Fire Starter
44 Rolling In The Deep

There's de fire starting in my heart. Reaching a fever pitch and it's bringing me out the dark. Finally, I can see you crystal clear. Go ahead and sell me out and I'll lay your shit bare.
A mulher bateu os dedos no volante do carro, olhando de maneira tediosa para a faixada do motel em que iria ficar hospedada, afinal, ela não podia chamar a atenção, pelo menos não por enquanto, não queria cometer os mesmos erros que Annabeth Chase, inconscientemente, havia cometido.
A vingança não era uma obrigação, era um prazer. O prazer de ver seu inimigo queimar vivo, de vê-lo desmoronar enquanto tudo o que você faz é assistir tal ato, de camarote, movendo as peças.
É claro que não dá para se vingar sozinho.
Respirando fundo, ela olhou mais uma vez no espelho retrovisor para checar a sua maquiagem, que, como sempre, estava impecável e simples. Ela já era linda, não precisava de muita coisa para ficar perfeita, sabia muito bem disso e, a sua natural sedução, iria te ajudar muito.
Ninguém nunca havia resistido a ela, isso era um fato que ela não podia dispensar.
Pegou a mala no banco do passageiro e abriu a porta do seu carro, olhando para o estacionamento vazio do motel moribundo de beira de estrada, daqueles que ninguém querem ficar, mas ficam quando é a sua última opção. No caso dela não era a sua última opção, era a opção mais prática, querendo ou não, ainda não podia chamar a atenção.
– Eu quero um quarto. — ela disse para a velha enrugada e moribunda que estava na recepção do motel. Ao ver a mulher, que a senhora julgou não ter mais de vinte e cinco anos, uma chama de esperança cresceu dentro dela, afinal, a meses eles não recebiam um hospede. — Para hoje ainda, se possível, sua velha.
A velha resmungou alguma coisa e começou a pegar os dados da mulher, que na sua opinião era mal educada, e em seguida te entregou a chave de um dos quartos, de um dos vários quartos disponíveis. A garota, antes de sumir batendo seus saltos pelo corredor, deixou bem claro para a mulher que iria receber visitas e que, assim que eles chegassem, era para ela deixá-los entrar.
E então ela sumiu, deixando para trás apenas o eco do som dos seus saltos contra a madeira velha e o cheiro do seu perfume francês, que era muito mais forte do que o cheiro do mofo das paredes emboloradas.
Ela bufou irritada ao sentir o cheiro de naftalina e mofo do quarto em que a velha havia te alugado, tentando conter a cada segundo a sua irritação com tudo aquilo, mas não era uma ordem, era uma opção. Ela podia muito bem se hospedar em um hotel cinco estrelas, mas daqui alguns meses, quando seus bens forem liberados, o que ela não tinha certeza se ia ou não acontecer.
E, ignorando o cheiro que parecia ficar cada vez pior, ela foi se preparar para a sua nova vida.
...
Enquanto os dois rapazes se descabelavam, literalmente falando, as duas moças tentavam entender onde estava o problema daquela situação. Esperar ou não, por que não?
Era exatamente isso que eles não queriam, esperar, não tão cedo, podiam pegá-los desprevenidos, sufocá-los e fim, acabar com tudo isso, só que não era exatamente isso que das duas garotas queriam para Annabeth Chase.
– Ela não está de lua de mel? Duas semanas passeando ao lado do marido por qualquer lugar do mundo e fingindo que não se preocupa com a boneca de vudu que mandamos para ela no dia do casamento... — a outra moça soltou um suspiro dramático, gargalhando logo em seguida de maneira maligna, fazendo todos olharem para ela, principalmente a mulher que estava acima de tudo isso, só que essa olhava com descrença. — Devíamos deixá-la ser feliz, ou acreditar que tudo está bem, por um tempo, para depois fazê-la ver o seu próprio chão desmoronar.
