Five of Witches

19 Capítulo 19- Somos apenas crianças


Notas iniciais
Só vou postar mais esse capítulo!! Espero que gostem!!!

-Não é o Samuel. -Disse Matheus.

-Que seja! Vocês não podem trazer ela! -Continuei com o mesmo tom de voz.

-O que? Como assim? Por que não? -Ele parecia não entender... Talvez não soubesse que a tal bruxa era a Alice.

Kenna puxou o celular da minha mão. -Onde vocês estão? -Eles não podiam trazer ela, Alice não podia morrer por minha causa! -Não Matheus! Matheus! Matheus! -Ela aumentava o tom de voz a cada vez que pronunciava seu nome. -Cala a boca! Obrigada! Traz a bruxa. Isso Matheus traz a bruxa. Você é surdo?! Oky. Tchau.

-Você tá louca?! Ela vai me matar?! -Gritou Alice antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa.

-Querida acho que você não tem um plano né? Pois bem. Eu tenho.

-Qual? -Perguntei me intrometendo na conversa.

-Simples, Alice não tem a tal adaga, e essa bruxa que tá vindo pra cá deve ter essa adaga. A gente pega dela e mata ela, antes que ela mate a Alice. -Kenna sorriu como se disse “Viu, eu sou a inteligente”.

-A parte que eu não quero matar ninguém? Onde você colocou ela?

-Alice se conforma! Essa é a realidade da sua vida, para de drama!

Ela não respondeu, por pior que parecesse isso era verdade... Todos temos que nos conformar um dia, se conformar com o que vivemos e como será nosso futuro. É assim que vai ser e ponto, temos que parar de fingir que está tudo bem e fazermos alguma coisa para realmente estarmos bem.

-E agora? O que a gente faz? -Perguntei tentando encarar as duas ao mesmo tempo.

-A gente não faz nada, agora você Alice... Tem que sair daqui antes que a outra bruxa chegue. Vai para a casa de campo dos Monroe, depois vamos para lá.

Alice pegou o livro e saiu da biblioteca. Como isso pode estar acontecendo...? Porque as pessoas querem se matar por poder?! Eles não podem nem escolher os próprios destino, têm que viver seguindo o que os outros escolheram para eles.

As pessoas a nossa volta iram acabar morrendo por causa dessa luta, pessoas que amo... Não posso perder outra pessoa. Não posso perder minha mãe, mesmo que ela me odeie.

-Pede logo. -Falou Kenna lendo minha mente.

Virei para ela rapidamente. -Não entra na minha cabeça.

Seus olhos me encaravam, entraram dentro de mim, viam tudo o que eu passei, tudo o que eu senti. Ela entrava na minha alma, e eu sabia... Sabia que ela não se importava nem um pouco com nada que via.

-Quero um favor. -Pedi, mesmo sabendo que ela já sabia o que pediria.

-Peça, mas vou logo avisando, vai ter um preço. -Kenna sorriu inocentemente.

-Qual?

-Não importa agora, você vai pedir ou não?

-Hipnotiza a minha mãe a fazer exatamente o que eu disser.

-É pra já. -Ela saiu da biblioteca e eu a segui.

Nós íamos em direção ao quarto de minha mãe, já sentia as lágrimas nas minhas bochechas, meu coração estava acelerado... Isso doía... Era como estar sendo sufocada, eu precisava de mais ar... Como se ele não existisse, não tem um sentimento certo para definir isso, é como você estar morrendo de pouco em pouco, porque quando você faz algo que não quer mesmo sabendo que é o certo uma parte de você morre.

Kenna me olhou como se perguntasse “tem certeza?”, afirmei com a cabeça, então ela abriu a porta.

Minha mãe estava sentada na cama, ela me olhou enojada. -O que está fazendo aqui? Não deixei claro da última vez?! Eu não quero você no meu quarto.

Encarei o chão sem resposta.

-Cala a boca. -Falou Kenna. -Para de falar besteira, você vai ouvir a sua filha e irá fazer exatamente o que ela mandar sem questionar.

-Irei fazer o que Hale mandar, sem questionar. -Minha mãe parecia um robô... Ter que fazer isso com ela... Foi uma das piores coisas na qual eu passei.

