Fix You
13 Seu coração
CAPÍTULO TREZE — SEU CORAÇÃO
Ele acariciou o rosto delicado da rosada que o olhava perplexa por tal atitude do marido, seu coração estava disparado e confuso ao mesmo tempo, tentando decifrar o que se passava pela mente daquele homem.
— Se recomponha, estarei te esperando do lado de fora. — Disse antes de sair do banheiro e jogando uma piscada para ela.
Então ele se foi deixando uma Sakura confusa para trás, como ele podia mudar de humor tão rapidamente? Agora pouco estava descontrolado e depois como se nada tivesse acontecido, a rosada sentia que ele apenas queria brincar com ela para fazê-la se afastar de Itachi, mas ela não queria se afastar de Itachi, pois, diferente de Sasuke, sentia-se segura ao lado dele e não como seu coração fosse explodir por apenas algumas trocas de olhares.
Sakura caminhou até o espelho ajeitando seu cabelo e vestido para logo sair daquele local e assim que saiu, Sasuke, estava do lado de fora do banheiro, esperando com um sorriso um tanto amigável.
— Vamos?— Perguntou, oferecendo o braço no qual a rosada levou um tempo a decidir se aceitava.
Eles caminharam pelo salão atraindo os olhares dos convidados e um deles se aproximou, apresentando e dizendo que trabalhava em um dos jornais mais famoso de Konoha.
— Sei que estamos no aniversário da sua mãe, é que eu não posso evitar, são ossos do ofício, mas me daria a honra de te entrevistar?
— Claro, por que não? — Respondeu o Uchiha lhe dando um grande sorriso, apertando a cintura da esposa.
— E quando podemos marcar?
— Podemos fazer isso agora.
— Agora? — O repórter franziu o cenho — Sério?
— Sim, tem uma sala reservada ao lado.
Sakura foi guiada por Sasuke até essa sala onde pudessem fazer a entrevista. Sinceramente, ela não queria fazer isso agora, nunca havia passado por isso e o maior parecia querer fazer isso como forma de a deixar desconfortável. Ela procurou por Itachi na sala e o avistou na varanda, conversando com algumas mulheres.
Assim que entrou na sala, o casal ficou sentado lado a lado enquanto o repórter procurou pela sala para gravar já que era o único instrumento que tinha, ele parecia nervoso, não imaginava que o Uchiha iria aceitar e fazer isso tão imediatamente.
— Primeiro obrigado por conceder essa entrevista Senhor Uchiha. Bem, vamos começar, falando sobre como a empresa Uchiha, ela vem se destacando bastante, tanto dentro do Japão como internacionalmente, o que acha disso?
— É exatamente esse caminho que desejo trilhar para a Uchiha, o mercado internacional, no momento é o nosso alvo e fico feliz que meu pai tenha me deixado a cargo dessa missão.
Por longos minutos eles falaram sobre empresas e assuntos corporativos que Sakura não entendia praticamente nada. Então era assim que as esposas troféus se sentiam? Entediadas enquanto tinham que sorrir e balançar a cabeça como se entendessem do assunto?
— Agora, quero falar sobre um dos assuntos mais comentados ultimamente e que pouco se sabe: o casamento de vocês. Como se conheceram?
Sasuke se virou para Sakura que o olhava apreensiva, pois não sabia o que dizer. O moreno sorriu de volta então segurou na mão dela de uma forma amorosa, a fazendo estremecer.
— Através do meu pai, ele conhecia a família de Sakura a muito tempo e nos apresentou.
— Foi amor a primeira vista?
— Definitivamente.
A dona dos olhos verdes não queria parecer despreparada, sabia que aquelas palavras eram ensaiadas, mas, enquanto olhava para Sasuke, começava a duvidar da veracidade delas.
— E você, senhora Uchiha?
— Hum... Eu estaria mentindo se não disser que não o amo.
— Sasuke é tão reservado que foi uma surpresa ele ter se casado tão jovem e de maneira repentina.
— É que não podíamos esperar para estarmos ao lado um do outro.
— São esses seus sentimentos por ele?
— Meus sentimentos? — Ela engoliu a seco. Como poderia descrever sentimentos, sendo que tudo que sentia por ele era ansiedade, confusão e uma arritmia que não passava nunca. No entanto, havia uma pessoa que a não fazia sentir essa agonia — Me sinto a vontade ao lado dele, ele sempre me faz rir e me surpreende das melhores formas possíveis.
