Fix Me
5 Meu Querido Irmão
Após um pequeno desmaio, e três palito de tutti frutti, tive a coragem de levantar, mas ao mexer apenas a cintura, senti meu corpo todo doendo.
— Acho melhor você não fazer isso.Olhei para o lado e deparei com James na porta. Esfreguei meu rosto e voltei para a cama.— Que horas são? — Deve ser umas onze horas agora.— Da manhã? ! — Da noite. -Ele riu enquanto se aproximava.- Você está bem?Abaixei a cama (que era automática) até ficar no nível dele.— Agora estou melhor. Mas estou de castigo. Fiz biquinho e ele riu.— O que houve? Ouvi as enfermeiras dizendo que isso só poderia acontecer se você batesse em algo ou caísse. E hoje de tarde te vi encolhida num canto.Não sabia se eu falava para ele que a sua namorada era doida, então apenas deu um pequeno sorriso.— Você não sabe, mas... eu sou muito desastrada! Ele olhou desconfiado, eu fiz uma careta e começamos a rir. — James, qual é a sua história? — Você quer saber da minha vida social ou do meu relacionamento? Olhei para o outro lado e cobri o rosto com a coberta. — Você é que sabe.— Está curiosa em saber como uma cara mal humorado como eu ficou com uma gata como a Cameron? Abaixei o cobertor e o encarei. — Não preciso de detalhes, tudo bem. Apenas estou curiosa.Ele deu um pequeno sorriso de lado, se ajeitou na cadeira e me encarou.— Tudo bem. Mas a história é longa.— Tempo é o que não falta! Falei abrindo um pouco os braços mostrando o quarto. Ele suspirou e começou a falar.— Quando completei dezoito anos, me inscrevi no exército; entrei; treinei e me transformei um um novo homem, senti que devia fazer isso, pois eu queria salvar as pessoas que ainda tinham uma chance de viver.- ele olhou para baixo com um olhar triste. — Se é que você me entende. — Acho que ele falava da mãe. — Mas percebi que não conseguia fazer nada, já que nunca tive uma missão fora do quartel. Em uma noite, num bar, arranjei briga com uns caras que estava incomodando todo mundo, ignorei o fato de ser três contra um, quando vi uma garota atrás deles escondendo as lágrimas, era a Cameron. Eles estavam "escoltando" ela e a levando para todo o lugar. Havia um cara bebendo comigo, o nome dele é Nick, um garoto da minha idade que só queria beber, mas quando arranjei briga com os estranhos, ele me ajudou levando a Cam para longe dali. Lógico que eu não consegui ganhar daqueles cara, pior, eu estava coberto de sangue e quase desmaiado num beco. Me lembro de ouvi uma voz rouca, foquei a visão e encontrei ela chorando perto do meu rosto. Com todas as forças que ainda me restava, dei meu melhor sorriso e perguntei se ela estava bem. Ela chorou mais ainda, foi então que percebi que havia me apaixonado. Quando ele acabou de falar, deu um pequeno sorriso ( "aquele sorriso meigo") e voltou a olhar para mim. Eu estava tão focada na história que nem percebi que estava de queixo caído. — Continua! O que houve? Como você pediu ela em namoro? E como aquela garota tímida ficou...— Safada daquele jeito?— Não ia dizer essa palavra. ..Ele riu.— Bom, o tempo se passava e nossa amizade estava crescendo, até eu finalmente me "formar" e ser um soldado oficial, e bem na época em que havia começado uma revolução. Pedi ela em namoro e ficamos juntos o tempo todo, até eu ir embora. Quando voltei, ela percebeu que eu estava diferente. .. A guerra nos faz diferente. Mesmo assim ela ficou comigo, e eu também percebi que ela mudou. Estava mais confiante de si, conversava mais e outras coisas... Fui arranjar emprego, e voltar a estudar. Fiz provas para passar na mesma faculdade que a Cameron estudava. Eu era estudioso, então foi fácil passar.— Era?