Notas iniciais
Heeey girls! O fim de Fix A Heart está chegando, infelizmente :/
Mas enfim, aproveitem o capítulo e espero que gostem!

– Eu tenho certeza de que deve ter ficado ótima. – Disse com sinceridade. Justin sorriu enquanto pegava o violão, o posicionando corretamente em seu colo.

O garoto passou seus dedos delicadamente pelo violão, fazendo um som agradável, seguido de outras notas. Sua voz começou a soar em um tom doce, revelando a letra de uma música romântica e lenta.

Através do oceano, através do mar

Começando a esquecer o jeito que você me olha agora

Sobre as montanhas, através do céu

Preciso ver o seu rosto, eu preciso olhar em seus olhos

Através da tempestade e através das nuvens

Solavancos na estrada e de cabeça para baixo agora

Eu sei que é difícil baby, dormir à noite,

Não se preocupe, porque tudo vai ficar bem.


Justin olhava diretamente em meus olhos em todas as palavras que saiam de sua boca como se ele realmente necessitasse deste contato visual para poder cantar. Senti minhas bochechas corarem a cada verso, era realmente uma música romântica e me sentia lisonjeada por ter sido escrita para mim de uma pessoa que eu realmente amo.

Através de sua tristeza e pelas brigas

Não se preocupe porque tudo vai ficar bem

Vai ficar bem

Sozinho no meu quarto

Esperando para sua ligação vir em breve

Por você eu andaria por mil milhas

Para estar em seus braços,

Segurando meu coração

Oh eu, oh eu... Eu te amo

E tudo vai ficar bem

Ficar bem


Meu coração literalmente disparou quando ele disse a antepenúltima frase. Ele já me dissera isso algumas vezes, mas não através de uma música, e nem de um jeito tão puro igual ao neste momento, enquanto seus olhos brilhavam para os meus como se vissem ali algo que ele se encantasse.

Sentia como se nada pudesse corromper a ligação entre nós dois naquele parque, embaixo de uma árvore enorme onde estávamos sentados por alguns minutos desfrutando das conversas aleatórias que nos surgiam; finalmente pude acreditar que eu era correspondida pelo o amor que sentia por ele, através da declaração em forma de música mais linda que já havia visto algum dia.

Você sabe que eu me preocupo com você

Eu sempre estarei lá para você

Prometo, eu vou ficar bem aqui

Eu sei que você me quer também

Baby nós podemos passar por qualquer coisa

Porque tudo vai ficar bem

Vai ficar bem

Pela tristeza e pelas brigas

Não se preocupe porque tudo vai ficar bem.


– Acho que é isso. – Justin disse meio desconcertado enquanto largava seu violão ao seu lado direito.

– É perfeita. – falei o abraçando forte, sentindo seus braços corresponderem ao gesto.

– É perfeita porque é inspirada em você. – Justin falou me dando um beijo profundo em seguida. Nós fomos interrompidos pelo meu bendito celular, que começou a tocar uma música animada, estragando nosso momento. Olhei em sua tela; estava escrito o nome de Michelle.

– Oi. – Disse assim que atendi.

– Oi, Demi. Desculpe-me ligar inesperadamente e por te avisar em cima da hora, mas hoje você tem uma entrevista com Ellen, as 19:00, e quero que esteja lá alguns minutos antes, tudo bem para você. – Ela disse rapidamente.

– Tudo bem, nós vemos lá, até mais. – Disse, desligando o telefone quando ela se despediu.

– Quem era? – Justin perguntou.

– Michelle. Tenho uma entrevista hoje. – Falei sem nenhuma expressão concreta. Estava sentindo um frio na barriga, pois era a primeira entrevista que iria dar depois que voltei da clínica, obviamente eles iriam me perguntar sobre algo relacionado a isso.

Olhei em meu relógio, marcava exatamente 16:50.

– Você não tem que voltar para o ensaio não?Já são quase cinco horas. – Comentei.

– Havia me esquecido disso. – Ele falou levando a mão na nuca e coçando-a. – Vamos? – Justin levantou-se e me deu sua mão, para que eu pudesse fazer o mesmo.

***

–Demi, dez minutos. – Michelle comentou comigo, enquanto uma mulher terminava de retocar minha maquiagem. Fiquei sentada por mais algum tempo até que ela me liberou, alegando que já tinha terminado. Fiquei ao lado de Michelle, esperando Ellen me chamar, até que ela o fez com uma simpatia enorme. Abracei-a ligeiramente e sentei na poltrona vermelha de frente para ela.

– Como você está Demi?

– Estou ótima, e você? – Falei lançando-lhe um sorriso.

