Fire Starter

33 Stop Crying Your Heart Out


'Cause all of the stars. Have faded away. Just try not to worry. You'll see them some day. Take what you need. And be on your way. And stop crying you heart out.

Encarei Jason brincando com Margo, a filha da Chloe com o Mason. Ela era uma criança adorável para seus três ou quatro anos, parecida demais com a mãe, porém tinha os olhos cor-de-mel do pai, fazendo a tão famosa genética: olhos verdes mais cabelos petrolineos, ficar de lado.

Chloe havia exigido a minha presença em um jantar, antes dela partir para Chicago, o que aconteceria amanhã pela manhã, o primeiro voo do dia para Chicago e ela estaria lá dentro, com o marido e com a filha, disposta rever a família.

– Ele é bom com crianças — Chloe disse com um envelope nas mãos, se sentando ao meu lado enquanto seus olhos estavam presos no Jason, que corria atrás de Margo pelo quintal da casa dela.

– Sim, será um ótimo pai — sorri me lembrando das palavras dele. Finalmente Jason havia seguido em frente em relação a mim, estava namorando uma colega de faculdade chamada Piper McLean.

Mesmo assim ele havia trocado o verão inteiro com ela por alguns dias comigo, era impressionante como ele me entendia e tinha vontade de cuidar de mim.

– Sem duvidas — ela sorriu e eu retribiu. — Olhe.

Peguei o envelope em suas mãos e o abri, tirando uma série de exames e ultrassons dali. Demorou cerca de um minuto para me dar conta de que a Chloe estava grávida novamente, os exames eram recentes.

– Parabéns, Chloe — me virei e abracei ela, a mesma retribuiu com um sorriso radiante e com os olhos brilhando. — Quanto tempo?

– Dezoito semanas, são apenas quatro meses, mas eu vou gostar de ver meus pais participando da minha gravidez... Não tive eles quando a Margo nasceu — ela disse enquanto eu olhava mais uma vez seus exames.

– Já sabe o sexo? — arqueei minha sobrancelha e ela concordou animada.

– É um menino, Mason ficou animado quando soube, ele não pode ensinar a Margo a jogar beisebol — ela sou um suspiro. Sua barriga não era visível pela blusa larga que ela usava, já era segunda vez que nos encontrávamos e eu nunca havia parado para reparar que ela usará blusa soltinha na barriga as duas vezes.

– Por que está me contando isso?

– Porque eu quero que você seja a madrinha dele... Você me deu meus pais de volta, não existe pessoa melhor para ser madrinha do Aaron — ela se virou para me encarar, com um olhar pidão. — Por favor, aceite, você é o sinônimo de correr atrás do que vale a pena, e mesmo tendo feito a justiça de maneira errada, você fez e me deu a liberdade novamente. Eu quero esse exemplo para o meu filho, é um exemplo que até a Margo poderá seguir se ela quiser, mas eu quero que ele, essa criança que ainda nem nasceu, siga você como um exemplo de não desistir, mesmo que para isso tenha que errar muito.

Encarei os olhos verdes da Chloe, sem alguma reação plausível para a morena, mas mesmo assim ela não perdeu o brilho no olhar e agarrou as minhas mãos, implorando. Fui obrigada a piscar e concordar com a cabeça, sorrindo o melhor que conseguia.

Ser madrinha daquela criança era ótimo, de verdade, mas não sabia se iria conseguir ter que olhar para Percy sempre que fosse visitar o meu afilhado, era algo complicado de qualquer maneira, mas, como sempre tem que existir um mas, eu não podia parar a minha vida no dia em que ele me deixou, eu tinha que seguir em frente.

– Sinto falta do seu irmão — murmurei soltando as minhas mãos das dela. Mordi meus lábios para não voltar a chorar e, rapidamente levei meus dedos até o colar.

– Então volta comigo amanhã, eu iria adorar tê-la ao meu lado quando encontrasse eles — Chloe me olhou, mas rapidamente neguei com a cabeça. Eu não iria suportar. — Annabeth, você desistiu dos seus pais mesmo depois que eles estavam mortos? Não, você se vingou mesmo sabendo que isso não iria adiantar nada para eles... Não desista do meu irmão, você pode tê-lo de volta se quiser, basta você querer.

– Eu quero, Chloe, demais, só que ele disse com todas as palavras que havia desistido de mim... Para e pensa, como competir com isso? Ele me odeia — segurei meu choro, respirando fundo. Ela arqueou uma das suas sobrancelhas, com uma sombra de um sorriso passando pelo seu rosto. — O que foi?

