Fix Me
66 Decisão Final
Ao acordar senti enjoo e corri para o banheiro vomitar. Após dar descarga e lavar a boca, me olhei no espelho e lembrei de ontem, correndo para o quarto encontrei meu irmão sentado e olhando em volta.
— Lu?
Me aproximei devagar e olhei para ele, que logo me encarou pensativo.
— A... lice?
Sorri aliviada e o abracei, sendo correspondida.
— Achei que tinha te perdido.
— O ... que... houve?
Me afastei e o encarei.
— Do que se lembra?
Ele tocou em sua nuca e olhou para o chão.
— Não lembro.
— O que?
— Não lembro de nada. Apenas, de você.
— C-como assim?
— Você é minha irmã, certo?
— É. .. Não. .. eu... — Respirei fundo e finalmente me decidi. — Sim. Sempre serei sua irmã.
Sorri e passei a mão em seu rosto.
— Preciso constatar Rodrigo.
— Rodrigo?
— Seu pai.
— Eu tenho um pai?
— Sim, maninho. Você tem.
Sorri e corri para a sala no andar debaixo para falar com um dos soldados, porém ouvi tiros e uma bomba explodiu perto de mim, deixando-me desnorteada. Olhei em volta e encontrei Charlie que me pegou no colo e me levou para longe dali.
— Charlie?
— Calma, Alice. Eu vou te proteger, eu juro.
Apaguei.
***
Acordei no meu apartamento num susto. Está tudo muito quieto até ouvir um prato se quebrar. Levantei e corri para o andar de baixo encontrando, Thomas, Charlie, David e Lucas, todos em posição de ataque.
— Tommy?
— Alice?
Corri para seus braços e o apertei tentando tirar a saudade que tanto me afligia nesses dias.
— Você está bem? Eles te machucaram?
Neguei com a cabeça enquanto sorria e chorava.
— Estou bem, amor.
O abracei de novo e todos nos encarava.
— Alice, quem é ele?!
Lucas me perguntou sério, sem abaixar a guarda.
Thomas me olhou procurando resposta. Respirei fundo e me aproximei de meu irmão.
— Ele é meu marido, Lucas.
Ele se assustou e encarou Thomas como se quisesse lembrar dele.
— Ma-marido?!
Ele colocou a mão na cabeça e se sentou numa cadeira que estava próxima.
— Tenho muito o que explicar. Mas primeiro vamos chamar todos. Ok?
Ele assentiu enquanto eu me afastava e colocava água numa chaleira e deixava esquentar.
— Meninos, podem se acalmar. Lucas teve amnésia e não se lembra de nada. Ele acabou de sair de um coma. Dá um crédito para ele.
Todos relaxaram e se afastaram, indo para o o sofá da sala, que ficava na frente da cozinha.
— Esta tudo bem, mesmo?
Thomas me perguntou colocando a mão na minha cintura, mas sem deixar de encarar Lucas.
Virei seu rosto com a mão para me encarar e sorri.
— Sim, menino. Mas preciso reunir todos para deixar tudo claro.
Ele respirou fundo e me abraçou.
— Achei que tinha te perdido.
Correspondi ao seu abraço.
— Você não teve culpa, Tommy. Estou bem agora.
Seus músculos se contraíram e ele se afastou.
— Alice, talvez eu...
— O que?
Ele respirou fundo e falou.
— Talvez Dragon tenha te raptado por vingança.
— Pela filha?
— Não. Por isso.
Ele mostrou um pen drive e a raiva começou a aparecer.
— O que é isso?
— É um pen drive que pode incriminar Dragon pelo resto da vida.
— Onde você conseguiu isso?
— Com Cameron quando eu dei um fim nela.
— Então além de você ter ficado com sua ex para iludir ela, pegou o pen drive e colocou a vida de seu filho em perigo?
Eu já estava começando a andar e ele a recuar.
— Alice, não é bem assim...
— Thomas, você pegou esse maldito pen drive por vingança de que?
— De ter te raptado, envenenado você e feito você sofrer.
Bati em seu rosto e não consegui conter a raiva.
— EU NÃO SOFRI, THOMAS! EU ESTAVA BEM. TINHA MEU IRMÃO E VOCÊ AO MEU LADO! FIZ AMIGOS QUE ME AJUDARAM E ME PROTEGERAM E VOCÊ AINDA PENSOU EM VINGANÇA?! O QUE FOI? SUA VIDA NÃO ESTAVA BOA O BASTANTE? Você fez isso para seu agrado! Seu interesse! Você só pensou em você e...
Minha respiração ficou pesada e minha barriga começou a doer.
Encarei todos em minha volta que estavam já em pé e me olhando preocupados.
Fechei um pouco os olhos e soltei um gemido de dor. O incomodo aumentava e minhas pernas não aguentaram a força do meu corpo e logo me encolhi no chão.
— Alice, o que houve?!
— Alice!
Thomas e Lucas me chamavam preocupados mas suas vozes ecoavam longe e eu apaguei.
