Fita de Seda

35 Capítulo 35 - Como Fogo e Pólvora


Notas iniciais
LOVE ME LIKE YOU DO, LO-LO-LOVE ME LIKE YOU DO! Eaí galera bonita do meu coração, vocês sabem o que essa musiquinha significa? Isso mesmo, meus amorecos, hoje tem beeijooo!!! o/ Esse capítulo vai para aquelas que estavam com saudades de verem Zero e Hime interagindo, para as outras que só vão me mandar review quando esse beijo acontecer, e para aquelas que disseram que só vão me dar uma recomendação quando rolar beijoca quente hehehehe Eu não estava planejando fazer beijo nesse capítulo, juro, isso só ia rolar lá pro 40, mas eu fui completamente envolvida pela vibe romântica da minha playlist, e quando vi já era tarde demais hehe Eu vou começar o capítulo com um poeminha superlegal que vi em um livro chamado “O Anjo Mecânico” e achei que combinava muito com Zero delícia albina. Agora vamos pegar os babadores porque hoje vocês vão babar arco-íris, bebês! *Tenham uma boa Leitura*

“Não ouso tocá-la sempre, temendo que o beijo

Deixe meus lábios queimados. Sim, Deus, um pequeno êxtase

Breve êxtase amargo, que se tem por um grande pecado;

Porém sabes quão doce é o sabor ofertado.”

– Algernon Charles Swinburne, “Laus Veneris”.

Eu retornei para a casa em estado letárgico, ainda chocada com a ideia insana de eu ser uma vampira quando eu não me sentia nem um pouco especial. Mesmo que eu não tivesse outra explicação para todas as insanidades que eu andara fazendo e Kira fosse a única pessoa que me conhecia antes de eu bater a cabeça e perder minha memória, não conseguia acreditar que eu pertencia a uma antiga estirpe de vampiros poderosos.

Quando entrei na bela residência do diretor, a sala estava vazia e era possível ouvir apenas o barulho dos utensílios na cozinha e o chiar de uma panela no fogo, o que indicava que Kaien devia estar preparando o jantar aquela noite.

Eu segui em direção ao cômodo para conversar com ele, pois andávamos um bocado afastados nesses últimos dias – desde a minha crise de ciúmes por ele estar abraçando a Yuuki Kuran.

Quando atravessei a porta, a imagem que me recepcionou foi tão incrivelmente fofa e inacreditável que eu precisei de seis segundos de petrificação para me convencer de que eu estava vendo aquilo sim e um coçar de olhos para ter certeza de que aquilo não era uma miragem.

Zero Kiryuu estava parado na ilha de mármore da cozinha a picar alguns temperos de maneira ágil (sua mão era um borrão), e havia um pano de prato pendurado sobre um ombro. O cabelo dele era uma bela bagunça prateada de acelerar os batimentos cardíacos, assim como a imagem dele cozinhando – e devo salientar que o aroma que envolvia o espaço era delicioso!

Se aquela criatura não fosse tão ranzinza, grossa, ignorante, irritante, ignóbil, estúpida… seria o estereótipo mais óbvio de cara perfeito. Zero era incrivelmente bonito (tanto que devia ser um crime!), era muito inteligente, além de ser bom em tudo que fazia – e isso agora incluía cozinhar. Eu devia me sentir ultrajada com aquela pessoa e não completamente desarmada, com a boca seca e prestes a ter um infarto cardíaco com tanta beleza.

Ele ergueu os olhos lilases para minha figura paralisada na porta e ergueu uma sobrancelha prateada inquisitiva para minha expressão abobalhada.

– Vai ficar aí me encarando igual uma pateta? – reclamou, incomodado.

Ele tinha que estragar toda a minha vibe Jesus-me-abana com sua personalidade ignorante incurável!

Zero não gostava muito de ser observado, e era sempre um doce quando queria que as pessoas parassem de encara-lo.

Vê-lo me fez lembrar o meu segredo e todo o perigo que aquilo envolvia; inclusive o fato de que eu dera meu “precioso” sangue de Sangue-Primário para ele, transformando-o provavelmente em um poderoso Nível-E.

Meu estômago embrulhou e eu não consegui conter o franzir de sobrancelha, enquanto eu caminhava para um banco do lado oposto de Zero.

– Qual o problema, Hime? – ele inqueriu assim que pus meu bumbum no lugar.

“Ele tem que ser tão perceptivo logo hoje?”, choraminguei mentalmente.

