Firme, forte e verdadeiramente

1 firme, forte e verdadeiramente


Notas iniciais
Esse poema foi escrito no longínquo ano de 2013. Tenham dó dele. Feito para uma estrelinha.

Eu não consigo decidir

se você parece mais um quadro

de Waterhouse

ou de Mucha

ou se você é uma escultura,

toda pálida ao luar,

com os cabelos em volta

formando algo que parece uma enorme

marca

de tinta

quando forçamos a tinteiro a funcionar

e ela

vaza.

Quando me perguntaram,

anos atrás,

por que eu não procurava a felicidade,

eu disse que não procurava

o que fugia de mim.

Eu estava bem,

obrigado.

Mas você apareceu,

toda traços delicados e

cores suaves,

com mãos leves e finas

e unhas lascadas.

Quando comecei a chorar,

quando eu fiquei quieto,

quando eu duvidei,

você segurou a minha mão

e não pediu para que eu parasse.

Acho que foi ai que confiei em você.

Confiei em seus beijos,

em seus toques,

em suas carícias,

em suas palavras.

Cego.

Vulnerável.

Um pedaço de minha alma

se grudava aos seus lábios

a cada beijo.

Um pedaço do meu coração era seu

a cada carícia.

Um canto da minha mente era ocupado

a cada palavra.

E você

confiava em mim mais

do que eu mesmo confiaria;

fechava os olhos e ouvia

as infinitas palavras que escapavam

sem eu nem mesmo perceber,

algumas bonitas,

outras feitas para machucar

(eu odiava essas,

mas não sabia pará-las;

elas eram feitas para me machucar,

mas eu via que elas apertavam o seu coração).

E você suspirava

a cada beijo,

cada toque,

cada palavra,

do mesmo jeito que eu,

e enroscava seus dedos nos meus

(nossas mãos,

finas e

dedos compridos,

pareciam se encaixar tão bem),

enquanto eu tentava entender o que acontecia

(nunca conseguia,

suas unhas,

ardendo e arranhando,

me distraíam).

E você

perguntava o que havia

onde você não podia olhar,

seus dedos tentando me acalmar

e seus lábios,

beijando as lágrimas.

E você

me segurava,

me apoiava,

me prendia aqui,

a âncora que me trazia

para a realidade,

para fora de pesadelos e dúvidas.

E você

sorria e brincava,

corava e suspirava,

quase imitando minhas reações.

E eu,

perdido em você,

(viciado em você)

esquecia do mundo,

afundado, afogado,

em olhos da cor do céu do outono,

em sorrisos delicados e

em carícias cheias de cuidado.

E eu nunca soube

como lhe agradecer

pelo tempo e pelos beijos,

pela calma e pelas lágrimas,

pelo amor e pelo carinho,

pela segurança e pela força.

Só me resta, hoje,

tentar ao máximo lhe devolver

tudo o que você me deu

desde um sorriso até

a sensação

de ser amado,

firme,

forte

e verdadeiramente.

Notas finais
"Amo firme, forte e verdadeiramente" - parte do poema Amo! do Vladimir Maiakovsky
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!