Durante o vôo eu dormi, mas acabei tendo o mesmo pesadelo de sempre.
Acordei gritando e chorando, assustando todo mundo, inclusive o doutor Reid que pulou do sofá do jatinho.
Chorei feito criança, ele ameaçou a falar mais não disse nada.
— Poderia pegar um pouco de água? — falei soluçando
— Claro, tem certeza de que está bem Donovan?
— Tá, foi só um pesadelo. — disse ainda meio chorosa.
— Esse pesadelo deve ter sido ruim mesmo, para você estar chorando.
— Beba a água, e respire — disse Reid.
Tomei toda a água é coloquei meus fones de ouvido( Malandragem -Cassia Eller)
Coloquei a música favorita do meu irmão, ela me trazia lembranças boas apesar de todo o ocorrido.
Percebi que não iria conseguir dormir, não mais. Estava com medo e sabia que todas as emoções voltariam e eu não estava preparada para enfrentar isso de novo. No momento eu só queria meus pais. Queria minha família, minha vida de volta. Eu amo o meu irmão, mas o que ele fez é imperdoável, dói tanto saber que meus pais fizeram tudo por nós e ele jogou tudo fora. Eu não tenho ninguém, ninguém que eu possa amar e ninguém para me amar. Não tenho família, amigos, não tenho vida..tudo aqui é escuridão e eu não consigo sair do meio dessa imensa escuridão, por mais que eu tentasse, não consigo. Quando percebo, estou chorando novamente, bem baixinho pois não queria acordar ninguém, principalmente Spencer que estava do meu lado e que já estava quase conseguindo dormir de novo.

—Tudo bem, eu sei que tem alguma coisa errada.-virou para mim e disse.

Quem ele acha que é para se intrometer na minha vida? Minha vontade era de socar sua cara, mas eu realmente não queria confusão agora, e sei que eu precisava conversar um pouco, mas não sobre isso. Ninguém pode saber.

—Eu estou bem, só é um pesadelo.-falei rápido.-Um pesadelo que me atormenta todas as noites.-falei baixo, para eu mesma e aposto que ele não escutou.

