Fita de Seda

1 Capítulo 1 - Carmesim


Notas iniciais
Yoo o/Bem, cá estou eu com uma fic nova e espero q vcs gostem :v Aquela sinopse lixo, vou melhora-la, prometo! kkk Bem, agora chega de enrolação!!! *Boa Leitura*

Sangue... Tudo a minha volta era um festival de vermelho, tingindo as paredes e o teto em uma cor fúnebre, como um quadro macabro de pintura abstrata. Uma cacofonia de gemidos débeis e murmúrios por ajuda ecoavam por meus pensamentos, tirando-me da escuridão da inconsciência e trazendo-me para o mundo real. No entanto, não precisava olhar ao redor para saber que estavam todos mortos, então não poderiam ser os corpos a gemerem e pedirem ajuda, mas sim minha recordação do que fizeram antes de suas vidas serem sugadas pela noite.

Não sabia quanto tempo estivera ali, apenas tinha consciência de que era noite quando cheguei. O ambiente estava escuro e frio naquele lugar, minha respiração esfumaçava em uma névoa gelada. Não conseguia sentir meu corpo direito, fosse pelo estado letárgico em que me encontrava ou pelo frio que sentia.

Eu estava caída no chão gelado, arfando com o pavor de algo que eu não sabia o que era – talvez pela escuridão solitária em que me encontrava ou os cadáveres que me rodeavam – sentindo meus cabelos longos espalhados em volta de minha cabeça. Era possível ver raios solares atravessando as pequenas frestas da janela de madeira velha e por baixo da porta, mas a luz não era suficiente para salvar-me da escuridão.

Forcei meus braços a erguerem meu tronco, fazendo-me sentar, e minha mente girou em protesto com o movimento rápido. Levei uma mão à testa e fechei os olhos, tentando suportar a sensação vertiginosa que movia todas as superfícies ao meu redor e criava um pulsar insistente e doloroso em meu cérebro. Assim que toquei a testa, senti um líquido viscoso e quente sob meus dedos, que eu supus ser meu sangue, o que comprovava que não estava ali havia muito tempo.

Com um suspiro trêmulo, abri meus olhos assim que a sensação incômoda diminuiu, e permiti que meus olhos vagassem pela carnificina ao meu redor, vendo diversos corpos estraçalhados de variadas idades, todos com uma expressão apavorada em seus rostos. Alguns tinham o pescoço faltando um pedaço e/ou a frente do corpo aberta, por onde as vísceras escapavam para fora. Levei as mãos aos lábios, sufocando um grito de pavor que ameaçava sair, meu coração martelando de maneira dolorosa. Meu estômago deu voltas nauseantes, ameaçando liberar o pouco conteúdo guardado ali, e mesmo assim eu não conseguia parar de olhar os mortos que me cercavam, sentindo meus olhos marejarem e algumas lágrimas escaparem, escorrendo por minhas bochechas e atingindo o chão de pedra. Engoli em seco e olhei para meu corpo, percebendo que minha camisa branca e a saia pregada azul estavam extremamente sujas de sangue, assustando-me. Eu avaliei cada milímetro de meu corpo, apalpando em busca de algum ferimento e constatando que havia apenas o da cabeça – e isso comprovava que aquele sangue que manchava minhas roupas não era meu.

De repente a porta que se encontrava a minha frente se abriu e a luz do lado de fora invadiu o espaço, cegando-me por instantes apavorantes – afinal, poderia ser o assassino de todos ao meu redor. Levei a mão à frente dos olhos para protegê-los dos raios solares, ofegando e sentindo a adrenalina correr pelo meu corpo e o coração martelar descompassado, enquanto esperava me acostumar com a súbita claridade no ambiente. Lentamente fui baixando a mão e vi uma figura esguia à frente da porta a observar-me com leve curiosidade. Era um rapaz de sobretudo negro e cabelos prateados lisos cobrindo a testa e alcançando os olhos. Fitei seu rosto de traços frios e impecáveis com pavor, questionando-me se ele era o inimigo e se eu deveria correr. Ele era albino, seu rosto tão inexpressivo quanto à face de um anjo talhada em mármore.

Ele apontou uma pistola prateada para mim, e eu engoli em seco, apavorada, o sangue pulsando alto em meus ouvidos.

