Notas iniciais
Tenho um sentimento de que as nota inicial dessa one será maior que a própria one. Então vamos lá : quando eu comecei a escrever First Page,eu sabia que ela não tinha acabado no 1/3. Antes mesmo de eu inventar de colocar 1/3. Eu só tinha a impressão de que não estava acabada - e eu não digo só pelo final em aberto que eu deixei. Eu falo isso porquê,vocês sabem,que tudo que eu escrevo - do mais fictício (aka keep u safe) ao mais realista (aka First Page),tem muito significado pra mim. Geralmente,eu não consigo separar coisas as quais eu passo na minha "Vida real" do que eu escrevo. E aqui entre a gente,não é isso a escrita? Pra quem,como eu ( não generalizando) não consegue se expressar muito bem no diálogo,acaba fazendo isso melhor em outro meio de comunicação,certo? seja a música,seja a pintura ou no meu caso,a escrita. A escrita tem me ajudado de maneiras que vocês não conseguiriam entender. Ficaria mais confuso do que tentar entender a sequência "First Page" ( eu sei que é confuso tentar entender todas as metáforas e todas as porcarias que eu coloco aqui. eu sei de verdade kk). E eu até comentei hoje,que esse Percy daqui é muito de mim. É um dos meus favoritos tanto pela confusão quanto pela falta de esperança em algumas coisas usausahsau E essa fic inteira tem muito de mim. Muito de uma das pessoas que me machucou muuuuito esse ano e eu percebi que eu só consegui superar o que aconteceu,depois que eu comecei First Page. "Mas Liids,ficou tão curtinho!" Sim gente,terminou assim pra mim e eu acho que deve terminar assim pro Percy também ♥ E pra saber como eu me sinto a tudo que aconteceu,tudo que se passou : vocês acompanham agora.

Essa não é uma história de amor.

Eu sabia que isso ia acontecer. Está escrito. Literalmente escrito nos meus relatos.

E eu não poderia estar mais feliz.

Moondust – Percy Jackson. Pág 1.

Joguei meu celular de volta no sofá. Eu não tinha ideia do que fazer agora. A mensagem de Annabeth ainda brilhava na tela do meu aparelho velho. Eu poderia mentir e dizer que estava cansado demais para aquilo aquela hore.

Mas eu nunca estava cansado demais para Annabeth e seus dramas,mesmo assim abri a mensagem e suspirei :

“Estou a caminho” — AC.

“Já tarde...melhor ficar em casa”. – PJ.

“Você vai dormir agora?” – AC.

“Sem sono” – PJ.

“Estou a caminho,então” – AC.

Eu sabia que era inútil tentar fazer com que ela ficasse em casa. O que eu tinha de pessimista,Annabeth tinha de cabeça dura e teimosa.Era muito tarde,muito tarde. Tarde o bastante para que a cidade inteira estivesse desligada – não estava,claro. A cidade não para.

Meu cachorro deitado dentro da mala aberta no chão. Eu quase tinha me esquecido dela ali.

Mentira. Tinha não – queria – mas era quase impossível.

— Você não vai aí – apontei para que o cachorro saísse da mala. Nem eu sabia se ia....

...mesmo assim,continuei dobrando algumas roupas dentro da mala.

Sempre estranhei as coisas darem certo para mim. Ou para minha família em geral. Parecia que uma maldição estava implantada no sangue dos Jackson’s. Como se todas as gerações passadas e gerações futuras,não estivessem predestinados as coisas boas.

E no quinto dia,do quinto ano,do quinto mês...todos os Jackson’s serão azarados.

Quanto exagero,você deve pensar.

Com certeza. Mas se você não é um Jackson,você não pode dizer.

Então,uma coisa boa acontece. Em meio à tudo que parece desabar ao seu redor. Ao mesmo tempo.

Já reparou que tudo que tem que dar errado – na vida de um Jackson — dá errado ao mesmo tempo? Ah,desculpe. Você não é um Jackson,não reparou nisso.

Mas sim,meus caros. Parece que as coisas erradas combinam um mesmo mês e um sequência de dias para que as coisas desabem. E aí,no meio delas,uma coisa boa acontece. E então..

no quinto dia,do quinto ano,do quinto mês...todos os Jackson’s serão azarados.

É quase triste se não fosse engraçado.

E se você ainda acha exagero,vocês vão ver que não,colegas. Não é.

— Eu passei – minha irmã sussurrou – Eu passei!

Ela havia feito o teste vocacional em uma das melhores faculdades da cidade. Eu estava feliz por ela,todos estavam. Era feriado – Ação de Graças – e esse era o único feriado que minha mãe fazia questão que passássemos juntos. Ela mandava passagem para todo mundo,apenas para que estivéssemos lá.

