Five Lives
3 Envolvidas
Notas iniciais
As pernas bambearam, mas a garota não deixou que ambas enfraquecem e seguiu firme perante seu nome sair dos lábios do homem que sempre mexeu com seu coração. Agora Naruto era outro, forte e absoluto de todo o poder que tinha em suas mãos, mas isso não mudou o soar de seu nome, ainda era baixo e tímido também. E isso sempre deixou a Hyuuga confusa. Naruto nunca a deu uma oportunidade de solucionar o impasse que tinha entre os dois, nunca a havia confrontado o que seria agora que ambos e toda a cidade já sabia de seus sentimentos. Era como se ele a estivesse prendendo pra si.
— Hokage-sama, vim o mais rápido que pude. — Sua voz era firme.
Naruto chegou a sua frente com um sorriso estampado no rosto, seu cheiro era inconfundível de madeira misturado com um pouco de diversão — Mas como? — Não sei, era assim que ela se sentia, e por mais que sua mente havia focalizado que ele estava no passado o coração não agia conforme a música.
— Não precisa me chamar de Hokage... — Suas mãos pousaram sobre o cabelo negro da garota o balançando e rodando uma mecha na ponta dos seus dedos. — Somos íntimos agora Hina...
Por um segundo sentiu o desejo de respirar, já que tentava constantemente e não conseguia. Sentiu também seu rosto ruborizar e novamente as pernas fraquejarem.
— Como... assim... como? — Maldito gaguejo.
— Me sinto na obrigação, você é importante pra mim Hina... e... você fez por mim o que mais ninguém fez... e... você merece todo o meu carinho e amor... — Suas palavras foram pausadas em casa detalhe, em cada espaço ele procurava forcas para puxar a coragem e soltar conforme precisava. Seus dedos ainda enrolavam a mecha negra da garota e seu rosto agora se tornou mais branca que a sua pele, seu corpo esquentou como chamas e não conseguia mover suas pernas que agora estavam firmes sobre o chão. Ele vai se declarar?
— O que... o que quer di...dizer? — O questionamento custou a sair.
— Que por você ter salvo minha vida, por sempre ter acreditado no meu potencial... eu sempre vou te proteger e te amar... Hinata eu te amo. — Fechou os olhos no momento de falar o “eu te amo”. Porem seus lábios ainda estavam abertos com um sorriso inexplicavelmente perfeito para Hinata. — Te amo como a irmã que eu nunca tive na vida.
Foi como um balde de água fria caindo sobre seu corpo quente feito brasa. Irma? Hinata virou seu rosto e pode olhar sobre o relógio na parede, apontavam as 8h15min, sua mente se voltou desde o dia que suspendeu seus braços para entregarem o medicamento que ajudou a sarar as feridas de Naruto contra Kiba, sim, sentiu vergonha por ter pensado primeiro no menino raposa do que seu amigo de equipe. Fechou os olhos por um segundo, pulou mais um pouco, e Pein estava parado em sua frente e alguns segundos depois seu corpo voava a metros de distancia com uma dor extrema a levando a exaustão, e no segundo depois seus olhos se abriram, Naruto estava em sua frente, pode ouvir um gemido leve atrás de si, estava no meio da guerra ninja, o gemido de Neji nunca havia saído da sua mente. Sem Naruto perceber uma revolta se criou dentro da ninja, não que ele tinha obrigação de ficar com ela — Muito pelo contrario — O queria feliz, porem ele nunca havia dado a oportunidade de uma conversa, nem pra dizer que sim ou que não. Ele deixou aquele sentimento criar raiz e florescer dentro do seu coração mesmo sabendo do seu amor, mesmo sabendo o quanto ela sofria. Aquilo poderia ser ingenuidade do loiro, mas ingenuidade era o que ela nunca mais teria em sua vida.
— Irmã? — Gritou. Sim, Hinata gritou. — Você acha que eu sou o que Naruto?
— O que Hina, porque você esta assim? — Deu dois passos para trás, seu rosto denunciava que estava completamente surpreso e espantado.
— Eu te amo Naruto. Não como irmã.
