Not really sure how to feel about it. Something in the way you move. Makes me feel like I can't live without you. It takes me all the way. I want you to stay.

Senti o outro lado da cama frio, então comecei a procurar o corpo minúsculo de Annabeth na grande cama dossel, percebendo então que ela não estava ali. A metade da cama estava vazia.

Pisquei algumas vezes para que a minha visão acabasse se acostumando com a luz da manhã cinzenta que atravessava a janela de vidro. Passei os olhos pelo quarto e notei que a minha loira não estava ali, então me sentei na cama e comecei a sentir o cheiro de panquecas.

Me levantei da cama e fui até o banheiro, onde lavei meu rosto e escovei meus dentes, vendo no reflexo do espelho algumas manchas aroxeadas no meu pescoço, sendo impossível não deixar um sorriso se formar nos meus lábios.

Sequei as minhas mãos e fui na direção do longo corredor, desci os degraus de madeira ainda descalço e fui na direção da cozinha. Poucos metros antes da porta, ela disse algo que fez meu coração se apertar.

– Você sabe que eu vou voltar para Londres, tia... Eu detesto Chicago! — sua voz era calma, porém era um calmo controlado. — Não sei quando, mas não era uma tarefa tão complicada assim manter o Jason em Oxford!

Ela ficou quieta, falava ao telefone e provavelmente ouvia o que a Tia tinha a falar sobre aquilo. Eu torcia que ela estivesse convencendo a Annabeth a não voltar para Londres, mas sabia que não era isso, conhecia Hera, ela adorava a Annabeth e a tratava como uma filha... Tê-la ao seu lado era como ter a sua segunda filha e levá-la para a Inglaterra era algo que ela iria amar.

Mas a Inglaterra ficava do outro lado do atlântico, do outro lado do oceano, a mais de doze horas de viajem. Ficava longe demais de Chicago.

– Tia... Eu não sei o que dizer a ele... É, eu sei que deveria contar tudo, mas eu tenho medo da reação. — ela soltou um suspiro carregado. — Gosto. É, tia, mas eu não posso chegar para ele e contar de qualquer maneira... Eu sei que nunca tive medo de nada, mas eu tenho a impressão de que ele vai me odiar quando souber e, eu não quero ele me odiando... Dói só de pensar nele me odiando.

Esse ele era o Jason, eu ou mais alguém? Sempre tive a impressão da Annabeth esconder algo, mas o que ela estava escondendo que podia fazer alguém odiá-la, eu sabia que, dependendo de que fosse, seria impossível odiá-la. Annabeth era uma pessoa incrível, mas ela estava mudando, desde o acidente ela estava diferente.

Ela conseguia ser distante e presente ao mesmo tempo, misteriosa e um livro aberto. Isso me fez voltar para o sorriso daquela garotinha de oito anos, depois para ela dizendo que nunca amaria alguém, pois não queria machucar esse alguém. Eu sabia quem havia deixado ela assim, esse mesmo alguém havia matado a minha irmã na minha frente e nunca devolvido o seu corpo. Chloe ainda estava desaparecida e a anos a polícia havia desistido de encontrar um cadáver.

Annabeth havia perdido os pais, quase havia se perdido. Ela tinha se tornado drogada a anos atrás, pelo que soube ontem, e também tinha se desligado do mundo. Ela se formou em Cambridge e se tornou socialite.

Mesmo depois de tudo isso, ela ainda era amiga da Rachel. Calypso ainda era amiga da Rachel. Ambas havia sofrido nas mãos daquela ruiva sem coração e, agora, eram amigas dela. Por quê?

– Eu irei voltar... Dezembro, estou em Londres até em dezembro, eu te dou a minha palavra. — ela respondeu após um suspiro. — Não tem muito o que resolver, são poucos... É, eu sei. Será melhor ele saber quando eu me for, irá doer menos ele não ter que me olhar e visse versa.... Tchau, tia.

