First Love

1 Nosso Livro - One Shot.


Notas iniciais
Eeeeee o/
Eu de volta com mais uma One *dança
Mais enfim... Sem enrolações, aproveitem dessa One ^^.
Leiam ouvindo a musica mais TRISTE que você tiver ai no seu pc... kkkk'

Boa leitura!

David olhava a pequena barrinha piscando freneticamente em seu Word. Estava passando por aquilo novamente... A falta de inspiração. David era um renomado escritor de romances e muito popular na mídia, seus livros estavam na boca do povo, muitos já os haviam lido. As histórias de David contavam sobre uma pessoa inalcançável, mas que por coincidência do destino o protagonista sempre conseguia conquistar a ‘mocinha’, e então eles viviam felizes para sempre. Nunca contavam realmente os finais das histórias, porque David não conhecia finais felizes. Sempre alguém morria ou então o amor entre o protagonista e a ‘mocinha’ simplesmente acabava. Mas sempre ouvia “Se a história continuar assim não vai vender, David.”, “Mude o final. É horrível! Como o protagonista simplesmente morre do nada?” E assim lidava com as pessoas, fazia suas vontades e mudava o final das histórias. Mas, não gostava de ganhar mérito por algo que não era seu... A história era sua, não o final.

As pessoas eram tolas de mais por acreditar que algo tão fútil como o amor pode quebrar distancias e barreiras. O amor é mais fraco do que uma pena, um simples sopro e ela voa longe. Mesmo que você tente agarrá-la, o próprio vendo que suas mãos fazem a faria voar mais longe ainda, e assim você desistiria de buscá-la, viraria as costas e iria embora, afinal você pode encontrar outra pena pelo caminho de volta pra casa. David havia perdido sua pena há alguns anos atrás, mas não foi por sua culpa, um vento muito forte chamado câncer havia levado sua querida pena para longe de si.

Lembrava-se perfeitamente, era dia 22 de dezembro de 2006, a neve caia como uma louca e deixava a paisagem completamente branca. Os policiais interditaram aquela parte da cidade porque a neve tinha subido mais do que seis centímetros, impossibilitando assim a locomoção dos carros. Sua família viria para visitá-lo aquele ano já que não conseguiu ir para os Estados Unidos por falta de dinheiro. David morava no Japão a mais de seis anos, sempre adorou a cultura e sempre fora apaixonado pelos japoneses que via pela TV a cabo no canal da NHK. Sempre acordava às cinco horas da manha em ponto para assistir aos animes que passava, infelizmente àquela hora da manha. Mas era assim que começava seus dias quando era criança.

Havia saído para comprar algumas coisas para terminar a lista dos preparativos para o dia 25, indo para uma loja de conveniências bem próxima dali que sempre ficava aberta, principalmente no natal. Um velhinho muito dócil tomava conta do lugar, que sempre se preocupava com David. Se não fosse por ele, David não saberia nem pronunciar uma simples palavra em japonês.

Seu nome era Sr. Matsumoto, porque na verdade, ele nunca havia contado seu nome verdadeiro a David e também vivia mentindo sua idade, dizendo sempre que estava com setenta anos, desde seu primeiro aniversário que David presenciou.

As ruas estavam desertas, até porque, quem sairia com aquele frio? David andava com um pouco de pressa por aquele bairro, de manha não mostrava sinal de perigo algum, já à noite... Por fim, depois de um minuto andando, mais ou menos, David finalmente chegou até seu ‘condomínio’.

Subiu algumas escadas, já que estava com preguiça de parar em cada andar com o elevador, já que era assim que eles economizavam energia. Eram apenas dois lances de escada, poderia fazer mais uma forcinha e subir por elas. Assim que chegou ao seu andar, abriu a pequena porta e a luz do corredor se acendeu. Andou um pouco mais e logo já estava de frente à porta de seu apartamento. Antes de virar pela primeira vez a chave, ouviu alguns barulhos vindos do apartamento ao lado, o que era muito difícil acontecer, bom... Estava vazio até algumas semanas atrás. Será que mudou alguém?

David andou devagar para tentar não fazer nenhum barulho e encostou seu ouvido na porta. Histórias de fantasmas eram o que mais tinha no Japão, por isso depois de tantos anos morando lá, já conseguia acreditar em ‘algumas coisas’ que aconteciam por lá e não tinham explicação.