– O que foi? Bem, Annabeth, eu confiei em você sem nem ao menos te conhecer, eu te contei a minha história e ouvi a sua... Amanhã eu embarco com a minhas família para Chicago e sabe-se sei lá o que pode acontecer. Você não me conhece. Eu não te conheço. Mas mesmo assim confiei em você e estou pedindo o mesmo agora, retribui isso por mim, pelo meu irmão. Você não vai perder nada indo até lá, pode até acabar ganhando mais.

Desviei meu olhar do dela, me focando em Margo e a sua risada infantil ecoando pelo quintal inteiro, ela estava atrás de um balanço, se decidindo para que lado correr enquanto Jason estava a sua frente, se preparando para segui-la.

Eu tinha coisas a contar para ele, coisas que, felizmente, nos deixaria ligados para sempre, até que um de nós dois acabasse morrendo. Todavia, eu ainda tinha medo da reação dele em relação a isso, eu achei que estava segura, que estava me protegendo, mas não.

– Não pensa em ter filhos? — Mason perguntou se sentando ao lado da esposa e entrelaçando seus dedos aos dela.

– Eu não posso ter filhos, eu acho — murmurei soltando um suspiro triste — Logo depois que meus pais morreram e que, supostamente, eu fui estuprada, minha tia me convenceu a colocar um dispositivo intra-uterino... A medica me avisou que mesmo depois de tirar, eu ficaria cerca de dois anos infértil, mas mesmo assim eu coloquei, não sabia o que viria a seguir. A três anos e meio eu retirei ele, faço os exames todos os meses e nada, minha menstruação não volta e eu não posso mais ter filhos... Minha médica pede para que eu espere, um dia pode acontecer de voltar, mas não quero ter cinquenta anos com uma filha de seis.

– Sou médico, Annie, sou ginecologista e eu tenho certeza de que você já voltou a ovular, apenas não sabe porque pode estar grávida — ele deu um sorriso gentil, era estranho imaginar a Chloe com ele, afinal, ele lidava com vaginas o dia inteiro praticamente. — Isso acontece com mulheres direto, muitas retiram o DIU e pouco tempo depois descobrem uma gravidez sem nem ao menos planejar ou esperar por isso...

– Não posso estar grávida, Mason, a última vez em que transei com alguém foi a cerca de... — respirei fundo e comecei a contar, engolindo a vontade de chorar, afinal, foi com o Percy. — Menos de três meses.

– Vou fazer um teste com você — ele sorriu e se levantou. Olhei para a Chloe, que apenas maneou a cabeça e murmurou:

– Ele descobriu minha duas gravidezes antes mesmo que eu começasse a ficar tonta, enjoada ou com estresse. — ela sorriu e eu parei para pensar. Tonta. Enjoada. Estresse... — Algum problema?

Neguei com a cabeça, prendendo a minha respiração e começando a contar mentalmente. Abril, maio, junho... Hoje era o que? Três? Quatro? Cinco?

Mason apareceu na minha frente, com uma taça de vinho em uma mão e com chocolate em outra. Eu engoli em seco e, antes de ele pudesse dizer algo, eu perdi os meus sentidos e desmaiei, de pavor e medo.

❤

Respirei fundo, levando minhas mãos até a minha cabeça e apertando as minhas têmporas, tentando fazer algo a respeito da terrível dor. Aos poucos me lembrei da insinuação do Mason a respeito de uma gravidez minha, mas era impossível, todos os sintomas que eu tinha eram por causa da batida com a cabeça no acidente, que me deixou mais sensível do que antes.

– Annie? — ouvi a voz do Jason e, aos poucos, abri meus olhos, percebendo que estava em um quarto de hospital. Ótimo, não podia der melhor. — Sua pressão caiu, você ficou meia hora desmaiada.

– E realmente precisava me trazer para um hospital? — arqueei minha sobrancelha, rindo sem humor algum. — Já posso ir embora?

– Não. Mason fez exames em você e apenas está esperando eles ficarem prontos.

Resmunguei alguma coisa que nem eu mesma entendi e cobri meus olhos com o braço, querendo dormir e nunca mais acordar. Eu odiava hospitais, odiava não ter o Percy e estava odiando o caminho do labirinto que a minha vida havia tomado, sempre chegava a um lugar sem saída. Era como se o labirinto em si não estivesse uma saída e eu fosse ficar presa ali dentro para sempre.

Me apeguei a minha última, e mais dolorosa, lembrança de hospital. O acidente, a vez em que havia descobrido o quanto eu amava o Percy, mas não sabia, até provar, o quanto era ruim e amargo ficar longe dele.

Eu odiava chorar na frente das pessoas, mas não consegui me controlar e deixei as lágrimas caírem livremente pelas minhas bochechas, trocando o braço pelas mãos e, assim, abafando o som do meu choro.