— Muita coisa mudou de uns tempos para cá. Ele falou com uma expressão séria. — O que houve? — Essa história é mais longa ainda. .. e complicada. — James, existem boatos sobre você neste hospital... Se você não me falar, não vou conseguir te entender!— Boatos?— É uma long história! Falei cruzando os braços. — Está bem, espertinha. .. É melhor começar a falar, senão você vai ficar na curiosidade e irei embora agora!— Se eu falar, você continua?— Sim!— Tudo bem. — suspirei — Ninguém sabe quem foi que começou esse boato mas, as enfermeiras dizem que você matou um cara de uma gangue e que os amigos dele queriam você morto, mas só conseguiram quebrar suas pernas antes da polícia chegar. Ele ficou de boca aberta e surpreso com o que eu falei. Parece que essa não é a verdadeira história! — Ann, eu...— Pronto! Sua vez de explicar se é verdade ou não. Desembucha! Ele fechou os olhos, suspirou e voltou a olhar para mim, sério. — Umas partes da história é verdade.— Qual? !— A parte da gangue. — O que?! Então você. ..?— Eu não matei ninguém, se é que você está insinuando. — Então porque esses caras queriam te matar?!— Disseram para mim que eu irritei o chefe deles quando eu peguei sua "garota". Mas eu fiquei com ninguém! E se a Cameron soubesse disse, eu não conseguiria imaginar a sua reação.
— Mas... Porque todos estão com medo de você? !— Eu estava com as pernas quebradas, quase arranquei o braço de um paramédico de tanta dor que sentia, ele viu minha corrente com a plaquinha e sangue em todo o meu corpo.— O sangue era seu?!— Não, era dos caras que me atacaram. Lógico que eu não ia me render sem uma boa briga!— Mas... e esse mal humor todo?! Desde que te conheço, vi você dando um sorriso, poucas vezes... tipo... só três vezes desde que cheguei!— Você conta os sorrisos das pessoas ou você tem alguma problema comigo?— Com certeza o problema é você! — Ele olhou desconfiado. — Olha, quero saber o que houve com você, o porque de estar sempre mal humorado e o porquê você foi acusado e atacado por uma gangue sem ter culpa de nada...— E porque esse interesse todo sobre minha vida?— Cara, você ainda não percebeu? ! Eu adoro mistério! E você é o que eu procuro a muito tempo! Muita emoção, segredos, romance, tretas e mais mistério! Posso fazer um livro com a sua vida!Ele levantou uma sobrancelha e cruzou os braços. Ficou pensando por um tempo, suspirou e olhou para o relógio em seu pulso.— Agora já está muito tarde. Mas podemos conversar mais amanhã. E eu também quero saber sobre sua vida, senhorita " Curiosa".Dei o meu melhor sorriso mostrando a ansiedade do dia seguinte. E lembrei de algo.— James, espera!Ele parou na porta e virou um pouco.— O que foi?— Que... que dia é seu aniversário? Ele deu um sorriso e abriu a porta.— dia 6 de Novembro. Eu arregalei os olhos e senti meu sorriso crescer mais um pouco. — Eu sabia! Ele riu e foi embora, mas antes de fechar a porta, ouvi um "boa noite" bem baixinho, quase sendo um sussurro. Voltei a deitar e senti o sono vindo, mas o sorriso não saia do rosto. ***No dia seguinte, um médico veio me visitar. — Bom dia senhorita Wayne. Está melhor?— Bom dia doutor. Estou me sentindo melhor. Já posso sair do castigo? — Castigo? — Ele olhou para mim por cima do óculos e levantou uma sobrancelha. — Parece que sim. A fisioterapeuta irá te visitar mais tarde. Esta se alimentando bem? — Sim.—Esta sentindo alguma dor?— Não. — Ótimo, se continuarmos assim, poderei dar alta em breve.Deu um sorriso de alívio. — Que bom, obrigada doutor.Ele saiu acenando e com um sorriso de aprovação no rosto. Não aguentava mais ficar na cama, então chamei Sandra par me ajudar a tomar banho. Quando acabamos, e após o gostoso e tranquilo banho, ouviu-se um sinal de outro paciente.