
Totalmente desconcertado, percebi o moreno ruborizar. Não sei ao menos o porquê, mas fui grossa. Grossa o suficiente para fazer o Hayes engasgar com a própria saliva e tossir algumas vezes.
– Desculpe, mas não estamos falando de mim, Lauren. – Suspirou. – E mesmo que fosse, já me conformei com o fato de ser apenas seu melhor amigo. – Tirou rapidamente suas mãos de cima das minhas. – Se é o máximo que eu posso ser, é isso que eu vou ser.
E antes que eu pudesse responder algo, o moreno se levantou para buscar nossos pedidos no balcão. Colocou um cappuccino na minha frente e depois, se sentou.
– A intenção não era ser tão grossa com uma pessoa que só quer me ajudar. – Sussurrei, sem graça. – Só não me conformo em ter que me afastar do Brooke. Mesmo que ele tenha colocado minha vida em risco, batido o carro em sei lá o que e blá blá blá. – Suspirei.
– Vai ser melhor para todo mundo, Vaughan. – Brincava com o canudo nos lábios. – Quando for o momento, ele irá te procurar.
– Está brincando, não é?! – Dei uma risada sarcástica. – Melhor para todo mundo? Todo mundo quem, Hayes?! – Apoiei meus braços na mesa e cheguei mais perto do moreno. – Melhor para você? – Sussurrei. – Esquece.
– Não estou pedindo uma chance. – Deu de ombros. – Brooke irá te procurar quando ele quiser. Aceite isso.
– Não é isso que ele quer, Brooke. – Dei um gole no cappuccino. – Não é você mesmo quem vive dizendo que não devemos tentar enganar a si mesmo? – Ergui uma sobrancelha. – Pois então...
[...]
11h50 AM – Já fazia algum tempo que não ia à faculdade. Sentia falta de tudo aquilo, principalmente do meu dormitório. Connor e eu viemos o caminho todo calados. Às vezes, ele me olhava rápido pelo retrovisor do carro e suspirava. Sabia que por algum motivo, Hayes estava chateado comigo. Mesmo com toda a minha resistência, eu ainda queria ser amiga de Connor Hayes. Talvez só precisasse de espaço.
Estacionou o carro perto da entrada da faculdade e me ajudou com a pequena mala de roupas. Era estranho como as pessoas me olhavam, mas decidi deixar os julgamentos para outra hora e me preocupar com Brooke Maxwel.
– Precisa de mais alguma coisa? – Perguntou, ríspido. – Se não precisar, nos encontramos no refeitório, então...
– Não, estou bem. – Respondi, evitando olhar em seus olhos. – Obrigado.
Assim que passei o cartão de acesso na porta do meu dormitório e a porta destravou, percebi que o quarto estava vazio. Provavelmente, Megan deveria estar no refeitório. Minha cama estava exatamente da mesma forma que eu a deixara da última vez que estive na Eastern. Pouca coisa havia mudado. Talvez isso fosse bom.
Apenas coloquei a mala em cima da cama e fui encontrar o Connor, no refeitório. Antes mesmo que eu pudesse passar pelo portão principal, senti alguém me segurando pelo braço.
– É uma pena que tenha sofrido esse acidente. – A reconheci pelos longos cabelos ruivos. – Mas com certeza, deve estar preocupada com outra coisa agora. – Megan suspirou.
Cruzei os braços. – Do que está falando, Megan?!
– Querida, não sou só eu quem está falando. – Deu uma risada. – Mas sim a faculdade inteira. – Jogou a franja para o lado, me deixando irritada. – Qual é?! Vai dizer que ainda não sabe? – Deu uma pausa. – Sim, é sobre o Brooke ter rompido com você.
– Mas não rompemos! – Arregalei os olhos. – Estamos juntos e... – Fui interrompida.
– Sinceramente, você não me deve satisfações. – Suspirou. – Aliás, não estou nem aí se estão juntos ou não. Brooke Maxwel é passado para mim. E você, querida, deveria fazer o mesmo. Apenas aceite.