O que eu havia me tornado? O que eu havia feito comigo? Onde estava aquela garota determinada a fazer de Chase Memorial uma empresa imensa novamente, que estava determinada a fazer isso em Londres?

Se, desde a primeira oportunidade, eu tivesse deixado bem claro para o meu tio e para a Thalia que eu não queria, que eu não estava preparada, para voltar para Chicago, eu nunca teria entrado nesse labirinto sem saída, sem luz, sem guia certo.

Hoje eu estaria finalizando as obras da Chase, lendo os currículos e selecionando as pessoas que iriam trabalhar para mim. Iria escolher elas a dedo, sem medo. Eu seria uma grande empresária, tão grande quanto a minha mãe foi e não teria medo do poder, não teria medo de crescer.

Eu não teria a suspeita de estar grávida aos vinte e dois anos, quando a minha vida estava apenas começando.

Me afastei da mão do Jason, me sentando na cama e abraçando as minhas pernas, escondendo meu rosto em meus joelhos e deixando meu cabelo criar cortinas ao redor do meu rosto. Como eu iria conseguir evitar tudo isso?

Se não tivesse ido para Chicago, se não tivesse me vingado de alguma maneira, se não tivesse sido sem caráter e usado o Percy, nunca estaria sentindo o que eu sentia hoje. Eu não teria conhecido ele, não teria vivido tudo o que vivi com ele, não teria descoberto uma forma diferente de amar.

Se nada disso tivesse acontecido, hoje eu ainda estaria em Londres, com o Jason, vivendo nosso caso sem pé e sem cabeça. Ele estaria na faculdade, ele teria conhecido a Piper de qualquer maneira, ele iria ter seguido a vida dele e eu teria ficado na zona de conforto e, quando ele terminasse comigo, eu não iria sofrer porque eu não amava ele.

Eu não o amava porque o verdadeiro amor não se resume ao físico, nem ao romântico. O verdadeiro amor é a aceitação de tudo que o outro é, de tudo que foi um dia e do que será amanhã e do que já não é mais... Eu me apeguei a tudo o que o Percy é, me apeguei as dores e as partes quebradas dele e teria me apegado, amado, cada mais parte que ele me mostrasse, que fizesse parte dele.

Mas ele dizia me amar, ele dizia que era ótimo me amar, porém ele me deixou quando ele viu a verdade sobre a mulher com quem ele dormiu várias noites.

– Titia? — Margo chamou, me fazendo levantar a cabeça e tentar sorrir, enquanto tentava limpar meu rosto com os dedos. — Está dodói?

– Não, querida, a titia está bem — respirei fundo, vendo os olhos preocupados da Chloe caírem sobre mim e então suas sobrancelhas se arquearam. Neguei com a cabeça, sabendo onde ela queria chegar e estendi meus braços para Margo, que aceitou e logo estava sentada nas minhas pernas, mexendo com um dos meus cachos.

Abaixei meu olhar da Chloe e me foquei nos fios lisos e acobreados, como o de Mason, que fazia parte da genética da Margo. Ela tinha os olhos cor de mel, as vezes, na claridade eles ficavam verdes claros, e a sua pele era tão clarinha que dava para enxergar algumas das suas veias no seu pulso e pescoço.

– Não pode fugir dele para sempre, se sumir, eu vou ir atrás de você.

– Não vou sumir, vou voltar para Londres e reconstruir a minha vida lá, lugar de onde eu acho que nunca deveria ter saído. — murmurei olhando para ela por cima dos cílios. — Eu vou fazer tudo o eu tinha planejado quando entrei na faculdade.

– Sabe que não tem mais dezessete anos, não sabe?

– Sei, mas eu mesmo assim posso reerguer a Chase Memorial, posso fazer o meu apartamento e posso seguir a minha vida fazendo o que amo, arquitetura... Eu não deveria ter ido para Chicago...

– Mas foi, e me deu o direito de encontrar a minha família de novo, se deu o direito de amar....

– Eu não queria me apaixonar, eu não queria amar, foi inesperado e está sendo doloroso. O EUA é doloroso para mim, por isso vou voltar e fazer o que eu te disse, Chloe, eu não posso ficar aqui, me machuca. Eu quero ter a Chase Memorial de volta, quero um apartamento só meu e...

– Annabeth, crianças preferem casas, são mais confortáveis. — Mason disse olhando alguns papéis.

Notas finais
I AM BACK DEAR! YES, gente eu disse que a Annie não iria contar para o Percy, em uma carta, que ela estava grávida e disse que ela não podia ficar grávida, mas as coisas mudam, ela explicou o porque ela achava que não podia ficar grávida e nem ela sabia, então... Ai esse gif é tão fofinho e ela é tão fofinha, e no próximo tem cenas Percabeth - agora basta saber se são românticas or nah. É isso bebês, beijos ♥