Apesar daquelas palavras serem ser algo que ansiava ouvir, Sasuke, sabia bem lá, no fundo, que ela não falava de si. Não entrava nessas categorias. Raramente a fazia sorrir e somente a via a vontade ao lado de seu irmão.
Sentiu seu coração se apertar, seus punhos se fecha, um nó em sua garganta se forma em sua garganta.
— O senhor ainda tem mais perguntas?— Perguntou Sasuke querendo acabar logo com aquilo
— Só mais algumas, por favor.
Depois de algumas perguntas a entrevista finalmente acabou e o que mais Sasuke queria era ir embora desse lugar, afastar Sakura de seu irmão, pois sabia que ela estava caindo nas armadilhas de Itachi. E assim se passou a festa de aniversário de Mikoto, a rosada ficou ao lado de Sasuke, pois ele não a queria perto de Itachi até ele comunicar à rosada que iriam embora naquela noite.
Quando acabou a festa, as malas da rosada já estavam dentro do carro enquanto se despedia de todos.
— É uma pena você não poder ficar mais — Lamentou Hinata dando um abraço nela — Vou sentir saudades.
— Também vou sentir, quando for a Konoha, me manda mensagem e vamos sair juntas.
— Irei fazer isso.
Após se despedir de todos, Sakura, viu Itachi em um canto mais afastado e foi até ele sem se importar se Sasuke iria ver.
— Vou sentir sua falta. — Confessou.
— Também vou sentir sua falta, garota. — Ele bagunçou o cabelo rosa dela.
Sasuke, que estava no carro, observou a cena pelo espelho do carro. Revirou os olhos, mas não podia negar que estava incomodado. Sakura estava caindo nas garras do irmão e mesmo que tentasse avisar, ela não o escutaria, pois ele era o vilão da história para ela.
— Vejo que esta conseguindo o coração dela. — Disse Madara, se colocando ao lado do sobrinho, depois do casal terem partido.
— Garotas de dezessete anos se apaixonam por qualquer um que as trate especial, mesmo quando são apenas migalhas. — Itachi sorriu de canto para o tio antes de voltar para dentro da mansão.
~*~
A viagem seguiu em silêncio, mais a mente de Sasuke estava tão barulhenta em seus pensamentos, pensando num modo de tentar conquista ela para si.
Chegaram em Konoha por volta das três e meia da manhã embaixo de muita chuva que se encharcaram ao sair do carro, em silêncio, cada um foi para seu quarto para se trocarem e descansarem, o que não durou muito, pois soou um trovão muito forte e logo todas das as luzes se apagaram e um grito vindo do quarto de Sakura fez Sasuke sair correndo até ela.
— Sakura, o que foi? Você esta bem? — Perguntou, entrando no quarto eufórico. Tentou acender a luz, mas lembrou que a energia tinha se ido.
— A luz foi embora!
— Teve sido uma queda de energia, está chovendo muito e mexeu com algo. — Disse ele, dando ideias do que havia acontecido.
— E quando vai voltar?
— Como eu vou saber?
— Eu imaginava que na casa de gente podre de rica não faltasse luz!
— Somos ricos, não somos donos da energia. O que foi? Tem medo do escuro por acaso?
— Sim, eu tenho.
Sasuke ficou parado tentando assimilar o que havia acabado de ouvir e logo caiu na gargalhada, sentiu que ela jogou um travesseiro na sua direção e imaginou a expressão de raiva que ela devia estar fazendo. Ele procurou por velas e voltou para o quarto dela, onde acendeu cinco e afastou as cortinas, deixando a mostra o quanto chovia.
— Agora não ta tão escuro.
— Aonde vai?
— Voltar para meu quarto.
— Não… Fica, por favor.
Sasuke engoliu a seco sobre aquele pedido, havia pensado bastante na volta para casa que começaria a se afastar dela e voltar a sua antiga personalidade, queria se proteger novamente, mas quando a escutava e pedia a ele com aquela voz aveludada, agora dentro de si se contorcia.
Se aproximou e sentou-se ao lado da cama, em silêncio.
O som da chuva era o único som presente ali no quarto, até mesmo o som da respiração estava preso por ambos. Sakura olhava de canto para ele, observando seus braços cruzados junto ao peito, encarando algum ponto com seriedade, não olhava para ela. Desde que voltaram, ele não olhou para ela.
— Sakura?
— Oi? — Ela estremeceu olhando para a janela rapidamente.
— Se eu te perguntar algo, vai me dizer a verdade?
— Por que eu iria mentir?
— Então você sente algo por Itachi?
A pergunta a pegou de surpresa, arregalou os olhos e começou a brinca com os dedos, nervosa.
