Notas iniciais
Espero que gostem~

Ele era como um perfeito desconhecido para mim, contudo, todos os dias ansiava chegar a casa para ver qualquer notícia dele – ou da banda da qual era integrante. Se não houvesse nenhuma notícia eu tinha que ver imagens, programas, o que quer que fosse… desde que ele estivesse lá, desde que me ligasse a ele.

Era um vício. Se me pedissem para definir o que era vício eu responderia com uma simples palavra: JongHyun. Não era daqueles vícios que preenchiam as paredes do quarto com posters, os cadernos com o seu nome nem mesmo que fizesse gritar o seu nome no meio da rua quando o visse. Não, este era o tipo de vício que preenche o meu coração com imagens dele, que mete o meu sangue a fluir graças à existência do seu nome cravado invisivelmente por todo o meu corpo e que faz as minhas veias pulsarem descontroladamente por quererem gritar para sempre o seu nome. Contudo, não demonstro nenhum dos meus sentimentos.

Uns iriam chamar-me louca, outros diriam que eu era uma fã obcecada, e eu prefiro ser uma simples rapariga que não o conhece e que deseja que este sentimento de impotência seja passageiro para nunca mais voltar de encontro ao meu ser.

Todavia, cada vez que ele sorri eu sorrio, cada vez que ele chora eu choro, cada vez que o vejo a dançar eu danço, cada vez que canta eu não canto… apenas para conseguir ouvir nitidamente a quão bela é a sua voz. O quanto ela me faz sonhar. O quanto eu a desejo ao pé de mim.

Talvez por ser hora de deitar os meus pensamentos sejam mais exagerados e dramáticos, porém é assim que tem sido e eu já me acostumei: se quero adormecer sem ter o meu coração fraco a bater descompassadamente tenho que me permitir a pensar nele. Se eu pudesse ao menos ver-te uma vez que fosse… nem que fosse a sair da escola que se situa tão perto dos sítios que tu costumas frequentar, tu e todas as bandas da mesma companhia que a tua. Eu nunca tive a sorte das minhas colegas – tantas que já vieram ter comigo mostrar-me a foto que tiraram contigo no dia anterior e o pedacinho de papel que tu lhes assinaste. Sorte, algo que eu não nunca tive em determinados aspectos.

De repente, a minha mente fica completamente negra. Não penso mais, não sofro mais, não sei quem tu és. Nada sobre ti me incomoda, até acordar no dia seguinte. Abro os olhos, mas parece que tu consegues sempre ficar retido no meu interior, sem nunca querer sair por nenhum lado, sem nunca deixar de abraçar o meu coração. Sabes uma coisa? Acho que ele está mais pesado por causa de ti, infelizmente, é um peso bom e eu não tenho a devida coragem de te deixar simplesmente caído no chão à espera que outro alguém te encontre e que tu, nessa altura, abraces o coração de outra pessoa. Eu quero-te abraçado ao meu coração, quero-te abraçado a mim!

Depois do uniforme escolar vestido e do pequeno-almoço tomado saio de casa e desço um andar para chamar a minha amiga que costuma fazer-me sempre companhia à ida e à vinda da escola.

Annyeong! — E eu retribuo da mesma maneira. — Tens ido lá?

Anyo… – A minha resposta é vaga e ela percebe o que trespassa o meu pensamento neste preciso momento.

Por que não vais lá hoje? Pode ser que… – E deixa a frase em aberto, durante uns segundos, fazendo-me pensar se realmente deveria seguir o conselho dela. - Pode ser que hoje seja o teu dia de sorte. Não digas já que não vais, há meses que tu não passas lá; não podes queixar-te de seres a única que não o vês se tu própria não te esforças para o fazer! Antes ias lá todas as semanas, por que é que de repente deixaste de ir se é o que realmente queres? Se os meus pais não estivessem em casa à hora a que eu saio da escola iria lá todos os dias para ver se encontrava o MinHo… Não desperdices a oportunidade que tu tens e nem foi preciso fazeres nada para tê-la!

Kamsamnida… – Como tinha tocado tínhamos que nos separar e sei que ela entende tudo o que deixei por dizer.

Depois das aulas decidi seguir o conselho dela e ir lá, outra vez, depois de tantos meses. Ela tinha razão… se eu não o via a culpa era minha, todas as minhas colegas iam lá quase todos os dias na esperança de ver uma centelha brilhante dos shining SHINee, e eu simplesmente deixei de ir.

Os minutos passavam e como não gostava de esperar e não pensava mesmo que era hoje que iria ser o meu dia de sorte estava prestes a ir-me embora, dando-me por vencida, deixando o meu corpo regressar aos sonhos de Se um dia isto acontecer…, Se eu fizesse isto…, Se eu o visse… Enquanto a minha mente fluía até esses sonhos eu podia jurar que o via a sair daquela porta, como já o tinha visto a fazer em vários vídeos – a porta que nos leva a um Mundo novo, que a mim me separa dele.

Era uma visão, uma miragem, um sonho, todos os nomes imaginários que lhe quiserem chamar, e, por essa razão, permiti-me olhar para ele mais do que devia, permiti-me observar a sua maneira de ajeitar o cabelo que me deixava sem respiração, a rever o formato dos seus lábios e, intimamente, a desejá-los encostados à minha testa dizendo palavras carinhosas.

É óbvio que se fosse o JongHyun em pessoa eu nunca teria coragem de olhar para ele tão fixamente como agora – mas já não o vejo há tantas horas que preciso mesmo de me relembrar de todos os músculos do seu corpo –.

Precisas de alguma coisa? — De repente foi como se abrisse os olhos interiormente. Como é que é possível uma ilusão falar comigo? — Desculpa, está tudo bem? Precisas de alguma coisa?

E a sua imagem real focou-se mesmo em frente a mim. Que poderia dizer para além de que os olhos dele são fascinantes? Talvez que os lábios dele são perfeitos? Ou que cada músculo presente nos seus braços destapados não me está a deixar pensar com clareza?

Acho que preciso de… ham… um abraço teu?Aigo! Podia ter ficado calada.

E, enquanto te ris incontrolavelmente, abraças-me levemente. Como eu desejei este momento. O que sinto? Não sei: as mãos pousadas nas tuas costas a tremerem, os olhos fechados tentando conter as lágrimas, as pernas a desfalecerem e a barriga cheia de borboletas. E, enquanto isso, tu continuas a rir-te descontroladamente. Porquê?

Sweetheart, não penses que me estou a rir de ti. É só porque nunca tinha estado numa situação em que alguém olhasse para mim como uma ilusão em vez de começar a gritar ou dirigir-se logo a mim. — E eu ouvia-te. — Pois… Bom, não devia andar a distribuir abraços pelas fãs, sorry. Mas tu mereceste este, não resisti à tua atrapalhação. — Ao mesmo tempo que dizias isto, tens os teus lábios encostados á minha testa.

Logo de seguida foste-te embora. Foi a primeira vez que te vi realmente e, muito provavelmente, será a última, my first love.

Notas finais
Reviews?~~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!