Ergui meus olhos e encontrei os dele perscrutando o meu rosto tão atentamente que me incomodou, meu estômago se remexendo – e pela primeira vez eu entendi porque Zero odiava tanto ser observado.

De uma coisa eu sabia com muita convicção: Zero odiava vampiros com todo o seu coração (eita, rimou!), odiava qualquer coisa referente a eles e provavelmente me odiaria se soubesse que futuramente eu me tornaria uma. Quando eu não prometi não contar para Kaien e Zero o que eu era, não estava cogitando sequer minimamente que a resposta para toda a minha anormalidade fosse eu me tornar uma vampira em algumas semanas.

Como eu poderia contar para ele que eu também era um dos seres que ele detestava? Eu não suportaria ser sua inimiga e tê-lo me odiando.

– Não é nada, Zero – tentei mentir da maneira mais convincente possível.

Mas aparentemente minha maneira mais convincente não foi o suficiente para me livrar dele, pois Zero estreitou os olhos para mim, desconfiado.

– Posso sentir o peso da sua culpa, Hime, – ele contou – também posso sentir sua hesitação. Conte-me o que foi.

Maldita seja aquela ligação esquisita entre nós que ficava me entregando! Quando eu necessitava manter algum segredo, esconder uma certa paixonite e sofrer em silêncio, aquela maldita coisa ficava dando meus sentimentos em primeira mão.

Baixei meus olhos para os meus dedos sobre a mesa, que ficavam se remexendo de nervosismo.

– Talvez eu só não queira falar sobre isso, Zero – falei de maneira cortante – Apenas continue o que está fazendo e me deixe em paz.

Senti Zero me fuzilar com os olhos, mas eu apenas dei de ombros com indiferença. Aquele seu olharzinho irado não funcionava comigo, ele já devia ter percebido isso desde o primeiro dia nessa casa.

De qualquer maneira, eu preferia muito mais a sua fúria passageira do que o ódio que ele provavelmente sentiria assim que minha verdadeira natureza fosse revelada.

O albino resolveu deixar essa passar e me deu as costas para se ocupar em jogar os temperos em uma panela – um cheiro de encher a boca d’água subindo para infestar o ar e fazendo meu estômago roncar – e começou a remexer seu conteúdo com muita convicção no que fazia.

– Devo dizer que estou surpresa de vê-lo cozinhando, Zero – admiti, tentando mudar de assunto e baixar a tensão entre nós – Onde está Kaien? É por acaso um jantar de dia dos pais para ele?

Quase pude senti-lo revirar os olhos para minha suposição.

– Kaien não é meu pai, Hime. E eu estou cozinhando porque ele está ocupado em seu escritório, conversando com Kaname Kuran.

Senti-me iluminar com a descoberta de que Kaname estava uns poucos metros de mim e tudo que eu precisava era fingir precisar conversar com Kaien sobre qualquer besteira para vê-lo de novo.

Eu não sabia se meus sentimentos me entregaram ou se eu estava tão “iluminada” que foi impossível Zero não notar, pois ele se virou um pouco em minha direção e me lançou um olhar de perfurar blindagem.

– Você não vai subir para vê-lo, garota – sentenciou.

A reação rabugenta e mandona de Zero realmente me surpreendeu, e por um segundo eu congelei sob seus olhos cortantes.

– Por que não? – quis saber, aturdida e curiosa – Eles estão tratando de algum assunto confidencial?

Caminhei para o seu lado, desejando espiar as panelas e conseguir alguma prova de alguns de seus conteúdos.

Eu não andara comendo muito bem nesses últimos dias e agora que meu apetite voltara, sentia que poderia comer um camelo cru e inteiro. Eu sempre fora um bocado comilona, do tipo que era só jogar sal em uma pedra que eu poderia comer, então podem imaginar a minha situação naquele momento em que era torturada pelo cheiro da comida de Zero.

– Não interessa se estão ou não. – Ralhou ele – Deveria parar com essa obsessão nojenta por aquele vampiro, Hime.

Ele deu um tapinha na minha mão quando tentei mexer uma de suas panelas.

– Ai! Eu só queria um pouquinho, Zero, não precisa ficar me agredindo – reclamei, franzindo o cenho com desagrado – E eu não tenho nenhuma obsessão nojenta pelo Kaname. Eu só queria vê-lo e dar um oi. Não acho que Kaname se importaria... – cocei o queixo, pensativa.