Tio Greg não estava. Havia morrido no ultimo dia de Ação de Graças. Pane no avião,foi trágico.

— Olha só,meus parabéns , pançuda – brinquei com sua barriguinha de grávida.

Duas semanas depois,ela me ligou chorando : não conseguiria cumprir com os prazos de entrega dos documentos. Que era dois dias antes do dia do resultado.

Eu me lembro de rir na linha para que ela não chorasse mais. Eu até consegui animá-la,mas depois que desliguei,até eu chorei.

Eu havia planejado aquela viagem desde que entreguei a crônica. Há três semanas. Já sem ideia do que fazer quando chegasse na casa dos meus pais. Procurar um apartamento,talvez? Dividir um quarto com algum outra casa – ou garota – tão azarado quanto eu? Eu só esperava conseguir entrar no avião.

Annabeth e eu havíamos mais baixos que altos. É preciso admitir. E mesmo assim....eu queria que ela fosse comigo. Mas era ela,toda bem sucedida na cidade. Cheia de amigos e cheia de um futuro promissor.

Eu precisava ir embora.

Estava tomando um gole do meu delicioso refrigerante sem gás nenhum quando ouvi as batidas na porta. Era tarde até para tocar a campainha.

Sherl se animou e levantou da cama indo em direção à porta. Talvez eu devesse deixa-lo com ela quando eu me fosse. Assim,ela teria uma coisa boa para se lembrar de mim,além de todos os vacilos que eu já havia feito. E é uma lista interminável de vacilos já feitos.

Ela era esperta,bonita,inteligente.

Quando eu fosse embora,ela seria tudo e dona de um cachorro viciado em comer meias.

Eu abri a porta de madeira branca e sorri ao vê-la.

Pra um cara que está praticamente na porta do aeroporto,eu estava felizinho demais em vê-la.

Os cabelos loiros soltos,os olhos cinzentos brilhantes e um tanto maiores por conta do óculos de grau que ela usava. Usava o pijama verde de moletom,e eu tive a confirmação de que ela estava de carro.

Annabeth não sairia de pijama pelo transporte público. Por mais que fosse de madrugada e não tivesse transporte público aquela hora.

— Ei – ela sorriu de lado e entrou,já fazendo carinho no cachorro.

Annabeth era aquela pessoa que fazia tudo parar com um simples cumprimento. Podia não acontecer o mesmo com ela – e eu estava começando a me convencer de que realmente não acontecia – mas não importava pra mim. Não mais.

Eu olhei ao redor do meu apartamento. Estava um bagunça daquelas. Minhas roupas – a grande maioria – jogadas no chão da sala, o balcão de mármore que separava a sala da cozinha,estava abarrotado dos meus sapatos – no caso,meus três pares.Não é como se eu tivesse muitos – e a minha cozinha era a única coisa que não estava tão cheia de itens pessoais.

A não ser meus DVDs. Eu procuraria um caixa onde eles me acompanhariam com segurança.

— O que é tão importante que não pode esperar até o amanhecer? – perguntei,brincando. Direcionei-me para a cozinha,já pegando duas xícaras para enchê-las com o café que eu havia acabado de fazer.

— Eu estava sem sono,pra falar a verdade – ela riu,jogando-se no sofá,dando a liberdade de Sherl subir para junto dela. – Seu cachorro tá tão gordo.

—E tá soltando pum a cada dois segundos – reclamei..

Annabeth riu,acariciando a cara do cachorro.

Eu estava em um dilema interno: contava a ela ou não contava?

—Então.. –ela cutucou a mala no chão,com o pé direito — ...tá fazendo o que?

— Caçando águas-vivas – revirei os olhos. Ela riu de lado e mordeu o lábio inferior.

— A ironia é a forma mais baixa de humor – murmurou.

—Então estou no fundo do poço mesmo – sussurrei.

Ela fixou seus olhos em mim,e suspirou. Tirou o cachorro de seu colo,e se levantou.

Terminei de colocar meu café na xícara e entreguei-lhe o seu : com chantilly e pouca canela.

—Obrigada – sussurrou,sentando no balcão,ao lado de um dos meus sapatos. Puxei uma das cadeiras da mesa de jantar/café da manhã/almoço/mesa de trabalho e sorri.

Eu sentiria falta dos cafés.

Ela tomou sua xícara devagar. Goles pequenos,a boca ficando avermelhada por conta da quentura. As bochechas coravam toda vez que ela percebia que eu não conseguia deixar de olhá-la. Ela tinha o rosto mais bem feito que eu já pude ver. Eu desejaria que até meu avô cedo tivesse o poder de olhar para esse rosto – e ele não chegou a ver nem o meu.