***
— Princesa? Acorde, amor. Por favor.
Ouvi a voz de um homem que estava ao meu lado. Logo reconheci e abri os olhos aos poucos para enxergá-lo.
— Pai?
Tentei me levantar nas meu corpo reclamava.
— Não se esforce muito.
Deitei novamente e fiquei encarando meu pai que estava sentado numa cadeira qualquer com seu terno preto e gravata azul escuro.
— O que houve? Cadê todo mundo e...
Logo pulei da cama, joguei a coberta e encarei minha barriga.
— Calma, o médico disse que ele é forte. E resistiu à outro ataque da mãe maluquinha.
Soltei a respiração e abracei a barriga.
— Desculpe, amor. Sua mãe é uma anta as vezes.
— Está melhor?
— Acho que sim.
— Que bom.
Mark me beijou na testa e se levantou indo se afastar. Mas rapidamente eu peguei na sua manga e ele parou.
— Fica comigo até eu dormir?
Ele se surpreendeu mas depois sorriu.
— Claro, meu anjo.
Ele deitou ao meu lado e eu apoiei minha cabeça em seu braço enquanto ele fazia carinho em meus cabelos e eu logo adormeci calma.
P. O. V Thomas
Não consegui me acalmar. Depois que Charlie ligou para Mark e me afastou de Alice para carregá-la, eu não consegui tirar seu rosto irritado na minha mente.
Agora Mark saiu do quarto e fechou a porta com cuidado e depois desceu as escadas vindo até mim.
— O que houve?
Do nada todos os meninos começaram a falar.
— CHEGA!
Todos ficaram calados.
— Mark, a culpa foi minha.
Falei e ele me encarou sério com uma sobrancelha elevada.
— Eu sei.
— O que? Como?
— É sempre você! — Senti uma pontada de culpa agora. — o pior disso tudo é que sou igual!
Encarei ele surpreso.
— Oi?
— Alice bateu em você?
Passei a mão na bochecha que ainda estava um pouco quente.
— Sim.
— Ótimo! Na próxima vez que fizer isso, eu mesmo faço isso.
Ele se afastou e abriu a porta da entrada.
— Lucas, já sabe sua função.
Fechou a porta atrás dele e os meninos se aproximaram.
— Cara, teu sogro dá medo.
Um australiano falou.
— Não esperava menos do Capo.
Charlie completou. Eu soltei a respiração e sentei no sofá.
— Eu sou um idiota mesmo!
— Sim. Você é.
Lucas senta ao meu lado e me entrega uma lata de cerveja.
Charlie se aproxima e desvia o olhar do meu.
— Thomas, desculpe ter te atacado naquela hora. Dragon fica de olho em tudo e eu não podia deixar ele desconfiar de nós.
— Meu pai me explicou a situação quando eu estive no hospital, não precisa se preocupar.
Em uma das visitas de meu pai, perguntei sobre Dani e soube do plano de pegar Dragon de dentro para fora, mas quando soube que Lucas estava vivo, eu não sabia como reagir.
Os meninos ficaram aqui conversando sobre o que será de nós agora e explicando para Lucas tudo que ele deveria saber, já que ele não lembrava de nada.
— Sou Charlie Derezzi, sou russo e herdeiro da melhor família de medicina. Tenho 24 anos e estudo medicina.
— Sou David Cameron, nasci no Canadá, mas meus pais são italianos. Tenho 19 anos, ainda não comecei a faculdade e sou irmãos de Thomas.
— O que?
Lucas se surpreendeu, e parecia surpreso de verdade.
David riu fraco.
— Sou Thomas Durann Cavallieri, tenho 24 anos, trabalho com meu pai em sua empresa de tecnologia e sou futuro Capo, eu acho.
— Além de ser meu cunhado.
Ele fala sério e desconfiado. Sorri me exibindo.
— E pai de seu futuro sobrinho.
Ele congelou na hora.
— Alice está...
— Sim.
Ele apoiou os braços nas pernas e mexeu no cabelo.
— É muita informação para digerir.
— Não se preocupe, um dia você se acostuma.
Falei calmo.
— Como você sabe?
Ele me encarou desconfiado.
— Porque já passei por isso.
"E não foi nada legal, mas acho que ele não precisa saber disso."
Depois de conversar até tarde da noite, Charlie e seus amigos foram embora e David foi dormir. Arrumei o sofá para Lucas deitar, mas nenhum de nós dois estávamos cansados. Pegamos umas cervejas e começamos a conversar mais.
— Thomas, o que houve com a Alice?
— Como assim?
— Ela não era assim, brava, pavio curto e muito menos fraca e vulmerável como agora. Mesmo com os problemas que o veneno deixou em seu organismo, ela sempre foi gentil e forte para proteger as pessoas em sua volta, agora ela parecia com medo e insegura.
— Deve ser minha culpa, eu a fiz se apaixonar por mim de novo e brinquei com sua mente.
— Como assim?