—O que?-perguntou me olhando confuso.
—Não é nada, Reid. Volte a dormir.-falei e o fuzilei com os olhos que logo cedeu e deitou, estava abraçado em um livro mas não consegui ver seu nome, mas me parecia familiar, provavelmente eu já tenha lido. Fechei meus olhos lentamente, mas não sonhei, com nada.
—Donovan.-disse Rossi me sacudindo, mas ele logo olhou para Spencer. Por algum motivo o meu nome ou sobrenome causa um incômodo que não entendo entre eles, principalmente com Spencer mas resolvi deixar isso de lado. Acordei rapidamente dando um pulo.
—Sim, sim. Estou acordada, estou acordada.-falei repetindo algumas palavras e percebi que JJ e Emily riram um pouco e sorri de leve.
—Chegamos.-disse Rossi e a porta do jato foi abrindo lentamente e o sol me cegou rapidamente e coloquei minhas mãos em meu rosto tentando impedir a passagem
Saímos do jato entrando na base em LA que era incrivelmente grande. Queria que Garcia estivesse aqui, ela foi a que mais me apoiou e foi gentil comigo desde a minha entrada para a U.A.C. mas espero que me saia bem sem ela.
Fomos bem recebidos pelos policiais da local, logo entramos na sala e nos sentamos em volta de uma mesa enorme.
—Garcia, quero a localização do local dos homicídios e saber tudo sobre as vítimas.
—As vítimas geralmente moravam perto, mas a última morava bem longe de todas.-disse Garcia ao telefone.
—Ele mudou o jeito de matar. Porque quis ou porque sabe que estamos atrás dele e quer nos distrair?-diz JJ.
—Garcia, quero os endereços.-disse Hotch.
—A primeira vítima fica a duas quadras de onde vocês estão.-começou Garcia.
—JJ e Emily, vão. Garcia irá mandar os endereços para seus celulares.-falou Hotch.
—Já enviei.-disse Garcia.
—Tem alguma coisa errada.-eu e Spencer falamos ao mesmo tempo e começamos a analisar o quadro com todas as vítimas.
—Dá para ouvir o QI de vocês gritar de tanto queimar. Qual sua descoberta, gênio?-perguntou Rossi.
—Eu ainda não sei. Acho que nem tem como saber.-disse Spencer.
—Eu acho que sei porque ele mata as vítimas com a garganta cortada.-falei e Spencer me olhou um pouco suspenso e seu olhar tinha um pouco de ódio.
—Sabe? Como assim?-perguntou Morgan.
—Ele está associando essa vítima a alguém que ele já matou ou quer matar, mas..ele corta as gargantas como uma forma de protesto. Talvez para impedirem de falar alguma coisa.-falei.
—Mas não era mais rápido costurar a boca ou algo do tipo?-retrucou Spencer.
—Não nesse caso, a garganta, as cordas vocais..ele quer acabar com isso. Provavelmente ele estava em uma clínica psiquiátrica onde não pode ter contato com ninguém, ele deve estar em uma ala isolada de todos. Talvez por tentar fugir ou machucar alguém. Ele sente que não pode fazer nada, nem se comunicar com ninguém e quer tirar isso de todos cortando diretamente a garganta da tal pessoa como se essa pessoa cessasse a voz dele ou colocasse ele naquele lugar.-terminei.
—Bom trabalho, Donovan.-disse Hotch.
—Obrigada.-sorri.
—Você e Reid vão para a casa da segunda vítima, Garcia irá enviar os endereços em seus celulares.
Mentalmente eu bufei, revirei os olhos e fiz todos os sinais possíveis de que não queria ir com ele e não queria mesmo. Ele não gostou de mim desde que eu cheguei e só sabe me tratar mal. Então se ele quer assim, se quer ser grosso, vamos ver quem ganha essa batalha no final.
—Tudo bem.-sorri ironicamente e vi Spencer revirar os olhos fraco então cheguei perto de seu ouvido e percebi que todos os pelos de sua nuca arrepiaram e ri fraco com isso.
—Pode apostar, também mal estou gostando disso.-sussurrei em seu ouvido e sai e logo ele me seguiu.
Olhei em meu celular e vi o endereço, era a poucos minutos dali, o silêncio no carro não me incomodava e eu não me atreveria a quebra-lo e nem queria.
Quando chegamos na casa vi um pedaço de camisa chadrez e lembrei de quem usava.

FLASHBACK ON.

—Mamãe, ele tá usando a mesma camisa a quase uma semana!-gritei.
—Meu filho, me dê essa camisa, preciso lavá-la.-fez carinho em seus cabelos.
—Não, não! Nunca vou abandonar ela! Ela é minha camisa favorita e sempre será.-correu para o quarto trancando a porta em seguida.

FLASHBACK OFF.

Eu não estava acreditando, eu tinha certeza. Era ele! Era meu irmão, ele estava matando todas essas pessoas, mas porque? Por causa de minha mãe ou por causa minha? Quer acabar com o que restou da família? Acho que eu facilitaria para ele, minha vida é uma desgraça mesmo. Ninguém sentiria minha falta porque ninguém se importa comigo.
Comecei a ter um ataque respiratório, na verdade era um ataque de pânico. Spencer me olhou estranho.
—Liga para o Hotch, Spencer.-falei tentando recuperar o fôlego.
—O que? Pra que? Temos que trabalhar!-falou.
—Liga pro Hotchner agora, Spencer!-gritei.
—Tá, tá!-pegou o celular do bolso, ligou e me entregou. Minhas mãos tremiam e senti minhas pernas vacilarem um pouco.
—Hotchner.-disse ele, no telefone.
—Hotch, precisamos conversar. Agora.-ainda estava tentando recuperar o fôlego perdido.
—Sobre o que? Aconteceu alguma coisa?-perguntou e sua voz parecia um pouco preocupada.
—Hotch, eu sei.-falei sentindo meus pulmões ficarem sem ar.
—Você sabe o que, Skyler?-gritou um pouco, provavelmente ele percebeu que tem algo de errado comigo. Pareceu preocupado, o que é algo raro para mim. Recuperei o fôlego e aquelas palavras doeram ao sair, mas eu tinha que fazer isso. Não era só minha vida que estava em risco, e sim a de várias meninas inocentes. E se tivesse que me sacrificar por todas elas, eu me sacrificaria.
—Eu sei quem matou essas garotas. Eu sei quem é o assassino.