Ela se levantou do balcão,passando por trás da mesa e sentou-se no meu colo,sorrindo de lado.

—Não vai não,Percy – pediu.

— Não começa com isso de novo- pedi,deixando minha xícara em cima da mesa. – Você sabe que eu já tenho as passagens compradas e tudo. Eu não quero ir brigado com você.

—Então não vá pra lugar nenhum – sussurrou.

—Eu não tenho muitos motivos para ficar – sussurrei junto. Aquela necessidade de falar apenas para ela e com ela,presente de novo. – Desde que eu vim pra cá...

— Eu sei – ela interrompeu – Não tem acontecido muitas coisas que te agradam desde então,mas Percy – ela se levantou abruptamente, ficando de frente para mim e gesticulando nervosamente com as mãos – A vida é assim,nem sempre vão acontecer coisas que vão te agradar. O que você vai fazer se não der certo lá? – ela perguntou retoricamente – Vai fugir igual está fazendo agora? Vai sair correndo de todas as cidades que não derem certo?

—Só até eu encontrar uma que dê. – sussurrei.

— Você nem está se ouvindo – ela grunhiu de raiva – Não é possível!

Eu estava tão cansado de discutir sobre aquilo. O meu desejo de ir embora sem estar brigado com ela estava cada vez mais distante.

— Eu sinto muito – sussurrei,passando as mãos no cabelo.

—É,você vai sentir! – ela resmungou – Quando você estiver no seu apartamento novo e não tiver com quem conversar.

—Você não é única no universo,Chase – reclamei. É claro que ela era.

— Mas você é – ela reclamou – O único babaca. O maior de todos os babacas.

Eu me levantei e concordei com a cabeça. Eu era mesmo. Era o maior imbecil por pensar que ela estaria na mesma sintonia e sincronia que eu. Aqui entre a gente,existem 7,2 bilhões de habitantes no planeta e a probabilidade de você encontrar alguém que esteja na mesma sincronia que você é de 0,0000003%. Eu fiz os cálculos.

— Talvez você deva ir embora...Annie – murmurei,digirindo-me para a porta. – é tarde e..e bem,todo mundo trabalha amanhã.

—Amanhã é domingo – ela sussurrou – Onde você está com a cabeça,Percy?

Ainda encarando a minha porta de madeira branca,eu ri. Seria irônico se eu dissesse que a minha cabeça estava exatamente ali. Mas eu não pensava em nada além dela. Era ela,era doentio. E se você nunca esteve só na friendzone,você não sabe do que eu estou falando. Era ela,uma das coisas que menos e mais importava.

E se você quiser ver isso como uma...uma fuga. Veja. Eu não ligo mais.

— Esse é o problema – ela murmurou — Você não diz.

— E o que você quer que eu diga? – reclamei,virando-me – Que eu estou fugindo? Ótimo : eu estou fugindo. Estou indo embora de tudo que eu conheci aqui. E sim,isso inclui você,seu cabelo,seus olhos e seu corpo. Porque... – suspirei,passando as mãos no cabelo. Ela podia me ajudar...desaparecendo. Mas ela era egoísta demais para isso também. – Porque a gente não se sente da mesma forma que ... eu – suspirei novamente – Eu amo você.

— Eu amo você – ela repetiu.

—Não! – levantei a mão,pedindo silenciosamente pelos todos guardiões da galáxia,que ela parasse e me deixasse falar – Não. Pra você,eu te vejo como um amuleto da sorte. Que sorte,Annabeth? – reclamei,gesticulando para o meu próprio apartamento – Olha só.

— Percy – ela inclinou a cabeça,confusa. – Eu...sinto muito. Você é o melhor amigo que eu já tive,mas-

—Eu sei – eu assenti,sorrindo – Mas é isso pra você. Pra você,eu sou o melhor amigo que você vai ter. E cara,isso é legal – fiz joinha com as mãos para ela – É bacana.

—Mas... você ainda está indo embora – ela sussurrou.

— Não é suficiente para mim. Desculpa – sussurrei de volta. Sherl olhava tudo alheio aos movimentos dela.

— Você não pode exigir que eu me sinta da mesma forma – ela pediu de olhos fechados.

—Eu sei – sorri sem humor – E eu nem faria isso,Annabeth – suspirei – Mas você também não pode exigir que eu fique aqui. Que eu seja padrinho do seu casamento ou que eu seja padrinho de um dos seus filhos,porque não vai acontecer.

— Então...você está mesmo deixando a nossa amizade de lado e ... indo? – ela riu. – Você é o maior de todos os babacas.