— Alice, estamos com poucos funcionários hoje, consegue dar contar daqui? Levantei a mão até a testa e tentei imitar um soldado. — Sim senhora! Ela riu e correu para outro quarto, me deixando de toalha, sozinha. Olhei para o espelho e fiquei encarando o curativo. — Como é que eu vou me arrumar agora?!— Quer ajuda?Ouvi uma voz atrás de mim, fazendo-me pular e quase cair.— Cuidado, pequena! Achei que você quisesse sair do hospital e não visitar a UTI! — Lu! Virei e o abracei, até lembra que eu estava apenas de toalha. Logo eu me afastei, o empurrei e fechei a porta do banheiro em sua cara.— Ai! Qual é Al. Eu já te vi tantas vezes assim, porque está com vergonha?!— Porque já sou uma moça, e você tem namorada! O que a Alex pensaria de nós?!— Pensaria que estou ajudando minha irmã a colocar a roupa porque ela não consegue sozinha?!— Você é Mongo? ! Ela poderia pensar várias coisas da gente! E imagine só se alguém entrasse aqui e nos encontrasse assim?— Eu fechei a porta, boba! Agora abre aqui, ou você vai pegar um resfriado! Já fizemos isso tantas vezes, porque está acanhada agora?— Não estou acanhada!Abri a porta e o encarei enquanto com a outra mão segurava a toalha que estava quase caindo. — Então deixe eu te ajudar! Ele cruzou os braços e esperou minha resposta, eu bufei e dei espaço para ele entrar, mas o banheiro era pequenos demais para nos dois juntos. — Lucas, você engordou?!— Porque pergunta? — Porque... Com a enfermeira, dava para fechar a porta. .. com você eu tenho que decidir se me molho de novo no box ou se deixo a porta aberta!— Qual o problema da porta aberta? A porta do quarto está fechada, contanto que ninguém abra, está ótimo! — Então me ajude logo com isso!— Para isso, você tem que tirar a toalha, gênio! Senti meu rosto queimar. Abaixei a cabeça e tirei a toalha aos poucos. — Meu Deus, Alice! Como você é gata! Se eu não fosse seu irmão, te pegaria agora! Deu um soco no peito dele enquanto ele ria da minha cara, que devia estar muito vermelha!— Só. .. me ajuda logo! — Está bem. ..Aos poucos e com muito cuidado, Lucas ficou colocando as peças de roupa em mim, com medo de me machucar. Quando faltava apenas a camiseta, ouvi alguém bater na porta e entrar. Lucas estava agachado na minha frente para pegar a blusa que deixei cair e quando viramos para a porta. .. vi James com a boca aberta.— F. .. foi mal. .. Quarto errado. Ele logo fechou a porta enquanto eu apenas fiquei mais vermelha e de boca aberta. E Lucas estava rindo do ocorrido. — Não ria, idiota! Ele me viu de sutiã! — É melhor do que pelada! — Falou entre risos, dei um tapa em sua cabeça, mas ele não parou de rir.— Me dá logo essa blusa! Com uma mão ele enxugava as lágrimas de tanto rir, e com a outra esticou a blusa para mim. O peguei e fiquei encarando ela e esperando o Lucas se acalmar.— Acabou? — Ele respirou fundo e assentiu. — Ótimo, agora me ajuda! Depois de me arrumar começamos a conversar até dar a hora de seu trabalho. Andamos no corredor até o elevador, mas antes de ele ir segurei em sua blusa o impedindo de entrar no elevador. — Traga ela na próxima vez, tudo bem? Quero conhecer minha cunhada. Pisquei para ele, que me abraçou forte e me deu um Beijo na bochecha. — Está bem. Obrigado por me ajudar.— Ajudar? Mas foi você que veio até aqui, me visitou, me trocou e me animou tanto. — Isso não se compara ao que você faz comigo. Ele falou enquanto acariciava meu rosto com uma das mãos. Dei um pequeno sorriso torto por não saber do que ele estava falando. Ele olhou para o relógio, se despediu mais uma vez antes da porta do elevador se fechar entre nós. Ele mexeu os lábios dando suas últimas palavras: "Eu te amo".
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