Dessa vez eu não estava desejando fazer alusão àquela minha mentira sobre eu e Kaname termos um “lance”, mas aparentemente foi isso que Zero entendeu. Como eu sei? Algo sobre sua mandíbula se tencionar e os olhos dele se tornarem faíscas perigosas me fizeram desconfiar; para não falar da fúria dele misturada com algo estranhamente amargo e possessivo me chamuscarem a pele.

Amargo e possessivo... Eu conheço esse sentimento... Espera aí, isso é ciúme!?

Minha vontade de sapatear de alegria foi interrompida quando Zero desligou o fogo, as delícias que ele preparou finalmente prontas, o que me distraiu. Sei que fiquei ali esperando uns poucos minutinhos, mas do jeito que eu estava com fome me pareceu séculos a mingua.

– Eu já disse que não irá! – falou de maneira firme.

Tirei minha atenção da comida e o olhei com o cenho franzido para seu tom de voz, minha boca distorcida em uma linha de desagrado. Estava tentada a pegar algum objeto e bater naquela cara branquela idiota que achava que podia mandar em mim.

Eu não sabia exatamente o que estava dando no Zero naquele instante para ele ter ciúmes de mim, e eu sabia que havia algo mais se insinuando na superfície das emoções dele; mas minha raiva dele estava realmente me impedindo de entender os sentimentos que estavam passando pelo albino naquele instante.

– Pelo amor do saco plástico, Zero Kiryuu, – esbravejei, apontando um dedo no rosto dele, que ele estapeou para longe – não comece a achar que você manda em mim. Se eu quiser subir a droga das escadas e falar com Kaname, eu irei, e não será você quem me impedirá!

E para provar meu ponto, dei-lhe as costas e comecei a caminhar em direção a saída daquele antro de deliciosos aromas, ignorando o choramingar do meu estômago por eu estar partindo. Mas antes que eu alcançasse a porta, aquela anta albina agarrou meu braço e me virou em sua direção, obrigando-me a enfrenta-lo.

– Não me desafie, Hime! – Zero estreitou bem os seus olhos lilases, que brilhavam como chamas.

Eu soltei uma risada brava e tentei puxar meu braço de volta, tentando fugir das odiosas sensações que seu toque me causava, mas seu aperto era firme.

Lentamente fui sendo dominada pela sensação sublime de seu toque e estava relutando com menos convicção – o que me fez sentir ainda mais ridícula.

Era como um choque devastador, uma carga elétrica infundindo minha pele, correndo por minhas veias e fazendo meu corpo todo formigar. E isso tudo apenas porque ele estava segurando meu braço.

Zero estava tão perigosamente perto e seu aroma estava começando a causar problemas no meu raciocínio e intensificando aquele peso que sempre brotava em meu coração quando olhava para seu rosto bonito. Toda a força e calor e energia estavam em silêncio ao nosso redor.

Ele tinha a beleza etérea dos anjos, como uma perfeita escultura feita em mármore.

Por mais que eu tivesse trabalhado em minhas energias I Will Survive, e tivesse me obrigado a ignorar os meus sentimentos por ele; eu não poderia escapar dele, agora ou nunca. Ele sempre estaria lá, consumindo todos os meus pensamentos, meu coração preso em suas mãos. Enquanto olhava para seu rosto perfeito, sentindo um frio no estômago e meu coração entrar em um martelar forte e descompassado, percebi que estava atraída por ele por forças que eu não podia controlar, e muito menos fugir – e constatar isso apenas me apavorou ainda mais.

Eu não estava apenas apaixonada por um albino ranzinza que não me suportava, eu estava catastroficamente apaixonada por um albino ranzinza que não me suportava.

Eu desejava lutar contra seus domínios em algum lugar bem no fundo de mim, sabendo que nada de bom viria daquela paixão avassaladora que me consumia tão intensamente, mas aquela parte patética estava no controle de minhas ações, e aqueles belos olhos lilases me observando não pareciam mais tomados de fúria.

E novamente eu era Ícaro voando para o Sol. Eu já me queimara uma vez, mas lá estava eu tentando alcançar o inalcançável.

Eu dei mais um passo em sua direção e vi seu corpo ficar tenso, mas resolvi ignorar aquela sua reação e fazer o que desejava – eu não teria tanto tempo para esperar que ele me desse aquele momento que eu tanto precisava para levar comigo quando me fosse.

Coloquei uma mão sobre seu peito firme, sentindo o coração dele batendo tão forte quanto o meu, e sorri com aquela confirmação óbvia de que ele não era assim tão alheio a mim. Ele podia não gostar de mim tanto quanto eu gostava dele; e seu coração podia pertencer a uma vampira comprometida da Night Class, mas havia um pequeno pedaço quase irrelevante que pertencia a mim.

