Fire Starter
29 Wish You Were Here
I love the way you are. It's who I am, don't have to try hard. We always say, say it like it is. And the truth is that a really miss. Damn. What I'd do to have you here. I wish you were here.
Eu deveria estar com medo, ou preocupada, até mesmo apressada. Mas a única coisa que eu sentia era dor. Era como se tudo o que eu sofri a anos atrás estivesse voltado e voltado duas vezes pior.
Não poderia evitar isso para sempre. Não poderia ir embora sem passar aqui antes. Sabia que o desgaste emocional que isso iria me causar era grande, mas era a última vez que viria para essa cidade, seria a última vez que Chicago iria contar com a minhas presença.
Eu havia pedido para Thalia entregar o álbum com tudo para o delegado da delegacia em que ela trabalhava a quase dois meses atrás. Nesses dois meses eles ficaram preocupados em constatar que tudo o que havia ali dentro era verdade e então, foi liberado o mandato de prisão para Rachel E. Dare, o julgamento do pai da mesma foi marcado e ele teve a pena máxima que a justiça permitia, por terrorismo, homicídio qualificado, importação de produtos ilegais e mais muitas outras coisas que ficaria listando até a minha morte. Rachel também pegou uma grande pena, por tantas coisas que eu não ficava nem um pouco assustada ou surpresa. Ela ficaria quarenta anos dentro da prisão de segurança máxima, sem direito de prisão domiciliar ou então qualquer outra coisa que permitisse a sua pena de ser revista e diminuída. Da mesma forma que o pai, ela iria sair ou muito velha ou morta.
Percy não dava mais importância para mim. Ele me evitava o máximo possível, não falava mais comigo e eu não tinha outra saída a não ser aceitar. Doía morar no mesmo prédio que ele, os primeiros dias foram os piores da minha vida, mas eu tive que seguir mais frente quando Hera apareceu para buscar o Jason e colocar a minha vida no lugar.
Eu participei de eventos como socialite, testemunhei em julgamentos envolvendo meus pais e planejei um memorial para todos aqueles que morreram por causa dos Dare ao longo dos anos. Sally apareceu com Posêidon, pois havia um memorial para Chloe lá, Calypso foi liberada da clinica aquele dia para ver o memorial para os pais e me agradeceu. Stella e a família também tinham um, mas ninguém apareceu, então eu mesma deixei um buquê de flores para eles. O evento foi grande, bonito e fez com que eu me sentisse um pouco melhor.
Mas eu havia planejado aquilo como forma de ver o Percy e tentar concertar as coisas, mas isso não havia acontecido. Ele não havia aparecido. Eu não iria conseguir consertar as coisas. Era a minha punição por ter me tornado tão ruim.
Ainda era junho e eu tinha até dezembro para voltar para Londres, segundo a minha tia. Essa seria a minha última noite em Chicago, amanhã eu já estaria a caminho de um outro lugar, mais ao norte, indo para Vancouver fazer da minha vida melhor.
Mas agora meu foco era a Casa Grande, vendo o mármore e o vidro blindado se encontrar, as longas colunas e a escada na direção da porta de vidro escuro. O jardim ao meu redor, com arbustos e flores bem aparados, com a água dos regadores molhando e mantendo elas úmidas. Era incrível o fato de não encontrar esse lugar abandonado, da mesma forma que meu tio fez com a casa do lago e com a casa da Califórnia, ele não havia deixado esse lugar apodrecer. Era como se ele soubesse que eu iria voltar para cá.
– Obrigada, titio — murmurei sentindo as minhas bochechas molhadas. Não me importava mais em chorar, não era mais uma fraqueza, era um orgulho para mim.
Fechei a porta do meu carro e caminhei pelas pedras, subindo as escadas de mármore. A casa por dentro estava escura, mas quando abri a porta e me coloquei para dentro, a luz se acendeu e eu vi o hall vazio, assim como a sala que continha pouca coisa e também estava coberto por um lençol branco. Suspirei e caminhei pela escada de vidro, fazendo o som dos meus saltos ecoarem por toda casa vazia e mórbida.
Ao longo das paredes eu via portas retratos, com fotos do casamento e da lua de mel dos meus pais, fotos de família, uma minha e da Thalia quando éramos pequenas e fotos minhas de quando era bebê, ou criança e no começo da adolescência. Era incrível como eu era totalmente oposta do que sou hoje.
