Fire Starter
31 Tee Shirt
I know 'cause I've spent. Half this morning. Thinking about the tee shirt you sleep in. I should know 'cause I've spent. All the whole day. Listening to your message. I'm keeping and never deleting.
Passei o dedo pela foto do colar, deixando as lágrimas que segurei o dia todo rolarem pelas minhas bochechas e sentindo meu coração doer e se apertar cada vez mais.
Eu sabia de cor as palavras escritas na carta para o Percy, no entanto, ele apenas receberia ela daqui quatro dias e isso me deixava angustiada. Não esperava que depois que ele recebesse a Chloe e a carta ele fosse voltar para mim, ele havia desistido de mim, mas seria bom ouvir a sua voz, sem aquele tom desgostoso e frio que ele usará nos últimos dois meses.
Eu queria uma máquina do tempo, qualquer coisa que pudesse fazer com que eu mudasse as minhas atitudes desde o momento que vi ele. Eu sabia que ele era diferente, mas encarei aquilo como um desafio para acabar com a Rachel e não como um possível amor futuro.
Eu apenas queria que ele se apaixonasse por mim, não o inverso, eu não queria me apaixonar da mesma maneira que cai no sono várias vezes, gradativamente e inconscientemente. Eu apenas queria me vingar da Rachel, queria acabar com ela e, de fato, eu consegui, no entanto, acabei me machucando também.
"Estas alegrias violentas, têm fins violentos, falecendo no triunfo, como fogo e pólvora"
Nunca havia entendido esse ato de Romeu e Julieta, até agora. A minha vingança era violenta, alegre para mim e teve um final triunfal, todavia, como o fogo e a pólvora, eu faleci queimada por ela, ela era o meu objetivo de vida e, agora que acabou, eu perdi absolutamente tudo. Não tenho mais no que me agarrar, não tenho mais a quem me apegar, eu não tinha mais o que fazer, era complicado para mim, tinha perdido o Percy ao longo desse caminho, novamente eu havia perdido ele.
Descobri que amava ele quando, no hospital após o acidente com o Cameron, ele me beijou. Fora isso que eu perdi no meio do meu caminho até a outra porta, ele era a minha ponte, o meu porto seguro, a minha travessia para a paz. Agora que o perdi, pela segunda vez, teoricamente, estava caindo em um abismo sem fim, sofrendo com a dor de não tê-lo mais comigo e de saber que isso não voltaria a acontecer tão cedo.
Eu queria ele, queria ter ele aqui, da mesma maneira que tenho suas várias camisetas, usando ela de pijama e fazendo com que seu cheiro ficasse grudado em mim durante as noites. Isso não iria durar para sempre.
– Eu tive tantos encontros dolorosos com a morte, para no final saber que ela me deixaria viver com essa dor insuportável por mais um longo tempo — solucei deixando cada vez mais as lágrimas tomarem conta de mim. Com a mão trêmula, coloquei o colar sobre a cabeceira da cama e abracei o travesseiro macio do hotel, chorando até cair na inconsciência, ouvindo a chuva de primavera bater na janela do meu quarto e se misturar com o som do meu choro.
❤
Eu encarava o teto alto do quarto do Percy, sentindo o frio de Janeiro passar por entre as cobertas e se encostar no meu corpo, formando uma leve camada gelada em volta de mim. Não era nada comparado ao frio de Londres, mas o corpo do moreno não estava ali para me aquecer no meio da noite.
Rachel tinha que ter surtos emocionais as três e meia da madrugada? Não poderia esperar o dia nascer para ligar para o noivo e contar a triste realidade da sua mãe?
É física, tudo o que vai, volta. Da mesma maneira que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no universo ao mesmo tempo.
Era eu ou ela. E, nesse caso, eu preferia que fossem eu.
– Graças a deus — revirei meus olhos, me apoiando nos cotovelos para ter a visão do moreno sem camisa que entrava no quarto. Ele estava exausto. — Eu te disse para deixar ele tocar ou jogá-lo na parede.
– Qual é, bonitinha, ela é a minha noiva ainda — ele disse após se deitar, puxando meu corpo para o dele e colocando as mãos por baixo da sua camiseta que usava como pijama naquela noite. — Adoro seu sotaque puxado, deixa você mais esbelta ainda.
– Agradecida, mas tenho que admitir, o inglês britânico é muito mais elegante que o americano. Ele é o oficial, o rei, é de lá que a língua mundial veio — deitei minha cabeça no seu peito quente, sorrindo enquanto seus dedos acariciavam minhas pernas. — Tudo o que é original é melhor.
– Sem dúvida — ele respondeu, provavelmente sorrindo. Ficamos daquela maneira por alguns minutos e, quando quase estava dormindo novamente, ele disse: — E quando você pretende voltar para Londres?
– Não sei... Não parei para pensar nisso, ainda — menti, dedilhando meus dedos pelo seu peito. — Já está querendo se livrar de mim?
– Acho que nunca irei conseguir me livrar de você... É a melhor mulher e melhor amante que já tive.
...
– Sobre o que estão falando? — soltei um suspiro, colocando uma das minhas mãos dentro do bolso do meu casaco de moletom e com uma maçã na outra.