—Eu fiz coisas demais pensando em você. – eu sussurrei.

—E agora tá passando na minha cara-

—Não – interrompi – Você precisa saber que não é assim. Eu fiz muita coisa pensando no que eu – apontei para mim mesmo,igual um idiota – sentia por você. Eu fantasiei,eu escrevi. E agora...eu só quero me lembrar de como eu me sinto em relação à mim mesmo,Annabeth.

—E você precisa fazer isso à quilômetros de distancia? – ela perguntou chorosa.

—Preciso.

— E se eu precisar de você? – ela sussurrou. – O que eu vou fazer?

—Você vai me encontrar. – aproximei-me dela,sem sorrir nem nada.

— Eu vou? Nos quilômetros de distancia? – ela entrelaçou a mão direita na minha,já deixando que as lágrimas caíssem pelo rosto delicado.Eu queria só embalá-la nos meus braços e dizer que eu ficaria por ela. Mas eu não podia mais fazer aquilo. Eu estava indo,por mim.

— É claro que vai – mas eu não tinha certeza.

E ela sabia.

...

No caminho até o ponto de táxi,nenhum cachorro mijou no meu pé. Eu não estava totalmente feliz- — ninguém é totalmente feliz – mas também não era o pior dia de todos os mundos e todas as galáxias. Começou tudo certo quando eu acordei. Quando eu acordei,eu dei de cara com meu cachorro comendo a outra metade do meu sapato. Aquele o qual eu não levaria,então...estava tudo certo.

Eu não quis me enterrar. Nem nada do tipo.

E adivinhem só...eu joguei o pacote de granola pela metade,no lixo. Comi uma maçã antes de descer com as malas para o ponto de táxi. Seria uma viagem longa.

A minha filosofia de vida sempre foi baseada na lei de Murphy : se tem possibilidade de dar errado....vai dar errado. Nem que a possibilidade seja mínima. Nem que a probabilidade seja de 0,00001%.

Mas não hoje.

Hoje eu não era aquele jornalista infeliz. Minha primeira página estava impressa em tamanho gigantesco e colada na banca de jornal. Eu estava feliz,isso sim. Como há muito não ficava.

— Para onde? – perguntou o taxista depois de colocarmos minhas malas na traseira do carro.

— Aeroporto – murmurei,colocando a casinha de Sherl no banco de trás do carro. Teríamos que sedá-lo para a viagem,mas ele era um rapaz forte. Aguentaria.

— Certo – o motorista se dirigia ao banco da frente.

Pela janela, eu a vi.

Annabeth estava com a minha primeira página acerta,lendo concentrada.

Eu queria pedir para que o motorista corresse.

Ela levantou a cabeça e encontrou meu olhar pela janela. Os olhos marejados.

É você. Sempre foi você,a garota da minha primeira página. Eu queria que você tivesse percebido antes de que eu estragasse tudo. Queria que você se sentisse da mesma forma,mas não funciona assim. A gente não controla ninguém – ainda bem. Tem que ser real,tem que ser verdadeiro.

E pra gente,não é.

E eu não sei lidar com isso. Eu queria que você tivesse percebido antes e tivesse cortado as raízes para mim.

Mas não é real pra gente. E eu sinto muito.

Ao invés de sair do carro,correr para abraça-la – e me torturar um pouco mais – e lhe dizer tudo que estava preso em mim,eu só balancei a cabeça. Acenei de forma discreta e levantei a mão,em um tchau rápido.

Ela fez o mesmo,sem sorrir.

Não era um adeus. Não para a nossa amizade.

Mas talvez – e com alguma esperança – para os meus sentimentos relacionados à ela.

E lá estava eu pensando nela de novo.

Ela se virou em direção ao trem – onde tudo aquilo tinha começado,certo? E parece...parece que estávamos tomando caminhos diferentes. Transportes diferentes.

Talvez ela esbarrasse em algum cara tão azarado quanto eu. Ou não. Talvez dessa vez,desse certo. Eu esperava que desse.

Abri a casinha de Sherl,e deixei que ele deitasse a cabeça em minha perna.

— Vamos lá,Sherl.

E como eu havia dito pra vocês : essa não é uma história de amor.

Nunca fora. Nem do início.

....

....

Ou talvez fosse uma história de amor desde o início : de amor próprio.

Notas finais
Então é isso Reciprocidade não é obrigação de ninguém : assim como esperar por alguém,também não é ♥ Se afastem de tudo que for tóxico,faz um bem danado. qualquer dúvida : comentários. qualquer dúvida mais pessoal : mensagenzinha. amo vocês ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!