Respirei fundo, digerindo o que havia acabado de ouvir. Eu só teria ela por mais oito meses, ela só ficaria aqui até resolver o que ela tinha pedente e então ela iria embora para Londres, lugar que ela dizia amar.

Dei alguns passos até a porta da cozinha e me encostei no batente da mesma, vendo ela de costas para mim, vestindo uma camisola de seda rosa e com o cabelo preso em um nó frouxo. Ela tinha nas mãos um frasco com calda de chocolate e o virava em seu dedo indicador, totalmente tranquila, como se aquela conversa não houvesse acontecido.

– Bom dia — falei e a vi dar um pulo de susto, antes de se virar para mim e um sorriso largo se formar em seus lábios. Verdadeiro ou falso?

– Não... Não... Não! — ela caminhou até mim, com a calda escorrendo pelos dedos e os olhos brilhando. — Não era para você acordar agora! Eu iria acordar você, Percy, e ainda iria levar o café na cama.

– Quer que eu volte a dormir? — arqueei minhas sobrancelha, ignorando aquele formigamento que me fazia querer questionar tudo a ela. Passei meus braços na sua cintura fina e a puxei mais para perto.

– Não, seu bobo! — ela sorriu e lambeu a calda que escorria nos seus dedos, me encarando com os olhos cinzentos cheios de brilho. — Mas eu fiz o café da manhã e se você não comer, eu choro... Sabe o que é queimar várias panquecas?

– Não se queimou, não é? — perguntei ignorando o seu sorriso confiante e procurando sinais de queimadura.

– Não — ela ficou na ponta dos dedos e me fez olhá-la. O formigamento na minha nuca só ficava cada vez mais forte. — Faz tempo que acordou?

– Não... Mas ouvi a sua conversa com a sua tia, ou melhor, o final dela — vi seu semblante se tornar preocupado e o seus olhos ficarem opacos. — Vai mesmo ir embora de Chicago? Vai deixar tudo o que conquistou e voltar para Londres?

– Percy... — ela suspiro se soltando dos meus braços e dando as costas para mim. E mais uma vez ela se fechava. — Você sabe, Chicago não é o meu lugar favorito no mundo... Foi lá que perdi meus pais, perdi a minha família... Foi lá que eu vi a minha vida passar como um filme pelos meus olhos.

Ela jogou a calda de chocolate nas panquecas e depois lavou as suas mãos. Mais uma vez eu me encostei no batente da porta, cruzando os meus braços e esperando uma nova versão da sua história.

Se ela estava escondendo alguma coisa e eu não fazia ideia do que era, então ela estava escondendo essa coisa de mim também. Ela havia mostrado a caixa de metal a meses atrás, ao longo desses meses eu a vi rabiscando algumas coisas e guardando rapidamente nesta caixa. A mesma caixa se abria apenas com a digital dela.

– Eu criei uma vida nova em Londres e o meu plano sempre foi voltar para la. Eu adoro o verão com temperaturas amenas, o outono com os ventos frios e o inverno congelante... Parece que eu fui moldada para aquele lugar, o modo de viver, a arquitetura, as pessoas e a política daquele lugar... Eu adoro tudo aquilo, eu adoro Londres, chego até a amar... Em Chicago é tudo diferente, a cidade é moldada pelo poder, pela elite que tenta ser mais importante a cada instante, não se importando com a vida de ninguém. Não me encaixo em Chicago, sei disso desde o momento que desci do avião, aos meus nove anos de idade.

– Não é nativa de Chicago? — indaguei, incrédulo. Desde o momento que a virá pela primeira vez, naquele restaurante junto a Rachel, desde o momento que virá aquela garota com sotaque britânico e olhos cinzas tempestuosos, imaginei que ela fora criada na Cidade dos Ventos. Sabia que ela não era britânica, lembrava-me do Nico me contando que iria buscar uma "grande amiga" no aeroporto mais cedo.

