First Date
7 7º: RusAme
Notas iniciais
A risada do americano ecoou por toda a praça, virando cabeças e criando uma grande confusão. Alfred se dobrava de rir, com o braço no estômago e o outro no ombro do maior. Ivan Braginsky estava, agora, oficialmente perdido. Ótimo. Ele estragou tudo, mais uma vez.
O russo não sabia mais o que fazer. Parte de si queria sair correndo, não voltar e ficar pra sempre em casa, perto da lareira. Outra queria muito dar um soco na cara de Alfred. E a última...essa queria muito o encontro. Govno.
“Duude, se você fosse engraçado assim sempre, eu juro, eu seria seu melhor amigo!” Disse o outro, entre risadas, ainda se contorcendo. Ivan suspirou fundo, e se segurou pra não dar um chute no outro.
“Alfred.” O tom de Ivan era firme, mas calmo, como sempre foi. Apesar de estar se sentindo confuso, o russo ainda conseguia tomar controle da situação. “Eu não estou brincando.”
O americano parou de rir no mesmo instante.
“E-EH? É SÉRIO MESMO?” Gritou, e Ivan consegui sentir um tique no olho. Por que ele fala tão alto? É tão..tão..UGH.
O russo fez que sim com a cabeça, tentando ser mais discreto.
“Dude, por que EU iria sair com VOCÊ?” Perguntou, erguendo a sobrancelha, e rindo de novo. Alfred fez que não com a cabeça. “É..sério cara, não.”
Ivan sentiu vontade de pegar o pé do americano e jogá-lo o mais longe que conseguisse. Quis enfiar os punhos no nariz do outro. Mas não. Pensou melhor: acertou uma joelhada entre as pernas de Alfred,
“A-ahh..ah..FUCK YOU...” O americano resmungou, entre gemidos de dor, numa posição fetal no chão. Ivan não sabia se queria rir muito da cara dele, ou pedir desculpas e cuidar dele até melhorar. Por que tem que ser tão difícil decidir??!
Ivan olhou de cima para o americano, que ainda rolava no chão. Não disse nada, mas chegou a se sentir mal por ele. A culpa é dele por rir de mim. Pensou, tentando afastar os pensamentos de ajudá-lo, mas não parecia que ia funcionar tão cedo.
Ivan tinha voltado pra casa, e no momento presente estava encarando fixamente a parede, xingando o americano mentalmente.
“Seria tão mais fácil se ele aceitasse..” resmungou, fazendo uma careta. “Eu só..só queria que ele gostasse um pouco de mim, mas ele..aah, eblan, idiota! Porque ele não pode ser menos irritante?!” o russo falava sozinho, esbravejando com uma almofada e a parede. Não notou o tom de voz, mas isso atraiu a atenção da irmã maior, Katyusha.
“Vanya? O que houve?”
“Ivan.” Ele corrigiu, com um mal-humor claro. A irmã riu.
“Ivan, qual é o problema? A almofada não vai ouvir, mas sua sestra pode.” Ela disse, passando a mão pelo cabelo do irmão. Ivan suspirou fundo.
“Ele não gosta de mim.”
“O americano?” Indagou a mulher.
“Alfred.” Ivan confirmou.
“Bem, Fredka é..ele dá nos nervos mesmo, não é?” Ela riu, e o irmão fez que sim com a cabeça, de braços cruzados e desviando o olhar. “Já te falei, Ivan-“
“Eu não tenho peitos.” Interrompeu, e a garota corou.
“N-não essa parte! A questão é, você tem que insistir nisso.”
“Eu não tenho a paciência, sestra, ele é impossível! Ele não fica quieto, e me envergonha na frente de todo mundo, eu tenho vontade de estrangulá-lo e depois não consigo! Quando eu tento pensar nele, nunca vem um meio-termo, ou ele é um idiota, ou..” o russo parou de falar, e a irmã inclinou a cabeça.
“Ou o que, Vanya?” perguntou, com uma expressão preocupada. O russo não se segurou por muito mais tempo, as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto. Já estavam ali há muito, muito tempo. Ele só não queria que caíssem tão cedo. Não queria ser vulnerável na frente daquele..daquele idiota. Katyusha passou a mão pelo cabelo do irmão mais uma vez, tentando acalmá-lo.
“Não tem problema, Ivan. Eu sei que ele não odeia você, no fundo. É só orgulhoso demais para dizer o quanto gosta de você, tenho certeza.” A mais velha sorriu, e empurrou o irmão pra fora da cama. “Agora vai. Você tem um encontro pela frente.”
Qual é o meu problema? O americano pensou, espalhado no sofá, olhando para a janela, ou melhor, para as estrelas. Eram tão bonitas, e tão distantes..como alguém que conhecia. Ele provavelmente acha que eu sou um idiota. Damn, não era pra ser tão difícil!