As portas dos quartos estavam abertas, não havia se livrado dos móveis dali ainda, o primeiro quarto era o de hospede, com as paredes claras e os móveis também cobertos por lençóis brancos. Continuei caminhando, passei pelo escritório dos meus pais, pelo segundo quarto de hospedes e cheguei no meu.
Não resisti ao impulso e entrei. As paredes cinzas e rosas continham alguns livros infantis e alguns ursos de pelúcia. Minha cama estava coberta por um lençol branco, mas eu sabia que sob ele continha a minha roupa de cama rosa com um edredom listrado em rosa, branco e cinza, eu lembrava de deixar assim.
Respirei fundo e sai dali, era o quarto da menina fofa, não da jovem idiota que deixou o amor da sua vida ir por causa de uma vingança. Segui reto até o fim de corredor e entrei no quarto dos meus pais, deixando o choro se tornar mais forte e pesado. Joguei o lençol que cobria a cama para longe, ignorando o pó e me deitando no lado da minha mãe, procurando algum resquício do seu cheiro ali enquanto minhas lágrimas molhavam o travesseiro, mas só tinha cheiro de mofo, não tinha mais o cheiro dos fios de cabelo dela.
Mas mesmo assim eu fiquei ali, chorando e abraçada ao travesseiro, até me perder na inconsciência.
❤
– Annabeth, você irá acabar se atrasando, vamos querida, acorde — a voz doce da minha mãe foi me tirando da inconsciência de maneira gostosa, enquanto ela balançava meus ombros de leve. — Bom dia, meu amor.
Bocejei, coçando meus olhos e então encarando ela mais uma vez. Seus fios louros quase castanhos caiam com vários cachos pelo seus ombros, enquanto ela estava ajoelhada ao lado da minha cama com um sorriso dócil e com os lábios rosados pelo batom. Seus olhos estavam em um tom de cinza brilhante, bem marcados pela leve maquiagem e, como sempre, ela estava lindamente vestida para trabalhar.
– Bom dia, mamãe — murmurei querendo me virar e esconder meu rosto no travesseiro, mas ela riu e me impediu. — Não quero ir para a escola. Não gosto deste lugar, eu quero voltar pra casa.
– Essa é a nossa casa agora, Ann. — ela acariciou meu rosto, fazendo seu sorriso sumir. — E você vai ver, logo se acostuma.
– Aqui não tem a Zoë, aqui não tem praias e aqui com certeza não é a minha casa, mamãe, eu quero voltar para San Francisco — murmurei me sentando na minha cama, encarando fixamente a parede a minha frente. Ela fez de tudo para deixar parecido com o quarto da Califórnia, mas não era o meu quarto da Califórnia.
– Se arrume logo, caso contrário irá se atrasar — ela deu um beijo na minha testa e se levantou, caminhando para fora do meu quarto.
Brava com ela e com a vida eu me levantei também, indo na direção do meu banheiro e me preparando para a escola. Eu sabia que iria odiar, as pessoas daqui não eram as pessoas da Califórnia, aqui não iria ter a minha melhor amiga, a Zoë e eu também não teria o Bob, meu amigo grandão que as vezes me levava para passear de barco.
A única coisa que eu teria aqui era decepção. Inicialmente por morar aqui, depois por eu iria para uma escola de idiotas e porque as pessoas daqui era idiotas. Eu quero voltar para San Francisco logo, mamãe e papai não tinham direito de tomar essa decisão sem mim, eu também faço parte da família deles, sou filha deles e preciso participar das decisões que envolvem a família toda. Decisões como essa.
Eu ignorei eles durante o café, achando a barra da saia do uniforme mais interessante do que as falas do meu pai sobre a história e sobre como seria legal fazer novas amigas. Ele deixou bem claro que estava proibida de arranjar um namorado na escola.
Também não me despedi deles quando me deixaram na porta da escola, sai do carro batendo o pé e limpando a minha bochecha manchada com o batom da minha mãe. Eu nunca foi uma aluna má, mais iria fazer de tudo para me livrar desta escola chata.
O ambiente da escola já era chato. Era com muros altos, dois seguranças de terno e óculos escuros no portão e continha uma grande passarela até o prédio. Ao seu redor tinha um jardim com mesas de piquenique e um parque infantil. Nos estávamos em uma escola infantil.
Entrei na sala que o papel que a minha mãe pegara na secretária quando fizera a minha matrícula indicava. Sentei na carteira mais afastada da lousa e joguei a minha mochila sobre a mesa, me escondendo atrás dela e disposta a não passar pelo mico de ser apresentada para toda a escola.
Na primeira série já havia sido constrangedor. Imagina da quarta.