– Nós sabemos disso, só que não podemos sentar e esperar o tempo passar enquanto aquela puta brinca de casinha. — a outra bufou irritada, fazendo os rapazes arquearam as sobrancelhas, juntos, de maneira sincronizada. — Temos que bolar um plano, temos que mover pauzinhos durante essa tempo de felicidade para a idiota. Não iremos ser como ela, que vai chegar, ficar amiguinha e ir destruindo um a um, pouco a pouco... Nós temos que já chegar destruindo algo que irá deixá-la abalada, mas, ao mesmo tempo, acreditando que não foi algo contra ela.
– Isso é possível? — o loiro mais alto questionou, cruzando os braços e apoiando o peso do corpo em apenas uma perna. — Ela é a pessoa mais desconfiada que eu conheço.
– Seu objetivo é outro, acredite, deixe as coisas como estão e não tente destruir nada, nem a relação dela com o Percy e muito menos o Percy. — a mulher rosnou para ele, vendo o mesmo sorrir com malícia.
– Parece que alguém ainda é apaixonada. — ele disse tentando provocá-la e, foi questão de segundos até que o mesmo estivesse preso contra a parede com uma arma apontada para a sua cabeça. Para uma mulher, ela era bem forte. — Atira, eu sei que você quer isso, Érica, mas não pode... Querendo ou não, é graças a mim que está aqui e vai ser graças a mim que vai chegar na Annabeth.
– Cala a boca, Jacob! — ela rosnou mais uma vez, apertando o material frio da arma em uma das têmporas do rapaz.
– Os dois tem que calar a boca. — o outro puxou Érica pelo braço e, em um movimento rápido, retirou a arma das suas mãos. — Tentar matar um ao outro não vai chegar nem perto de dar enxaqueca na Annabeth.
Érica respirou fundo e passou os dedos nos fios de cabelo, jogando eles para trás, para finalmente voltar a olhar para Jacob e apenas matá-lo em sua mente. Querendo ou não, Luke estava certo, tentar matar um ou outro deles, daquele quatro, não iria dar em nada, pois o verdadeiro inimigo estava lá fora, exibindo sorrisos e beijando o homem errado.
Percy Jackson realmente estava dormindo com leões, ou apenas uma leoa que vale por várias. E era a missão de Érica matar essa leoa e acordar Percy desse pesadelo que Annabeth Chase havia imposto e prendido ele.
Quantas pessoas ela teria que matar e tirar de cena para que isso acontecesse? Ela não sabia, mas também não se importava, a coisa que ela mais tinha era armas e balas para acertar quem é que entrasse no seu caminho para o triunfo de ver Annabeth Chase morta.
Não era apenas o desejo de ter Percy Jackson para si novamente, era uma rixa de anos e anos que ela tinha com a loira e, agora, desde que abriu seus olhos para a verdadeira Annabeth Chase que havia voltado para Chicago, aquela Annabeth que ela passou anos observando sem que a garota nem sequer sonhasse, aquela Annabeth que chegou com uma faísca e incendiou tudo, iria apagar de maneira lenta e dolorosa.
Erica iria apagar a chama de Annabeth Chase e congelar tudo, tornar tudo frio e sem vida, para recomeçar do zero com Percy Jackson, para mostrar para ele onde realmente estava a pessoa correta para ele. Afinal, quem havia dito que não dava para congelar o fogo? Uma hora, um dos dois lados tem que ceder e, Érica estava preparada para suportar qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, para vencer esse jogo.
– Vamos começar a atingir pessoas pequenas, mas que estão ligadas a Annabeth.
– Como a Chloe?
– Pode não parecer, mas no fundo ela ainda espera que algo aconteça com a Chloe e, se algo acontecer com a Chloe, ela irá ir atrás e não é isso que nós queremos, não é? — Luke se voltou para a outra garota, a menina do comentário, que, no fundo, ainda estava assustada com tudo isso, mas, como todos naquele quarto de motel, queria que o reinado de Annabeth Chase chegasse ao fim.