Alfred suspirou fundo, e pegou o celular. Será que..eu deveria ligar? Depois daquilo..não custa nada tentar, I guess..
“H-hello?” Gaguejou, esperando uma resposta do outro lado da linha.
O russo estava perplexo. Sabia quem era, afinal, a voz “irritante” era inconfundível. Mas não achou que fosse ligar.
“Privet..” respondeu, falando num tom mais baixo do que queria.
Do seu lado do telefone, Alfred sorriu largamente de ouvir a resposta.
“Hey! Eu..eu queria saber se..q-quer ir até o museu de astronomia, hoje à noite? Vão..vão ter um show no planetário, e..” O americano parou. Estava falando sozinho? Por que Ivan não respondia mais?
Ele só pode estar de brincadeira. O russo estava atônito, sem reação. Fredka? Me chamar pra sair?
“E-eu..da. Eu vou.” Confirmou, para a alegria do americano, que emitiu um barulho um tanto estranho.
“Thank you! Eu..vou estar lá, grandão!”
“Ivan.” Corrigiu o russo. Estava corado, mas felizmente, o americano não podia ver.
“Vanya.” Alfred riu. “Até lá, dude.”
Ivan sentiu o coração pular uma batida. Não estava acostumado com isso, mas se sentiu realmente..feliz. Tinha um sorriso largo no rosto, e as bochechas coradas.
“Um encontro com Fredka!~” cantarolou, andando até o quarto para escolher o que ia vestir.
Ao chegar no planetário, Alfred não pode evitar de olhar para tudo com uma expressão maravilhada. Era muito bonito, e as estrelas o encantavam. O teto era uma cúpula de vidro, com painéis que o americano deduziu poderem fechar para os shows de luzes. Como o que vamos ver hoje.
“Ivan!” Exclamou, ao ver o russo entrar, com um sorriso. “Aqui!”
O maior se virou, e corou um pouco ao avistar o americano. Os painéis se fecharam, e as luzes das estrelas pareciam todas refletidas em seu rosto. Ivan sorriu discretamente.
“É muito bonito.” Comentou, num tom baixo, e o americano fez que sim com a cabeça.
“Yep!” concordou, num tom mais baixo do que o de costume, coisa que agradou o russo. “Vamos encontrar as cadeiras, vai começar daqui a pouco! Ah..e me desculpe por não ter aceitado antes.”
Ivan desviou o olhar.
“Me..me desculpe por chutar suas-“
“Desculpado!” interrompeu Alfred, e apontou o teto, se sentando em uma cadeira ao lado do russo.
“Ooh..” Ivan olhou para cima, impressionado. Era muito bonito. Quase tão bonito quanto..o rosto dele ali. Pensou. Realmente, achava o americano adorável quando sorria.
As luzes começaram a se mexer. Acenderam-se várias estrelas, e o maior acompanhava com a cabeça, quase como um gato perseguindo um ponto de laser. Alfred riu baixinho, acompanhando também. Acenderam-se nebulosas coloridas, e os olhos de Ivan pareciam brilhar com o entusiasmo. É lindo.
“Fre- Alfred.” Chamou o russo, corado por quase ter usado o apelido. Alfred não pareceu notar.
“Hm?”
“Bolshoe spasibo.”
Alfred ergueu a sobrancelha, e Ivan ficou vermelho. Ainda bem que está escuro.
“Hã..eu não..falo russo..”
“Thank you.” Ivan disse, com um sotaque carregado. Alfred riu e se inclinou contra ele.
“Eu não me importaria de fazer isso de novo.” Disse, sorrindo de canto, e beijou o nariz do outro, fazendo-o tampar o rosto com a mão. O americano ergueu a sobrancelha. “Hã..tudo bem?”
Ivan não disse nada, mas encostou de leve os lábios nos do americano, que olhou para o próprio nariz, corado. Alfred sorriu, travesso.
“C’mon, big guy.” Disse, brincalhão, e pressionou os lábios contra os do outro. Ivan teve a impressão de que seu coração ia cair, e que explodiam fogos de artifício em sua cabeça. Retribuiu o beijo timidamente, mas conseguiu se “acostumar” depois de um certo tempo assim. Quando se separaram, ambos estavam vermelhos, mas com um sorriso no rosto.
“Ei, Ivan..”
“Hm?”
“Isso deve soar muito ruim, mas..hã..você é minha..estrela.”
O russo ergueu a sobrancelha.
“Sua bola de gás que explode em uma supernova?” questionou, e Alfred riu.
“Como é que eu dou um jeito em você, hein?”
Ivan sentiu as bochechas ferverem. Isso não é hora de pensar nessas coisas!
Alfred pareceu entender, porque sorriu de canto e cutucou o maior de leve.
“Foi isso mesmo que você pensou?”
“...Cala a boca.” Ivan resmungou, envergonhado, mas o americano riu novamente.
“Pode deixar.” Disse, e voltou a tomar os lábios do russo para si.
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