Fita de Seda

29 Capítulo 29 - Lembranças PT. 1


Notas iniciais
Olá, galerinha mais bonita do Nyah! Olhem quem chegou e dessa vez na hora certa para postar um capítulo recém-saído do forninho para vocês, os meus doces de coco.... Eu! Viva o/ Então, antes de eu explicar sobre o que vai rolar no capítulo de hoje, vou começar explicando que o próximo capítulo não vai ser “Lembranças PT. 2” e vocês já vão saber porque. Primeiro, porque essa não vai ser a primeira vez que Hime vai ter essas quedas de consciência que levarão a recordações, mas eu não vou entregar tudo assim tão rápido u.u Então essas lembranças vão ser dadas de maneira intercalada, entenderam? Se não entenderam, mandem um review que eu explico melhor, pois tô com a sensação que dei uma explicação ruim kkk Agora me deixa falar do capítulo: Ele vai ser pesado, mesmo que eu não venha a por muitos detalhes em certo ponto que vocês já verão. Vai tratar de uma situação da vida da Hime que talvez fosse melhor mesmo ela tivesse esquecido, mas com a visão de Leigh o trouxe a tona... Bem, é melhor vocês lerem para descobrir! *Boa Leitura*

Itália, Seis Meses Antes.

As ruas de pedra já estavam obscurecidas quando saí da biblioteca e a iluminação pública não estava fazendo muito para ilumina-la; as lâmpadas pareciam um pouco fracas. Eu havia ido fazer uma dissertação da faculdade e me distraíra tanto que sequer vi o tempo passar. Estava preocupada e temerosa com a bronca inevitável que meus pais me dariam por ficar até tão tarde na rua, eles nunca gostavam que eu ficasse fora de casa por tempo demais, como se estivessem esperando que algo viesse a acontecer comigo. Eu sabia que o mundo era perigoso, mas não entendia porque eles eram tão excessivamente protetores.

Garotas como eu geralmente assustavam os caras, ou era isso que minha melhor amiga tentava me convencer, mas meus pais davam uma ajuda e tanto para minha vida amorosa inexistente.

“É esquisito o suficiente uma garota de dezessete anos cursando a faculdade” minha amiga (que eu não conseguia me lembrar do nome ou seu rosto) dizia “Somado com pais lunáticos e superprotetores, eu aposto que você se tornará a mulher dos gatos”.

Eu sempre fora do tipo estudiosa e provavelmente tediosa para a maioria dos rapazes. Vivia com a cara nos livros, uma xicara fumegante de chá (porque eu odeio café) e o cabelo embolado em algum nó malfeito; e a biblioteca era quase como a minha segunda casa.

Aquela noite havia acontecido algo diferente enquanto eu estudava, o motivo de eu ter demorado tanto para retornar a minha casa, algo que me deixara sorrindo e saltitando como uma boba por todo o caminho até em casa; e os dedos que eu levava aos lábios costumeiramente me indicavam que eu havia sido beijada – talvez fosse o meu primeiro beijo...

Cheguei a uma casa de pedra, bonita e aconchegante,

Minha casa... Aquela era minha casa...

Entrei retirando o casaco que vestia e o lenço, mas instantaneamente me detive na porta, notando que estranhamente estava tudo escuro e frio. Havia uma brisa gelada que balançava a fina cortina branca da sala, e tudo estava envolto por um silêncio quase pétreo. Fechei a porta atrás de mim com muito cuidado, e avaliei o espaço com desconfiança, notando que havia vidro quebrado no chão. Coloquei as peças recém-retiradas no cabide e andei na ponta de meus tênis Puma para dentro, alguns cacos estalando sob a pressão de meus pés e fazendo todo o barulho que eu estava tentando evitar – praguejei baixinho.

Estava com uma sensação estranha no peito, de que algo estava terrivelmente errado, e eu não tinha certeza se era uma sensação legítima ou eu estava sendo infectada pelas paranoias de meus pais – mas por via das dúvidas, optei por não imitar as protagonistas de filme de terror que saem gritando por seus conhecidos pela casa, indicando ao assassino onde estão.

Virei para a sala de jantar um tanto distraída olhando tudo em volta que quase não notei as três figuras iluminadas pela luz de uma vela no centro da mesa de carvalho. Uma bela mulher com características italianas – cabelos pretos e cacheados, olhos negros amendoados e pele bronzeada – que parecia estar na casa dos quarenta anos estava sentada em uma cadeira, ao lado de um homem japonês bonito, mesmo que um pouco acima do peso, que parecia ter a mesma idade que a mulher.

Minha mãe e meu pai...

Eles estavam amordaçados e amarrados à cadeira pelas mãos e pés, ambos com sinais de agressão. Meu pai havia sido surrado e a mordaça estava manchada com sangue, assim como sua camisa, que estava quase em tiras com os diversos cortes; minha mãe estava com o lado esquerdo do rosto inchado com algum golpe que a acertara ali, seu pescoço estava com marcas de dentes, por onde um borrão de sangue manchava sua pele e a blusa branca de botões que vestia – os restos do cordão de pérolas dela jaziam no chão.