Assim que encostou seu ouvido nesta, ouviu barulho de portas se fechando e de algumas sacolas sendo arrastadas. O trinco da porta foi ouvido e David se assustou, aonde poderia se esconder? Nem a porta de seu apartamento tinha aberto se não, poderia correr pra lá. Não queria ser acusado de ficar bisbilhotando a vida de seus vizinhos. Mas, por fim, não teve escapatória, quando percebeu estava sendo mirado por pequenos olhos puxados e azuis. Prováveis lentes. David os encarou e foi nesse momento que o viu. Nunca, nesses seis anos que passou por lá, tinha visto criatura tão bonita. Ele tinha cabelos cumpridos que batiam em seus ombros em um tom acinzentado e lábios rosados. Lindo...

_Posso ajudá-lo? – David foi tirado de seus devaneios por uma voz aveludada e um pouco fina para um homem.

_ É... – tentava falar algo, mas não conseguia. Aquele garoto havia o encantado.

_ O senhor deve estar aqui por causa do barulho, não é? – o outro havia perguntado. Graças a Deus uma desculpa que David podia se aproveitar.

_ É... – ainda tentava pronunciar outras palavras. – Sabe, eu sou escritor e preciso de o máximo de silencio possível. Eu não quero ser grosso nem nada, mas poderia, por favor não fazer barulho. Pelo menos durante o resto da noite, é a hora que consigo me concentrar e escrever. – falou, deveria fazer algum teste para ser ator.

_ Sim senhor, eu entendo... – sorriu. – Peço sinceras desculpas, eu e minhas irmãs acabamos de nos mudar, e você deve saber... Ser um único homem em volta de duas meninas é um sufoco. Nunca estão felizes aonde eu coloco os móveis e tenho que ficar mudando-os de lugar. – riu. David se encantou com aquele pequeno. Seu sorriso e sua risada eram lindos.

_ Eu sou David... – estendeu a mão e o outro a pegou.

_Prazer, Mikio, mas pode me chamar de Micky. Era assim que meus amigos costumavam me chamar. – sorriu.

_ Prazer, Micky. – sorriu.

Foi a partir deste dia que Micky invadiu seus pensamentos, seus sonhos, sua vida de uma forma avassaladora.

Dois anos depois de se conheceram eles começaram a se gostar, mas a questão “Será que ele também sente o mesmo?”, martelava na cabeça de ambos. Por isso a relação deles ainda demorou mais um ano nesse vai e vem e finalmente eles ficaram juntos. Um ano e meio depois Micky descobriu a doença e foi quando o mundo perfeito que os dois haviam criado acabou. Micky havia mudado, sua pele um pouco mais morena do que o normal de um japonês havia ficado pálida, seus lábios de rosados a ressecados e seus cabelos... Caiam. Mas, apenas sua aparência havia mudado, ele continuava sendo o mesmo Micky que sorria com as piadas idiotas que David tentava contar e ainda sabia criticar muito bem suas histórias. Mesmo com a doença a vida deles estava perfeita, até o momento em que Micky fora internado e pelo que os médicos falavam, ele não sairia de lá tão cedo.

A personalidade de Micky havia mudado, ele estava mais triste do que o normal. Não conversava mais e não queria se cuidar. Aquilo estava tirando David do sério.

_ Se você não se ajudar, ninguém poderá! – David gritava a ponto de chamar a atenção das pessoas que passavam pelo corredor.

_ E se eu tiver desistido? – Micky também gritava. – Eu sei que está cansado de vir aqui todo dia... Vá embora se é tanto o que você quer!

_ Você sabe que eu não vou te deixar! – lágrimas se formavam devagar. – Você sabe que eu estarei aqui até o ultimo minuto, segundo... – sussurrava a ultima parte. – Eu te amo!

_ Amar não é sofrer, David! – gritava enquanto lágrimas escorriam por seu rosto. – Me dói... – socava seu peito com a pequena força que ainda tinha. – Me dói te ver assim. Eu sou a pessoa doente, mas quem sofre aqui é você...

_ Não me importa se estou sofrendo ou não... Eu quero você, eu preciso de você vivo, aqui do meu lado. Pra podermos viver uma vida feliz juntos. – lágrimas já rolavam pelo seu rosto até se perderem em algum lugar do chão.

