Fix Me
15 Dreams
Notas iniciais

Lucas Wayne
Senti meu corpo dolorido, minha cabeça parecia ter sido arrancada, e quando abri os olhos minhas visão estava embaçada e ardendo com aquela luminosidade toda. Não consegui me mexer, sentia que um carro estava em cima de mim, então apenas virei minha cabeça para o lado, onde vi alguém sentado, com a cabeça apoiada ao meu lado. Com muito esforço mexi minha mão e passei nos curtos fios do estranho, que logo se mexeu e se levantou. Minhha mente estava confusa e minha visão não voltou ao normal, mas senti que ele era conhecido.
— James?
Falei baixo. Senti sua mão quente tocar a minha, e um carinho no rosto.
— Volte a dormir, você ainda não melhorou.
Era ele. Mesmo não enxergando bem, sabia que era ele, pela sua voz rouca e baixa.
— Senti sua falta. Desculpe não me despedir direito.
Minha voz saia falhada por causa da dor, mas ignorei-a, o que importava agora era eu ter meu amigo de volta.
— Desculpe te preocupar tanto.
— Onde você esteve? Eu queria tanto ter te conhecido melhor.
— Nunca te deixei, boba. Apenas estou resolvendo uma coisas primeiro. Mas prometo que volto. Agora descanse.
— Promete que não vai me deixar? Mesmo eu sendo apenas sua... vizinha?
Ouvi uma risada baixinha, e imaginei aquele seu sorriso meigo. Ele apertou um pouco minha mão, se aproximou em meu ouvido e sussurrou, fazendo-me arrepiar.
— Ann, você é minha amiga. Nunca vou te abandonar. Eu... gosto muito de você.
Sorri com aquilo. Mas meus olhos estavam ficando pesados.
— James... estou com medo.
— De que?
— De não te ver mais.
— Calma, estarei sempre com você, mesmo em sonhos. Prometo. Mas quando nos vermos... — Ele suspirou. — Precisarei te contar a verdade, e espero que você me perdoe.
— Já ouvi muito sobre você, não me importo mais. Sempre será meu amigo.
Ele se afastou um pouco e beijou minha testa.
— Você sempre vê o bem nas pessoas ou o problema sou eu?
Sorri e, com muito esforço, coloquei minha mão em seu rosto.
— Com certeza é você.
— Boa noite, senhorita Curiosa.
— Boa noite, — Fechei os olhos. — James.
***
Abri os olhos e encontrei Lucas segurando alguém pela gola, bem na minha frente. Ele estava bravo e, a outra pessoa estava... de terno?
“Será Mark?”
Lucas estava muito bravo, e com uma mão quase deu um soco no outro homem, mas parou no ar, e sua expressão mudou para assustado. Não conseguia ouvir nada além de um zumbido e meu corpo não se mexia. O estranho entregou-lhe uma pasta, o qual Lucas abriu e leu concetrado. Após breves segundos ele fechou a pasta, colocou uma mão na boca e sentou–se em uma cadeira na frente da cama ao lado. Foi quando percebi que eu estava na enfermaria da faculdade.
“O que será que houve?”
Continuei observando tudo ao meu redor. Lucas devolveu a pasta, e se encolheu um pouco. O homem, que estava de costas para mim, se aproximou e colocou uma mão em seu ombro que logo foi recusada. Lucas levantou rapidamente e começou a discutir com o homem, o empurrando e apontando para a saída. O homem logo virou-se para mim e eu o reconheci.
“Papai?! O que está fazendo aqui? O que houve com você? Está acabado, com olheiras e barba para fazer.”
Lógico que ele não me ouviu, eu não conseguia me controlar. Aproximou-se de mim, colocou uma de suas mãos frias em meu rosto, fazendo-me arrepiar e se aproximou. Senti meu coração acelerar um pouco, eu estava com medo. Medo de ele me bater ou me machucar novamente. Fechei os olhos e senti duas coisas quentes em minha testa, um beijo e uma lágrima.
Ele se afastou e sumiu do meu campo de visão, deixando-me sozinha com Lucas, que sentou ao meu lado e me encarou triste, percebi que seus olhos estavam prendendo as lágrimas, que foram mais fortes e caíram. Lucas ficou encolhido ao meu lado, ele não percebeu que estou acordada? Meu corpo pesava, e adormeci novamente. Tive um sonho estranho.
Eu estava sentada, apoiada numa parede gelada feita de concreto. Percebi que o lugar que eu estava era muito grande e fechado, com apenas uma porta grande sem maçaneta e uma minúscula janela, que era a única passagem para a luz que iluminava o lugar. Minha roupa era praticamente um pedaço velho de pano que não me protegia muito bem do frio. Esfreguei meus braços e percebi que minhas mãos estavam menores. Meu cabelo estava solto e sujo. O lugar era vazio a não ser do pedaço de pano que me “protegia” daquele chão gelado. Gritei na esperança de alguém me ouvir, mas em troca, uma forte batida houve na porta, me obrigando a tapar os ouvido. Comecei a ficar com medo. Deitei em cima do pano e me encolhi, deixando fugir uma lágrima.
— Papai, estou com medo.
Sussurrei para mim.
“Porque o chamei? Ele não viria me buscar. Ou viria?”
Fechei os olhos, mas o sono não vinha, então ouvir passos no corredor. Eles se aproximavam cada vez mais, até parar totalmente. E a porta se abrir, apresentando duas pessoas com roupas estranhas e pretas. Elas se aproximaram de mim e me pegaram pelo ombros. Comecei a gritar, pedindo socorro, mas ninguém me ouvia. Sai daquela prisão e encontrei um infinito corredor com várias portas igual a minha, mas nenhuma delas estava meu destino. No final deste, encontrei um porta dupla, onde, quando aberta, apresentou uma sala de cirurgia e vários médicos. Comecei a gritar, a chorar, e pedir socorro, pedi que parassem, seja lá o que for. Mas todos me ignoravam. Me prenderam na mesa de cirurgia e vi uma enorme agulha vindo para meu pescoço, gritei até sair meus pulmões, mas ninguém me ouvia. Fiquei com esse desespero até ouvir alguém gritar atrás de mim.
— SOLTEM ELA AGORA!
Mas era tarde, já sentia aquele estranho liquido transparente penetrar minha pele e correr em minhas veias. A dor era imensa, mais do que posso imaginar. Gritei e acordei na minha cama, suada e com a respiração alterada. A porta se abriu mostrando Lucas, de calça de moletom e sem camisa, parece que ele correu.
Eu o encarei e comecei a chorar a ponto de soluçar. Lucas se aproximou e me abraçou.
— Calma, foi apenas um pesadelo.
Mesmo ele dizendo isso, meu subconsciente negava, dizendo que não foi apenas um sonho.
“O que está acontecendo comigo? Quem era a pessoa que gritou? Eu conhecia a voz mas... De onde?”
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