Fix You
19 Antes de tudo
CAPÍTULO DEZENOVE — ANTES DE TUDO
Já era cinco e meia da tarde e Shun se encontrava no clube do livro onde havia se escrito, ia quase todas as tardes para escola onde aconteciam as reuniões. O castanho não podia negar que estava gostando de Konoha já que tinha duas amigas super legais, assim como no clube do livro onde se divertia falando do assunto que mais gostava, só havia um único detalhe que o incomodava e ele se chamava:Sai.
Shun guardou seus livros e se despediu de seus amigos que já estavam indo embora, o menor se levantou arrumando a bolsa em seu ombro, mas assim que saiu da sala sentiu seu jogado contra a parede bruscamente deixando espelhar os livros no chão.
— Olha só quem está aqui — Debochou um grupo de garotos, o grupo de Sai — Pelo visto a bichinha entrou para o clube do livro.
— Bem coisa de mulher. — Um deles comentou.
Eles se afastaram rindo, um dos garotos até chutou seus livros para longe e rindo como se fosse a coisa mais engraçada que já havia feito. Shun não se abalou, apenas deu de ombros enquanto começava a juntas seus livros.
— Você esta bem? — Uma vez gentil, perguntou, parando ao lado dele.
Shun levantou os olhos e encontrou Sai, revirando os olhos no mesmo instante e pensando que hoje não era seu dia de sorte. Então, não respondeu, apenas continuou o que estava fazendo.
— Deixa que eu te ajudo. — Sai se ofereceu, pegando os livros do chão.
Shun parou de pegar os livros, deixando Sai fazer sozinho para tentar entender o que acontecia naquele momento, Sai estava lhe ajudando? Era algum tipo de pegadinha? Após xingamentos e várias vezes sendo jogado na lata de lixo por conta da sua sexualidade, agora ele vem lhe ajuda?
— Esta aqui. — O pálido entregou os livros para Shun que saiu de seu transe
O castanho pegou os livros com rapidez para logo se vira e caminhar em direção a saída mais Sai lhe impediu o chamando pelo nome.
— O que quer?
— Eu queria... — Sai olhou para os lados para ver se tinha alguém antes de continuar — Eu queria me desculpar com você.
— O quê!?- O loirinho arregalou os olhos diante das palavras, será que aquilo era serio?
— Me desculpe por humilha e ridiculariza você pela sua... Preferência.
Shun ficou alguns segundo em silêncio observando cada expressão dela, dizer que estava surpreso era pouco naquele momento.
— Você pode falar alguma coisa? — Sai perguntou encarando o chão.
— Isso é algum tipo de pegadinha?
— Pegadinhas?
— Vai me levar para algum lugar deserto e me deixar na lata de lixo?
— Não! — Sai exclamou — Estou falando sério. É um pedido de desculpas verdadeiro, sem brincadeiras, mas não sou do tipo paciente, vai me perdoar ou não?
Shun não respondeu de início, ficou encarando o outro querendo saber se algo iria acontecer, se alguém iria aparecer. Mas nada aconteceu. Apenas Sai o encarando, esperando pela resposta mesmo não sendo paciente, ele parecia ter tempo.
— Ta, acho que sim. — Shun respondeu antes de sair correndo.
~*~
Naquela tarde, Sakura saia de seu curso de estilismo pensando que precisava comprar um vestido que fosse perfeito para seu aniversário de dezoito anos. Estava tão animada para comemorar a maior idade que só conseguia falar disso com Ino.
Ela seus fones de ouvido enquanto se concentrava em escolher uma música quando algo se colocou na sua frente.
— Itachi? — A mesma olhou confusa, vendo ele ali, na sua frente — O que faz aqui?
— O que mais eu faria na frente de um curso de estilismo, sendo que eu nem sei colocar uma linha numa agulha?
— Hum, deixa eu pensar... — Ironizou a rosada erguendo uma sobrancelha — Será que é para me ver?
A rosada sorriu resistindo aos encantos daquele Uchiha que sabia arrancar um sorriso mesmo que seja num dia triste, Itachi tinha esse poder.
— Quer toma um café? — Ele perguntou, se colocando ao lado dela.
Sakura mordeu os lábios encarando o chão, pensando se aceitava ou não? Tinha dois lados seus que a deixavam confusa, pois um lado pensava em Sasuke e o outro no quanto sentia saudades da companhia de Itachi.
Olhou para o celular e verificou a hora.
Dava tempo para tomar um café antes do motorista chegar.
— Tudo bem, mas não posso demorar.
~*~
A porta da enorme sala foi aberta com tremenda força, fazendo o barulho ecoar e Sasuke se assustar ao ver seu pai na sua frente com cara de poucos amigos.
— Pai, o que faz aqui? — O Uchiha perguntou, franzindo o olhar na sua direção.
— Sasuke, eu vou lhe fazer uma pergunta e quero que me responda com sinceridade — Disse Fugaku lançando um olhar fulminante ao filho — Você este apaixonado pela filha dos Harunos?