— Quando você falou aquelas palavras para o repórter, você se referia a ele?
— … Acho que sim.
— Acha?
Ela começava a puxar os dedos com força.
— Não sei. Sei que não gosta do seu irmão, já ficou obvio que vocês se odeiam, mas… Mas eu gosto de estar com ele.
Um trovão soou e brilhou no céu, trazendo mais tensão para aquele momento.
— Não diga isso… — Sasuke murmurou.
— O que disse? — Ela indagou, não entendo o que ele havia falado.
— Não diga que ele esta ganhando um lugar no seu coração e muito menos diga que vai permitir isso…
— Por que está dizendo isso?
Sakura sentiu como se lhe colocassem sem quilos de ferro sobre a sua costa, encarou aqueles olhos negros não acreditando nas palavras no qual acabava de ouvir. Como ele pedia para seu coração ser dele, sendo que só sentia era raiva, raiva por ir adiante com essa ideia de casamento, raiva por ele lhe proibir de tudo, por lhe afastar de Sai e de Itachi.
— Por que fica me afastando de pessoas que me fazem bem?
— Deve ser porque estou gostando de você e sinto inveja que eu não consiga você se sentir da mesma forma.
Trovões, novamente, brilharam no seu e felizmente o barulho deles era tão alto quanto o coração disparado de Sakura, esta que o fitava com os olhos arregalados para ele.
— Sei que parece confuso eu dizer isso, mas eu não aguentaria ver você ao lado de Itachi mais uma vez, já não consigo mais me controlar perto de você, já deve ter notado… — Confessou dando um sorriso forçado — Quando vejo você sorrindo nos braços de outra pessoa, você não sabe que meu coração esta se quebrando, se quebrando por você não sorrir dessa forma comigo, quebrando por não conseguir te fazer feliz. Já não consigo ficar longe da sua pele, seu cheiro... Seu beijo —Revelou enquanto acariciava o rosto perplexo da rosada —Sakura... Você não percebeu que eu estou apaixonado por você?
Foi como se o mundo tivesse rodando sem parar. Sakura abriu a boca para dizer algo, mas nada saia, estava tão surpresa com as palavras de Sasuke que não sabia qual emoção sentir. As lembranças de quando estava brigando e quando Sasuke lhe beijava por sua mente a fazendo ficar mais confusa.
— Sasuke eu... — Tentou falar, confusa — Eu não...
— Me deixe tentar ganhar seu coração! Sei que não me ama, sei que ainda sente raiva de mim, mas eu prometo mudar, só, por favor, me deixe tentar conseguir seu coração.
~*~
Sakura abriu os olhos e ficou encarando o teto por algum tempo se lembrando de cada palavra de Sasuke, não esperava que isso fosse acontecer, não esperava que ele fosse se apaixonar por ela, o que a fazia sentir uma culpa enorme tomar conta de seu coração. Virou o rosto encontrando o moreno dormindo serenamente, o que arrancou um sorriso da mesma, se levantou da cama sem fazer qualquer barulho e foi em direção à cozinha.
Enquanto coava o café se recordava da noite passada, das palavras de Sasuke e de seu beijo que logo foi cessado pelo mesmo no qual a deitou do seu lado para descansarem. Estava tão imersa em seus pensamentos que só sentia uns braços lhe rodearem a sua cintura e um queixo sobre seu ombro.
— Bom dia. — Sussurrou uma voz manhosa e rouca perto de seu ouvido, fazendo-a se arrepiar.
Em um descuido, Sakura, fez respingar o café quente em sua mão soltando uma exclamação de dor fazendo Sasuke se soltar dela, pegando um pano verde com detalhes de listras brancas e colocando gelo sobre o pano, passou seu braço entorno do corpo da rosada e pressionou o pano sobre a mão da rosada.
— Ai! — Exclamou pelo contado do gelo sobre os respingos de café quente em sua mão.
— Não se mexa, o gelo vai anestesiar a dor. — Disse ele, bem perto do ouvido da mesma
— Obrigada, Sasuke-kun. — Sakura agradeceu revelando um sorriso sem graça.
— Sabe de uma coisa? Eu gosto quando você me chama de “Sasuke-kun”.
Foi difícil para a rosada não corar com tal palavra, era tão estranho ver Sasuke daquele jeito, mas não podia negar que gostava.
— Está se sentindo melhor?
Sakura concordou balançando à cabeça;
— Vamos tomar café juntos?
— Vamos! — Afirmou Sakura dando um grande sorriso, pois estava com fome.
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