Fireworks
1 Capítulo Único
Notas iniciais
“Portanto, este é o fim, de você e de mim, tivemos uma boa corrida, e eu deixo você livre para fazer o que quiser, fazer o que quiser sem mim.Lembra quando você era meu barco e eu era o seu mar, juntos nós flutuávamos, tão delicadamente, mas isso foi quando podíamos conversar sobre qualquer coisa. Porque eu não sei quem eu sou quando você dá voltas na minha cabeça. (..) Três palavras inteiras e oito letras depois e isso bastaria para mim ontem. Nós não somos iguais, queria que pudéssemos mudar. mas não podemos. (..) E eu digo o seu nome e no mesmo suspiro” ─ [Fireworks — You Me At Six]
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Sam sorriu ao passar seus dedos pelo guidom da moto reluzente. Era uma enorme sorte sua que Spencer tenha emprestado a moto para ela. Tudo bem que tivera que insistir um pouco antes, mas tinha valido a pena.
Iria para Chicago, primeiramente. Talvez arranjar um trabalho legal, ou… arrombar um banco. Qualquer coisa que a fizesse ganhar dinheiro suficiente para ficar na Califórnia, sua próxima e última parada.
Olhou para o Bushwell, o enorme prédio atrás dela. Iria sentir saudades de Seattle, sua eterna casa. E pensar que ela nunca mais iria fazer o iCarly novamente, que não iria mais conversar animadamente com Carly, que não iria poder mais tirar com a cara de Gibby, que não podia mais ver qual seria a próxima coisa estranha que Spencer poderia fazer, que não ia mais ver Freddie. Aquilo tudo era tão… tão horrível. Era como se fosse obrigada a apagar dezessete anos da sua vida, era como se fosse começar a viver só agora.
Não posso ficar pensando nisso agora, pensou, tenho que ligar para casa, se é que eu tenho uma ainda.
Sam tateou o bolso traseiro do seu jeans, afim de pegar seu Peraphone e ligar para sua mãe. Estranhamente, não havia nada ali.
Com um resquício de magoa, ela se lembrou. Havia ido no estúdio do iCarly para perguntar à Carly que horas ela iria pegar seu voo para Itália, mas acabou foi vendo através da janela da porta uma coisa. Freddie e Carly estavam se beijando, completamente um correspondendo o outro. Nervosa e um pouco irritada, saiu correndo do apartamento mas tropeçou enquanto descia os degraus para o andar abaixo. Ficou ali sentada mesmo e começou a chorar, pela cena que havia visto.
Talvez seu Peraphone estivesse lá, caído.
Sam olhou para moto e pegou o capacete. Deixou a moto encostada mais um pouco perto do prédio e entrou no Bushwell, precisava pegar seu celular de volta. Mas não iria ser vista.
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Freddie encarou desanimado a porta do apartamento de Carly. Aquilo era muito angustiante para ele, saber que a garota a quem ele tanto amava tinha ido embora, e talvez nunca mais fosse voltar.
Tinha ficado frio. Ele se encolheu dentro de sua jaqueta, tentando sentir um pouco de calor. Estranhamente, ele sentiu a sensação de que tinha alguém o observando, o que seria ridículo porque ele estava sozinho.
Virou a cabeça em direção à escada a tempo de ver uma cabeleira loura sumir.
─ Hey, quem está aí? ─ perguntou ele, se aproximando um pouco. Não sabia quem poderia ser ─ Eu vi você se escondendo, quem está aí?!
Meio lentamente, uma garota saiu. Com sua roupa habitual, os olhos meio vermelhos e segurando um capacete preto, Sam sorriu timidamente e subiu o degrau que faltava.
─ Agradeça porque essa ladra aqui é bonita ─ ironizou ela, fazendo uma careta ─ Mãos para o alto Benson!
─ Sam ─ Freddie murmurou o nome dela como se fosse a última coisa que falaria.
Porque quando beijei Carly esqueci ela? Porque não me lembrei dela?, pensou ele a encarando, como pude me esquecer o que sinto por Sam?!
Sam o encarou, confusa. Ela colocou seu capacete perto da porta de Carly e se aproximou um pouco dele, segurando seu braço.
─ Aconteceu alguma coisa? ─ perguntou ela, parecendo preocupada ─ Freddie? Não vou te assaltar seu idiota, era uma brincadeira.
Ele sacudiu a cabeça.