Mais atrás estava um rapaz de olhos dourados e tão bonito que me tirou o fôlego... Não, ver que ele havia feito aquilo me tirou o fôlego, pois eu já o conhecia...

Leigh Asamiya...

– Oh, ela chegou! – cantarolou com fingida alegria e então dividiu um olhar entre meus pais – Parece que não vou mais precisar de vocês.

Meu pai e minha mãe começaram a se remexer nas cadeiras, tentando se livrarem das limitações, suas vozes tentavam gritar alguma coisa para mim, mas estavam abafadas pelas mordaças.

Leigh caminhou lentamente até mim com um sorriso maligno nos lábios, o que deixou meus pais ainda mais agitados; o dourado dos seus olhos queimou nos meus com tantas más-intenções que pareciam estar maculando minha alma – o tipo de olhar que um predador lançaria a sua presa. Meu coração tropeçou, o pânico enchendo minha garganta com um nó, e eu recuei alguns passos instintivamente, sabendo que não viriam coisas boas e que se eu quisesse uma chance de ajudar meus pais, não seria tentando um mano-a-mano contra Leigh.

Girei nos calcanhares e corri pelo caminho que me levaria de volta à porta, tentando ser tão rápida quanto eu nunca fui e ouvindo com terror os passos que me perseguiam. Leigh me alcançou antes que eu conseguisse tocar a maçaneta, seus braços envolvendo os meus e a minha cintura com um aperto férreo, levantando meus pés do chão.

Eu gritei e me debati, desesperada, enquanto ele levava de volta.

– Pelo amor que tem pelos seus pais, garota, cale a boca! – pediu com humor maligno.

Ele me jogou brutalmente no chão aos pés dos meus pais, a queda forte o suficiente para arrancar todo o ar dos meus pulmões e lançar rajadas de dor por meus músculos e ossos.

– Ah, que maravilha! – Comemorou – Agora a feliz e perfeita família Yagami está completa. Agora me deixe pensar o que vou fazer com vocês para celebrar este momento mágico...

Leigh coçou o queixo, examinando o espaço ao redor, parecendo pesar suas opções. Eu aproveitei o instante para olhar em volta também e tentar encontrar algo que pudesse me salvar; qualquer objeto que poderia ser usado como arma para salvar tanto a mim quanto aos meus pais daquela situação.

– Há tantas coisas que seriam divertidas, – falou mais para si mesmo, mas eu sabia que era com intenção de nos apavorar – e eu fico tentando imaginar qual delas poderia ser a pior.

Ele se virou para olhar por sobre seus ombros, uma mão coçando a nuca, e eu aproveitei aquele instante para chuta-lo com todas as minhas forças, o golpe sendo suficiente para derruba-lo no chão.

Forcei meus braços a me colocarem de pé e comecei a correr em direção à porta da cozinha, mas antes que eu chegasse a atravessa-la, Leigh agarrou meu tornozelo e puxou-o para trás, o que me fez cair de barriga no chão.

– Eu sei que te falei que adoro as difíceis, – falou mais duramente, enquanto escalava para cima de mim – mas essa sua bravura está começando a me irritar, docinho.

Ele me virou de frente para ele, enquanto eu tentava sem sucesso golpeá-lo, machuca-lo de verdade. Um soco com uma potência arrasadora me acertou o rosto, me deixando completamente desnorteada, e então eu estava sendo arrastada pelos cabelos de volta ao meu lugar.

– Sabe, eu consegui pensar em alguma coisa terrível – se vangloriou, a voz dele parecia um pouco distante enquanto minha visão embaçada rodava – Sua filha é virgem, não é? – então senti os lábios de Leigh em meus ouvidos – Que tal fazermos um showzinho para os seus pais, hein?

Senti seus dedos deslizando lentamente para debaixo da minha blusa, enviando um arrepio de nojo e terror por todo o meu corpo. Em um surto de adrenalina eu tive forças para relutar, e mesmo que ainda estivesse um tanto zonza, tentei bater nele, arranha-lo e fazer com que Leigh parasse; mas ele me acertou com outro soco em minha têmpora. O mundo rodou para longe mais uma vez, os gritos dos meus pais indo para ainda mais distante assim como a sensação da minha blusa sendo rasgada e os lábios de Leigh pelo meu corpo.

– Não se preocupe, Hime – ele falou com uma ênfase debochada no meu nome, sua voz parecendo um eco – Logo, logo você vai gostar...

O mundo retornou a mim com uma intensidade horripilante quando as presas de Leigh se cravaram no meu seio, causando uma dor aguda e pungente que me arrancou o ar por um instante. Eu gritei com todas as minhas forças, soquei-o, tentei arrancar seu cabelo e chuta-lo para longe de mim.