– Olá — uma voz fina e incrivelmente irritante soou ao meu lado. Eu poderia fingir que estava dormindo, mas a pessoa não parecia que iria sair dali tão cedo, então eu olhei para ela e encontrei uma garota um pouco mais alta que eu, com cabelos cor de fogo e com vários cachos, com uma mecha presa por uma presilha de coração idiota. Ela tinha um sorriso bonito e olhos verdes escuros. — Sou Rachel E. Dare, serei sua guia durante essa semana e tenho certeza que seremos grandes amigas! Essa é a Calypso, é a minha melhor amiga e com certeza será a sua também.
Calypso era um pouco mais baixa, com os fios longos e escuros presos em um rabo baixo e lateral, com uma franjinha ridícula cobrindo a sua testa e os grandes olhos cor de amêndoas arregalados e assustados. Ela se esforço para dar um bom sorriso, após Rachel dar uma cotovelada na sua costela.
– Se você não for tão irritante quanto a sua voz, poderei pensar no assunto sobre ser a sua amiga e, muito obrigada, mas não preciso de uma guia — revirei meus olhos e deitei a minha cabeça na mesa mais uma vez. Ouvi a risada de alguns alunos que estavam na sala e também ouvi a cadeira ao meu lado ser arrastada.
– Você não tem opção, é o meu serviço para a sociedade da escola ser a guia da sala — a voz irritante da Rachel soou novamente e eu tive certeza que ela sorria.
– Então eu farei um favor a mim mesma e não permitirei que me siga — bufei me levantando e indo me sentar em outro lugar.
❤
Franzi meu nariz, piscando algumas vezes e sentindo uma leve pontada na minha cabeça. Logo meus olhos tomaram foco e eu percebi que estava na minha antiga casa, com o sonho da primeira vez que falará com a Rachel e de como havia achado ela irritante.
Mas era isso que ela fazia de melhor, ser irritante e ao longo da primeira semana de aula eu tive ela colada no meu pé como chiclete que gruda no cabelo e a sua única solução é cortar. Mais eu não conseguia cortar a Rachel de mim, não naquela semana.
Me levantei da cama e tossi, tinha muito pó ali e eu havia acabado por dormir, não a noite toda, mas por pelo menos algumas horas, o céu lá fora ainda estava escuro.
Thalia iria acordar dentro de algumas horas e, quando isso acontecesse, eu estaria longe. Não disse a ela aonde iria, ou quando iria voltar, apenas fiz as minhas malas e dei boa noite Cinderela para ela, para ter a garantia de que ela não iria acordar e colocar o esquadrão policial inteiro atrás de mim.
Seria bom ficar longe, sem que ela ou alguém soubesse de mim, seria apenas eu e eu, colocando minha vida no lugar nos próximos seis meses, preparando para voltar para a minha amada Londres e sobrevivendo sem o Percy. Eu nunca amaria alguém como eu amei ele, porque Cameron foi o meu primeiro amor, Percy Jackson seria o último.
Caminhei para o banheiro dos meus pais e lavei meu rosto, após ligar para a empresa de táxi e mandar um vir me buscar. Eu iria sumir do mapa, não poderia deixar meu carro em um aeroporto, então.
Refiz a minha maquiagem e arrumei a cama dos meus pais novamente, jogando o lençol branco por cima e juntando as minhas coisas em seguida. Eu fechei a casa toda, guardando a chave na minha bolsa, junto com a do meu carro e entrei no táxi.
– Para onde a senhorita deseja ir? — o taxista perguntou quando coloquei meus óculos de sol. O mesmo nascia no horizonte após a noite de lua cheia.
– Para o Aeroporto Internacional O'Hare, por favor — dei um leve sorriso, apreciando o nascer do sol enquanto me afastava da minha casa.
Deixaria meus pais mais uma vez, deixaria Chicago mais uma vez. Agora eu iria para Vancouver, mais tarde, quem sabe, desse uma passada em San Francisco para rever a Zoë e o velho Bob, então me perderia no mundo por longos seis meses, voltando para Londres e reconstruindo a minha vida.
Eu sai de lá com o pensamento de vingança, preparada para me vingar. Mas eu nunca havia me vingado antes, meus pais não me criaram daquela maneira, Zeus queria vingança, mas eu apenas queria e quero que eles descansem em paz, afinal, eles foram boas pessoas e estão em um lugar muito melhor do que esse é hoje.
Então, quando meu avião decolou, eu tinha em mente que Percy me esqueceria.

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