– Quem é você? – perguntou-me a figura, sua voz era forte e ecoou por cada recanto daquele lugar.

Engoli em seco, lutando contra o nó em minha garganta, e tentei buscar a informação que ele desejava por toda minha mente. Era uma pergunta simples e, no entanto, eu não tinha a resposta para ela... Quem eu era? Por que estava suja de sangue e rodeada por corpos?

Voltei meu olhar atônito para as orbes lilases do rapaz albino, claras como vidro e penetrantes como adagas, desejando algum conforto, mas tudo que recebi foi um olhar frio e negligente.

– Eu não sei... – esforcei-me a dizer, mas a voz não saiu mais do que um mero murmúrio trêmulo e apavorado.

Ele me avaliou por alguns instantes, como se estivesse se decidindo se eu falava a verdade, então com um suspiro do que me pareceu impaciência, guardou a arma no interior do casaco e andou até mim, ajoelhando-se a minha frente. Seus dedos frios tocaram minha bochecha e baixaram minha face de forma brusca para avaliar meu ferimento na cabeça, o rosto dele tão próximo que sentia seu hálito em minha pele.

– Provavelmente você perdeu a memória graças a essa pancada na cabeça. – explicou, os dedos afastando-se logo depois – Consegue andar?

Encarei-o por alguns instantes, atordoada, e então balancei a cabeça em sinal de anuência, mesmo que eu sentisse meu corpo dormente.

– Certo, me siga. – ordenou.

O rapaz se levantou e recuou de costas, observando-me enquanto eu, ainda zonza, esforçava-me para me erguer e manter minhas pernas estáveis – e notei que ele era vários centímetros mais alto que eu, talvez uns 10 cm. Tentei dar um passo a frente e senti meus joelhos vacilarem e baterem no chão, ralando-os. O albino soltou um suspiro exasperado e estendeu a mão pálida para mim, e eu a agarrei imediatamente. Ele me puxou subitamente, colocando-me de pé e eu cambaleei, mas seu braço envolveu minha cintura, e me arrastou para fora daquele lugar horrendo, como se já estivesse sem paciência.

Descemos as escadinhas e ele me guiou por uma rua de terra do que parecia ser uma vila cheia de casas simples feitas de pedra, a maioria com marcas de mãos ensanguentadas nas paredes, uma espécie de garras nas portas de madeira simples. O sol estava escondido por trás de uma fina película de nuvens, o ar refrescante me arrepiando a pele, as casas faziam sombras na estrada. Havia alguns corpos ou vísceras pelo caminho, e eu esforçava-me para engolir a bile que ameaçava escapar por meus lábios. Meu cabelo negro e liso finalmente cobriu meu rosto como uma cortina, impedindo-me de ver a carnificina pelo caminho que nós seguíamos, e tudo que podia enxergar eram meus pés se esforçando para acompanhar o albino, tentando diminuir meu peso enquanto ele praticamente me carregava para fora dali; e eu quase tropecei em um braço infantil. Eu teria gritado se não tivesse selado muito bem os meus lábios.

– Você se lembra de alguma coisa? – perguntou o albino calmamente – Sabe o que aconteceu nesse lugar?

Ergui meu rosto para olhá-lo, descrente que aquela cena não o estivesse afetando, e notei que ele tinha um traço estranho em sua expressão, como se estivesse sentindo algum tipo de dor física, mantendo sua atenção no caminho à frente. Estaria ele ferido?

Ignorando a questão, considerando que talvez fosse mal-estar estomacal com aqueles pedaços de pessoas espalhadas, tentei fazer com que minha mente trabalhasse em busca de algo que pudesse ajudar meu salvador, mas tudo que recebi foi um doloroso e quase insuportável pulsar em minha mente. Aquilo era frustrante, a total falta de respostas que havia em minha mente sobre quem eu era ou o que havia acontecido tanto comigo quanto com o lugar.

– Não consigo me lembrar de nada. – falei com a voz um tanto chorosa – Eu não consigo me lembrar de nada...

O rapaz parou e colocou-me a sua frente de forma nada delicada, analisando meu rosto friamente.

– Está tudo certo, pirralha – falou de maneira quase indiferente –, eu dou um jeito de descobrir o que houve. Esse era meu plano inicial, de qualquer forma – concluiu por fim, de forma nostálgica – Só tinha esperança de que você facilitasse minha investigação.