E aquela foi a primeira briga, pelo simples motivo que nem um e nem outro queria ver a pessoa que ama sofrendo. Um ano depois Micky acabou falecendo, o que foi uma surpresa para os médicos já que o garoto tinha mostrado melhoras.

David se isolou do mundo e nenhuma palavra mais fora escrita em seu notebook. Naquela época sua popularidade tinha acabado e sua inspiração também. Dois anos depois, vivendo em seus altos e baixos, David conheceu outra pessoa, Max, seu companheiro atual. E foi nessa época também que achou uma pequena carta de Micky. Ele havia escrito essa carta minutos antes de falecer e o médico que tomava conta de si a achou perdida em um dos cantos do quarto aonde ele se encontrava. Nesta carta dizia:

“Querido David...

Como anda a vida meu amor? Muito corrida? Finalmente está fazendo sucesso com seus livros? Eu espero que sim. Há exatamente seis anos atrás a gente se conheceu. Eu acredito que foi a arte do destino pregando-nos uma peça. Desculpe-me por ter aberto a porta aquele dia, se não fosse por esse simples fato talvez nunca nos falássemos. Talvez, hoje você estaria triste por um vizinho seu que morreu ou por ele ser muito jovem... Não sei. Desculpe-me por virar uma pessoa tão importante para ti e de repente partir. Desculpe-me... Eu não queria te ver sofrendo, mas no final... Eu te fiz sofrer.

Apesar de tudo, você sempre me fez feliz como nenhuma outra pessoa. Por ficar ao meu lado quando eu mais precisei de você e por cuidar de mim. Foram os melhores anos da minha vida, e eu os passei com você. Eu lhe agradeço muito David, muito mesmo.

Se não fosse por você talvez esses últimos seis anos de minha vida fossem insignificantes. Obrigado.

Eu te amei muito... Nem sei como explicar... Na verdade, eu sei. Conte todas as estrelas do céu e as gotas do oceano, você saberá o quanto eu te amei.

Meu maior pedido é que seja feliz a partir de hoje. Você é forte, sempre vai ser... Eu acredito em você. Não se prenda a mim, eu virarei pó com os anos e desaparecerei, mas você viverá por muitos e muitos anos ainda David. Viva o futuro que não tive a oportunidade de viver.

Eu te amo... Sempre te amei e sempre te amarei. Até a eternidade.

E por ultimo eu tenho uma pergunta para te fazer... O que foi o amor para você David? Antigamente era uma pena frágil e fútil... O que essa pena virou durante os anos que passamos juntos?

Espero que tenha virado algo forte o bastante para aguentar esta tempestade...

Com amor...

Micky.”

“O amor para mim, passou de uma simples pena a um muro de tijolos. Só a mais forte pancada conseguirá fazer esse muro desabar. O muro, se cair, poderei reconstruí-lo ou investi-lo com bastante cimento fazendo-o assim mais forte. Ele não voará para longe de mim como uma pena. Eu cuidarei dele, e como a parede de uma casa, não se arruinará com uma simples chuva, só a mais forte tempestade poderá arruiná-la.

Durante a nossa tempestade, esse muro enfraqueceu... Mas, ele esta se recuperando com o tempo. Eu devo somente agradecer a pessoa que me fez mudar de opinião. Que fez de meu amor o mais forte raio de sol... Obrigado Micky.”

E essa seria a frase da capa de seu novo livro. Aos poucos a inspiração voltava... Não ficaria triste só pelo fato de estar contando sua história. Não seria uma biografia, mas sim uma história de amor verdadeira onde ninguém poderia mudar o final. Afinal de contas, o final era verdadeiro. Mas o protagonista não ficaria triste dessa vez, porque ele encontrou outra pessoa para amar, mas ninguém, jamais roubaria o lugar de seu querido e grande amor, Micky.

“Era um dia de inverno daqueles onde a preguiça passeava pelo ar. Foi naquele dia de inverno que eu o conheci... Foi naquele dia de inverno aonde eu percebi que o amor tinha batido em minha porta, literalmente...”

E assim, as palavras foram tomando conta das trezentas e sessenta e cinco páginas do livro mais famoso de David, que se chama: First Love.

Notas finais
Então... gostaram??
Espero que sim... ^^
Comentem e me digam o que acharam. ^^

Beijosss...

Akane ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!