Fix A Heart
5 Capítulo 5 - Mommy
Notas iniciais
Fui deitar, pensar um pouco.
Eu não entendo. Por que pensam isso de mim?
Será que sou maníaca?
Pior é a Mary me enchendo o saco, dizendo que vou me apaixonar pelo Justin. Eu? Mary não sabe de nada.
Pensamentos como esses rondavam minha mente o tempo todo, isso deve ser normal.
[...]
Deitei com as pernas em cima da cama e com o resto do corpo no piso gélido do meu quarto.
Logo vi uma pequena caixinha embaixo da cama, uma caixinha que eu nem sabia que ainda existia. Uma caixinha que eu nunca mais havia visto. Aquela caixinha. De lembranças doces, singelas e dolorosas. A caixinha que continha todas as fotos da minha infância.
Minha querida infância, que foi embora com o tempo, pra nunca mais voltar.
Decidi pegá-la, abri com cuidado, devia estar a pouco tempo ali, até limpa estava. Lá havia fotos do meu pai.
Ai, meu pai. Que saudade. A saudade é tanta, que chega a sufocar.
- Não sabe quanta falta me faz — falei olhando sua foto e permitindo a descida das lágrimas. — Parece que foi ontem que tudo aconteceu.
- LESLIE? — era Mary.
- QUE FOI? — gritei de volta.
- SUA MÃE CHEGOU — gritou mais uma vez. Guardei a caixa no mesmo lugar e desci as escadas rapidamente. Nem me preocupei em limpar as lágrimas.
Ela esboçou um enorme sorriso e veio ao meu encontro. Abracei ela fortemente. Eu também sinto falta dela, não adianta eu dizer que não, eu amo essa mulher. Ela é minha mãe e não importa o quão errada ela seja, ela ainda é minha mãe.
- Oh minha bebê, não chora — falou e eu sorri. Adoro quando ela me chama assim.
- E então como foi a viagem? — falei meio sem interesse, afinal tenho que arranjar assunto com a minha mãe.
- Foi boa, enfim. Vamos subindo pra mim arrumar as coisas, amanhã eu já volto. — falou e arregalei os olhos.
- Amanhã? — falei surpresa e triste ao mesmo tempo — Não dá de arranjar um tempo pra mim? Você nunca tem tempo pra mim Christina, NUNCA — gritei a última palavra.
- Não me chama de Christina, sou sua mãe e eu estou vindo te ver, eu estou aqui.
- Por um dia, uma noite aliás. — falei. — Pensei que se importasse comigo — murmurei e corri para meu quarto, logo trancando a porta. Não importa quanto tempo passe, parece que cada dia ela me deixa mais de lado, mais fora da vida dela. Ela me trocou por seu trabalho, será que ela não entende que eu preciso dela aqui comigo? Chorei, solucei, muito. O buraco em meu ser, só parecia aumentar.
Sentí meus olhos ficarem pesados e os fechei, logo em seguida meus pensamentos se direcionaram a algo fora de minha realidade e em poucos minutos eu já havia adormecido.
Nem demorou muito até minha mãe me acordar.
- Que foi? — murmurei.
- Está mais calma? — perguntou.
- Estou dormindo se não notou — falei ainda de olhos fechados.
- Se realmente estivesse dormindo, não estaria falando comigo. — não falei nada e ela continuou. — Filha, eu ando trabalhando muito — me diz uma novidade — Há muita coisa pra fazer no meu serviço. — ela sempre vem com o mesmo discurso. — Mais eu vou vim agora todo fim de semana pra cuidar da minha menininha. Ou você acha que viajar a negócios é bom. — Pra ela deve ser né, fica longe de mim. — Eu te amo e eu não quero você mal — ela falou.
Infelizmente eu não acredito mais em eu te amo. Não vindo dela. Toda vez ela fala isso, mais suas atitudes me provam totalmente o contrário.
- Não precisa vim todo fim de semana — falei.
- Então tá. Durante a semana eu te ligo — não falei? Ela deve ter saído do quarto com a maior cara de felicidade. Mas não vou atendê-la durante a semana.
Peguei o travesseiro e o coloquei em frente do meu rosto, gritando muito. Eu queria descarregar tudo, mais isso não parecia ser suficiente.
Corri até o banheiro, eu precisava de uma liberação rápida e mais dolorosa. Assim o fiz. Dessa vez nem me preocupei em tapar, apenas lavei.
Saí do banheiro e coloquei a pulseira que inventou de entrar dentro do corte, certinho. O que ardeu muito no começo, mais logo passou. Coloquei mais pulseiras e fui ao banheiro novamente. Arrumei o cabelo e decidi me arrumar. Passei rímel, batom, blush. Arrumei meu cabelo em um coque meio desalinhado. Coloquei uma roupa qualquer de meu guarda-roupa e saí. Sim, é de noite e sim, eu vou pra rua. Não aguento mais ficar dentro de casa. Não com ela, quer saber? Se exploda.
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