─ An?! Ah, não, eu entendi o que você disse ─ sorriu, olhando-a ─ O que veio fazer aqui?
─ Esqueci meu celular na escada ─ respondeu ela ─ Mas já achei.
Freddie olhou para ela, exatamente em seus olhos. Ela fez o mesmo, parecendo um pouco incomodada, mas ele não desviou seu olhar. Ficaram em silêncio alguns minutos.
─ Bem… ─ ela quebrou o silêncio ─ Sobre… hoje mais cedo. Quando você me perguntou se eu queria voltar com você…
─ Sinto muito por aquilo ─ desculpou-se ele ─ Eu só tinha entendido errado. Não era exatamente uma pergunta.
Ela suspirou um “Ah!” e deu um sorriso envergonhado. Freddie se deu conta de que havia falado aquilo de uma forma errada.
─ Não, Sam… Eu não queria… ─ tentou ele, se aproximando dela.
Sam soltou o braço dele e se afastou um pouco.
─ Tudo bem, não tem problema ─ falou ela, sorrindo ─ Eu preciso ir agora, dizem que a essa hora pra sair de Seattle demora um pouco.
Freddie olhou-a sem entender nada.
─ Hmm, você vai sair de Seattle?
Ele notou que ela parecia um pouco abatida. Talvez era por causa de Carly, mas ele também estava assim.
─ Estou indo embora ─ respondeu ela, olhando para o chão ─ Vou para Califórnia.
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Sam olhou, meio receosa, para Freddie. Ele parecia surpreso e abalado… na verdade parecia que iria vomitar o próprio estômago se isso fosse possível.
─ Por quanto tempo? ─ questionou ele, aumentando a sua voz uma oitava.
─ Talvez eu não volte ─ esclareceu ela, firmando suas mãos em punho. Tivera uma enorme vontade de abraça-lo quando vira sua reação ─ Eu não decidi ainda.
Freddie suspirou enquanto pegava as mãos delas. Ela deixou suas mãos se abrirem lentamente, seus dedos tocando as mãos dele, sentindo que ele ainda estava ali. Ele parecia querer sentir o mesmo em relação à ela.
─ Sei que você está triste por causa que Carly foi embora ─ murmurou ele, olhando para as mãos de ambos ─ Mas, Sam, eu também estou me sentindo assim e nem por isso vou pegar minhas coisas e enfrentar a fúria monstruosa da minha mãe. Você não vai estar sozinha, você ainda tem a mim.
─ Não é por isso, exatamente. Freddie, preciso ir para um lugar novo, achar algumas pessoas loucas como eu e achar alguém. Seattle sempre foi a minha casa, mas agora eu preciso me encontrar ─ falou ela ─ E além do mais, Carly vai voltar daqui a dois meses, e você vai estar esperando por ela. Quero que vocês fiquem um pouco, bem… sozinhos, para namorarem sem que eu me meta no meio de vocês.
Como era difícil para ela falar aquilo tudo. Queria Freddie para ela, só pra ela, não queria dividir ele com ninguém, mas precisava deixa-lo ir, porque infelizmente as coisas não funcionavam do seu jeito. Ela gostava dele, ele gostava de Carly, que retribuía seus sentimentos. Era um ciclo onde ela não tinha um lugar.
─ Quem disse que eu e Carly vamos namorar? ─ perguntou ele, franzindo a testa.
─ Vi vocês dois se beijarem no estúdio ─ explicou ela ─ Sei que estão juntos, você não precisa mentir só… por causa da minha condição.
Os olhos castanhos de Freddie pareciam que iam saltar do rosto dele. E mais uma vez eu falei algo que não devia, pensou, um prêmio para Sam Puckett e sua boca enorme.
─ Eu sei que não devia ficar observando vocês, foi sem querer ─ desculpou-se, quando ele não falou nada ─ Foi… ok, não foi sem querer porque eu quis ver, mas… foi acidental, eu não planejei ou… argh! Isso não diminui minha culpa, não é mesmo?
Freddie ainda estavam em choque, encarando-a.
─ Faça alguma coisa! ─ exclamou ela, mais desesperada ─ Benson, se você tiver um ataque do coração eu vou sair correndo e não vai ser pra chamar uma ambulância…
Depois de se passarem alguns minutos, ele fez alguma coisa. Freddie respirou fundo e foi em direção a ela, abraçando-a.
