Five of Witches
14 Capítulo 14- Culpada.
Notas iniciais
Fui o caminho todo calada, estava preocupada de mais para falar qualquer coisa.
Eu ficava imaginando coisas horríveis que podiam ter acontecido, precisava da verdade... Era como se tudo fosse um sonho, não me sentia vivendo a vida real.
Cheguei em casa e abri a porta com força a fazendo chocar contra a parede, senti a casa toda tremer, mas não me importava... A casa podia cair no chão que eu não iria me importar.
-Você é louca?! Quer destruir a casa? -Perguntou Kenna descendo as escadas rapidamente. -O que ele faz aqui?
Olhei para trás e Oliver também tinha entrado, não sei se ele havia entendido o que estava acontecendo... Mas para falar a verdade nem eu estava entendendo.
-Kenna eu vou falar uma única vez e eu quero que você seja o mais sincera que você conseguir... Querida.
Ela engoliu seco, nunca na minha vida tinha visto Kenna um tanto assustada, será que fui tão grossa assim?
-Cadê o meu pai? -Continuei, não sei se soei ameaçadora ou com raiva.
Mas percebi que Kenna ficou com medo, não de mim, mas da minha reação caso sua resposta não soasse convincente.
-Acho melhor você falar com seus primos, não me põe no assunto. -Ela saiu da frente da escada me dando passagem.
Subi as escadas o mais rápida que consegui, podia ouvir San e Matheus conversando no meu quarto, abri a porta sem hesitar, um erro que não devia ter cometido.
Meu pai estava deitado na minha cama, ele estava pálido... E não respirava. Senti meu coração parar, meu sangue tinha congelado, tudo a minha volta havia parado. Meu cérebro não funcionava vendo aquela imagem... Eu não funcionava.
Não sentia medo, nem raiva... Sentia dor. Uma dor tão forte que não podia aguentar, como se meu coração estivesse sendo arrancado de mim. Eu nunca tinha perdido nenhum parente, nunca tinha sentido o luto... E não desejo isso a ninguém.
É como se seu mundo virasse cinza, as lembranças da pessoa te atormentando e o fato de você amar a pessoa te consome de dentro para fora.
Eu não tinha mais chão, de tudo o que eu vi a coisa mais horrível e assustadora foi essa.
Ver meu pai morto, na minha cama.
Cai no chão de joelhos, nada estava mais congelado, o mundo havia voltado a girar. Lágrimas saiam pelos meus olhos e eu nem controlava mais isso.
-Hale... O que você... ? -Matheus tentou perguntar, mas a palavras sumiram.
O olhei, mas eu não conseguia vê-lo de verdade. Minha mente estava sendo consumida por frases que eu nunca mais iria ouvir “durma bem minha menininha”, “papai te ama”, “eu sempre iria te proteger”, “você sempre irá ser minha menininha... sempre”.
-Por quê? -Perguntei entre as lágrimas, meu estômago estava sendo esmagado e torturado. -Por quê?! -Meu coração doía, meu corpo doía... -Como?! Como aconteceu?! –Gritei me levantando... -Quem fez isso?! -Eu gritava cada vez mais alto, mas era isso que eu queria fazer.
Gritar. Até não ter mais forças.
-Eu posso explicar. -Respondeu Samuel me olhando nos olhos.
-Por favor, me diz que você não o matou, ME DIZ QUE VOCÊ NÃO MATOU MEU PAI!
-Depois da festa... Eu fiquei bravo por você ter saído correndo sem me deixar explicar, então peguei o carro e sai em alta velocidade pelas ruas. Eu juro para você Hale, eu não vi nada nas ruas... Até passar por cima de alguma coisa, quando fui ver, seu pai estava... Morto no chão.
-O que?! -A história não fazia sentido. -Você matou meu pai? Você é um mostro! Samuel você é um monstro!
-Quer saber Hale! Eu sou um monstro! Mas não sou o monstro que matou seu pai! Agora se você quiser me transformar nesse monstro, eu não posso te impedir.
San passou por mim e eu não senti raiva... Eu não conseguia mais sentir nada.
-Matheus. -Falei olhando meu pai, não conseguia acreditar, ele não podia ter morrido, não podia ter me deixado. -Matheus tá doendo, dói de mais... Faz para! Por favor! Faz para!
Sabe quando você ama tanto uma coisa e ela é tirada a força de você, aí você chora e chora, mas sabe que no fundo vai superar? Eu não sentia isso, meu mundo tinha pegado fogo e nada mais me importava... Meu pai havia morrido... Havia morrido por que eu fui curiosa a ponto de colocar todos que eu amo em perigo. Eu fui à culpada.
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