— Mais é claro que sim. — Respondeu como se fosse a coisa mais obvia a ser dita — Por que eu não estaria apaixonado pela minha esposa?
— Por Deus, Sasuke! — Vociferou Fugaku passando a mão pela sua face — Como pode ser tão estúpido?
Sasuke se levantou da sua cadeira indo em direção ao mais velho, pois queria entender o porquê de tudo aquilo.
— Estúpido? Do que está falando?
— Por ter se apaixonado por Sakura! — Fugaku olhou para Sasuke cheio de raiva e decepção — Sasuke eu arranjei esse casamento só por um motivo: para que aquele desgraçado do Shio Haruno sofra do mesmo jeito que eu sofri! — Fugaku disse gritando as últimas partes — Mais agora o meu filho decidi se apaixonar por essa miserável e...
— Dobre suas palavras quando for falar de minha esposa! — O mais novo advertiu, dando seu primeiro aviso. — Por acaso enlouqueceu?
— Não, eu não enlouqueci, eu tinha te dito detalhadamente o que eu queria de você nesse casamento.
— Acha que devo fazer a vida de Sakura um inferno igual você fez com a minha mãe?
Inesperadamente, aquelas palavras pegaram o Uchiha mais velho de surpresa.
— Não estamos falando de sua mãe.
— Pois agora estamos falando sim. — Aumentou o tom de voz — Você não se importa com ela, nunca se importou, nem se deu ao trabalho de aparecer no dia do aniversário dela.
— Eu estava viajando a negócios, sabe disso.
— Essa é a mentira que você diz para mesmo.
— Olha como fala comigo! Fui eu quem te colocou nesse cargo e sou que posso te tirar dele.
— Tente. — Sasuke disse entre dentes — Pois se o preço dele é fazer a vida da Sakura um inferno igual faz com a minha mãe, então, eu terei que tomar medidas drásticas contra você.
O silêncio tomou conta daquele enorme recinto, Fugaku tentou digerir todas as palavras do filho que o pegou de surpresa com aquela enorme revelação, todos na família Uchiha sabiam do amor que Fugaku nutria por Aime Haruno e todos sabiam como Mikoto aguentava calada por amar Fugaku.
— Sabe muito bem que eu posso entregar essa empresa a Itachi. — Ameaçou.
— Itachi também está tentando conquistar minha esposa. Não me impressionada ele se apaixonar por ela no meio do caminho, ele sempre foi assim, invejoso por natureza.
O Uchiha mais velho ficou perplexo com que havia acabado de ouvir, seus filhos mais novo e mais velho estavam duelando pela mesma garota que tinha dezessete anos, era a mesma cena só que com a idade diferente.
— Pelo visto a cena se repete- Ironizou Fugaku com um sorriso amargo —Bem que seu tio me avisou que eu teria uma grande surpresa.
Ao dizer isso, Fugaku deu as costas para Sasuke se dirigindo a porta por onde saiu batendo com muita força. Sasuke ficou no mesmo lugar tentando raciocinar o que tinha acabado de ouvir.
— Isso só podia ter sido feito por Madara.
Sasuke voltou para seu lugar tentando voltar a fazer o que devia, mas era impossível quando se o passado volta a tona.
“Sakura não é como Jiyeon” – Pensou suspirando cansado.
~*~
Enquanto isso, na cafeteria se encontrava um casal tomando café e rindo à toa, era impossível não se levar pelo jeito leve e descontraído de Itachi.
— Você foi mesmo a Paris? — Sakura perguntou maravilhada — Como é lá?
— É muito bonito, apesar de às vezes ter comidas muito estranhas.
— Estranhas o quanto?
— Pombo.
— Aí não, que nojo — A rosada gargalhou imaginando a cena — Mas ainda assim, eu iria pra lá.
— Se quiser, posso te levar até lá.
— Serio mesmo? — Sakura praticamente gritou — Eu... Eu adoraria ir, os maiores estilistas estão por lá.
Itachi sentia que tinha o poder dentro daquele espaço, era fácil, tudo naquela garota se impressionava. Certos momentos achava bonito como ela sorria, a risada escandalosa. Não podia negar e mentir para si que a mais novo tinha seu charme.
Mas, estava na hora de jogar conforme as regras que havia inventado.
— Sakura.
— Sim? — Ela respondeu, encarando o mais velho.
— Sei que vai parecer muito exagerado o que eu vou dizer, mas… Eu continuo pensando no nosso beijo.
A rosada sentiu um frio em seu estômago como se borboletas estivessem voltando por ali, de um jeito estranho sentiu suas mãos tremerem diante daquela revelação.
— Sei que está obvio o quanto gosto de você.
— Itachi…
— Não foi minha intenção que isso acontecesse — Mentiu, colocando sua entonação o mais acentuada o possível — Definitivamente não queria me apaixonar pela mulher do meu irmão.
— Por que está fazendo isso?
— O quê? — O maior foi pego de surpresa.
— Eu sou casada com seu irmão. — Essas palavras já haviam sido ditas antes.