Eu queria dizer algo como defesa, mas não podia. Não tinha o que dizer. Talvez Megan estivesse certa. Talvez a faculdade inteira estivesse certa. Brooke não disse que rompemos, mas também não disse que estávamos juntos.
Precisava ouvir isso da boca do próprio Brooke Maxwel.
[...]
– Me leve até o hospital. – Disse, ofegante. – É urgente, Connor!
Tirou os olhos da comida e os direcionou para mim. – Se for para ver o Brooke, esqueça. – Voltou a mexer na comida com o garfo. – Já disse que vai ser melhor se afastar por um tempo, como ele mesmo pediu.
– Não é nada disso. – Fiz uma careta. – E-eu estou sentindo dor no braço. Acho melhor ir ao hospital. Não sei o que pode ter acontecido.
– Vá para o carro. – Levantou, tateando os bolsos. Estava sem as chaves do carro. – Chego lá em um minuto!
Sabia que não seria fácil fazer o Connor desgrudar de mim. Mas não importava, eu só precisava ver Brooke Maxwel.
Assim que cheguei ao estacionamento, o moreno correu, balançando as chaves do carro no ar. Me sentia mal por estar mentido para ele, mas se eu não fizesse isso, quais seriam as minhas chances de chegar naquele hospital sem a ajuda do Connor? Provavelmente, nenhuma.
– Aonde dói? – Perguntou, colocando as chaves na ignição. – Dói muito?!
– O braço dói. – Me encolhi no banco. – Na verdade, o pulso dói mais.
Cada vez mais, eu ia me afundando nas minhas próprias mentiras. Não gostava da ideia de deixar o moreno preocupado e mentir para ele dessa forma. É errado, eu sei, mas talvez um dia ele entenda.
Antes mesmo que Connor pudesse parar no estacionamento do hospital, eu já estava fora do carro. Corria como se estivesse participando das olimpíadas. Se existia qualquer resquício de dor no braço, ela havia sumido. O que doia agora, era a conciência e o coração.
E lá estava a porta branca. Ao lado do meu ex quarto de hospital. Mesmo odiando aquele cheiro de soro, eu precisava ver o Brooke. Antes que Connor pudesse me alcançar, resolvi entrar no quarto de vez.
O loiro estava quase recuperado. Os olhos haviam ganhado o mesmo brilho quando o vi pela primeira vez, porém assim que me viu, o brilho em suas órbes azuis se apagaram. Sua expressão empolgada, havia se desfeito.
– O-o que faz aqui?! – Engoliu seco. – Como entrou aqui?
– Vim te ver. – Tentei conter as lágrimas. – Prometi para mim mesma que não te deixaria um dia sequer sem mim. Mesmo que estivessemos rompido. – Senti um nó se formando em minha garganta. – Mas agora, eu não sei. Não sei se é isso que você quer. – Olhei para os meus pés. – N-nós ainda somos um só?! Quero dizer, nós rompemos?
– Não sei te dizer, Lauren. – Fechou os olhos e suspirou. – Não sei mesmo. Deixe as coisas se acertarem por si só. Deixe eu voltar para a Eastern e conversamos, está bem?!
Não está nada bem, Brooke. Pensei.
– Sim. Tudo bem. – Mordi os lábios. – Acha que vai demorar muito para sair daqui?! Não posso inventar dores sempre que quiser te ver. Vão começar a desconfiar. – Dei uma risadinha.
– Um ou dois dias, talvez. – Sua expressão continuava gélida.
Ouvi a porta atrás de mim ser destravada e novamente, senti vontade de correr. Tarde demais.
– Dor no braço, não é Lauren?! – A voz de Connor era tão sarcástica quanto sua expressão. – Quer saber de duas coisas que irão doer de verdade? – Perguntou, bravo. – Seus pés, quando estiver voltando de pé para a Eastern e sua conciência, quando perceber que a nossa amizade acabou. – Saiu, batendo a porta.
Senti meu coração se partindo em mil pedaços. E nem era pelo fato de ter que voltar de pé para a Eastern, mas sim por perceber que Connor Hayes era mais importante do que eu imaginava.
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