-Mãe... Eu sei que você não é assim, sei que você foi hipnotizada e eu sinto muito por fazer você passar por tudo isso. Sei que foi minha culpa, eu estava tão curiosa por saber o que Matheus escondia que nem percebi que estava levando todos que eu amo para um buraco fundo e escuro. Mas eu quero arrumar isso... Eu quero que você esqueça de tudo, esqueça que se casou, que veio morar aqui, da dor... Esqueça de mim. Quero que você tenha uma vida longe da aqui, faça o que sempre quis fazer, viaje pelo mundo em busca da sua felicidade. Esqueça que você teve um passado. Agora vai, pegue o primeiro vôo para um lugar bem distante, só va. Eu te amo mamãe, te amo muito. -A cada sílaba que eu falava era como receber uma facada em várias partes do meu corpo.

Ela piscou algumas vezes e se levantou.

Minha mãe havia esquecido que eu era sua filha, esquecido de tudo... Nunca mais iria poder abraça lá, nem sentir seu cheiro, não iria receber suas broncas, nem elogios... Seria como não ter mãe... Um mundo sem minha mãe... As lágrimas caiam em montes, meu coração doía, meu corpo doía. Como se eu tivesse sido envenenada e o veneno estava me matando, me destruindo.

Mais era o certo, pelo menos ela estaria viva, é isso que importa.

Minha mãe não estava mais no quarto. Kenna me olhou, sua expressão não dizia nada... Como eu queria ler mentes agora.

-Você me deve um favor. -Disse ela mais como se fosse um suspiro.

-O que você quer de mim? -A encarei nos olhos. Eu sou forte para aguentar isso, sou mais forte que penso, vou suportar a dor, tenho que parar de fingir que sou fraca... Não posso acreditar nisso, porque não é verdade. E eu cansei de mentir para mim mesma.

-Eu sei que foi difícil você falar isso para sua mãe. É por isso que você vai entender o que eu vou pedir. Você fez isso por amor, e eu vou pedir isso por amor.

Franzi a testa, então Kenna se preocupa com alguém além dela mesma?

-Quero que você fale para o Samuel ir embora daqui. Ele não me ouve... Mas te ouve. Se ele continuar aqui vai entrar nessa luta que está só começando e se entrar... Tem chance de morrer, e eu não vou aguentar perder ele.

-Por que você achar que ele me ouviria?!

-Hale você não vê?! Samuel está apaixonado por você, ele iria fazer de tudo por você, até mesmo sair da cidade.

Fiquei sem expressão, o que?! Como assim?! Não sabia o que pensar... Ele não podia gostar de mim... podia?!

-Ahan... Oky vou fazer o que poder.

-É bom você conseguir, não vai querer uma rival como eu. -Kenna sorriu inocentemente e saiu me deixando sozinha.

Essa garota tinha coração?!

Sai do quarto da minha mãe trancando a porta, não queria nunca mais entrar e não queria que ninguém entrasse, como se fosse um lugar restrito. De hoje em diante todas aquelas lembranças ficariam naquele quarto, só nele. Fui até a frente da casa com esperanças de vê lá partir... Mas era tarde de mais, ela não estava lá.

Fiquei parada olhando a estrada entre as árvores... Não sabia mais como pensar, como reagir, como falar...

-Fiquei sabendo do seu pai, Alice me contou tudo. Sinto muito. -Disse uma voz do meu lado, era Oliver.

Assustei por ele ter aparecido do nada, mas depois voltei a encarar a estrada.

-Tudo bem. -Disse tentando sorrir.

-Tudo bem?! Como pode estar tudo bem? Você perdeu seu pai, sua amiga está sendo caçada, mandou sua mãe embora e agora vive num mundo que não é seu! Por que você está fingindo que está tudo bem?!

-Não estou fingindo. Não esta nada bem, perdi meus pais, meu mundo esta virando de cabeça para baixo... Eu não estou mentindo para mim mesma Oliver sei no que estou me metendo. -Eu não o encarava. -Mas e você? Virou um lobisomem... Matou um cara... Como pode estar bem?

-Não estou, só não queria colocar você no meio dos meus problemas, não sabia se ia aguentar. Não sei se eu vou aguentar... Hale eu estava na casa da Alisson ontem mais cedo, eu matei o namorado dela... ele tinha uma família... tinha amigos... uma namorada... eu matei uma vida e destruir varias outras por causa disso! E sabe a pior parte? É que eu gostei, gostei de matar uma pessoa que fez o mau. E tenho medo por gostar.

O olhei por um momento, Oliver parecia perdido em seus próprios pensamento, voltei a encarar a neblina que se formava na estrada.

No final disso tudo, nos não passamos de crianças fingindo ser adolescentes tentando achar uma solução para tudo.

Notas finais
E ai o que acharam? Comentem, favoritem e etc!!! Bjsssss, ate semana que vem.