– Eu sou californiana.... Nasci em San Francisco — ela se virou para mim, com um sorriso pálido. — Achei que tinha te contado.

– Não contou — constatei, soltando um suspiro.

Ela umedeceu os lábios com a ponta da língua e soltou um suspiro, pegando o prato com as panquecas e o colocando sobre uma bandeja com alguns morangos, dois copos com leite e, se eu não me engano, uma travessa pequena com chantili.

– Não vamos levar isso a frente — ela praticamente suplicou — É o nosso final de semana, só nós dois... Sem problemas, sem passado e sem futuro. Apenas o agora. Outro dia eu te conto tudo o que precisa saber sobre mim, mas espere, me de um tempo para encontrar a melhor maneira de me abrir sem me machucar.

Encarei ela por um minuto, vendo o seu sorriso pálido desaparecer conforme ela me encarava. Percebi que ela mordia o interior da bochecha e então me recordei daquela Annabeth de ontem anoite, aquela que se controlava para não chorar vendo essa casa, construída pela mãe, aquela com os olhos brilhando e dizendo que nunca mudaria nada aqui, aquela que encarava com dor um retrato de quatorze anos atrás.

Se ela queria um tempo para aprender a contar seu passado sem se machucar, eu seria insensível a dizer não. Ela havia sofrido tanto quanto eu ao ver a minha irmã mais nova ser estuprada e morta. Ela perdeu os pais, ela quase fora morta várias vezes e ela havia encontrado tranquilidade em Londres.

– Tudo bem — abri um pequeno sorriso, vendo um outro se formar no seu rosto, seus olhos, porém, continuavam opacos.

– Vamos comer? — ela passou por mim com a bandeja nas mãos, com a voz calma e, mesmo com seus pés descalços, pude ouvir ela subindo as escadas. A segui, com um sorriso malicioso nos lábios.

Caminhei com passos largos até ela, subindo as escadas de dois degraus em dois degraus. Ela se sentou no meio da cama toda bagunçada e colocou a bandeja a sua frente, batendo em seguida com a palma da mão no espaço livre ao seu lado, com um sorriso ainda maior. E foi ali que me sentei, deixando nossa pequena discussão de lado e a puxando para perto de mim, então a beijei, como todos os outros vários beijos, a carga elétrica percorreu toda a minha espinha.

Ela era incrível sem eu saber tudo sobre o seu passado. O simples modo dela ser a deixava assim, o seu sorriso e o seu modo de agir, a sua forma de tentar ser forte sempre, a forma pela qual ela resiste as coisas e como ela se lida com elas, o jeito como ela fala e conta as coisas. Ela era forte, ou se fazia como forte. Mas eu gostava dela assim e, eu queria que ela ficasse.

– Eu poderia pedir para ir comigo para Londres em dezembro... Mas seria egoísmo da minha parte — ela sussurrou roçando seus lábios nos meus, com os olhos fechados. — Não posso ser egoísta com você.

A beijei novamente, puxando seu corpo para cima do meu e afundando meus dedos nos seus fios dourados e sedosos. Ela correspondeu com a mesma vontade, colando mais ainda seu corpo no meu e unhando a minha nuca.

Me soltei dos seus lábios, beijando seu pescoço aroxeado por chupões e mordidas, e descendo pela sua clavícula. Ela estava com várias manchas roxas.

– Eu quero que você fique. Eu vou ser egoísta e pedir para ficar. Fique.

Notas finais
Olha, eu vou deixar uma coisa bem clara: EU TO BRAVA E TRISTE. Brava, brava porque sou uma burra e triste porque VOCÊS ESTÃO COMENTANDO CADA VEZ MENOS! Poxa, sacanagem da parte de vocês, me magoa não ver o número de comentários crescendo da mesma maneira que o numero de leitores crescem. FANTASMAS, APAREÇAM, PLS THX. Comentem, ou então já sabem o que acontece, estão ficando carecas de saber. Bjs