Eu não o teria para mim, mas queria tomar a parte que me pertencia pelo menos por um instante.

Fiquei na ponta do pé, ficando grata pela primeira vez na vida por não ser baixa, e deslizei a ponta do meu nariz em sua pele, me afogando naquele cheiro maravilhoso de sabonete, especiarias e algo tão arrebatador que pertencia somente dele. Se eu pudesse, faria um frasco de perfume com o seu aroma e o espirraria em meu travesseiro para dormir sentido o seu poder calmante.

Senti suas mãos grandes agarrarem minha cintura em um aperto firme, seus dedos longos e hábeis pressionados em minha pele, e a familiaridade assustadora de seu toque me fez entrar em chamas.

Eu afastei um pouco o rosto para olha-lo e vi um brilho diferente naqueles orbes lilases enquanto ele devolvia minha observação; algo que parecia suave, mas era poderoso ao mesmo tempo.

Antes que eu perdesse a coragem para o que estava prestes a dizer, engoli uma quantidade considerável de saliva.

– É possível – eu sussurrei, um pouco sem fôlego – que você não sinta esse fogo entre nós?

Em mais um surto de coragem insana, eu me inclinei para ele e depositei um beijo cálido em sua pele pálida, sentindo-o estremecer e os dedos dele em minha cintura apertarem-me e roçarem em um pequeno pedaço da minha pele que foi descoberta pela blusa. Ele me aproximou um pouco mais de seu corpo e eu senti que poderia derreter em uma piscina a seus pés a qualquer momento.

Eu levantei meus olhos para aquele rosto divino que estava tão tentadoramente próximo do meu, e não consegui evitar olhar para a sua boca graciosa. Lambi os lábios inconscientemente enquanto observava as linhas puras e perfeitas que a formavam; o sulco, a depressão e a cor rosada saudável. O que eu não daria para beijar esses lábios mais uma vez, mesmo que recebesse outra negativa – o que provavelmente aconteceria se eu o beijasse.

Eu olhei para ele de novo e de novo, variando daqueles orbes lilases tão intensos e brilhantes para seus lábios tão tentadores... E soltei um suspiro baixo, com a sua imobilidade.

– Esqueça. – murmurei, desapontada.

Tentei me afastar dele para pensar com coerência, tentando ignorar aquela pontada dolorosa que agora sobrepujava todas as sensações maravilhosas que sua proximidade me causava, mas as mãos dele continuaram firmes em minha cintura não permitindo mais um milímetro de distância entre nós.

– Eu não vou esquecer, Hime.

E de repente ele colou seus lábios nos meus.

Eu perdi os primeiros segundos do beijo permanecendo em estado catatônico, sentindo uma de suas mãos subindo pelo meu braço para minha nuca e seus dedos se enterrando em meus cabelos, enquanto a outra ia para as minhas costas e me apertava mais junto dele, o que me tirou o fôlego.

Ergui os braços para agarrar sua nuca e puxa-lo mais para mim, entrelaçando meus dedos nos macios fios prateados da parte detrás e enrolando-os neles, correspondendo seu beijo como se minha vida dependesse disso. O gosto de Zero, a sensação dos lábios dele se movendo em sincronia com os meus, o toque suave de sua língua na minha… tudo aquilo era o paraíso.

Suas mãos curiosas passearam por meu corpo, trazendo chamas ardentes para o resto de mim, e eu me perguntei como não morri com o calor abrasador de seu beijo.

De repente seus dentes se prenderam em meu lábio inferior, puxando-o de leve, e eu gemi baixinho, agarrando seus fios com tanta força que eu devia tê-lo machucado, mas ele sequer pareceu notar. Seus braços se enrolaram ao redor de mim e me pressionaram ainda mais contra ele até que toda forma de meu corpo estivesse moldada sobre a sua, e ele estava me beijando de uma maneira tão profunda que eu sentia estar me afogando em seu sabor. Eu não estava mais respirando e minha cabeça girava loucamente até o esquecimento, meu coração batendo tão forte e tão rápido que eu sentia que poderia morrer de infarto, mas eu não me importava tampouco, pois nunca me sentira tão viva em toda a minha vida.