Sim, reinado, a garota que tanto jurou não querer ter um reinado, construiu um para ela, de maneira lenta e traiçoeira, como uma raposa, na realidade. Ela havia feito o mesmo que os pais, só que de uma maneira menos óbvia. Ela não havia surgido na mídia de uma hora para outra, ela sempre se manteve sobre ela, sobre os holofotes, mascarando o império que ela estava construindo.
Umpft, Érica sabia que apenas uma pessoa seria capaz de amar Percy Jackson pelo seu caráter, e essa pessoa não era Annabeth Chase. O moreno dos olhos verdes tinham segredos que apenas ela sabia, porque ele havia confinado e confiado esses segredos para ela, coisa que sem dúvidas alguma ele não havia feito com a outra.
Então eles respirarem fundo e começaram a colocar as ideias no papel, fazendo a bondade de deixar Annabeth se iludir com a sua felicidade enquanto eles faziam o que ela não fez: criavam bases, válvulas de escape, laços e nós. Era como se, caso tudo desse errado — o que não ia, se dependesse deles, acontecer — eles tivessem um método de recomeçar e rebobinar a vingança, congelando tudo ao redor deles, sem medo.
Iriam destruir corações, casamentos e famílias. Não iria atingir apenas Annabeth Chase, iria atingir todos ao seu redor, com um motivo bem mais significante do que o dela. Afinal, quem liga se ela quase se matou por causa da perda dos amados e mafiosos pais dela? Quem liga se ela se tornou uma viciada? Quem liga para a maravilhosa história de superação dela?
Ninguém, porque tudo era muito maior do que ela. Não se tratava apenas dela, mais sim de muito mais que foi mascarado com o tempo, de coisas que ninguém pareciam se lembrar, de pessoas abandonadas, quebradas e destruídas, a merce de si mesma, tendo que crescer e se tornar alguém, de renascer, sem a ajuda de ninguém.
É muito fácil fazer isso com alguns milhões na conta bancária. É fácil fazer aulas de etiqueta, moda, línguas estrangeiras e estudar em uma das melhores faculdades do mundo, é tudo muito fácil para quem tem dinheiro. Mas, eles não tinham, eles lutaram para ter aquilo que tinham, lutaram para ter a pequena reserva de dólares e euros nas contas deles, mas a maioria agora estava bloqueada e eles tinham que tomar cuidado para não serem caçados.
Eles não queriam o topo, eles queriam o meio termo, pois o que está nas entrelinhas tem uma capacidade de destruir e quando se está no meio termo da coisa, você tem as suas vantagens e desvantagens. Quatro seres humanos completamente diferentes, rolando na escuridão das suas vidas, iriam roubar cada pingo de felicidade da vida de uma só pessoa, destruindo tudo o que um dia ela já tocou.
Para se vingar, não pode sentir. Uma vez que a vingança começa, ela nunca chega ao fim.
– Que se faça o inferno na vida de Annabeth Chase — Luke disse distribuindo espumante para cada um deles. A garota, receosa, aceitou, sabendo que a partir do momento que eles brindaram aquela frase, ela estaria assinando seu contrato com o diabo e, depois disso, não teria mais como voltar.
Seria um longo, bem longo mesmo, caminho. Não sabia quando aquilo acabar, quanto tempo iria levar e onde aquilo iria levar, só queria que fosse curto e simples, só que, pelo olhar de cada um ali — principalmente de Érica — eles iriam até aquilo ser considerado a Terceira Guerra Mundial.
– Annabeth acendeu o fogo, mas não apagou ele corretamente — Jacob disse olhando com malícia e prazer para todos. — E, então, nós somos a faísca que vai reacender tudo.
– Claro que vamos, afinal... — Érica disse fazendo a garota se levantar. — A vingança nunca acaba.
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