Fix Me

4 Quadrúpede brancas de manchas Pretas


Cameron Carter

Após uma longa noite com as incríveis histórias de Lucas e seus amigos bêbados que deram em cima de uma senhora de mais ou menos duzentos anos, fui dormi lá pelas duas da manhã, Lucas dormiu aqui comigo ( no sofá, óbvio) apenas porque estava muito tarde para voltar para seu apartamento. Acordei com seu celular tocando, nós dois pulamos de susto com o toque de guitarra que tocou do nada. Ele atendeu enquanto sentava, esfregava um olho com uma mão e fazia careta para mim (que ainda estava deitada o observando).
— Tudo bem, eu te busco daqui a pouco.Também te amo. Tchau.
— Era a mamãe?
— Sim.
Levantei, cruzei os braços e o encarei.
— Está mentindo.
— O que?! Não estou não!
— Esta sim! Você sempre olha para outro lugar antes de olhar para mim, quando esta mentindo!
— Não olho não!
— Viu?! Acabou de fazer de novo! Desembucha! Quem era?!
— Apenas uma amiga.
— Amiga? Que tem seu celular e te pede carona as sete da manhã?
— Sim...
— E que você ... " Ama"?
Dei um sorriso enorme enquanto ele ficava vermelho.
— Aí meu Deus! Você está namorando! Quem é ela?! Qual o nome dela? Quanto anos...
— Ei!
Ele tapou minha boca para tentar explicar.
— O nome dela é Alex, tem a minha idade e estuda comigo na faculdade de programação.
— E o que nossos pais disseram?
— Então. .. sobre isso...
— Não. .. eu sou a primeira a saber? !?! Não acredito!
Fiquei muito animada, a ponto de quase levantar os braços e abrir os pontos, sorte que Lucas os segurou antes disso.
— Deixa eu ver uma foto dela!
— Esta bem.
Ele me deu seu celular com uma imagem dele com uma garota ruiva de olhos castanhos e um sorriso tímido.
— Uau, ela é linda. E vou ter sobrinhos ruivos!!!
— Para de falar besteira, boba! Nos começamos a namorar , não faz nem duas semanas!
—Quando foi que vocês...
— Nos conhecemos? Simples, depois do acidente, fiquei alguns dias no hospital cuidando de você e também sendo observado, você ficou inconsciente por quase cinco dias, e nesse período, ela foi a única da minha sala a me visitar e saber se eu estava bem, além de me passar as matérias que perdi. Começamos a conversar e... Você já sabe o final. Agora tenho que ir, pois estou atrasado! Te amo, pequena!
Ele me deu um beijo na testa, pegou sua mochila e assaltou a maçã na bandeja que a " tia da comida" colocou para mim. Tenho 18 anos, mas não vou decorar o nome de todos que trabalham aqui, então eu coloco esse apelidos fofos.
Fiquei a manhã inteira no meu quarto assistindo teve... mas estava muito chato ficar lá, então fui visitar James.
Desta vez eu bati a porta, que estava encostada, e esperei uma resposta. Mas não ouvi nada, então dei meia volta, mas antes de dar o primeiro passo, vi a porta se abrindo e a moça de ontem apareceu, desta vez eu percebi sua roupa curta que mostrava nitidamente suas curvas.
— Pode entrar.
Falou uma voz atrás dessa mulher que não parou de me fuzilar com os olhos.
— Com licença.
Falei baixo, quase sem voz.
— Desculpe por ontem. Recebi uma visita surpresa e não consegui te avisar.
— Na... Não se preocupe. A... a culpa é minha por não ter batido na porta antes.
— Mary Ann, conheça minha namorada, Cameron.
Voltei os olhos para ela, atrás de mim, e parecia que eu estava vendo outra pessoa. Ela estava sorrindo, com uma expressão calma.
— Prazer. Então você é a "vizinha" brincalhona?
— Brincalhona?
Olhei para James que deu de ombros.
Voltei os olhos para ela e respondo com um sorriso.
— Sim, é você é a famosa namorada do meu "vizinho". -falei enquanto mexia os dedos como se fossem aspas.
— Famosa?
Ela olhou para ele com um olhar malicioso, não pude me mexer para saber qual era a reação de James, apenas apertei a mão de Cameron, que apertou forte a ponte de eu dar um pequeno pulo.
— Tudo bem, Mary Ann?
— Sim. .. só que eu acabei de lembrar que tenho que falar com Sandra. Foi um prazer te conhecer Cameron. Te vejo depois, James.
Falei sem olhar para trás. Mas ouvi a voz daquela moça dizendo que também precisava ir. E tentei correr o mais rápido que eu podia sem que me machucasse, infelizmente não deu muito certo já que, ao fechar a porta de James, ela me pegou pelo pulso e me puxou até uma parte do andar onde as câmeras não podiam nos ver. Ela me prensou contra a parede e colocou o dedo na minha cara. Apenas prendi minhas respiração, pois sabia que minha barriga iria reclamar de dor, depois disso.
— Escuta aqui sua atrevida. Nem pense em tocar no MEU namorado! E que papo é esse de entrar no quarto dos outros sem ser chamada? Sabe o que você fez ontem? -
Balancei a cabeça dizendo que não. — Você quebrou o maior clima, e normalmente eu quebraria a tua cara se... ele não tivesse me pedido para ficar longe. Você tem muita sorte! Mas se eu ver você se jogando para cima do MEU namorado... Vou falar só mais uma vez: MEU NAMORADO! Eu mando você para a UTI! Estamos entendidas?