— Mas Hina, me desculpe... — Abaixou a cabeça. — Eu sei, eu sempre soube. — Disse, lamentando pelas palavras.
— Eu não desculpo, você sabia o que estava crescendo em mim, e mesmo assim... mesmo assim Naruto...
— Mas não posso ficar com você... — Suas palavras eram firmes agora. — Eu nunca a amei assim, e nunca amarei...
Aquilo foi uma facada. Mas não era hora de se lamentar, ela tinha que ser forte.
— Não importa agora se me ama ou não. Você deveria ter me dito antes... Naruto você sempre soube como eu me sentia em relação a você, e nunca disse nem que sim e nem que não. Sempre me deixou alimentar isso aqui dentro, eu sempre pensei que você de fato não sabia do jeito que eu te amava...
— Mas eu sempre soube.
Sua mão agiu compulsivamente quando foi parar no rosto de Naruto. Um tapa que ecoou por toda a sala, imediatamente recolheu sua mão sobre os lábios e arrependeu de ter vindo a sala da hokage. Naruto nada fazia, apenas permaneceu com seus olhos vidrados sobre a ninja.
— Esse tapa não foi nem perto do que eu já sofri por você. — Mesmo arrependida não podia deixar seu direito cair. — Não foi pela rejeição Naruto, mas sim por ter brincado com meus sentimentos tanto tempo sendo que poderia ter cortado isso antes.
No segundo depois já não estava mais na sala, em um vulto já havia desaparecido dali e Naruto ainda continuava ali parado.
Shikamaru entrou na grande sala e viu aquela cena — engraçada podia se dizer —, respirou e definitivamente concordou com a teoria de que as mulheres eram realmente complicadas.
— Ah Hokage como eu sempre digo... elas são complicadas..., mas essa você mereceu.
— Não acredito! — A rosada gritou pulando sobre o sofá. — Você beijou o Sai?
— E o que tem? — Deu de ombros a loira — Eu já fiquei com o Kiba e o Shikamaru tá gato! — Gargalhou olhando o espanto da amiga.
— Eu queria ser mais como você... — Disse baixo. — Tão desgrudada disso de amor, meus pais já estão me deixando aos nervos com isso de casar!
E era verdade, não só Sakura mas como todas as ninjas após a guerra foram fardadas a arrumarem suas famílias, foi quase um decreto dado pelos anciões da vila, tudo seria pelo receio de uma nova guerra e a completa destruição dos altos clãs, não que Sakura viesse de um, mas o controle do chakra e suas técnicas habilidosas para a medicina possivelmente iriam se espelhar em suas gerações futuras, sem contar a forca bruta inexplicável da ninja. E quando saiu o tal decreto ela só pensou em uma pessoa: Uchiha Sasuke.
— Não sou diferente, mas passei a perceber o que é o amor. — Aquilo de fato deixou Sakura curiosa.
— Como assim?
— Olha Sakura, eu sei que você é perdidamente apaixonada ainda pelo Sasuke... — A fala da amiga a causou vergonha. — Mas olha bem pelo seu histórico. Você e Sasuke é como Hinata e Naruto. — Finalizou a mensagem não conseguindo o raciocínio da ninja. Ino revirou os olhos, mas lembrou a época que também era assim, cega pelo Uchiha.
— Ino ainda não entendi, o que eu tenho a ver com a Hina e o baka do Naruto?
— Pensa bem Sakura, você é apaixonada pelo Sasuke e ele sabe e Hina é apaixonada pelo Naruto e ele também sabe e não fazem nada, vocês duas estão presas em relacionamentos que não existem. A diferença é que Sasuke já disse que não te quer e Naruto ainda não teve coragem de dispensar Hinata...
— Você é insensível demais Ino. — Sakura se enfureceu com a forma de que a amiga colocou os fatos, não era assim.
