Fita vhs

1 único


Acharam uma hospedaria pela estrada no meio do deserto, o Opala vermelho estacionou numa vaga do estacionamento. Zoro foi o primeiro a sair do carro e, feliz por esticar as pernas, logo se exercitou para ficar em forma. Sanji desceu depois, trancando o carro com a chave, constatando que a lua já aparecia por mais que o céu ainda estivesse bem azul.

Eles olharam ao redor, parecia haver ninguém na hospedaria por conta do Opala ser o único carro no estacionamento. Perceberam que havia uma casa grande perto do local.

— Será que é que nem aquele filme idiota? — Murmurou Zoro, apontando na casa ao lado, mas Sanji não o respondeu porque estava ocupado demais praguejando o carro empoeirado. — Atravessamos o deserto, você queria o que?

Sanji bufou, dando sua última tragada para poder entrar no alojamento. — Vamos até a recepção.

Seguiram para o interior e encontraram o dono dormindo atrás do balcão, nessa hora tiveram certeza de que ninguém vinha ali. Depois de acordar o pobre homem, escolheram uma das chaves presas no suporte da parede, uma com o número 4 no chaveiro vermelho.

— Você tá ligado que 4 é o número do azar, certo? — Perguntou Zoro, andando logo atrás de Sanji, que liderava o caminho até o quarto.

— Mas você é um cara de sorte, não? — Respondeu, já rodando a chave na fechadura. — Dai sua sorte anula o azar.

O quarto cheirava um pouco a mofo e havia somente uma cama de casal com uma porta que levava ao um banheiro. Nada fora do que esperavam, visto que aquele lugar estava abandonado. Sanji pensou se podiam estar naquele filme idiota, mas deixou o pensamento de lado por não ter conseguido se lembrar do nome.

Zoro deixou as malas que carregava num canto e se jogou na cama sem nem ao menos tirar seus tênis. Ele lançou um olhar sugestivo para Sanji e abriu um espaço para que o loiro se sentasse perto dele.

Sanji soltou um suspiro e se aproximou, mas com intenção de tirar os sapatos do marimo. Depois de tirá-los, passou a fazer uma massagem que deixou Zoro com um sorriso bobo no rosto.

— Cozinheiro, não está sujando suas "preciosas" mãos massageando essa lancha?

— Essas mãos já deixaram de ser "limpas" ou "preciosas" faz um tempo. — Comentou, continuando com a massagem, sorriu ao ouvir a risada de Zoro.

Zoro puxou seus pés e ficou sentado ao lado do loiro. — Pra mim ainda são, e seria terrível chupá-las cheirando ao meu chulé.

Sanji riu. — Do que está falando? Sexo é sujo.

— Então não preciso esperar você tomar banho? — O esverdeado se aproximou e pegou na camisa do outro.

Houve uma intensa troca de olhares, Zoro tirou a camisa de Sanji e depois a dele, sentindo um beijo logo após a gola transpassar. Paravam para respirar ou tocavam o corpo do outro com os lábios e os dedos. Dentes e unhas os marcavam. Riram quando caíram num buraco do colchão da cama.

— Espero que esse lugar ainda fique inteiro quando terminarmos.

Zoro comentou, fazendo Sanji rir mais uma vez. Deram um giro até o outro lado e continuaram com os afagos. Sanji retirava seus sapatos com os pés para depois desabotoar sua calça apertada e a de Zoro também.

Quando terminaram, eles fitavam o teto com infiltração, Sanji repousava a cabeça no braço de Zoro, que rodeava os ombros dele. Sanji quis fumar, mas lembrou que não teve tempo de tirar a carteira do bolso da calça que estava no chão, se contentou em se ajeitar melhor nos braços do marimo e quando esteve com os lábios bem perto de sua orelha, comentou:

— Eu fui o quarto filho a nascer.

Zoro abriu levemente os olhos que estavam cerrados desde que seu membro ficara flácido de novo. — E o que tem isso?

— 4 não é azar?

Se lembrou do que havia dito mais cedo sobre o quarto ser a chave número 4.

— Ham? Você tá me dizendo que você é o errado? — Zoro levantou o torso para encostá-lo na cabeceira de aço. — Cozinheiro, de toda a sua família, você é o único são ali!

Sanji também se sentou. — Tenho medo de ele vir atrás da gente... — Se referia ao seu pai, mas Sanji se recusava de chamá-lo disso. — Acho que ele não vai ficar quieto até me ver completamente infeliz.

Os dois haviam fugido da cidade que moravam para ter direito a uma vida feliz em outro lugar. Um lugar que os fazia se sentirem acolhidos e nunca mais precisassem mirar os olhos para o horizonte, perguntando o que havia ali. Seja o que fosse, era melhor do que estar naquele lugar.

Zoro notou que o cozinheiro chorava e resolveu abraçá-lo. — Não esqueça que eu nasci com sorte, então, por mais que você tenha nascido numa estrela azarenta, você tem toda a minha sorte pra quando precisar.

Abraçou mais forte o homem que amava e passou a chorar junto depois de se lembrar de tudo que passaram. Esperava pelo dia que seria incomum terminar uma foda com um choro.

— É passado, cozinheiro.

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