eu assenti sem consegui nem menos engolir a própria saliva. Ela se afastou, arrumou a alça da bolsa no ombro e foi embora. Não senti minhas pernas então apenas escorreguei aos poucos e sentei no chão tentando entender o que foi aquilo tudo. Então fui atualizar minhas informações sobre James.
" James, 20 anos. Namorada: uma doida estranha de duas caras"
Encostei minha cabeça nos joelhos e abracei minhas pernas como um meio de conforto.
— Mary Ann, está tudo bem?
Ouvi uma voz na minha frente, queria muito que fosse Lucas, mas reconheci a voz como de outra pessoa. Soltei a respiração e fiz careta com a dor.
— James? Sim, apenas cansada. Minha barriga dói.
— Barriga?
— Esqueci de te contar, não é? O motivo de eu estar aqui, presa nessa prisão sem grades.
Ele ficou confuso, dei um riso sínico e suspirei voltando minha cabeça para baixo, encarando o chão. Vi sua mão sendo estendida para mim.
— Então vamos conversa enquanto eu te derroto na dama.
Sorri para ele enquanto pegava sua mão, que agora, estava quente e macia.
Fomos para meu quarto e, quando James entrou, ficou observando e procurando algo de diferente.
— Poxa, é tudo igual ao meu quarto! Nem tem graça entrar aqui. Agora sei o porque você achou que estava em seu quarto naquela noite.
Passei a mão na testa para tirar franja dos olhos e voltei a atenção a ele.
— É verdade. E nem me desculpei por aquela noite. Foi mal por ter te acordado.
— Não. .. a culpa é minha por ter sido um idiota... de novo!
Comecei a rir sem saber o porque, e ele riu junto. Depois de alguns minutos nos encaramos por segundos e trocamos olhares que me deixou sem ar.
" O que está acontecendo comigo? "
Voltei a encarar o chão e o silêncio começou a penetrar o quarto.
— Obrigado. — ouvi ele sussurrar enquanto encarava a bandeja prata em cima do criado mudo. Por um momento eu não entendi e perguntei sem saber.
— O que? — falei quase sem voz.
Ele olhou para mim com um sorriso meigo, que me deixa ... alterada. Ele tirou um papel no bolso do casaco e mostrou o origami que eu havia feito para ele.
Eu abri um pouco a boca e fiquei sem fala...
— Obrigado pelo presente.
— James, eu...
Quando eu tentei falar, senti minhas forças sumirem, tropecei em meus próprios pés e me apoiei no apoio da cadeira de rodas dele. Senti suas mãos em minhas cinturas me ajudando a não cair e encarei seu rosto que parecia preocupado.
— Mary...
— Ann... — suspirei — pode me chamar só de Ann, é mais fácil.
— Você está bem? — Ele falou baixinho.
— Sim... — minha respiração estava ficando pesada. — apenas estou cansada. Podemos deixar o jogo para mais tarde?
— Tudo bem, mas... Quer que eu chame a Sandra?
— Não. .. precisa.
Minha respiração pesava cada vez mais. Eu precisava que ele saísse logo!
— Só preciso deitar um pouco.
Ele me acompanhou até a cama, me ajudou a se cobrir.
— Se precisa de algo... me grita.- piscou para mim com um sorriso no lado.
— Valeu.
Comecei a me encolher automaticamente. James olhou sério para mim, colocou uma mão em minha testa, e ficou com uma expressão de assustado e preocupado. Esticou o braço até o botão das enfermeiras e chamou por Sandra.
— O... que... foi?
— Ann, você está fervendo de febre!... Sandra!
— Não... precisa. .. gritar.
— Ann, não dorme! Ann!
A voz de James começou a diminuir, e tudo ficou escuro.
Quando acordei, encontrei alguém vendo um soro que estava ligado em meu braço.
— Márcia?
Minha visão ficou mais nítida, e vi ela sorrindo para mim.
— Oi, meu bem. Está melhor?
— Acho que sim. O que houve?
— Por acaso você caiu, escorregou ou bateu as costas em algum lugar?
Lembrei daquela louca da namorada de James.
— Não, porque?
— Sua ferida se abriu um pouco, e depois de um tempo você ficou com uma febre muito alta.
— Cadê o... James?
— Quem?
— O garoto que estava comigo.
— Acho que a febre te iludiu, não havia ninguém aqui.
— O que?
Tentei me levantar, mas eu não conseguia me mexer.
— Nem pense nisso. Você vai ficar de cama até segunda ordem!
Bati a cabeça no travesseiro, emburrada.
Após me examinar toda, Márcia me deu palito, que pegara na área infantil, piscou para mim e saiu do quarto. Enquanto eu ficava brincando com o palito que tinha um gosto doce, lembrei do que James falou para mim antes de eu apagar, então fechei os olhos e sussurrei para mim:
— Aparece, por favor.
Olhei para a porta, com a esperança de ele aparecer. Mas nada aconteceu.
" Porque estou me preocupando com isso?"
Virei para o outro lado e tentei pensar em qualquer outra coisa. Mas não foi uma boa idéia, a imagem de Cameron apareceu na minha cabeça.
" Aquela mulher é pior que qualquer vaca que conheci! Só não é classificada como uma quadrúpede branca com manchas pretas!
Droga!"