– Casamento. — Rachel disse com um leve sorriso, virando seu rosto com uma maquiagem impecável para mim. Seus volumosos cachos estavam caindo ao redor do seu rosto, enquanto ela tinha uma boina preta na cabeça. — Pretende se casar, Annie?
– Hm... Nunca parei para pensar nisso, mas acho que sim, acho que quero ter um relacionamento como o relacionamento dos meus pais. — dei de ombros, me preocupando mais com a minha maçã e deixando meus olhos seguirem os flocos de neve que caiam. — E você, Caly?
– Eu quero um casamento incrível. Quero algo grande, com direito a muitas pessoas e um vestido perfeito... Quero muitos fotógrafos e muitas revistas relatando ele, muitas fotos ao lado do meu herói perfeito, e ele será lindo, será lindo tipo Cameron Marshall — ela disse espreitando Cameron, que estava na mesa dos jogadores com uma das líderes de torcida no seu colo. Mesmo com o pior inverno da década, elas ainda conseguiam usar aqueles vestidos curtos.
– Toda garota quer o Cameron Marshall como noivo — Rachel mandou um sorriso discreto para mim, com os olhos brilhando por causa do nosso segredinho. Era demais ter a sua melhor amiga apaixonada pelo mesmo garoto que você. — Já eu, eu quero um casamento digno da realeza... Quero poucas pessoas, as mais importantes de preferencia, é claro, além de querer meu noivo vestido com um smoking branco com detalhes dourados. Meu vestido será digno de uma princesa, único, aquele que todos irão querer um igual e que todos irão babar, mas apenas eu terei, será meu eternamente.
– Mas, para ter um casamento desse... Hm, sua família iria ter que ter um, como posso dizer, império um pouco maior. Precisariam estar bem mais poderosos do que são hoje ou que sempre foram — deu um sorriso amargo para ela, percebendo que a maçã não estava mais tão gostosa assim.
– As coisas mudam, Annie.
❤
Encarei, atordoada e enjoada, o teto do meu quarto do hotel. Eram lembranças demais para apenas uma noite, primeiro vem a lembrança com o Percy, depois eu volto para o nono ano e me lembro daquela conversa com a Rachel e com a Calypso. O que meu inconsciente queria, ferrar mais ainda meu emocional?
Me virei para o lado, vendo os raios de sol passarem pela fresta da cortina escura, indicando que o dia já nascerá.
Ficar deitada com aquelas coisas rondando pela minha cabeça não estava ajudando em nada, eu tinha que me distrair de alguma maneira, tentar superar, não poderia ter para sempre sonhos com o Percy e pesadelos com a Rachel, havia acabado, tudo havia acabado.
Fiquei muito tempo sob a água morna da banheira, encarando o nada enquanto a espuma fazia cócegas na minha pele. Encarei o Triskle no meu pulso, me lembrando do seu significado, passando; presente e futuro, nascimento; vida e morte. Me recordei de algo que a Clarisse disse sobre significar amor; ódio e ciúmes para ela e, principalmente agora, para mim.
– Bom dia, Srta. Chase — Nancy, a camareira do hotel, deu um leve sorriso quando apareci no meu quarto. Ela começava a retirar os lençóis da minha cama, para então arrumá-los novamente e, a poucos metros da cama havia uma mesa ao lado da janela com todo o meu café da manhã. — Cheguei agora mesmo, logo estarei de saída.
– Pode ficar tranquila, Nancy, faça o seu trabalho com tranquilidade. — dei de ombros, indo na direção da mesa e sorrindo ao ver o meu café tão bem preparado.
Me sentei ali enquanto comia, deixando meus olhos seguirem as diversas pessoas que caminhavam na rua, agitadas para chegarem logo aos seus empregos, para deixar seus filhos na escola e outras coisas.
– Nancy, poderia me trazer esse colar que está sobre a cabeceira? — pedi me voltando para ela, vendo que a mesma terminava de arrumar os travesseiros na minha cama. Ela se virou e concordou, passando os olhos pela mesa de cabeceira e pegando o meu tão valioso colar, ele era a última prova de que ele me amava e que era verdadeiro. — Obrigada.
Coloquei ele no meu pescoço, não me importando com o arrepio que ele me causou ao encostar na minha pele quente e então voltei a me alimentar. Para alguém que estava totalmente destruída por dentro, eu ainda me alimentava bem, não queria deixar isso virar depressão uma segunda vez, eu tinha aprender a conviver com a dor, não podia seder toda vez que ela ficava mais forte.
Eu iria me permitir sofrer, de noite, quando estivesse sozinha, apenas eu e eu, mas ninguém para ver, ou para questionar ou para tentar me consolar. Havia diferentes pessoas que lidavam com a dor de maneiras diferentes, o mundo era uma divergência em si. Se fossemos todos iguais, programados para agir e sentir da mesma maneira, isso seria patético.
Esse era o maior presente da humanidade: todos nós sermos únicos. Existiam pessoas fisicamente idênticas, mas não emocionalmente e psicologicamente clonadas. Nos eramos donos do nosso caráter, fazíamos ele ao longo da vida.
– Eu atendo — impedi Nancy de ir até a porta quando ouve batidas. Esse som havia me assustado e, sinceramente, eu já estava cansada de ser assustada.
– Olá, Srta. Chase. — disse quando abri a porta.
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