Fire and Ice

2 Capitulo 1 - Katherine


Notas iniciais
Olá. Bem vindos ao primeiro capitulo. Vamos começar com a Rainha do Gelo, ok? Espero que gostem!

POV – Katherine

O som dos meus saltos na pedra fria era a única coisa que se ouvia no corredor silencioso e gelado. Todos os criados já se habituaram ao frio do castelo, na realidade já se habituaram ao frio de todo o reino.

Parei junto à janela e olhei o exterior; branco, era tudo o que via. Neve.

Eu adorava o frio e a sensação de andar na neve, era como se andasse sobre nuvens. Adorava ver tudo sob um lençol branco, mas gostava ainda mais do cheiro. Não sabia como mas a neve tinha um cheiro para mim, era algo confortante e acolhedor.

No entanto, a minha verdadeira paixão era o gelo. Frio e azul! Gelo puro! Fazia parte de mim! Desde que me lembro o sentia dentro de mim, como se fosse algo com o qual cresci. Algo que não conseguia virar costas.

Poucas pessoas sabiam do meu segredo. Eu não confiava muito nas pessoas, se bem que eu sabia que não era algo pessoal. Qualquer pessoa ficaria preocupada se soubesse que a sua rainha era fria, como eu sou. Gelada!

O castelo estava situado no cimo da montanha, alto o suficiente para que as casas dos aldeãos fossem apenas manchas. Eu preferia assim! Deste modo, poderia ser eu mesma sem me preocupar que alguém visse. É claro que aquela era a vista dali, do meu quarto, eu via as traseiras do castelo. E não podia pedir vista mais bonita.

Eu conseguia ver o lago, tão azul que me feria a vista sempre que a luz do sol batia no gelo.

Aquele reino pertencia-me! Praticamente tudo o que eu vi, era meu! Winterland!

Eu sei, o nome não é muito original tendo em conta a sua rainha, ou seja eu.

A alguns quilómetros daqui, havia outro reino. Fireland!

E não! Eu não sei nada sobre ele. Apenas que é governado por uma rainha, também. Tudo o que eu preciso de saber é que ninguém está autorizado a atravessar a fronteira entre os dois reinos. E acreditem a fronteira era bem visível.

Ao contrário de Winterland, o reino vizinho não estava coberto de neve; Fireland era verde, tinha florestas, tinha vida!

– Senhora – uma voz chamou-me. Virei-me e vi William, atrás de mim.

– Oh, olá Will, – cumprimentei-o. – Sabes que não deves chamar-me isso, só Kate – afirmei. – Mas diz, o que se passa?

William aproximou-se de mim. Ele era uma dos poucos que sabiam do meu segredo e era, também, o meu melhor amigo.

– Chegou uma mensagem de Fireland – informou. Esperei que ele ma dissesse, no entanto ele manteve-se calado.

– Sim? E?

– Veio com um mensageiro!

Quase que arregalei os olhos, no entanto não fiz. Eram raras as vezes em que eu deixava transparecer o que realmente sentia.

– Um homem de Fireland? – Ele confirmou com a cabeça. Sorri. – Parece que alguém anda a quebrar as regras – disse um pouco irónica. – Vamos?

William seguiu-me até a sala do trono. Quando nos aproximámos, ouvi-me ser apresentada por um dos guardas que me abriu a porta.

– Vossa alteza Katherine, rainha de Winterland – informou ele.

Entrei na sala e dirigi-me ao meu trono de gelo. Sei que era estranho ter um trono feito de gelo, mas eu sentia-me bem assim. Deixei-me ficar em pé e observei o homem curvado á minha frente. Senti William colocar-se um pouco atrás de mim.

– Levanta-te – ordenei sem emoção na voz. – Qual o teu nome?

O homem levantou-se e, pela segunda vez neste dia, eu quase que arregalei os olhos. Quase! Ele tinha os cabelos castanhos-claros, quase loiros, olhos verde musgo, nariz direito e lábios finos. Tinha uma estrutura forte, mas não exagerada. Afinal, Fireland, sempre tinha algumas coisas boas!

– James Mellark, senhora – apresentou-se.

Sorri por educação, sabia perfeitamente que não me chegava aos olhos.

– Diz-me, James – dei ênfase ao seu nome, — sabes que estás a quebrar uma das regras, certo?

– Sim, senhora – confirmou. Apertei os lábios, odiava todas estas formalidades.

– Claro que sabes – assegurei. – A tua rainha deve ter um livro igual ao meu, caso contrário já cá teria vindo.

– Sim, senhora – concordou James.

– Não me chames isso – pedi. Ele olhou-me confuso. – Eu devo ser mais nova que tu e, além disso, não sou tua rainha, não me deves nada – argumentei. William sorriu. – O que vieste cá fazer?

Vi James endireitar-se.

– A rainha Emily tem o prazer de convidar vossa alteza para o seu aniversário – anunciou ele, como se tivesse decorado a fala.

Levantei uma sobrancelha.

Então Emily era o seu nome? E ela queria convidar-me para o seu aniversário?

– Quando é que a tua rainha faz anos? – Questionei.

– Este sábado – informou.

William arregalou os olhos e olhou-me rapidamente e depois para James, e de novo para mim. Eu mantive-me neutra.

– Este sábado? – Procurei confirmar. James acenou com a cabeça, enquanto lançava olhares de esguelha para William. Provavelmente, perguntando-se o porquê da sua reação. – E quantos anos faz?

– Vinte e um, – disse Mellark.

Will arfou e colocou-se ao lado de James, sem acreditar.

Tenho de admitir que a notícia apanhou-me de surpresa, no entanto mantive-me neutra. Eu não era a rainha do gelo á toa.

– Diz á tua rainha que não vou – afirmei. James assentiu uma vez com a cabeça e William olhou-me sem acreditar.

– Como assim não vais? – Perguntou ele. – Kate, é uma oportunidade única!

Olhei para ele friamente.

– Eu sei – admiti. – Mas não posso, lembras-te? Este sábado não. – Disse, tentando acalmar-me. Odiava quando me repreendiam, e Will fazia-o muitas vezes.

– Eu sei – afirmou. – Mas eu quero conhecer o reino de Fireland.

Ele sabia! William sabia o meu segredo. Ele sabia porque é que eu não podia sair de Winterland neste sábado e mesmo assim estava a implorar para irmos? Por que ele queria conhecer o reino?

Sem me aperceber estava á sua frente. Senti o ar ficar mais frio e vi a respiração dos dois homens tornar-se vapor.

– Nós-não-vamos – disse cada uma das palavras calmamente mas com a voz fria.

Will deu um passo atrás e eu vi medo nos seus olhos. Medo? Ele estava com medo de mim? Paralisei.

– Eu…desculpa – pedi. Suspirei e olhei para James, tomando a pior decisão de sempre. – Diz a Emily que nós vamos até á fronteira, apenas isso. Se ela quiser a minha presença, terá de celebrar lá.

– Sim, senhora – disse ele, ignorando o meu pedido de não me chamar assim. – Posso perguntar por que não pode sair do reino no sábado?

Era uma pergunta ousada para se fazer, no entanto resolvi responder.

– Acontece que eu também faço anos neste sábado, vinte e um para ser exata – anunciei. – E tenho uma celebração para fazer, pelo que não posso abandonar Winterland.

– Com certeza – disse James, depois fez uma vénia e foi-se embora.

Deixando-me para trás a pensar.

Então Emily nasceu no mesmo dia que eu?

Notas finais
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