— Não sou Sakura, ao contrario sou muito sensível. — Cruzou os braços fazendo careta. — Mas sensível com vocês que vejo sofrendo pelos cantos, Naruto a tempos tinha me falado que nunca amaria e Hinata e mesmo assim não fala nada, não desprende ela dessa situação. — Sakura engoliu seco e realmente entendeu o que ela estava querendo dizer, na verdade era tudo o que estava acontecendo só que de um jeito mais sincero de falar. — E você Sakura que se prende a um amor que você sabe que nunca vai poder ser seu, com esse decreto Sasuke tinha que unir o desejo que ele diz de reconstruir o clã e fazer isso com você. — Desceu uma lagrima no rosto da Haruno e isso fez com que Ino lamentasse cada palavra, era verdade o fato de que não aguentava mais as amigas sofrerem por algo que nunca eles iriam alcançar.
— Mas Ino, agora com Itachi ele tem mais tempo para pensar e... —
— Chega Sakura! — Ino gritava, descruzou o braço e agarrou no rosto quente de Sakura. — Chega amiga, para de sofrer por alguém que não te merece, desculpa te dar esse choque de realidade, mas estou cansada de ver a situação de vocês.
— Mas eu o amo.
— Isso não é amor! Amor é quando é reciproco, amor é quando você sente segurança, quando alguém quer te proteger e te amar, isso que você vive é uma prisão...
— Escute-a Sakura, ela tem toda razão. — Uma voz interveio na conversa trazendo um susto inevitável as amigas, a imagem da pessoa que beirava a porta era de dar dó, seus olhos marejados de lagrimas, até seu cabelo grudava sobre o resto, a imagem pálida e triste de Hyuuga Hinata pairou sobre a entrada. — É a nossa vez de ser feliz.
Saiu do prédio do Hokage até que cedo, já que as reuniões com Shikamaru eram super demoradas, até para falar aquele garoto era lento e ninguém podia negar — Agora entendo porque o Nara e o Hokage se dão tão bem. — Riu em pensamento da piadinha, ainda era cedo e tinha muito tempo antes do almoço com as meninas. Como de costume beirou o cemitério de Konoha e lavava consigo uma kunai feita pelas suas próprias mãos que foi desenhada por Sai ainda quando Neji era vivo. Era um artefato que estava trabalhando desde o fim da guerra, tinha cravejada nela o símbolo que Neji havia levado em sua testa durante toda a sua vida e com permissão de Shikamaru havia conseguido autoridade para a enterrar ao lado do tumulo do amado.
O lugar estava vazio, o lote do Hyuuga não podia ser visto facilmente, pois era bem distante da entrada principal, andou vagamente segurando firme o presente em suas mãos, de onde Neji estivesse com certeza iria amar, mas apesar de todo o terreno estivesse vazio de corpos vivos tinha alguém parado de frente ao tumulto do amado. Tentou reconhecer de longe a figura do indivíduo e se colocou em forma de ataque quando seus olhares se cruzaram. O homem branco de olhos diferentes pairava sobre o tumulo mesmo após saber que não estava sozinho ali.
— Quem é você e o que quer aqui? — A distancia era boa para Tenten que permaneceu ali. — Porque está no tumulo do Neji?
— Neji é o nome dele? — O homem sorriu abaixando-se perante a ninja. — Você deve ser a esposa, consigo sentir daqui a proteção que emana de você.
— O que quer aqui? — Sacou seu suporte ninja. — Fale ou irá morrer!
— Eu já estou rendido Tenten... — A garota se espantou, como ele sabia seu nome? — Alias, não tão rendido assim...
Antes que a ninja percebesse os olhos do homem mudaram de cor, para um azul que antes nunca havia visto, seu corpo agora não podia mais se mexer, era algum ataque visual que ela nunca tinha presenciado nem mesmo na guerra. O homem seguiu até onde estava, sorrindo e aparentemente indefeso.
— Hyuuga Tenten, admiro muito o gosto de Neji... — Passou a mão sobre o rosto da ninja que enojou cada segundo do seu toque, mas não pode evitar perceber em qual nome ele tinha citado.
— Não sou Hyuuga, sou Mitsashi Tenten, agora me solta! — Gritou causando um riso leve sobre o homem que continuava mais calmo a cada segundo que passava.
— Mitsashi? Ah garota, você não sabe de nada... você não tem ideia do que Neji preparou para você em vida...
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