Notas iniciais
Agora sim, aqui está o primeiro capítulo.

"For the first time in hundreds of years, the night came alive with the music of dragons. George R.R. Martin, A Game of Thrones (A Song of Ice and Fire, #1)."

Charlie não estava em seu habitat natural, ele mal conseguia se lembrar quando usou uma roupa bruxa tão tradicional, nem mesmo no casamento de seus irmãos tanta formalidade fora exigida, mas era o maior desafio que ele enfrentava em anos, ficando ...

Charlie não estava em seu habitat natural, ele mal conseguia se lembrar quando usou uma roupa bruxa tão tradicional, nem mesmo no casamento de seus irmãos tanta formalidade fora exigida, mas era o maior desafio que ele enfrentava em anos, ficando atrás somente da batalha de Hogwarts.

O corredor sóbrio era iluminado por velas flutuantes, o tapete fulgia em um púrpuro intenso, possivelmente enfeitiçado para chegar naquele tom, o único som audível era o balançar de pernas do próprio homem acompanhado de seus murmúrios incansáveis.

Os argumentos que seriam utilizados eram respaldados em lógica e os estudos que norteavam sua vida até hoje, ele havia escrito e ponderado por tantas vezes, tinha duvidado de si e da sua capacidade em tornar o projeto real, entretanto, Charles Wesley não sairia daquele gabinete sem uma resposta positiva.

Ele estava determinado, era mais do que um propósito pessoal, era sobre os dragões. E, definitivamente, não existia nada que ele pudesse amar mais do que aquelas fantásticas criaturas aladas, cuspidoras de fogo.

Antes mesmo de entrar em Hogwarts, Charlie sabia, no cerne de seu ser, que o seu destino estava atrelado àqueles animais. Eles preencheram sua alma e deram à sua vida um propósito, agora, mais do que nunca, era a vez de os retribuir.

Os dragões o salvaram de todas as maneiras que uma pessoa pode ser salva. Charlie estava obstinado em fazer o mesmo por eles.

Os sinos tocaram anunciando que a Ministra da Magia estava pronta para recebê-lo, Hermione Granger abriu a porta, colocando apenas a cabeça para fora, seus cabelos crespos e volumosos sendo a primeira coisa a ser notada, seguido pelo semblante sério e olhar comprometido.

— Senhor Weasley."— Disse Hermione, colocando-se inteiramente no corredor e utilizando o batente como apoio. "Pauta de segurança nacional e extremo sigilo." Assim que as palavras saíram dos lábios de Hermione, ela arqueou uma sobrancelha em direção ao homem de cabelos ruivos, tão ruivos quanto o de seu marido, e o conduziu para dentro da sala.

Hermione esperou que Charles se sentasse em uma das poltronas, para, assim, mover sua varinha e fechar a porta, trancando imediatamente o local e proferindo o feitiço abaffiato.

— O que houve no Santuário de Dragões na Romênia? — Uma pergunta direta e clara, sem quaisquer aberturas para enrolações e meias-palavras.

O motivo para uma reunião formal, envolvendo alto grau de periculosidade, deixava os instintos da Ministra em alerta. Ela era uma mulher consciente dos riscos e perigos em um mundo envolto em magia e poder.

— Fizemos uma nova descoberta. — Respondeu. — Bem, eu fiz isso juntamente de Babajide Akingbade.

O nome do Cacique Supremo fez Hermione se mover em sua cadeira. — Não sabia que Akingbade também era um estudioso dos dragões, mas a informação não me surpreende.

Charlie deu um breve aceno em concordância, tendo total conhecimento de que o velho amigo era um tanto discreto quanto sua vida, apesar do renome dentro da comunidade mágica.

Independentemente, o foco principal eram as pesquisas referentes aos dragões, as novas descobertas do senhor Weasley poderiam modificar toda uma relação e história antiga que veio a ser descoberta.

Hermione permanecia em um profundo escrutínio, as orbes escuras sem perder qualquer movimento de Charlie, vendo o movimento agitado das mãos quando ele abriu vários pergaminhos repleto de figuras de dragões, grafias e até mesmo um mapa.

Parecia como um catálogo de raças dos animais, ela supôs, uma nova raça a ser listada? Era o questionado interno de Hermione, estando prestes a expor sua dedução, o estudioso se mostrou mais rápido ao iniciar uma longa explicação:

— Essas são as doze raças de dragões conhecidas, catalogadas e classificadas como XXXXX. Impossíveis de treinar ou domesticar, entretanto descobri um elo há mui perdido. Um elo relatado apenas nas histórias antigas sobre a convivência dos dragões e bruxos, datados no período da Idade Antiga, onde uma décima terceira raça de dragões era ligada apenas a um bruxo.

Durante a pequena exposição, o dragonologista manteve a voz firme, apontando os dedos repleto de bolhas para cada uma das figuras de dragões. — Esse vínculo não pode ser feito por qualquer um, afinal o dragão precisa escolher quem é digno de ser sua montaria. — Ele fez uma pausa, esperando por alguma resposta que, infelizmente, não veio.

Charlie estava expondo sua maior descoberta, uma das maiores descobertas da história e, em contrapartida, Hermione parecia cética quanto às suas palavras, sem emitir qualquer reação, fosse positiva ou negativa.

— Ainda é algo incerto, como é feito essa escolha, precisarei de mais tempo para descobrir as motivações, mas duvido que realmente exista uma razão lógica para isso. Não acredito que isso mude completamente o que temos. Um dragão ainda é capaz de matar um bruxo e não será domesticado, não será um bicho de estimação, mas será conectado especificamente a um montador.