– Estou bem. Todos nós estamos querendo saber de tudo o que aconteceu nestes últimos meses, quando você começou a se automutilar? – Ela foi direta, como eu esperava.

– Acho que foi pelo fato de eu sofrer bullying desde pequena, não sabia por que as outras meninas eram tão más comigo, até a menos de um ano atrás, elas simplesmente chamavam-me de gorda, e acho que f e também, eu não achava que tinha realmente alguém para me dar apoio, então simplesmente fazia isso comigo, de uma certa forma para aliviar... Os meus sentimentos. – Fui sincera, não queria esconder nada de ninguém, afinal, para quê mentir se eu poderia falar a verdade? Já havia passado dessa fase e não precisava mais ficar me lamentando, eu deveria seguir em frente.

– Se lembra da primeira vez que se cortou?

– Sim. – falei, hesitando logo depois, lembrando-me deste dia. – Eu queria expressar as minhas emoções, estava ficando angustiada, pois nunca desabafava com ninguém, então eu me cortei como para aliviar tudo o que estava sentindo.

– E quantos anos você tinha? – Ela estava sendo cautelosa com as palavras.

– Acho que tinha 11 anos. – Dei um sorriso fraco.

– Deve ter sido muito difícil para você, ter sofrido bullying e não achar que não se enquadrava na sociedade. – Ela fez aspas com os dedos nas últimas palavras.

– Não foi fácil, eu ficava muito abalada, mas sempre fingia que nada acontecia, para depois descontar em mim mesma, de outra forma. – Falei rapidamente.

– E quando você decidiu ir para uma clínica de reabilitação, qual foi sua motivação? Como você se sentiu?

– Eu estava cansada de ter que suportar tudo sozinha, e queria ser diferente, apenas uma garota normal, não queria ter que me automutilar quase todos os dias igual estava fazendo, e eu simplesmente tomei a decisão quando parei para refletir sobre isso, o que era pra eu ter feito há muito tempo. No começo eu fiquei com um pouco de medo, mas eu sabia que era para o meu bem, e teria que fazê-lo se quisesse parar com tudo isso.


E quando você já havia se internado? Como foi passar todo aquele tempo em uma clínica de reabilitação? – Ela foi direta.

– Bem, devo admitir que não foi uma das melhores fases da minha vida, era realmente muito difícil ficar trancada em um lugar fazendo as mesmas coisas durante meses, mas eu estava consciente de que era para o meu bem, e isso mantinha minha fé. – Falei despreocupadamente, tentando colocar as palavras certas.

– E qual era a sua rotina?

– Eu sempre acordava no mesmo horário, aproximadamente as 08h30min e eles me faziam comer todo o meu café da manhã, o que era difícil, pois eu nunca fazia isso. – Ela deu um meio sorriso. – Depois eu conversava com uma psicóloga, falávamos sobre meu estado emocional e essas coisas, o tratamento era realmente muito rígido.

– Eu gostaria de ressaltar que estou honrada de você estar contando tudo isso em meu programa, pois tenho certeza que você está se tornando um exemplo para milhares de pessoas que passam pelo mesmo que você passou, e que elas podem ver que não é o fim do mundo, que assim como você superou, elas podem superar também. — Ela sorriu novamente, desta vez com mais intensidade.

– Muito obrigada. Eu realmente me sinto lisonjeada em ouvir isso de você, acho que essa também é a mensagem que eu quero passar, eu queria ajudar a cada pessoa que ainda sofre com isso, pois sei o quão doloroso é, e me sinto feliz que posso ao menos passar uma mensagem para ela através da minha música, e fazer com que elas se sintam melhor.

– Se você pudesse falar algo para elas, agora, o que falaria?

– Bem, quando eu estava na clínica, eu recebi várias mensagens contendo uma mesma frase: Fique forte. E acho que isso também seria o que eu diria a elas, e que se prendam em algo que valha a pena lutar, assim como eu também fiz, porque elas não estão sozinhas, haverá sempre alguém que possa te ajudar, seja seus pais, ou amigos, o melhor que se tem a fazer é pedir ajuda.

– Concordo com você, realmente disse uma coisa importante. – Sorri em resposta. – Muito obrigada por nos conceder esta entrevista Demi, você realmente é uma guerreira, e uma inspiração também, espero que seja sempre essa garota forte e adorável!

– Obrigada.

– Agora, pode cantar uma música para nós? – assenti, ainda sorrindo.

Cantei a música, que era Skyscraper e me despedi de todos, saindo do palco logo depois.


Notas finais
E aí, o que acharam? Espero que tenham gostado. Ando um pouquinho sem inspiração então não gostei muito do cap, mas beleza. Deixem reviews please.
Beijo amores ♥