— Mas você não o ama…
— Não, eu o amo, Itachi. — Havia certeza em cada palavra que ela disparava — Sabe, se você tivesse sido quem iria casar comigo, eu tenho certeza que eu teria me apaixonado por você na mesma hora. Não existem dúvidas do quanto você é apaixonante e de como Sasuke é alguém difícil de lidar, eu sei disso, senti na pele. Mas as coisas mudaram, eu não posso te dar a certeza de que sinto algo, quer dizer, em algum momento eu devo ter sentido, porém, é o Sasuke que eu amo.
— Não… Não pode ser, você deve estar confusa com toda essa situação.
— Por que eu estaria confusa?
— Porque Sasuke não é homem certo pra você! — Seus punhos se apertaram com força.
— E você é esse homem?
Como um espelho que quebra e a tensão permanece enquanto se observava a bagunça que ficou, Itachi piscou os olhos, confuso com a torrente de informação que havia recebido.
Lembrou-se das fotos e de como ela parecia feliz ao lado do irmão.
Tinha perdido a hora certa de contra-atacar? Calculado errado?
— Senhora Uchiha. — O motorista de Sakura chamou — Temos que ir, já está ficando tarde.
— Tudo bem, eu já estou indo.
A mesma se levantou pegando sua bolsa ao lado e encarou Itachi, este que parecia perdido em seus pensamentos.
— Eu ainda quero ser sua amiga.
O maior forçou um sorriso.
— Você está cometendo um erro. Sasuke não é homem para você.
— Por que fala dele assim?
Sakura sentiu algo se apertar dentro de si. O que poderia falar em uma briga que não era sua? Irmãos que se odiavam, que não queriam se resolver, como ela poderia fazer isso? A rosada ficou alguns segundos esperando por uma resposta, mas não obteve, então, em passos lentos, deixou a cafeteria.
~*~
Não demorou para os dias passarem e chegar finalmente o dia do aniversário de Sakura.
Depois do que havia acontecido com Itachi, ela optou em ficar em silêncio sobre esse assunto e não dizer a Sasuke que havia se encontrado com o irmão mais velho dele, não queria acabar com todo o romance que vinha tendo com ele. Naquela manhã, acordou com um belo café da manhã do marido e beijos que pareciam não ter fim.
— Feliz aniversario, testuda! — Ino comemorou após cantar parabéns a ela, esmagando-a com um abraço de urso.
— Obrigada, Ino, mas me deixe respirar, por favor, não quero morrer no dia do meu aniversário. — Brincou a rosada, retribuindo o carinho.
— Sakura, não se pode dizer isso. — Shun reclamou — Traz azar.
— Ah, ela não acredita nisso. — Ino respondeu, soltando-a — Tudo que ela diz é: sorte é coisa…
— De livro. — Sakura respondeu, dando de ombros
Eles ficaram conversando sobre a festa de Sakura que iria ser na sua mansão no qual Ino adorou. Em poucos minutos eles se despediram indo para suas casas se prepararem para festa de aniversário da rosada.
Sakura entrou no carro e não demorou muito para seu celular tocar.
— Oi, amor. Disse a rosada assim que colocou o aparelho perto do ouvido.
— Já está voltando para casa?
— Sim, que horas você vai chegar?.
— Ainda não sei, hoje tenho várias reuniões marcadas, mas prometo chegar a tempo.
— Esta bem, só não vá me trocar pelo seu trabalho, hoje é meu aniversário.
— Eu jamais faria isso e caso eu faça, tem uma arma em casa, pode atirar em mim. — Disse Sasuke com seu tom sensual.
— Tem uma arma em casa? — A rosada arregalou os olhos.
— O ponto não é este. Quer saber qual é o seu presente de aniversário?
— Vai me contar se eu perguntar o que é?
— Se for uma boa garota.
Sakura corou sentindo a provocação por trás daquelas palavras.
— São passagens para Paris.
Não foi difícil associar aquele lugar com a conversa que teve com Itachi, detalhe que fez seu coração se apertar e também sentir culpa por pensar nele naquele momento.
— Paris? É sério? — Sorria, jogando o cabelo de lado.
— Você sempre está falando sobre lá e eu pensei por que não realizar seu sonho de estilismo.
— Meu Deus, você não existe!
— Quero ver essa animação quando chegar em casa… Sakura, eu preciso desligar. Te vejo a noite. Eu te amo.
— Tudo bem, te vejo em casa… Eu também te amo.
Sakura guardou seu celular e encostou sua cabeça no vidro do carro observando a paisagem lá fora. Às vezes o destino parece cruel. Te separa da pessoa que você pensa ser tudo na sua vida. Mas apesar de cruel, duvidoso e infeliz, às vezes, ele não erra. Uma história para ser quase perfeita precisa ter curvas.
O carro parou no sinal vermelho e demorou alguns segundos para abrir, então ele entrou em movimento, o toque do celular do motorista fez a rosada observa ele. O motorista começou a digitar uma mensagem ao remetente da mensagem, mas logo o sorriso se desfez.
Uma buzina soou vindo de longe, fazendo Sakura olhar para o lado e ver uma caminhonete desgovernada vindo em sua direção.
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