Os braços dele, tão fortes e protetores, envolveram-na desajeitadamente, porém firmes. Sam se sentiu segura, como ele conseguia fazê-la se sentir.
─ Eu não… eu não gosto da Carly da mesma forma que… ─ gaguejou ele, bem próximo do seu ouvido ─ É que… não é igual. Eu quero que você acredite em mim.
Sam acariciou as costas dele, timidamente. Uma tentativa falha de reconfortá-lo, mas pelo menos estava tentando fazer algo.
─ Porque eu tenho que acreditar em você? ─ indagou.
─ Porque eu te amo, Sam. E preciso que você fique fique comigo.
Ela se afastou dele, para poder ver o seu rosto. Freddie ainda era o mesmo menino que costumava odiá-la, mas o seu coração era do homem que a amava mais do que qualquer outra pessoa. E Sam sabia disso.
Porque ainda estava apaixonada pelo seu ex-namorado.
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─ Eu… eu também te amo ─ sussurrou ela, olhando surpresa para o chão, como se tivesse se dado conta daquilo só naquele momento ─ Ah, não, eu ainda te amo.
Freddie sorriu e a abraçou novamente. Mas logo ele a soltou pois Sam gritou muito alto bem perto do seu ouvido.
─ Sam…?
─ Isso é horrível! ─ ela gritou. Ele percebeu que ela estava chorando ─ Isso. É. Horrível!
Ele estava confuso. Ela não devia estar reagindo assim, devia?!
─ Porque, exatamente, é horrível? Porque eu gosto de você e você de mim? ─ questionou ele, erguendo uma sobrancelha ─ Porque nós podemos voltar a namorar? É isso?! Porque se for, eu não vejo nada de ruim nisso.
Sam soltou um grunhido enquanto tentava bater no peito dele, mas Freddie agarrou seus braços firmemente.
─ Não! ─ respondeu ela, o encarando ─ Porque eu gosto de você! E porque você não gosta de mim o suficiente para parar de gostar da Carly.
Se Sam tivesse dado um soco no rosto dele, como ela costumava fazer, teria doído menos que aquilo. Ela tinha dito a verdade, e a verdade o lembrava do quanto ele não era bom o bastante como sempre achava que era.
─ Sam… ─ tentou ele, puxando-a para ele.
─ Não peça desculpas pra mim, Nerd ─ falou ela, ficando perto demais dele ─ Você sempre gostou da Carly, e eu já estraguei as coisas o suficiente. Tudo isso porque eu achei que podia ter um pouco de você.
Ele trouxe-a mais para perto, ficando a centímetros do seu rosto, sentindo o seu perfume inebriante.
─ Você tem a maior parte ─ admitiu.
Ela não falou nada, apenas o encarou. Freddie sabia que não podia mais se controlar, então fez aquilo que estava com vontade de fazer há muito tempo, ele a beijou.
Seus lábios pressionaram os dela firmemente, enquanto ela acariciava lentamente seu cabelo castanho. Freddie soltou um leve gemido quando a loira mordiscou o lábio inferior dele. Ele ficava impressionado o modo como ela fazia ele sentir fogos de artificio no estômago, o incentivando a beijá-la mais ainda, fazendo ele sentir vontade de dar um grito de felicidade.
Sam puxou de leve os lábios dele com os seus, fazendo os dois rirem.
─ Preciso ir agora ─ falou ela, voltando a ficar séria ─ Desculpa.
─ Eu entendo ─ murmurou ele, soltando-a ─ Só diga que vai voltar. Que vai voltar pra mim, sim?
Sam pegou o capacete e olhou para ele uma última vez:
─ Adeus, Nerd.
Ele observou, então, a garota da sua vida ir embora. E ele não a impediu, porque sabia que para que ela voltasse ele teria que deixa-la ir.
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O vento bagunçava seus cabelos louros, mesmo que ela estivesse usando o capacete. Sam desacelerou perto da faixa de pedestres, quando o sinal ficou vermelho. Estava orgulhosa de si mesma por respeitar uma regra, talvez a primeira delas.
” Porque eu te amo, Sam”.
Era bom saber que pelo menos uma vez na vida alguém a amou, como Freddie amava-a. E mesmo que ela nunca voltasse, tinha certeza que o que tinha entre ela e o seu nerd preferido era para sempre. Ambos sabiam disso.
O sinal ficou verde, e Sam acelerou a moto. Estava indo para aquilo que ela podia chamar de próximo capítulo da sua vida.
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