First Dating

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Não joguem lixo no chão como o Hijikata, crianças.

- O que diabos significa isso, Sougo? — disse Hijikata enquanto uma veia de raiva saltava de sua testa. O jovem de cabelos claros estavam a frente de Hijikata com uma caixa branca decorada com flores douradas, dentro da mesma havia um bolo de glacê com morangos por cima, Okita naquele momento oferecia aquela embalagem ao moreno como um presente e para deixar a situação mais tensa o garoto ao mesmo tempo que ofereceu o bolo, convidou Hijikata para um encontro. — Você está brincando, não é?

- Não, saia comigo, Hijikata-san — o menor deixou o bolo nas mãos do maior e deu as costas ao mesmo, em seguida fazendo um aceno com uma das mãos e saindo do cômodo que se encontravam que era o local de trabalho do vice-comandante.

Hijikata olhou tenso para o pequeno que não demorou a desaparecer de sua vista, o moreno suava frio e seu corpo tremia de nervosismo, começou a abrir o embrulho do bolo sem cuidado algum e enfiou sua mão dentro do bolo o desmanchando por completo.

"Você acha que me engana, Sougo? Aposto que tem uma bomba aqui dentro"

Era o que ele pensava enquanto esboçava um sorriso vitorioso em seus lábios por ter descoberto o plano de Sougo, mas para sua surpresa ao terminar de desfazer todo o bolo, não havia nenhuma bomba ali e nada que pudesse lhe oferecer risco, era apenas um bolo comum.

Novamente Hijikata começou a tremer, de fato aquele pedido era verdade e o bolo era mesmo um presente, não podia ser verdade, Toushirou não conseguia acreditar, nunca em toda sua vida poderia esperar uma confissão vinda de Sougo. Não que fosse algo incomum receber um pedido desses, Hijikata recebia vários de garotas, mas não esperava um dia receber tal pedido partindo do garoto de pior caráter que ele conhecia.

"Tudo bem, Toushirou. Fique tranquilo, é só dizer que não que tudo vai ficar bem"

Alguns dias se passaram e Hijikata estava em frente a uma lanchonete usando seu kinagashi preto e com uma expressão completamente irritada em seu rosto enquanto tragava um cigarro, algo parecia lhe incomodar muito.

"Era só dizer que não, né? Seria simples assim, mas por que eu não neguei?"

Repreendia a si mesmo por não ter conseguido negar o pedido de Okita, agora já era tarde demais, estava de frente para o local de encontro esperando pelo jovem que pra piorar estava um pouco atrasado.

- Hijikata-san — uma voz muito conhecida pelos ouvidos do moreno o chamou e ele imediatamente direcionou seu olhar para o local que ela vinha.

- Foi mal pela demora — o jovem disse indiferente.

Hijikata acenou positivo com a cabeça e em seguida retirou o cigarro de seus lábios o jogando no chão e pisoteando sobre o mesmo, e por ultimo fez um sinal indicando para que entrassem na lanchonete, o que ambos fizeram. Um garçonete de imediato os levou até uma mesa próxima da janela, o que tornou tudo mais complicado para Hijikata, já que algum conhecido podia passar por ali e ver os dois nesse encontro. Porém como não queria estragar o dia do jovem a sua frente, tentou agir o mais naturalmente o possivel, o que era bem dificil já que o moreno suava frio e olhava para todos os lados.

A garçonete prontamente tirou uma cardeneta e uma caneta do bolso de seu avental e perguntou educadamente:

- Boa tarde senhores, o que desejam comer?

- Eu vou querer um rámen – Disse Okita de imediato.

- O especial de sempre. — Hijikata se referia a uma tigela de arroz acompanhada de um vidro de maionese, ele costumava frequentar muito aquela lanchonete e por isso todas as garçonetes já sabiam do que se tratava o Hijikata especial, por mais que sentissem muito nojo, tinham um cuidado extra com a comida do vice-comandante, pois este era um cliente fiel.

Mesmo que todas as pessoas daquela lanchonete o conhecessem, isso não preocupava tanto o moreno já que muitas vezes esteve ali acompanhado de Sougo principalmente no horário de almoço, mas geralmente estavam uniformizados. Naquele dia estavam com roupas comuns e fora do horário de almoço, entretanto as pessoas da lanchonete de certo não iria nem notar a presença deles ali, já que estavam muito atarefadas atendendo vários pedidos.

Não demorou muito para que suas refeições fossem servidas a mesa e Sougo mais que depressa começasse a atacar seu rámen, enquanto Hijikata abria paciente o seu vidro de maionese e despejasse todo o conteúdo na tigela de arroz fazendo várias curvas. Ao término de todo esse processo, Toushirou começou a comer seu tão polêmico Hijikata especial, enquanto saboreava aquilo que ele dizia ter um gosto “divino”, por um momento seu olhar se voltou para Sougo que comia seu rámen em silêncio.

“É isso que você chama de um encontro, Sougo?”

Um pensamento debochado falou a cabeça de Hijikata, fazendo o mesmo sorrir de canto, porém ao abaixar a cabeça novamente para voltar a comer, notou que uma colher em um movimento rápido pegou um pouco de seu Hijikata especial e ao acompanhar o percurso da mesma até alcançar a boca do pequeno que saboreou o alimento com uma cara nem tão boa.

Era evidente que Sougo não havia gostado nem um pouco, mas ele disfarçou desviando o olhar para o lado e com a colher ainda entre os lábios.

