Five of Witches
5 Capítulo 5- A maldade me persegue.
Notas iniciais
Abri meus olhos e tudo parecia normal, estava deitada em minha cama e a luz do sol passava pela janela, mas não chegava a mim. Pisquei algumas vezes até me recordar do dia anterior... Do sangue, dos olhos vermelhos, do San... Balancei a cabeça tentando afastar esses pensamentos. Mas por algum motivo eu já sabia que isso iria me perseguir... Por muito tempo.
Mas por em quanto eu vou tentar ser uma garota normal de 16 anos. Ou pelo menos tentar, afinal... O que é ser normal? Será que ser normal era apenas colocar meu uniforme ir para a minha nova escola e fingir que nada existe? Mas isso não seria chato?
Coloquei apenas a calca bailarina preta da escola e uma regata branca qualquer, não queria chegar causado... Seria muito mais fácil se eu não fosse a aluna nova. Arrumei meu cabelo e passei uma maquiagem de leve. Quem eu estava querendo enganar?
Acho que mim mesma.
Abri a porta e dei de cara com Matheus. Estávamos tão perto que pude sentir sua respiração ofegante, e por um segundo o mundo parou, pela primeira vez gostei da sensação de câmera lenta. Por que ele tinha que ter olhos tão lindos? Parece feito por anjos...
Meu coração pulsava rápido... Mas um rápido bom. Como se fosse um mistério a ser descoberto.
Sorri sem querer. –O que faz aqui?
—Eu tinha que falar com você. –Respondeu Matheus ainda próximo de mim. Mas ele não olhava meus olhos... Ele olhava minha boca e isso realmente era uma tentação muito grande para eu beija-lo.
Afastei-me, nem pense Hale, ele não é um cara do bem... Mas talvez eu gostasse dos maus.
—Então fale.
—Não dá. Ele não quer que eu escute. –Respondeu San aparecendo do nada.
Matheus revirou os olhos. –Você não disse que ia para a escola?!
—É só que eu tenho que levar minha priminha antes. –Continuou ele dando aqueles sorrisinhos de hábito. Mas o grande o problema era que esses sorrisos eram um tanto apaixonante.
—Tem? –Perguntei.
—Tenho. –Respondeu ele.
—Oky ele tem. –Sai do meu quarto e desci as escadas acompanhando San.
—Hale espera. –Gritou Matheus ainda no topo da escada.
Virei-me em sua direção, e seus olhos azuis penetraram em minha mente. Ele sabia exatamente no que eu estava pensado e acho que não gostou muito.
—Toma cuidado. –Disse ele por fim.
Concordei de leve e voltei a seguir San.
Entramos em seu carro e por segundos esqueci que uma pessoa normal toma café da manhã. Mas claro... Nem minha manhã pode ser normal.
Seguíamos pela estrada calados, senti um calafrio. Por que mesmo eu estava no carro com um primo que tem olhos vermelhos quando vê sangue? Ele realmente era confiável? Ah quer saber... Foda-se a confiança! Cansei de ter medo de tudo, não sou uma bonequinha de porcelana, sei muito bem onde estou me metendo.
—Então... Por que eu estou no carro com você? -Perguntei quebrando o silêncio que se formava.
—Por que eu sou um bom primo. -Dizia Samuel sem tirar os olhos da estrada.
—Oky... Vou fingir que acredito.
—Você quer saber a verdade não quer?
—Quero. -Falei sem hesitar...
—Não posso dizer muito, vou dizer uma parte e use o seu cérebro de princesinha para entender o resto.
—O que você quer dizer com cérebro d...
—Não sou humano. -Disse San me interrompendo. -Sou uma criatura que suga seu sangue e se alimenta dele. Matheus já não é assim, ele não se alimenta de sangue... Ele pode ser considerado humano, mas talvez um humano com asas. E não é só nós, existem milhares de outros seres que você conhece.
—Como eu conheço isso?!
—Histórias infantis... Acha mesmo que um humano conseguiria inventar tudo o que ele escreve? -Perguntou San me encarando. Seus olhos verdes eram diferentes do seu irmão... Por algum motivo os olhos de Matheus pareciam mais inocentes e mais puros do que o de Samuel.
—Você está me dizendo que toda história tem sua parte verdadeira? -Não fiquei muito surpresa com San ser um... Vampiro. Era estranho dizer isso, parecia falso.
—Agora use sua outra parte do cérebro princesinha. Boa aula. -Ele sorriu novamente me encarando, não sei se esse sorriso me dava medo ou me confortava.
Afinal... Ter dois primos não humanos na família era bom ou ruim?
Sai do carro de meu primo e rapidamente todos me encararam. Sentia-me desconfortável, como se eu fosse um animal em um zoológico. Passei pelas pessoas da entrada e finalmente entrei na escola.
Mas os olhares só aumentaram, não sei se eles me olhavam por que eu era aluna nova ou por que tentavam decidir se era ou não humana.
Abri minha bolsa e peguei a chave do meu armário, sabia que minha mãe tinha colocado ela lá, enquanto eu tentava organizar todos meus livros dentro do armário ainda sentia vários pares de olhos me encarando.
—Ola... -Disse uma voz atrás de mim.
Virei-me rapidamente e o encarei. -Oi... -Sorri, ele parecia te 16 ou 17 anos, era alto, forte, tinha olhos pretos e usava óculos.
—Você é a prima dos Monroe né? -Perguntou ele.
—Sim... Sou Hale e você?
—Oliver... Oliver Burckhardt. -Nós nos cumprimentamos e sorrimos. -Você se importa de fingir falar comigo? Sei que a pergunta é estranha...
Franzi a testa. -Ahan... Por quê? -Perguntei o interrompendo.
—Vamos dizer que foi uma aposta.
Ri com sua resposta. –Claro. Quem inventou essa aposta?
—Você está vendo aquele grupinho de pessoas sentados numa mesa, uma garota de cabelos cacheados, outra de cabelo liso, o cara de boné...
—Sim estou... -Encarei a garota de cabelos cacheados, ela era familiar.
—Foram eles.
—Ah... E a menina de cabelos cacheados? -Perguntei. De onde eu a conhecia?
—Ela é a Alice. Vem cá te apresento a eles. -Disse ele me puxando pelo braço.
—O que?! Não. -Falei arregalando os olhos, mas já era tarde.
Eu já estava de frente para eles tentando esconder minha vergonha, não era nem vergonha acho que era timidez... Não sei.
—Então gente. Essa é a Hale, Hale esses são Selena -A garota de cabelos lisos. –Alice e Leo -O garoto de boné.
—Oi. -Sorri, estava tremendo, bom pelo menos acho. Tenho medo de falar a coisa errada no momento errado e não ter mais concerto.
—Senta aí. -Disse Alice. -Acho que você se lembra de mim né? Carta, porta, campainha.
Arregalei os olhos novamente. -Ahh claro, desculpa por ter te tratado daquele jeito... Eu estava meio sonolenta.
—Imagino. -Continuou ela com um sorriso irônico.
Acho que vai ser meio difícil ser amiga dela. Alice não parecia patricinha, nem uma nerd... Eles parecia mais o grupo dos populares ou dos caras maus. Sabe aqueles tipos de pessoas que sempre tem um pouco de tudo? Nunca senguem as regras? Fazem o que os deixam felizes... Gostam de se sentir livres. Normalmente são os que mais "causam" na escola, mas mesmo eles tendo todos esses defeitos... Pareciam mais uma família onde todos se zoam e se amam ao mesmo tempo, sorri com isso, gostei deles.
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