First Time
1 First time
Notas iniciais
A primeira vez em que percebera que alguma coisa não estava certa fora quando tinha oito anos e sua mãe o fizera vestir um bonito vestido azul e prendera os seus cabelos longos e cacheados com uma fita da mesma cor para ir à uma festa de aniversário de um colega da escola. Alguma coisa não se encaixava ali. Ele se sentia desconfortável naquela roupa, como se não pertencesse dentro daqueles trajes.
Quando chegou a tal festa e viu seus colegas brincando, decidiu que preferia muito mais estar dentro de um par de calças e terninho pretos e quentes do que naquele vestido leve e, até certo ponto, confortável.
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Aos catorze anos, decidiu que não agüentava mais aqueles cabelos compridos. Como sua mãe se recusava a deixá-lo fazer um corte curto, decidiu fazê-lo por conta própria. Foi rápido e simples, e ele não sentiu o menor aperto no coração ao ver mais de dois palmos de cabelos escuros e cacheados irem parar dentro da pia de seu banheiro.
Quando olhou-se no espelho e viu seu rosto pálido emoldurado por uma massa bagunçada de cachos curtos, sorriu, dizendo a si mesmo que aquilo parecia muito mais adequado. Sem contar, é claro, o fato de que era muito melhor do que ter que ficar o tempo inteiro debaixo de cabelos longos que quase o sufocavam.
Aquela fora a primeira vez na qual fizera sua mãe desmaiar de susto.
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A primeira vez em que deixou de lado as suas roupas antigas e usou roupas masculinos foi logo após se livrar dos cabelos compridos. As roupas escolhidas foram peças antigas que há muito tempo haviam sido abandonados por seu irmão e, apesar de Mycroft ter sido maior do que ele na adolescência, foram necessários apenas alguns ajustes para que as roupas ficassem perfeitas em seu corpo.
Nessa primeira vez, ele nem saiu de seu quarto. Apenas ficou encarando seu reflexo no espelho, pensando em como aquilo parecia muito mais conveniente, antes de voltar a guardar as roupas do irmão no fundo de seu guarda-roupas.
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Ele já havia saído de casa inúmeras vezes usando as roupas de Mycroft quando percebeu que, não importava o quanto não-feminino ele ficasse, as pessoas continuavam o chamando de “moça” ou “senhorita” assim que percebiam que seu peito não era tão plano quanto deveria ser. Aquilo o irritava profundamente. Aquelas coisas em seu peito sempre o incomodaram e agora estavam servindo para fazer com que as pessoas o olhassem de uma maneira esquisita.
Devido à isso, ele não hesitou em comprar um rolo de bandagens para dar um jeito naquele problema, nem que fosse de maneira improvisada.
Aquela fora a primeira vez em que prendera o peito e, apesar de ainda ter tudo no lugar e de se sentir terrivelmente inconfortável com aquela faixa o apertando, sentiu-se bem ao ver o resultado.
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Na primeira vez em que alguém o chamou de “garoto”, ele achou que fosse a pessoa mais feliz do mundo. Quem lhe fizera tal favor fora uma mulher que trabalhava em uma livraria e não importava se ela estivesse o repreendendo e ameaçando chamar os seguranças por causa da bagunça que ele fizera nos livros de Química do lugar, afinal, alguém finalmente o reconhecera.
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Em casa, ele nunca usava roupas muito masculinas ou prendia o peito para não provocar um ataque em sua mãe, e foi por essa razão que sua felicidade durou um bom tempo, mas, assim que a Sra. Holmes descobriu as roupas de Mycroft em seu guarda-roupas e as bandagens, a reação dela fora exatamente a que ele esperava.
Aquela fora a primeira vez em que sua mãe batera nele. Um tapa forte no rosto que resultara em um arrependimento horrível por parte da Sra. Holmes e uma vontade incrível de sumir daquele lugar pó sua parte.
Foi exatamente o que ele fez. Pegou algumas bolsas e as encheu com roupas e livros, antes de pegar o primeiro trem para Londres.
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No tempo em que ficou em Londres, vivou no apartamento de seu irmão, que já morava na capital fazia alguns anos. Ele passava a maioria dos dias dentro de casa, assistindo televisão e se divertindo com como a polícia conseguia ser tão cega. Quando saía, rodeava os lugares onde os oficiais da Met* ficavam, geralmente cenas de crimes, mas era sempre repreendido e mandado embora.
Foi nesse período em que conheceu o Inspetor Gregory Lestrade que, na época, fora uma das pessoas que o mandara sumir da cena o mais rápido possível caso não quisesse ser preso.
Bom, pelo menos Lestrade o chamara de “garoto”.
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Mycroft tinha o péssimo hábito de manter fotografias e documentos de seus antepassados em seu apartamento. Um hábito ridículo, mas que finalmente mostrou-se útil quando, em um dia entediante, ele passara horas revirando os documentos antigos até uma coisa chamar a sua atenção. Um nome de um de seus bisavós.
Quando Mycroft voltara do trabalho naquela noite, o mais novo o informou que, dali por diante, queria ser chamado pelo nome de seu bisavô... E essa fora a primeira vez em que ele fora chamado de Sherlock Holmes.
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A primeira vez em que sua mãe pareceu aceitar tudo aquilo foi durante um jantar no qual Mycroft também estava presente. A única coisa que ela falou foi que ele estava parecido com seu pai. Não sorriu, não o abraçou e não falou que “estava tudo bem”, mas aquilo já fora o suficiente.
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A primeira injeção de testosterona que tomou doeu um pouco, mas aquela pequena picada não era nada comparada ao que aquela substância traria para a sua vida.
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Quando olhou-se pela primeira vez no espelho após a cirurgia e traçou a cicatriz fina abaixo de seu peito com os dedos, Sherlock percebeu o quanto aquilo fazia a diferença. Era, realmente, um peso retirado dali.
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O primeiro caso no qual assistiu a Yard fora quando os efeitos da testosterona já estavam bem evidentes. Ele já havia crescido alguns centímetros, suas mãos já haviam perdido a delicadeza que tinham, seu corpo já não e estava mais tão feminino e sua voz já havia mudado consideravelmente.
O tal caso fora solucionado rapidamente com a sua ajuda e, no final, ninguém suspeitou de nada sobre ele. O único que se manifestara sobre a sua pessoa fora o Inspetor Lestrade, que dissera que ele havia mudado muito desde a última vez que eles haviam se encontrado.
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Quando John Watson falou com ele pela primeira vez, Sherlock se perguntou se, por ser um médico, John perceberia tudo pelo que ele havia passado, mas, para o seu alívio, o outro não pareceu perceber nada.
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Pela primeira vez na vida Sherlock Holmes ficou aterrorizado ao ver que alguém descobrira sobre a sua transição quando John encontrou as suas seringas e suas ampolas de testosterona na gaveta do banheiro, mas também nunca ficou tão aliviado quanto quando ouviu o seu colega de apartamento dizer que “estava tudo bem”.
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