Quando ele finalmente deixou meus lábios era para apenas enterra-los em meu pescoço, seus pés me guiando cegamente até eu bater as costas contra a ilha de granito da cozinha. Eu estava com a respiração pesada, tentando suprir minha necessidade louca de ar, mas parecia não haver o suficiente naquele recinto que pudesse aliviar meus pulmões.

Seus lábios macios traçaram uma vagarosa trilha de beijos intensos por meu pescoço, minha garganta e minha mandíbula, seguindo até o lóbulo da minha orelha, onde ele deu uma leve mordida que me arrepiou do dedão do pé até o couro cabeludo.

Suas mãos me seguraram pela parte detrás da coxa e então ele me levantou, colocando-me sentada na bancada de granito e eu enrolei minhas pernas ao redor de sua cintura, puxando-o para mim.

Ele reivindicou minha boca outra vez, e ao mesmo tempo eu senti como se ele estivesse reivindicando meu corpo e alma. Seus dedos deslizaram por baixo da barra da minha blusa e a sensação de sua pele contra a minha me criou uma trilha de calor; enquanto a sua outra mão segurava a parte detrás do meu joelho e tentava me puxar para ainda mais perto dele – se isso fosse possível.

Eu enrolava meus braços em torno dele e o pressionava ainda mais fortemente em mim, não conseguindo compreender como eu podia estar tão perto dele e sofrendo por estar tão longe.

Mas de repente ele agarrou meus ombros e se afastou de mim abruptamente, como se meu toque tivesse o eletrocutando.

Eu fiquei ali, sentada sobre a ilha de mármore o olhando desnorteada e assustada com o súbito distanciamento, aspirando o máximo possível de ar para tentar recuperar meu fôlego. Zero havia colocado pelo menos uns três metros entre nós, e sua figura ofegante não parecia nem um pouco melhor de como eu estava, mas havia uma pequena diferença; ele me encarava com olhos vermelhos sangue e presas a mostra.

Zero engoliu em seco e levou seu olhar para a janela a sua esquerda.

– Saia daqui, Hime – ele pediu, sua voz rouca.

Eu podia ver suas mãos fechadas em punhos trêmulos ao seu lado.

Franzi o cenho, sentindo como se estivesse em um lugar caloroso e tranquilo em um momento, e então sem qualquer aviso, houvesse sido jogada em uma escuridão gelada e vazia.

– Zero, eu não vou sair por isso – protestei, gesticulando para seus olhos e presas.

Ele voltou seus intensos olhos vermelhos sangue para mim.

– Eu não estou pedindo, Hime. – Ele rosnou, mas então viu minha expressão ferida e engoliu em seco, tentando outra vez – Por favor, por favor, me escute apenas dessa vez e me deixe sozinho.

– Muito bem – eu me coloquei de pé e vi com uma mistura de espanto e dor as linhas de seus ombros relaxarem.

Eu estava completamente confusa, não entendendo como ele podia me beijar daquela maneira em um instante para no outro me expulsar dali. Era assim tão terrível ter-me ali, e um alívio ver-me indo embora?

Enquanto eu passava por ele sem olha-lo nem uma vez sequer, eu senti como se alguém estivesse arrancando minha pele e arames farpados rasgassem meu coração. Havia uma dor na boca de meu estômago que estava roendo meus nervos, e meus olhos ardiam tão fortemente que foi uma questão de milésimos até que a primeira lágrima caísse pelo meu rosto, seguida por outras, e outras, e outras...

Menina tola, como pôde achar que beijá-lo valia essa dor?

Notas finais
Antes que vocês venham a me ferir com essas pedrinhas aí, deixem-me começar explicando que Zero estava por um tris de pular na jugular da Hime e estraçalhar o pescocinho da nossa princesinha, então sejam compreensivas! Hime é uma pessoinha que não se permite ter esperanças quando se trata de Zero, então ela não encarou a parte óbvia da situação (Zero não querendo feri-la) e foi logo pensando que era porque ele não gostava dela. Gentem, esse capítulo tava aki mofando por tanto tempo que eu tenho até ele na versão do Zero :3 Dava pra eu ter feito até na versão da panela, de tanto tempo que ele tá aki kkkk Agora, contem-me o que vocês acharam do capítulo! Eu mereço reviews dessa vez, pessoas! E espero merecer uma recomendaçãozinha ae (~le chantagem emocional), sabe? Sim, leitora linda, você que me prometeu uma recomendação se eu te der um momento love deles, eu não esqueci Mwahahahahahahaha parei. Enfim, espero que tenham apreciado o capítulo! Beijos e até a próxima o/