A mente de Hermione analisava a situação, fazia uma grande lista mental quanto à segurança nacional e os riscos, mesmo que houvesse uma pequena parte dela que mal podia se conter em entusiasmo, por seu fascínio por criaturas mágicas.

Naquele momento, era um duelo interno que ela estava vivenciando, um conflito de interesses que há anos não sentia, razão e compreensão, obediência às regras ou apoio ao que acreditava.

Então, a Ministra se permitiu uma longa respiração, expirando o ar pela boca e puxando, um tanto bruscamente, os papeis e estudos fornecidos pelo seu cunhado. — Onde estão esses livros antigos? Preciso de mais contexto sobre sua descoberta. Os dragões são criaturas fascinantes, claro, mas deveras perigosas. Você melhor do que ninguém sabe disso.

Era uma situação difícil, é verdade, mas Hermione tinha passado por coisas piores. Entender melhor como e o por quê aquilo ocorria, era trivial antes de ter uma resposta para o que fazer a respeito.

— Eu descobri porque eu vivenciei isso. Nos Vales de Gales do Sul, fora uma expedição para resgatar um Verde-Galês-Comum.

O silêncio preencheu a sala, Charlie tossiu de maneira seca, passando as mãos pelo pescoço, uma tentativa de acalmar o nervosismo, ante a falta de respostas por parte da Ministra, ele até mesmo afrouxou, um pouco, o aperto da gola de sua veste.

— Prossiga, Charlie. Preciso de todos os detalhes possíveis.

— O animal era jovem, estava machucado, tinha sido expulso do território por outro macho, acabou alimentando-se de ovelhas criadas por trouxas. — Disse. — Ao menos, era isso que tínhamos sido informados na Romênia. Quando me aproximei o suficiente, notei que a estrutura do dragão se diferenciava do típico Verde-Galês-Comum, o tom de seu verde era um tanto amarelado, além disso... Suas garras. Suas garras estavam sujas de uma gosma roxa, cintilante.

Por meio de um gesto acelerado com as mãos, Hermione o incentivou a continuar a narrativa.

— Tinha um rastro dessa gosma por toda a extensão da área onde o dragão se encontrava, acreditei que possuía relação com o fato do dragão estar tão arisco, talvez fosse algo venenoso, segui todo o percurso que o dragão tinha feito e, aparentemente, indicava a entrada de uma caverna, por isso, retornei ao dragão. Isso me fez ganhar algumas novas queimaduras, bolhas e cicatrizes, mas apesar do ataque... Apesar do ataque, consegui cuidar dele e de alguma forma, alguma forma era como se o dragão estivesse permitindo, ele me olhava com muito conhecimento, muito mais do que já havia acontecido anteriormente.

Ele parecia muito concentrado em seu próprio monólogo, tentando não deixar nenhum detalhe necessário em sua exposição, era de máxima necessidade não permitir que o que fosse narrado, parecesse uma falácia.

— A forma calma como o dragão passou a se portar, entendendo minhas intenções, descobri tratar-se de uma fêmea. Vhagar. Este era seu nome. Ela me contou, por um vínculo que eu não fui capaz de entender, não era como se ela estivesse realmente falando, mas eu sabia o que ela queria me dizer.

Hermione interrompeu Charlie, levantando seu dedo indicador, enquanto balançava sua cabeça em negativa.

— Isso é insanidade. Dumbledore nunca mencionou isso durante os anos em que convivemos com ele e não podemos esquecer que foi o próprio Dumbledore que descobriu as dez funções para o sangue de dragão, como ele não descobriria isso?

— Tão pouco vimos a respeito em Hogwarts ou após, Charlie. Por mais surpreendente que aparenta, não é apenas o reflexo de um desejo interno seu? Não me aparenta ser algo plausível, durante todos esses anos, ninguém tenha descoberto isso antes.

— Talvez, Dumbledore estivesse extremamente ocupado lidando com bruxos das trevas, entre Grindelwald e Voldemort. Além das aulas, das suas próprias funções como diretor de Hogwarts, Ordem da Fênix, estudar especificamente novas raças de dragões, não estivesse tanto na sua lista de prioridades.

— E quanto a Newt Scamander?

— Ele era um magizoologista e o mais famoso entre eles, mas pode não ter chego até esse local que eu descobri. Ele catalogou a maioria das espécies existentes, porém o mundo é um tanto vasto para se limitar, tão somente, ao livro publicado por Scamander. Hermione, por favor. Poderia, ao menos, verificar meus estudos?

Os argumentos apresentados por seu cunhado tinham algum fundamento, fazendo Hermione balançar a cabeça, um tanto contrariada, abaixando os olhos para os escritos depositados em cima de sua mesa.

A mulher levou o seu tempo, lendo os resumos e pegando sua varinha para lançar um feitiço e copiar os nomes dos livros citados, iria ler cada fonte arcaica com atenção.

Charlie se endireitou na cadeira, uma postura um tanto defensiva tinha sido assumida.

— Como eu mencionei, tiveram algumas aparições deste elo, como eram chamados antigamente, indicarei as fontes onde obtive tais informações, mas não estou mentindo.

Balançando sua varinha de maneira acelerada, porém eficaz, Hermione levitou uma penseira depositando entre ambos, em um espaço existente na madeira, entre os pergaminhos. — Eu quero ver. Permita-me?

A concordância expressa veio através de um aceno de cabeça, então a linha de pensamento e memórias do senhor Weasley era vista pelo fio prateado e cintilante, quase translúcido, sendo depositado na penseira.

Em um acordo silencioso, ambos debruçaram-se no artefato mágico, adentrando no mundo dos pensamentos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.