Leigh ergueu o rosto com os lábios sujos com meu sangue e riu dos meus esforços, então agarrou meus pulsos para me dominar e prendeu-os com uma só mão, com a outra ele segurou meu rosto e apertou um beijo contra meus lábios, um nauseante gosto de ferrugem e sal infectando minha boca. Eu me remexi e tentei virar o rosto, mas ele manteve meu rosto preso e a mercê de seus lábios. Em uma última tentativa eu mordi seu lábio inferior com todas as forças, esperando arrancar sangue e talvez um pedaço. Leigh afastou o rosto um pouco para me lançar um olhar divertido, o lábio inferior apenas inchado, e então sussurrou:

– Se você continuar lutando, eu vou nocauteá-la e partir para a vadia da sua mãe, entendeu?

Eu paralisei, meus olhos esbugalhados marejando, então arrisquei um olhar para minha mãe, que balançava a cabeça para que eu aceitasse a oferta – ela sabia que eu preferia mil vezes um soco a um estupro. Mas se eu poderia salvar minha mãe disso e meu pai de ver sua esposa sendo estuprada por um bastardo monstruoso como Leigh sem poder fazer nada para impedir, então eu aceitaria aquela experiência horrenda em silêncio.

Voltei minha atenção para Leigh, engolindo a bile que ameaçava irromper meus lábios selados, e balancei a cabeça, aceitando, o que o fez abrir um sorriso triunfante.

– Você não vai ter nenhum prazer, – ele prometeu – apenas dor.

Ele forçou outros de seus beijos em minha boca, e eu não fiz nada para retribuir, mas também não relutei; e deixei que ele arrancasse minhas últimas peças de roupas.

Eu fiquei quieta por todo o processo, a cada dolorosa estocada, a cada vez que ele forçava seus lábios sobre os meus e a língua para dentro da minha boca, a cada vez que ele me cortava a pele só para me ver sentir dor, mas eu não me permiti gritar para deixa-lo ainda mais alegre – Leigh era um maldito sádico.

Tentei me levar para algum outro universo, um campo verde e florido onde eu pudesse me sentar e aproveitar o suave sol fazendo carícias na minha pele; onde eu estaria na companhia de todos os meus personagens favoritos, com quem eu poderia passar horas conversando e rindo, mas as dores sempre me arrastavam de volta para aquele momento nojento.

Quando Leigh finalmente terminou comigo, fiquei jogada no chão em silêncio e imóvel, encarando o teto e ignorando o frio e cada uma das sensações horríveis que passavam por meu corpo, embora as lágrimas ainda persistissem em cair. Fui arrastada para uma espécie de torpor paralisante, minha mente branca e livre de pensamentos sobre o que havia acontecido comigo; e esperei que se eu ficasse tão imóvel talvez pudesse morrer.

Eu sempre imaginara como seria a minha primeira vez, já que sempre fora uma garota romântica em excesso. Sempre imaginei que seria em um lugar calmo e com alguém que me amasse, que se importaria comigo o suficiente para ser calmo, doce e paciente… mas aquilo era de longe a pior coisa que poderia acontecer, e eu senti que naquele instante parte de mim havia se quebrado.

Vi pela minha visão periférica Leigh abotoar sua calça enquanto ria baixinho, seus olhos ainda em mim.

– Foi uma bela experiência – ele falou com ar de diversão – Ainda mais para você, é claro, que terá um lugarzinho eternamente guardado em sua memória para quem foi o seu primeiro. Mas tenho uma péssima notícia para você, princesinha, isso não vai salvar os seus pais.

Aquilo foi o suficiente para me trazer de volta para o mundo, com todas as suas dores. Voltei um olhar aterrorizado para Leigh, que já caminhava na direção dos meus pais...

Notas finais
Pois é, meus amores, pois é... Agora dá pra ter uma noção do porque Hime tem tanto medo de Leigh e que ele não é um vilão para se apaixonar... E que ele é doentio, não vamos nos esquecer disso também. Mas, notaram dois pequenos detalhes cruciais no capítulo? Sim, ele é um Asamiya! O que levanta mais dúvidas sobre o nosso vilão u.u E sim ao quadrado, o sobrenome da Hime é Yagami! Enfim, espero que vocês tenham apreciado o capítulo (não pelo que aconteceu com a Hime, mas por saber um pouco mais sobre ela), e que eu mereça alguns reviewzinhos das liendas que permanecem aqui, firmes e fortes e leais... E desses fantasminhas que ficam vagando por esses cantos e não deixam nem um sinalzinho de suas existências #Xatiada Ai, eu adoro vocês hehehe E não posso deixar de agradecer, é claro, a Cni, Bárbara, Luna, Lily, Saky e Thamyres por continuarem comentando e me incentivando (mesmo que seja na base da ameaça kkkk) Obrigada, mesmo! E você, fantasminha? Tá esperando o que para deixar sua opinião, crítica ou sugestão para mim? Eu sou superlegal com todos que me mandam reviews... E até a próxima o/