— Depois do Cubo, fomos para um refúgio escondido, eu estava com amnésia e era selvagem, atacava qualquer um sem dó. Até mesmo Alice. Mas ela não desistiu de mim e aos poucos foi reconquistando minha confiança novamente até eu voltar ao normal. Mas o tempo se passou e descobrimos que sempre que eu ficava muito irritado eu perdia controle do meu corpo e atacava quem estivesse na minha frente, qualquer um. Isso aconteceu umas três vezes e sempre era ela que saia prejudicada.
Bebi mais um pouco e passei a mão na cabeça para tentar me acalmar.
— Mas e agora?
— Agora estou bem. Parece que Charlie conseguiu fazer um antídoto para cancelar totalmente o efeito da droga. Eu era apenas um teste de uma mulher velha que ficava me observando enquanto eu era torturado e picado com essa droga várias vezes.
— Velha? Dragon é mulher?
— Não, Dragon é ... — Será que eu poderia dizer sobre seu pai? — apenas um velho que queria matar todos os herdeiros. Acho que aquela velha estava ajudando ele.
— Dragon? Herdeiros?
Ele encarou o chão e passou a mão na cabeça.
— Não precisa se esforçar, se você esqueceu, não está perdendo muita coisa. É melhor assim.
Ele suspirou e se levantou.
— Acho que vou dormir depois dessa.
— Tudo bem. Já está tarde mesmo. Boa noite.
— Boa noite.
Subi para meu quarto e abri a porta com cuidado. Fui ao banheiro escovar os dentes e colocar uma calça de moletom. Voltei para o quarto e encarei Alice dormindo tranquilamente, passei a mão em sua barriga que já estava com um pouco de volume e senti algo se mexer.
— Você está aí, não é, campeão? Aguente mais um pouco, seja forte pela sua mãe.
Sussurrei e beijei-o, depois fui dormir.
***
O outro dia chegou rápido e, pela primeira vez de anos, acordei por vontade própria e não encontrei Alice na cama. Acho que eu estava bem cansado mesmo. Tomei banho e depois coloquei uma roupa folgada e desci encontrando Lucas e Alice fazendo panquecas na cozinha. Minha menina estava radiante e rindo, fazia tempo que não ouvia sua risada. Era doce e calma.
— Precisam de ajuda?
— Bom dia, Thomas. Pode colocar a mesa, por favor?
Lucas falou normalmente, mas Alice fechou a cara e me deu as costas, voltando a prestar atenção nas panquecas no fogo. Suspirei e arrumei a mesa, depois fui acordar David, que logo desceu do jeito que estava e sentou esperando a comida. Todos se sentaram e foram comer também, em silêncio. Ao terminar, David levou Lucas para a casa de Mary Anne, que soube do filho enquanto Alice estava tirando a mesa e lavando a nossa sujeira.
— Quer ajuda?
— Não precisa.
— Alice, eu...
— Não fale! Só... — ela virou para mim, séria. — Não fala nada, esta bem? Deixa eu arrumar a cozinha em paz, pois vou trabalhar daqui a pouco.
— Espera, você pretende trabalhar depois de ser resgatada de um sequestro?!
— Sim. Não vai ser isso que me impedirá!
Acho que Lucas estava errado, Alice ainda era forte, mas não sabe mais demonstrar isso.
— Alice, você vai... — Eu estava começando a ficar bravo, mas parei e Respirei. — fica em casa, por favor?
Ela ficou surpresa.
— Por que esta me pedindo isso?
Cruzou os braços e me encarou.
— Porque eu me preocupo com você?
Ela riu friamente.
— Se preocupa comigo? Tem certeza? Até agora eu não consegui ver! E por sua culpa eu poderia ter perdido meu filho!
— Nosso filho!
Comecei a ficar irritado com seu tom de Voz.
— MEU filho! Você perdeu o direito de ser pai dele assim que você pegou essa droga de pen drive! Depois da reunião de hoje de noite, eu irei embora, Thomas. Não era isso que você queria? Agora você conseguiu.
— Quando foi que eu...
Logo lembrei que havia pedido para ela se separar de mim com medo de eu machucá-la.
— Lembrou, não é? Vou arrumar minha mala.
Ela desviou de mim e foi para a escada, enquanto eu ainda estava inerte com aquilo. Não sabia que isso poderia mesmo acontecer, eu não queria que acontecesse. Virei para chamá-la, mas a voz não saiu pois uma parte de mim sabia que ela estava certa. De que era melhor ela ficar longe de mim, que seria mais seguro. Para me distrair, fui secar a louça e arrumei a bagunça da sala. Subi as escadas distraído e encontrei a porta do meu quarto um pouco aberta e ouvi soluços. Me aproximei do vão e encontrei Alice sentada no meio do closet com roupas em sua volta enquanto ela chorava de soluçar. Encostei minhas costas na parede ao lado da porta e me encolhi até o chão deixando a dor no coração sair pelos olhos em forma de água.
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