Mordi o lábio com pesar.

– Sinto muito.

Ele deu de ombros e se pôs a andar, deixando-me a observa-lo se afastar de mim sem olhar para trás. Senti um frio intenso enquanto a aura negra dele se distanciava e subitamente me senti desprotegida, vulnerável. Olhei tudo em volta, aquele cenário de filme de terror como uma cidade fantasma amaldiçoada a espera de novas vítimas, que no caso seria eu. Em uma torrente de medo súbito pus minhas pernas dormentes a correrem para perto do albino, mesmo que eu permanecesse um pouco atrás, as suas costas.

Ele me olhou por sobre os ombros e arqueou uma sobrancelha desdenhosa, e eu forcei meus lábios a sorrirem nervosamente para ele – e tinha certeza que o resultado havia sido assombroso.

– Sabe, pirralha, – começou a dizer – é nesse instante em que nossos caminhos devem se separar. Vá para onde quer que considere seguro e eu irei atrás do assassino que fez esta chacina.

– Eu não sei sequer meu nome, vou me lembrar de onde posso considerar um lugar seguro? – rebati, tentando convence-lo a me deixar segui-lo – Além do mais, o assassino está à solta... Eu posso morrer sozinha.

O albino deu de ombros.

– Não é como se eu me importasse, de qualquer forma. – respondeu friamente.

Franzi o cenho, a resposta do rapaz me esbofeteando a bochecha, ao mesmo tempo em que algo ardia em meu âmago, como fúria.

– Como assim não se importa? – questionei revoltada.

O albino continuou a andar a passos largos sem se importar com o esforço que eu fazia para tentar acompanha-lo, ofegante. Quando ele estava me ajudando já era difícil, imagine quando ele não queria ser seguido...

Ele não podia ser tão insensível a ponto de não se importar com a vida de uma garota sem memória, certo? Pelo menos eu esperava que não.

– Não ligo, não dou à mínima, não me interesso... – falou sem olhar para trás – Deu para entender, pirralha?

Bufei, exasperada com sua impassibilidade, e com esforço retirei a minha sapatilha preta sem deixar de segui-lo, e então a joguei mirando em suas costas e acabei por acertar sua cabeça, fazendo-o parar subitamente, os ombros tensos. Eu parei para não colidir em suas costas, engolindo em seco, mas impedindo-me de fraquejar naquele instante, afinal, eu o atingira na cabeça e deveria aparentar que essa havia sido minha intenção. Ele se virou lentamente com um olhar incisivo e homicida e, recusando-me a dar ouvidos aquela vozinha que dizia para fugir o mais rápido que podia para as colinas, devolvi seu olhar sem pestanejar.

– Você jogou seu sapato em mim? – perguntou ele, a voz baixa e ferina.

– Sim, joguei. – minha voz tinha uma firmeza ilegítima, pois ninguém cutuca uma onça com vara curta e sai ileso – Não sei que espécie de monstro cruel é você que deixa uma garota fraca, indefesa e confusa a vagar sozinha por um lugar como esse, sabendo que ela sequer lembra o próprio nome e pode ser atacada pelo assassino que estraçalhou – a palavra saiu quebrada – cada pessoa desta vila.

– Não confio em você. – foi tudo que disse, como se a explicação fosse extremamente simples e plausível.

Ri raivosamente para ele, cogitando tirar a outra sapatilha e mirar em seu peito – assim eu acertaria seu nariz.

– Eu devia desconfiar de você também.

– Então, acho que estamos entendidos. – começou a se virar – Cada um para o seu caminho.

– Não, nós não estamos entendidos. – retruquei, puxando-o pela manga do casaco – Olhe para mim, rapaz, tenho cara de assassina?

Ele avaliou-me por uns instantes, suas orbes lilases deslizando pelo meu corpo com certa apatia.

– Não, – concluiu por fim – mas se surpreenderia com a quantidade considerável de assassinos acima de qualquer suspeita.

– Tenha sequer um resquício de consideração nesse seu coração de pedra. Pode no mínimo me guiar para um lugar que você considere seguro?