- Não é tão ruim assim.

Apesar do péssimo ator que o sádico era e de ser mais que óbvio que ele havia odiado a comida, aquilo fez o rosto do moreno ganhar aos poucos um tom rosado, era estranho, mas ver Sougo agir daquela maneira, tentando o agradar de alguma forma, mexeu com Hijikata naquele momento.

- E-eu sempre digo! Maionese é a melhor comida que existe! — Toushirou dizia sem graça. — e espere...está sujo aqui – ele apontou para o próprio rosto indicando onde estaria sujo o rosto do menor.

- Aqui? — ele disse esfregando uma das mãos contra a bochecha.

- Não, bem aqui – o moreno se inclinou sobre a mesa e passou o seu polegar sobre o canto da boca do garoto.

Ao decorrer desse ato, Hijikata deixou um sorriso sereno escapar de seus lábios, o que era incomum partindo dele, tanto que fez os olhos avermelhados do jovem de cabelos claros se arregalarem. Demorou um pouco para a ficha do vice-comandante cair e quando isto aconteceu, ele se afastou o mais rápido que pode, cruzou os braços e desviou o rosto completamente corado para o outro lado.

Após isso ambos se mantiveram em silêncio até o fim de sua refeição, logo Hjikata pagou toda a conta, pois Sougo não havia trago nada como sempre, e eles saíram da lanchonete.

- Onde quer ir agora, Sougo? — ele disse enquanto estavam em frente a porta da lanchonete.

- Qualquer lugar está bom para mim. — ele disse indiferente enquanto olhava para o movimento da rua a sua frente.

- Hmm...daqui a duas horas vai passar “Alien vs Yakuza 3” no cinema, vamos andar por ai enquanto isso e depois podemos assistir. — Hijikata disse acendendo mais um cigarro e o tragando logo em seguida.

Sougo concordou positivo com a cabeça e ambos saíram passeando por Edo, Ao contrário que Hijikata imaginava que essas duas horas seriam longas e cansativas, tudo passou muito rápido e foi divertido, os dois samurais visitaram diversas lojas, deram voltas enquanto conversavam assuntos que pareciam não ter fim principalmente sobre programas de TV.

Já começava a entardecer e o filme começaria em alguns minutos. Sougo se sentou em um dos assentos que haviam na bilheteria terminando de tomar o sorvete de chocolate que havia comprado no caminho para o cinema, com o dinheiro de Hijikata é claro.

Hjikata, por sua vez, havia ido comprar os ingressos e não demorou a voltar, tempo suficiente para Sougo terminar o sorvete e do filme está prestes a começar. Eles entraram o mais rápido que puderam e logo encontraram bons assentos.

O filme começou e todos do cinema ficaram em silêncio, não havia muita gente ali pois não era a sessão principal. Uma hora e meia depois o final do filme e o fechamento de toda trama se aproximavam, Hijikata tentava de alguma forma segurar a emoção e o choro que quase saia. Ele esfregava a manga do seu kinagashi contra os olhos úmidos para não deixar as lágrimas rolarem, não podia permitir que Sougo o visse chorando, era inadmissível.

Okita que acabava de terminar de comer todo sua pipoca, desviou seu olhar para Hijikata para poder pegar sua pipoca, mas notou que este se acabava em lágrimas e ao mesmo tempo tentava contê-las, pelo visto em vão.

- Você está chorando, Hijikata-san?

- Não, não estou. De onde tirou essa ideia ridícula, Sougo? — O moreno disse desviando o olhar para o outro lado e secando as lágrimas.

Decidiu que evitaria o máximo ter contato ocular com o pequeno até o final do filme, mas havia sido uma decisão em vão, pois sentiu pequenas mãos quentes alcançarem seu rosto e o virarem para o outro lado, mal pode raciocinar e teve seus lábios tomados pelos lábios finos e macios do pequeno. Os olhos azuis se arregalaram, não esperava por aquela atitude vinda de Sougo, pensou em resistir e empurra-lo, tinha força suficiente para cessar aquele colar de lábios, mas acabou que Hijikata cedeu, seus olhos se fecharam e ambas as mãos adentraram em meio aos fios de cabelo castanhos de Sougo os pressionando entre os dedos.

O beijo durou por um longo tempo, eles não tinham pressa, faziam tudo com calma, era como se estivessem em outra dimensão, nem os barulhos de explosões vinda do filme lhe tomava a atenção, a mesma que era voltada só para aquele momento especial. Entretanto ao seu término, notaram que o filme estava no finalzinho, ambos os jovens se entreolharam e em seguida cada um virou o rosto para o lado contrário, só que leves sorrisos surgiram em seus rostos, aquele encontro poderia ser o inicio de uma relação muito especial.

Quando o filme terminou, Hijikata e Okita saíram um ao lado do outro do cinema e permanecendo em silêncio caminharam calmamente por algumas ruas, já era noite e a cidade brilhava com tantas luzes.

Sougo olhava para baixo, achava que talvez o encontro não havia dado muito certo, mas de repente sentiu sua mão ser pega timidamente pela mão de Hijikata, estava tão quente, o sádico ergueu seu olhar para o moreno, que desviou o rosto completamente corado para o outro lado, o que fez Sougo esboçar um sorriso igualmente timido.

- Está tarde, vamos logo para casa, Sougo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!