Ele pareceu ponderar sobre a questão, pesando seus prós e contras da situação por alguns segundos, mas antes que pudesse responder um som estrondoso ecoou por toda a rua, como o de madeira quebrando. Os olhos do albino se afastaram para um ponto as suas costas, em alerta, e quando segui seu olhar pude perceber uma mulher em cima de um telhado ao longe. A expressão em seu rosto era animalesca, com dentes pontudos e lábios retesados como um cão raivoso que rosna para um desconhecido; os olhos dela eram de um vermelho intenso que poderia ser visto a quilômetros de distância.

– Isso prova que não é você a assassina – ele disse calmamente, puxando a arma do casaco.

Poderia ter aproveitado aquele instante para esfregar minha total vitória por ter a razão na cara dele, afinal ele estava prestes a abandonar uma jovem para sobreviver por conta própria, mas não sabia onde estava minha voz ou como se falava. Observei a figura ao longe com pavor e me pus mais próxima do rapaz, as suas costas, e antes que pudesse agarrar seu casaco em uma busca idiota por conforto e proteção, me senti ser arremessada para o lado, minhas costas se arrastando no chão e a cabeça batendo em uma parede.

“Espero que isso me ajude a lembrar, pelo menos”, pensei, desnorteada. Senti mãos apertarem meus ombros e garras perfurarem minha pele, fazendo-me arquejar de dor e quando consegui enxergar com clareza vi uma criatura que um dia foi um homem rosnar para mim, olhos vermelhos e desumanos me fitando. Soltei um grito agudo de pavor, socando e chutando o ser acima de mim, tentando afasta-lo, mas ele sequer se moveu com a força que eu utilizava. O monstro abriu a boca e estava prestes a me morder quando um tiro lhe acertou a cabeça, depois outro e então o corpo desfalecia sobre mim. Empurrei-o para longe com todas as minhas forças e olhei para o albino, que ainda apontava a pistola na direção em que aquele monstro estava. Ele baixou a arma e assentiu para o espaço ao seu lado em um chamado silencioso.

Forcei meus braços a me erguerem e corri para o seu lado, enquanto o rapaz apontava para a criatura loira que estava a correr pelos telhados e disparava incessantemente, a maioria acertando apenas as telhas e os que conseguiram atingi-la não pareceram suficientes para pará-las. Ela saltou na direção do albino e eu agarrei seu casaco, apavorada, mas os disparos seguintes conseguiram conte-la, o ser caindo desfalecido no chão aos nossos pés.

O albino soprou o cano da arma e minha testa crispou em completa dúvida sobre se aquilo era uma atitude exibicionista ou se ele apenas estava o fazendo por mania.

– Aparentemente esses dois são alguns do bando que exterminou os moradores daqui, – falou calmamente, enquanto dava chutes no corpo da criatura para avaliar se estava realmente morta – embora nunca tenha visto Nível-E trabalhando em bandos.

– Onde é exatamente aqui? – perguntei, afagando o alto da cabeça que havia colidido na parede e senti o cabelo úmido – E o que são os “Nível-E”?

O albino levantou os olhos para mim com impaciência e suspirou.

– Nada que interesse agora, pirralha. Não estou com tempo e nem com paciência para explicar tudo que precisa saber. Mas sobre nossa localização, esta é a aldeia de Lunier, não muito longe de Matsue.

Ele começou a andar com olhos alertas e eu o segui imediatamente, a ação não parecendo incomoda-lo desta vez.

– Como você se chama? – quis saber.

– Você é um tanto curiosa, não? – ironizou.

– Nem foram tantas perguntas assim – respondi.

A adrenalina estava começando a se esvair de minhas veias, enquanto eu me permitia relaxar com a presença do rapaz de aparência fria. Ele parecia uma escultura feita em mármore.

– Zero – falou inesperadamente.

Franzi o cenho.

– O que?

O albino suspirou pesado.

– Eu me chamo Zero – disse rispidamente desta vez.

Ergui as sobrancelhas em compreensão, mas antes que eu dissesse qualquer coisa uma onda vertiginosa me atingiu, desequilibrando-me. O albino, que agora eu sabia que se chamava Zero, me segurou antes que atingisse o chão e pude ver um resquício de preocupação naqueles olhos. Ele estava a me dizer alguma coisa, mas sua voz parecia distante, minhas pálpebras subitamente pesadas demais para que as mantivesse abertas, uma escuridão arrastando-me para a inconsciência.

Notas finais
Entã??? Oq acharam?? Dxem um reviewzinho *3* E inté a próxima o/